Colona

nossa coluna no Lona!

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23/05/11
Autopromoção musical na Internet
Felipe Gollnick


Milhares e milhares de bandas desconhecidas disputando espaço na Internet. Como fazer para se destacar? Eis alguns fatores que podem ajudar.

Saber utilizar o Twitter é essencial. Se uma banda começa a tuitar coisas engraçadas, envolventes e inusitadas, seus seguidores começam a retuitá-la (o retweet é uma forma extremamente simples e eficaz de propaganda, por mais que não pareça). Assim, os tweets dela chegam a um público que não a conhece e que torna-se potencial simpatizante do grupo. Daí ao tuiteiro curioso clicar em algum link e ir parar na página do conjunto do Myspace, é um piscar de olhos.

Então chegamos a outro ponto importante: material de qualidade. A banda pode fazer o melhor trabalho de autopropaganda do mundo mas provavelmente não irá a lugar nenhum se não tiver músicas boas e bem gravadas disponibilizadas em algum lugar na Internet (uma boa imagem também vale muito, mas isso pode ficar em segundo plano). Veja o caso do Homemade Blockbuster: o conjunto indie-rock curitibano botou apenas duas músicas em seu Myspace – ambas gravações caseiras mas com boa qualidade técnica, além de serem ótimas composições – e agora já vai longe, com shows pelo país afora e contrato assinado com um selo do Rio de Janeiro.

Mais um fator importante: sorte. E com esta é difícil lidar. Mas o caso é que se as pessoas certas por algum motivo não passarem pela página da banda, ela também não sairá do lugar. E por pessoa “certa”, entenda-se qualquer tipo de pessoa que possa apaixonar-se pelo som e empolgar-se com ele já na primeira audição, e que esteja com disposição (esta depende do dia, do clima etc) para divulgar a banda por conta própria para os amigos, para a namorada, para o cachorro.

Junte-se tudo isso e você tem um produto infalível. Não há anonimato que resista a uma combinação de música boa, autopromoção certeira e acaso. O mais recente e incrível caso é o de um grupo curitibano chamado A Banda Mais Bonita da Cidade: eles vinham trilhando um bom caminho ao disponibilizar registros de qualidade, ao fazer ótimos shows e ao utilizar com esperteza os recursos da Internet (com certa frequência eles fazem Twitcams para conversar diretamente com o público, por exemplo).

Mas de uma hora para outra um vídeo que a banda subiu no Youtube na última quarta virou febre. O clipe da música “Oração” apresenta uma canção agradável e imagens extremamente felizes e emocionantes. Alguém publicou algum link; outra pessoa viu, gostou muito e divulgou outro link. O efeito foi viral e em poucas horas o clipe era assunto em incontáveis tweets e posts no Facebook. No dia seguinte, o vídeo já estava em blogs importantes e sites espalhados pelo país. Em apenas dois dias e meio, foram mais de 350 mil views no Youtube. 

Prova de que a combinação dos fatores funciona bem.


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09/05/11
Queremos!
Felipe Gollnick

Atenção, curitibanos fanáticos por música! Se desde o fechamento da Pedreira Paulo Leminski, em 2008, ficamos nos lamentando por muitas bandas internacionais fazerem turnês por várias capitais do país mas passarem reto por Curitiba, é do Rio de Janeiro que vem uma solução tão simples quanto eficaz.

Por lá a reclamação era a mesma. Vários artistas de além-mar vinham ao Brasil mas não paravam para fazer um showzinho sequer na cidade maravilhosa. O motivo alegado pelos produtores desses eventos era sempre um suposto desinteresse por parte do público. Cansados de esperar e certos de que havia sim interesse do público, algumas pessoas resolveram tomar uma atitude. Os “Cariocas Empolgados”, como o grupo ficou conhecido, bolaram uma forma inédita de realização de eventos. Nascia aí o “Queremos”, uma ação entre amigos virtual.

Funciona mais ou menos assim: o grupo calcula o valor total necessário para a realização do show da banda pretendida (cachê + estadia etc). Este valor é dividido em pequenas fatias, que são os ingressos reembolsáveis. Estes ingressos são mais caros do que os convencionais, mas se todos eles forem vendidos (a quantidade é pequena, costumam ser poucas centenas de unidades), o show está garantido, já que o dinheiro para cobrir todas as despesas foi arrecadado.

Depois disso as bilheterias são abertas para a venda dos ingressos normais, a preços mais em conta. Se todos os bilhetes forem vendidos, a quantia é toda revertida para as pessoas que compraram os ingressos reembolsáveis, já que o Queremos não tem fins lucrativos. Então se tudo funcionar direitinho e todo mundo colaborar, quem compra o ingresso reembolsável vai ao show de graça.

Difícil de entender? Vamos a um exemplo mais prático. Para poder promover a apresentação do cantor de soul Jamie Lidell, era necessário que o Queremos fizesse o levantamento de R$ 38 mil. Essa quantia foi então dividida em 190 ingressos reembolsáveis, cada um custando R$ 200. Todos eles foram vendidos. Assim, o show foi confirmado e as entradas normais começaram a ser vendidas a R$ 50 cada uma. Se 1 500 dessas entradas fossem vendidas, quem comprou o ingresso a R$ 200 receberia todo o seu dinheiro de volta e iria ao show de graça.

E ainda tem mais: se empresas entrarem como apoiadoras do evento comprando ingressos reembolsáveis, a quantidade de público necessária para garantir o reembolso cai. No caso do show de Jamie Lidell, depois da entrada dos apoios o número de bilhetes necessários caiu de 1500 para 950. E assim fica ainda mais fácil de ir ao show de graça. Basta participar do pontapé inicial.

Aqui em Curitiba até houve um princípio de ação como essa. Depois de ver o sucesso da empreitada dos cariocas, alguns até tentaram promover o nascimento dos “curitibanos empolgados”, mas a iniciativa se resumiu a algumas mensagens em um grupo de e-mails que acabou não indo muito para a frente.

Resta aplaudir os cariocas pela atitude! E torcer para que alguém pense na ideia por aqui. Ou então, melhor ainda, seja você mesmo um empolgado!

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04/10/10
Brincando de fazer música
Matheus Chequim

Que o Pato Fu é eficiente quando o assunto é fazer releituras de músicas de outros artistas a gente já sabe. Que Fernanda Takai, vocalista da banda, tem um carisma singular, também não é nenhuma novidade. Mas não é que ainda assim eles conseguem nos surpreender?

Imagine a seguinte situação: você acaba de chegar em casa, tarde da noite, voltando do trabalho ou faculdade, quando se depara com uma imensa bagunça em seu quarto. Seu irmão caçula (ou filho, ou sobrinho, ou quem quer que seja o pequeno homicida) parece ter passado o tempo todo em que você esteve fora brincando com absolutamente todos os brinquedos que ele tem, e agora dorme como um anjo deitado em sua cama. É carrinho jogado pra um lado, boneco pro outro... Agora vem a pergunta: como você reage a essa situação? Opção a) dá uma surra no moleque pra ele não fazer isso de novo, b) mantém-se calmo, arruma tudo e vai dormir, c) dorme na sala e no dia seguinte faz a criança organizar tudo, ou d) fica com vontade de ser criança de novo e começa a brincar com tudo.

E então? Já decidiu? Lamento lhe informar que seu tempo acabou. Enquanto você permanecia de pé em frente àquela cena pensando no que fazer, 5 pessoas estranhas vindas do além entraram no quarto quase que te atropelando, sentaram no meio de toda a bagunça, procuraram qualquer objeto que emitisse algum tipo de som e começaram a brincar de fazer música. E ainda acordaram a criança pra participar.

Essas cinco pessoas podem ser Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo, e o resultado desse gracejo se chama Música de Brinquedo, mais recente trabalho do Pato Fu, lançado em agosto deste ano. São 12 faixas releituras de canções que vão de Zé Ramalho a Paul McCartney, passando por Rita Lee e Elvis Presley, em rearranjos compostos por pianos de brinquedo, saxofones de plástico, realejos, instrumentos de musicalização infantil, entre outros. 

Além de curioso e divertido, o álbum inteiro é incrível, a começar pelos arranjos muito bem adaptados aos instrumentos de brinquedo. É surpreendente, não podia ser diferente. A imprevisibilidade das crianças que cantam ao longo de todo o disco proporciona ao ouvinte situações adoráveis, como no refrão de Live and Let die. Ouvir os pequeninos falando inglês por si só já é adorável, mas fazê-los cantar no idioma estrangeiro e gritar hey hey hey! em My Girl já é jogo baixo. Entre as nacionais, Pelo Interfone sintetiza toda a inocência encontrada no álbum, enquanto Ovelha Negra é como uma criança fazendo pose de adulto. Desconfio até que Música de Brinquedo seja capaz de amolecer o coração de qualquer marmanjo.

O mais legal é que o Pato Fu já está se apresentando ao vivo com esse projeto pelo Brasil afora. Curitiba está na agenda da banda para o dia 6 de novembro,  mas a curiosidade em relação ao show de brinquedo vai ficar por mais algum tempo. O concerto que será apresentado no dia 6 é referente à um álbum anterior do Pato Fu, o "Daqui Pro Futuro", e acontecerá na recém-oficializada Virada Cultural curitibana. O show será nas Ruinas de São Francisco e a entrada, gratuita. 

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28/09/10
A Internet e o herói da música nacional Em outros tempos, Curumin seria um sucesso
Felipe Gollnick

Veja lá o rapaz cantando e tocando bateria com um sorriso enorme no rosto, adorando o que está fazendo, se divertindo com o seu trabalho. Luciano Nakata – muito mais conhecido como Curumin – é um músico espirituoso. Toca bateria com as mãos invertidas (a esquerda faz o que a direita faria e vice-versa) enquanto canta as músicas que compõe e produz para o seu grupo, o “Curumin & The Aipins”.

A forma que consagrou Luciano está em algum lugar entre o rap, o pop, o samba, a velha e a nova MPB. Mas não pense em Marcelo D2: Curumin é muito mais profundo e virtuoso do que o antigo MC do Planet Hemp. Enquanto o rapper carioca cai para a marrentice, o multiinstrumentista paulistano abusa da alegria em composições cheias do frescor da música brasileira dos tempos da Internet. A mistura tem dado certo.

Por exemplo: “Guerreiro”, a primeira faixa de seu álbum de estreia (“Achados e Perdidos”), é uma confluência de um cavaquinho alegre e sambado com loops de rap acelerado, a construir uma sonoridade ágil e feliz – a música foi trilha sonora de comerciais da campanha “Joga Bonito” da Nike. Já “Caixa Preta”, em que Curumin conta com a participação de BNegão (também ex-vocalista do Planet Hemp), é uma espécie de protesto contra a corrupção na política brasileira e está no áudio do jogo FIFA 2009. E volte e meia Luciano embarca em alguma turnê para a Europa e os E.U.A. No entanto o músico é conhecido por pouquíssima gente em seu país de origem.

Curumin é um exemplo do que acontece em tempos de internet. Há tanta banda boa na grande rede que poucos nomes são consenso, e o sucesso acaba virando algo quase impossível. Rômulo Fróes (um dos grandes nomes da Nova MPB) certa vez disse que Curumin teria cacife para ser um fenômeno do tamanho de Tim Maia ou Jorge Ben e poderia muito bem tocar na novela das oito, mas que a desorientação causada pela internet acaba impedindo isso.

No final das contas, Luciano Nakata parece um heroi da música brasileira atual. Em shows que são cerimoniais de felicidade, ele espalha a alegria através da mais autêntica brasilidade atual, e segue na luta. Enquanto não virar ídolo, Curumin continua sendo um guerreiro. E defende o Brasil.

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14/09/10
O suposto regresso da indústria musical brasileira
Matheus Chequim

Quem gosta de boa música deve ter percebido como é difícil escutar rádio hoje em dia. Certamente isso se deve ao fato de que as rádios mais populares são abastecidas pelas grandes gravadoras que fazem parte da indústria cultural da música atual. Convenhamos que falar sobre a influência da internet no mercadofonográfico, seja o brasileiro ou internacional, chega a ser algo meio batido.

Não apenas se tratando da indústria musical, mas discorrer sobre a influência da internet em qualquer assunto ou área não me parece muito inovador. Há, porém, certos questionamentos que fogem um pouco desse senso comum sobre o advento da internet que são interessantes de serem feitos.

Sei que ao mesmo tempo que essas bandas recentes fornecidas a nós pelas grandes gravadoras e Ricks Bonadios da vida conquistam muitos fãs, atraem também uma série de críticos, como eu. As acusações são diversas, e vão de baixa qualidade musical até o forte apelo visual, passando ainda pelas letras vagas e pouco cultas. Se voltarmos não muitos anos no tempo, veríamos nas prateleiras das lojas de discos CDs de bandas como Capital Inicial, Barão Vermelho e Legião Urbana, nos lugares hoje ocupados por Nxzero, Fresno e Pitty. O que há de comum entre todas essas bandas é que todas têm ou tiveram contratos com grandes gravadoras.

Podemos olhar para essas diferentes gerações da indústria fonográfica brasileira e dizer que ela ficou pior com o passar dos anos. Porém, dizemos isso pois hoje na internet temos acesso a um cenário alternativo musical que nos permite comparar esses dois movimentos: o das grandes gravadoras e o independente. Há muita indignação ao perceber que muitas vezes quem chega ao topo das paradas de sucesso hoje dia não são aqueles que representam o que há de melhor na música. É claro, hoje há modos de fazer essa comparação. Mas e antes da internet, como se fazia essa comparação? No máximo frequentando os shows independentes que aconteciam pelos cantos do país, o que era um tanto limitado. Desconhecendo o cenário alternativo da época, quem garante que o Barão representava o que de melhor acontecia na década de 80? Qual era o referencial?

É justamente por conta dessa referência única que glorificamos o passado vemos com estranheza o presente.

Diz-se muito que a internet trouxe uma democratização maior da informação, e acho que isso se aplica muito bem a esse tema. Hoje temos diversos movimentos acontecendo simultaneamente, seja fora ou dentro da indústria cultural. Hoje temos liberdade de escolha.