31/07/2012

Cena Independente #7 - julho

Epa, já é dia 31? Mais um mês que passa voando. E no fim de mês, você já sabe, a gente publica por aqui a Coletânea Cena Independente. E nesse mês de julho chegamos já à sétima edição desse negócio.

Não sabe do que estamos falando? Oras, o Cena Independente é um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma coletânea mensal, publicada sempre no último dia de cada mês pelos blogs parceiros. Com organização do FUGA Underground, todo mês os blogs se revezam na escolha da elaboração da arte da capa por um artista de sua região. Nesta edição de julho, Douglas Feer foi o convidado do blog Ignes Elevanium, do Espírito Santo.  


Para esta sétima edição indicamos a música Distress, do Audac, banda curitibana que está prestes a abrir para os australianos do Tame Impala no próximo Popload Gig. No mais, a coletânea conta com a presença de novos blogs e está deliciosamente eclética, como sempre: destaque para a fofurice da baiana Nana, para o hardcore-clássico-zoado dos capixabas do Merda e para o rock-rock dos maranhenses do Garibaldo e o Resto do Mundo. Tem até metal aí no meio (**faz o símbolo do chifrinho com as mãos**). Vai vendo!

Curtiu a ideia do Cena Independente? Tem um blog de algum dos estados que não estão na lista e quer entrar nessa pira? Manda e-mail para a Clara, do FUGA Underground, em mixtape.cenaindependente[arroba]gmail.com 
ou para a gente em defenestrandoblog[arroba]gmail.com

Clique aqui para baixar a coletânea (o download iniciará automaticamente). Para ouvir as músicas via soundcloud, clique aqui ou vá até o final do post.


A seguir, detalhes sobre cada faixa da coletânea #7:

PARAÍBA: Atividade FM 
Grandphone Vancouver - It All 
alternative 
Grandphone Vancouver é o projeto de TCC do Fernando Ventura, estudante de Arte e Mídia na UFCG, e também músico. Para finalizar seu curso ele preparou o lançamento de um clipe para a música Miss Me, que acabou se tornando um viral. Em breve, estará lançando o EP When The Echo Returns, pelo selo Vigilante. A sonoridade da banda lembra um pouco o trabalho dos britânicos do Radiohead em seus primeiros álbuns. 
Para quem gosta de: Rieg, Gauche, City and Color 

PARANÁ: Defenestrando 
Audac - Distress 
indie/electro/trip 
A mistura de uma guitarra para lá, um sintetizador para cá, um baixo hipnotizante e uma dupla feminina nos vocais sussurrados do Audac há de fazer marmanjos e garotas ficarem de pelos arrepiados. Após algum tempo sumido, o grupo liderado por Débora Arobed e Alyssa Aquino ressurge com nova formação (Pablo Busseti na bateria e Alessandro Oliveira, ex-Copacabana Club, na guitarra) caindo já de cara nas graças do blogueiro Lúcio Ribeiro: em agosto o Audac se apresenta no Popload Gig, abrindo para os australianos do Tame Impala. 
Para quem gosta de: Portishead, Sneaker Pimps 

BAHIA: el Cabong 
Nana - Expressionismo Alemão 
chanson/neo-bossa/dream-pop 
Numa Bahia que sempre coube de tudo, há essa garota ruiva, alvíssima, tímida, que morou na Rússia e decidiu que ia viver de música. Nana canta, toca piano, teclado e escaleta, faz programação e cria uma música doce, carregada de poesia e leveza. Com um EP gravado e preparando o primeiro CD, ela traz um imaginário entre o lúdico e o onírico que passa por montanhas russas, filmes thecos, piscas-piscas de Natal e o pôr-do-sol de Salvador. 
Para quem gosta de: Stereolab, Serge Gainsbourg, Brigitte Bardot, Tom Jobim 

MINAS GERAIS: Meio Desligado
Iconili - O Rei de Tupanga 
afrobeat / jazz / alternativo 
Em nova fase na carreira (agora com oito integrantes), a Iconili prepara novo CD, do qual O Rei da Tupanga é a primeira amostra. O som instrumental da banda une batidas africanas, jazz e experimentações psicodélicas e resulta em uma das maiores apostas da nova cena mineira. 
Para quem gosta de: Bixiga70, Mulatu Astatke, Jaga Jazzist 

RIO DE JANEIRO: RockinPress
People I Know - Brazil 3 
eletrônico/mininal/downtempo 
Antes do SILVA e o Mahmundi tomarem a internet brasileira como fizeram, lembrem-se que eles tiveram um outra mente para ajudar e pontuar o som que eles produzem. Esse rapaz se chama Lucas de Paiva e é a intercessão entre o indie-eletrônico e a mpb produzida pelos jovens citados. O trabalho é instrumental e eletrônico, mas conserva os detalhes orgânicos que tornam seu trabalho tão elogiado, como mostra Brazil 3 e seus assobios próprios para cachorro em cima de uma batida seca e repetitiva. 
Para quem gosta de: Mahmundi, SILVA, David Guetta 

MATO GROSSO: Factóide!
Maria Albina - Café 
pop rock 
O EP Café foi uma surpreendente evolução da banda Maria Albina, que mostra o amadurecimento de seus membros como músicos e como pessoas. A música título é uma grata surpresa, e ainda tem um leve toque country que tem marcado as produções mais novas daqui de Cuiabá. 
Para quem gosta de: Soulstrippera, Beatles 

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Arthur R. - Sunshine 
rock psicodélico
Se existe uma unanimidade no rock potiguar são Os Bonnies. Não bastasse fazerem música consistente em cima do bom e velho rock 'n' roll, é uma banda que ainda cresce ao vivo. Arthur R. é guitarrista e vocalista da banda. Paralelamente ao trabalho com Os Bonnies, o músico vem experimentando outras sonoridades, compondo e registrando de forma despretensiosa seu material solo - em parte publicada em seu blog. No ano passado, ele juntou algumas dessas faixas em um disco: Li-Mo-Na-Da (que você pode baixar lá no Hominis Canidae). Seguindo uma linha similar à banda principal, Sunshine é uma de suas gravações mais recentes e a segunda a ganhar clipe. 
Para quem gosta de: The Sonics e Beach Boys 

Dead Leaves - Sweet Cida
rock/pop/blues 
Para darmos o pontapé inicial nesse projeto, escolhemos a banda Dead Leaves, que nasceu em 2004 aqui em Fortaleza. Como eles mesmos dizem, "criam e recriam" a sonoridade, mas nunca deixam de lado o rock cru e simples das bandas de garagem. O quarteto George Alexandre, Humberto Kelvin, João Luiz e Lara Viana já tem 3 EPs na bagagem. 
Para quem gosta de: Verónica Decide Morrer, The Libertines, The Strokes 

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Looking For Jenny - Is It A Photon In My Hair 
lo-fi/noise/shoegaze 
Com a responsabilidade de ser o 50° lançamento do ótimo selo carioca Transfusão Noise Records, o quarteto paulista Looking For Jenny plugou as guitarras e despejou meia dúzia de canções distorcidas e vibrantes em seu novo EP Monkey Rudiments. As influências do lo-fi, do shoegaze britânico e do noise rock americano são escancaradas a cada acorde. Ou seja, se você curte Pavement e Dinosaur Jr, pra ficar só nos mais óbvios, não deixe de se entusiasmar com o Looking For Jenny, a novidade mais barulhenta e empolgante de São Carlos. 
Para quem gosta de: Dinosaur Jr., My Bloody Valentine, Yuck 

PERNAMBUCO: Altnewspaper 
Eu O Declaro Meu Inimigo - Evolução ao Contrário 
punk rock/hardcore/trash 
A banda Eu O Declaro Meu Inimigo é do Recife e lançou nesse ano o seu primeiro registro oficial, chamado Música pode ser perigosa. O disco tem 12 faixas e pode ser baixado gratuitamente no bandcamp do grupo. O grupo foge um pouco da sonoridade da maioria das bandas punk/hardcore da atualidade e resgata aquela sonoridade dos anos 80 unidos ao barulho do trash mais atual. A faixa Evolução ao Contrário é um bom exemplo das influencias deles e do que eles querem passar como mensagem. Após oito anos de submissão, agora é a vez deles descobrirem e mostrarem o que é diversão de verdade... 
Para quem gosta de: Ratos de Porão, D.R.I, Vitamin X 

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium 
Merda - Nem Todo Brasileiro Que Gosta de Futebol Gosta do Neymar 
hardcore/punk 
O Merda já está na estrada, porões e na mente dos jovens libertinos há um bom tempo, misturando críticas sociais, muito humor e um monte de tranqueiras que as pessoas comuns costumam descartar. Na sua formação temos integrantes de bandas como Mukeka di Rato, Zémaria, Morto Pela Escola, The Barlfly Surfers e Os Pedrero. Ou seja, o resultado só poderia dar em Merda, a banda mais esculachada de boa de Vila Velha e que vem neste ano com o Índio Cocalero, do qual retiramos o single Nem todo brasileiro que gosta de futebol gosta do Neymar
Para quem gosta de: Mukeka di Rato, Os Pedrero, Morto pela Escola 

Dry Bones Valley - Surrender 
metal 
O Dry Bones Valley é um grupo recém formado que toca metal, como está no release da banda: "Metal pesado, maloqueiro e sem dever nada pra ninguém". E é bem isso mesmo. A banda está divulgando seu auto-intitulado EP de estreia, mixado e masterizado por Geovani Maia (Estúdio Phantom), produzido pelos próprios integrantes e gravado de maneira 100% caseira dentro do quarto do baterista. Para a mixtape desse mês indico a música Surrender que é a mais "de boinha" pra não assustar os que tem ouvidos sensíveis, mas vou logo avisando: é metal fióte \,,,/. 
Para quem gosta de: Todo tipo de som pesado 

ALAGOAS: Sirva-se
Coffeeshop - Algumas Cervejas e Uma História
hardcore melódico/alternativo
Uma banda com pouco mais de um ano, mas com várias conquistas, frutos de um trabalho focado e decidido. Nesse pouco tempo já puderam tocar fora da cidade, gravar um split-cd virtual e participar de vários eventos por aqui. A música Algumas Cervejas e Uma História faz parte da lista de sons da primeira gravação e deve ganhar um vídeo clipe logo menos. 
Para quem gosta de: Noção de Nada e Zander 

Delinquentes - Formigueiro Febril 
Hardcore/punk
Com 27 anos de carreira, o Delinquentes é banda de referência na cena roqueira paraense. Tendo à frente o respeitado Jayme Katarro - fundador e único integrante da formação inicial - eles lançaram no primeiro semestre de 2012 o EP Formigueiro Febril pelo selo Takakaos Records. A formação atual traz ainda Pedro Bernardo (guitarra), Pablo Cavalcante (baixo) e Raphael Lima (bateria). O EP antecedeu o Dia D, show de gravação do primeiro DVD da banda, ainda em processo de finalização. 
Para quem gosta de: Ratos de Porão, Inocentes, Rammstein, Sex Pistols 

MARANHÃO: Shock Review
Garibaldo e o Resto do Mundo - Mulheres de Salto 
rock/pop/alternativo 
Garibaldo e o Resto do Mundo nasceu em São Luís em 2009. Em 2010 saiu o disco de estreia da banda, com oito faixas que vão do pop ao experimental. No mesmo ano o disco e a banda foram indicados em duas categorias do prêmio da rádio universitária do Maranhão: "Revelação" e "Melhor CD de pop-rock". Atualmente, a banda tem se dedicado à pré-produção do segundo disco, que começa ser gravado em setembro desse ano e, provavelmente, será lançado ainda no segundo semestre de 2012. 
Para quem gosta de: Pato Fu e Brendan Benson 

PIAUÍ: Uptune
Estro - Alegria do Sorriso 
indie rock 
Inspiração, entusiasmo poético ou artístico, riqueza de imaginação. Estro começou de um projeto de dois amigos, Rodrigo Gondim e Felipe Barros, que colocaram suas composições na internet e perceberam que aquilo podia da certo. Um tempo depois convidaram Lucas Gaspar para a bateria e Neto Carvalho para a guitarra, o que deu uma nova roupagem para a banda. Sentimentos refletidos em canções. 
Para quem gosta de: Chico Buarque, Jack Johnson, Bob Dylan 


Clique aqui para baixar a coletânea (o download iniciará automaticamente).

30/07/2012

Quem Me Dera - Banda Gentileza


E lá se vão alguns anos desde que a Banda Gentileza meteu a cara no mundo e lançou seu álbum de estreia, homônimo, em 2009. Passados alguns anos sem novos lançamentos oficiais, a prata da casa chega ao segundo semestre de 2012 com o pé no peito.

Depois de longa espera, os caras lançaram de uma só vez, neste trigésimo dia de julho, um single e um clipe novo: Quem Me Dera vem ao mundo após um bem-sucedido processo de crowdfunding que viabilizou a produção desta preciosidade audiovisual. O vídeo, bizarríssimo e divertido, foi assunto na tarde dessa segunda-feira nos twitters e facebooks da vida. Os motivos são óbvios. Acompanhe:


Mas considera, que a Banda Gentileza não é mera banda. Não bastasse essa belezoca, os caras aproveitaram para lançar também nada menos do que um game baseado no clipe: Game Dera é jogável via facebook e faz os mais nostálgicos voltarem por alguns instantes aos saudosos tempos dos joguinhos 8 bits, em que o importante era matar os monstrinhos e chegar ao fim do jogo. Dá até para desafiar os seus amigos. Venha aqui na fanpage da banda, procure o link para o jogo e tenha uma boa diversão.


*Quem Me Dera também não é mera canção e teve a produção de Gustavo Lenza, gabaritado rapaz que já trabalhou com Curumin, Lucas Santtana, Apanhador Só e mais uma pancada de gente boa. Há ainda na música as participações especiais de Cacá V (vocalista do Copacabana Club - afinal, de quem mais poderia ser aquela voz feminina sensacional?) e do flamejante duo Drunk Disco nos beats.


Curtiu a coisa toda? Então se prepare, que a festa de lançamento de Quem Me Dera já tem data marcada: dia 10 de agosto de 2012, na Sociedade 13 de maio, com a presença de convidados absolutamente ilustres no palco. Teremos a honra e o prazer de fazer parte deste festerê, dividindo as discotecagens com o próprio Drunk Disco.
Atualizaremos este post assim que tivermos mais informações sobre essa noite, que tem tudo para ser incrível e memorável. Quem foi ver Lemoskine e Apanhador Só em 2011 lá na 13 de maio se lembra muito bem de como o clima foi bom. Vai dizer.




...pra quem mora em São Paulo, o lançamento já é agora, 2 de agosto, no Studio SP da Vila Madalena.

25/07/2012

Entrevista - Apanhador Só

Um álbum de estreia lançado em um CD que vinha com as letras das músicas estampadas em cartões coloridos; uma fita K7 só de versões acústicas-sucateiras das músicas do primeiro disco gravadas com violão, brinquedos e sucatas dos mais variados tipos. Com o belo single Paraquedas materializado em um vinil branco de sete polegadas, o Apanhador Só encerra um périplo por lançamentos em formatos físicos inusitados.

Encerra? Será mesmo? Os guris da banda de Porto Alegre acabam de abrir um projeto de financiamento coletivo (o tão falado crowdfunding) com o objetivo de viabilizar a produção do próximo disco. Se conseguirem o valor necessário, uma nova preciosidade da musica indie brasileira deve surgir por aí e dar sequência aos ótimos trabalhos anteriores do Apanhador Só.

Aproveitamos a passagem da banda por Curitiba no início do mês (os apanhadores fizeram um grande show de lançamento de Paraquedas no Teatro Paiol) para bater um papinho com o guitarrista e vocalista Alexandre Kumpinski. Em uma rápida conversa de tarde fria e chuvosa passeamos pelo single, pelo novo álbum, pela rotina da banda e outras coisas mais. Acompanhe:


Divulgação

Como é isso de ter uma banda que toca país afora, de cujo som as pessoas parecem gostar e aprovar?
Cara, é uma loucura. Até hoje é curioso para mim pensar que, o que nós tocávamos na garagem lá de casa quando a gente era piá, hoje em dia faz sentido para pessoas espalhadas pelo Brasil inteiro, com vidas tão diferentes das nossas.

Vocês percebem que as pessoas se identificam com o som de vocês? Como é esse retorno do público?
É muito louco ver que muita gente posta [na internet] letras e partes das músicas, é uma satisfação. É muito bom ver que o que a gente está fazendo faz sentido para outras pessoas também. E ao mesmo tempo é curioso, ficamos nos questionando porque será que isso faz sentido para outras pessoas. Às vezes é algo que parece ser tão próprio da gente.

E a rotina de viajar para fazer shows? Ainda estão achando isso cansativo ou já estão acostumados?
É mais cansativo do que parece. As pessoas quando sabem que a gente está fazendo alguma turnê, dizem: “Bá, isso deve ser muito legal, muito divertido!” Até rolam momentos muito divertidos, mas tem momentos muito cansativos também. Carregar equipamento, pegar estrada, carregar e descarregar, montar o palco, passar o som, dormir pouco e cada dia em um horário diferente, comer em horários diferentes também. É uma batida diferente. No final de algumas turnês a gente já está bem cansado, bem a fim de voltar para casa para dar uma descansada.

Vocês têm vivido apenas em função da banda atualmente?
O Fernão [Agra, baixista] está fazendo faculdade de música, e o resto da banda está só tocando mesmo. A gente se envolve muito com o lance da produção, de organizar as coisas que vão além da música. É como se a gente tivesse dois empregos: o de músico e o de quem mantém a estrutura funcionando. O que hoje em dia acaba sendo a mesma coisa.

Falando de “hoje em dia”, até há algum tempo rolava essa coisa do álbum pensado como um conceito artístico, tipo o Sargent Pepper’s ter sido um álbum planejado como um todo. Em tempos de internet, em que as pessoas baixam um disco, ouvem uma vez só e esquecem, dá para encarar o álbum dessa maneira ainda?
Acho que dá, mas acho que para fazer um álbum conceitual desses é preciso de uma maturidade artística que nós ainda não temos. Mas o álbum ainda é o formato de consumo de música. Isso não se perdeu por enquanto, pelo que eu percebo. A galera curte baixar discos ainda. Porque se você lança músicas avulsas, você não consegue situar direito do que aquela música faz parte. Parece que ainda precisa do álbum para que a unidade "canção" tenha essa ligação com o formato, com um lançamento que diz que esse é o momento do artista. Tipo: “O nosso som agora é esse álbum, e dentro desse álbum são essas músicas.” Se a gente fosse começar a lançar só singles, ficaria tudo meio espalhado e você não conseguiria ter uma noção da história da banda.

Nesse sentido, como vocês planejam os próximos lançamentos do Apanhador?
Estamos lançando uma campanha no Catarse para financiar o lançamento do próximo disco, um álbum que vai ter umas 11 músicas, provavelmente. Se der certo, a gente entra em estúdio ainda esse ano para lançar no início do ano que vem.

As músicas novas estão prontas já?
Já temos 16 ou 17 músicas compostas, e dessas irão sair as 11 que farão parte do disco.

Qual foi a ideia do single “Paraquedas”?
Esse compacto... a gente lançou muito como um pré-disco, para testar alguns limites sonoros (técnicos até) que a gente estava querendo desenvolver no próximo disco. É como se fosse uma prévia do próximo álbum, que a gente ainda não sabe como que vai soar. É mais para não sairmos da experiência do primeiro álbum e do Acústico-Sucateiro e entrar direto no outro disco. Achamos que seria bom dar esse passo menor antes, até para nós vermos como que nós estamos. Uma transição.

E a ideia de lançar em vinil? Como vocês viram que isso poderia ser uma coisa viável, que valeria a pena?
Desde o primeiro EP a gente cuida para ter projetos gráficos interessantes. Porque se for para comprar um disco ou um objeto, e não só baixar o mp3 da internet, é bom que esse objeto seja interessante, para que a pessoa queira ter isso em casa. Como foram só duas músicas que a gente gravou... duas músicas são o formato clássico do compacto de antigamente, que era esse vinil de sete polegadas com o lado A e o lado B. E acabamos pensando naturalmente: “Ah, já lançamos CD, já lançamos fita K7, vamos lançar um vinilzinho agora!” Essa opção meio que surgiu naturalmente.

Saindo um pouco disso e falando de algo mais amplo: você consegue enxergar o Apanhador Só em um cenário nacional? Em termos de grande ou pequena... qual é a visão que você tem da banda, do tamanho dela?
A visão mais concreta que eu consigo ter é que, a partir do Rio Grande do Sul, a gente é a banda que mais cresceu e apareceu nos últimos dois anos, desde que lançamos o [primeiro] álbum. Hoje em dia a gente é uma das bandas mais ativas e reconhecidas de lá. Já para o Brasil como um todo... como o país é muito grande e tem muitas cenas e tudo o mais, já fica um pouco mais difícil de dizer. Mas acho que é isso, a gente existe no cenário nacional, e nosso primeiro álbum foi bem recebido, mais do que a gente esperava. E isso nos levou a um patamar que está até além do que a gente tinha imaginado para a banda. 


16/07/2012

Julho do barulho

Barulho. Barulho... Barulho; barulho! Barulho não falta em Curitiba. Alguns posts atrás fizemos uma entrevista com o Sonora Coisa, revelação do noise/post-rock curitibano. E agora, para quem curte essa maneira mais ruidosa/artística/doidona de encarar o rock (damos a isso o apelido carinhoso de "sol na orelha"), o próximo final de semana será bom. Vai vendo:


Na sexta-feira acontece no John Bull a festa White Noise, do esperto selo digital Sinewave. No palco, os curitibanos do This Lonely Crowd e do I Kill Kane (cancelado de última hora) recebem os paulistas do Hoping to Collide With e do S.O.M.A. Raríssima e barulhenta oportunidade de ver os três grupos em ação (se não for dessa vez, sabe-se lá quando poderemos ver um show de qualquer uma das três bandas novamente).

Ao lado do bom e velho Guga Azevedo (que está de blog novo), estarei a cargo das discotecagens durante os intervalos entre os shows. Venha por aqui e confirme sua presença no Facebook.

Serviço:
White Noise
Bandas: I Kill Kane, Hoping To Collide With e This Lonely Crowd
Discotecagem: Felipe Gollnick e Guga Azevedo
R$ 15 masc / R$ 12 fem.
A partir das 21h
John Bull - Rua Mateus Leme, 2204 - Bom Retiro

Mas não para por aí: no dia seguinte tem mais barulho.



Há meses sem fazer shows em Curitiba (o último foi em dezembro de 2011, no próprio Sinewave Festival), o ruído/mm se apresenta sábado no incrível Teatro Paiol. O grupo chega respaldado pela boa repercussão em torno do ótimo cover da música Índios, do Legião Urbana. Sem cerveja, sem conversas paralelas, sem ter que ficar em pé e com a música ganhando a atenção principal, são grandes as chances de que a banda transforme o Paiol em disco voador por alguns instantes. Venha aqui e confirme presença no Facebook.

Serviço:
ruído/mm
R$ 25 inteira / R$ 12,50 meia (ingressos antecipados à venda no Paiol e na Galeria Lúdica)
21h00
Teatro Paiol - Praça Guido Viaro, s/n - Prado Velho

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P.S: Pensei muito a respeito dessa regravação de Índios pelo ruído/mm e cheguei a alguma conclusão. Talvez eu caia na insistência de falar novamente bem da banda (não faltam comentários elogiosos aos caras aqui no blog) e até em uma afirmação pretensiosa demais, mas penso o seguinte: a nova versão fez com que a música de Renato Russo finalmente fizesse sentido para quem é da atual geração vinte-e-poucos-anos.

Não que as letras e as ideias passadas pelo Legião Urbana não sejam profundas e nem façam sentido, mas ao passar dos anos as mensagens e a musicalidade (esta principalmente) ficaram ultra-datadas e não têm nem de longe o mesmo impacto que tinham nos anos 80 e 90. Neste início de década de 2010, o ruído/mm tira as letras da música, aumenta o drama e quase nos faz entender o que Renato Russo tinha a dizer. Por essas e outras que volto a afirmar que o ruído/mm é uma das melhores bandas em atividade no país, mas tanto essa questão quanto a do Legião Urbana ficam para um outro post.

Mas também é o seguinte: daqui a uns dez anos provavelmente a versão do ruído/mm estará ainda mais datada do que a música original. Talvez.

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P.S 2: Legal demais essa espécie de ocupação rolando no Paiol. De uns meses pra cá, o histórico espaço cultural curitibano recebeu shows de Apanhador Só, Felixbravo, Rosie and Me, A Banda Mais Bonita da Cidade & China, Pélico e Anelis Assumpção, e ainda vem mais coisas bacanas por aí. Legal demais ver "os jovens" indo também ao Paiol.

13/07/2012

Viva Banda!


E na última sexta-feira aconteceu o chamado Dia do Rock. Internet afora pulularam promoções, homenagens, menções, a MTV fez uma programação inteiramente especial à data etc. Ainda que alguns tenham contestado a comemoração, não há um motivo para que não aproveitemos a ocasião para celebrar não só rock, mas a música, a vida, o universo e tudo o mais. E é bem aí que entra o projeto Viva Banda.

Capitaneado por Bê Müller (Narciso Nada) e Eduardo Lopes, o Viva Banda reune oito músicos convidados de várias cidades com o objetivo de rearranjar e regravar a clássica música Tropicália, de Caetano Veloso. O mote é, com a música, organizar uma espécie de "ocupação virtual" em blogs, sites e até rádios estão envolvidos. Acompanhe o vídeo:


Pelo Facebook Bê Müller entrou em contato e explicou melhor a produção do vídeo:
A banda existe, só que não... A gente produziu à distância, mandando apenas o trecho específico da participação para cada convidado... hehehe, loucura! Podia ter ficado esquizofrênico, mas ficou ducaralho!!! Cada um pirou do jeito que quis em sua casa, gravou e mandou pra gente.
Muito bacana a ideia do projeto e sua realização. Que venham novas iniciativas do tipo!

Para conhecer melhor o Viva Banda e os músicos envolvidos nele, venha aqui no site oficial do projeto.

10/07/2012

UFC Madrid (ou: Sobre Marina Vello, Adriano Cintra e a luta entre Silva e Sonnen)


Noite gelada e chuvosa em Curitiba. Pouco depois da meia-noite de domingo, 8 de julho, duas ou três centenas de pessoas aguardavam pelo início do show do Madrid, a atração principal do Zebra Stage, que acontecia no Espaço Cult, no centro histórico da cidade. Fora dali, nos bares e casas dos arredores do São Francisco, nos bairros de Curitiba e mesmo país afora, milhões de pessoas aguardavam o começo do que alguns (Galvão Bueno entre eles) convencionaram chamar de "A Luta do Século": Anderson Silva e Chael Sonnen se enfrentariam no embate principal do UFC 148.

O Madrid chamou a atenção pela sua formação: trata-se de uma reunião de ninguém menos que Marina Vello e Adriano Cintra, ela ex-Bonde do Rolê e ele ex-Cansei de Ser Sexy -- simplesmente duas das bandas brasileiras entre as que mais obtiveram destaque internacional durante a década de 2000. O Bonde do Rolê surgiu em Curitiba: três branquelos mandando ver em um funk carioca escrachado e nem um pouco comportado. Em pouquíssimo tempo as batidas do trio ganharam fama e destaque além-mar, e era até engraçado e irônico ver que, em um país que possui um Rio de Janeiro repleto de artistas que levam o funk carioca a sério, o nome de maior sucesso internacional no gênero era justamente o Bonde do Rolê, que nada mais era do que um trio de garotos curitibanos que levavam tudo isso como uma grande piada.

O sucesso do Bonde veio pouco tempo depois do enorme estouro do Cansei de Ser Sexy, encabeçado e regido pelo baterista e produtor Adriano Cintra. Entre as cinco garotas que completavam a escalação do grupo, Lovefoxxx era a vocalista artilheira a incendiar plateias por onde quer que o CSS passasse (a moça foi eleita pela NME como a terceira personalidade mais cool do ano de 2007). Let's make love and listen death from above foi uma das músicas do verão europeu daquele ano e Music is my hot hot sex foi o mais-bem-posicionado single que algum grupo brasileiro conseguiu colocar em uma parada da Billboard.

Já na década de 2010, Anderson Silva também é uma das personalidades brasileiras de maior destaque no estrangeiro. Aclamado por muitos como o maior lutador de MMA (Mixed Martial Arts) de todos os tempos, Silva vive hoje o maior momento de sua carreira e, na luta de sábado, defenderia seu cinturão na categoria peso médio e uma sequência de 15 vitórias, a maior na história do Ultimate Fighting Championship -- empresa que está completamente na moda no Brasil.

Brigas e escarcéu

Um enorme bate boca entre Marina Vello e Pedro D'Eyrot talvez tenha assustado os ingleses que foram ao Scala, bar de Londres em que o Bonde do Rolê fez show no dia 22 de novembro de 2007 (segundo o blog With Lasers noticiara no dia seguinte). Dali a algum tempo Marina Vello sairia do grupo e, para preencher seu lugar, o Bonde do Rolê se chafurdaria em um concurso feito via MTV para eleger uma nova vocalista. Duas acabaram sendo escolhidas, e a estreia delas em uma apresentação no VMB 2008 não agradaria a ouvidos mais exigentes.

Clima tenso também não faltou à saída de Adriano Cintra do Cansei de Ser Sexy. Há poucos meses, um comunicado publicado por Cintra em seu facebook avisava que, como orientado por seus advogados, estava tornando público que ele não faria mais parte do CSS. Mais tarde, em um vídeo colocado no YouTube em março de 2012, Cintra não poupou críticas pesadas às remanescentes do grupo, tornou públicas desavenças internas (deu nomes aos bois e expôs valores financeiros) e só faltou xingar as garotas da banda. Seria um nocaute? Elas agora seguem com as atividades sem a cabeça pensante do CSS.

Xingar? Talvez não tenha sido nem isso o que Chael Sonnen fez nos meses que antecederam a luta com Anderson Silva. Falastrão, Sonnen berrou aos quatro ventos tudo o que fosse desrespeitoso e, em uma entrevista coletiva, metralhou o que seria a sua a declaração mais repercutida: "As mulheres daqui [Brasil] são ótimas comigo. Fiquem à vontade para me ligarem e me fazerem uma visita. Minha impressão sobre o Brasil estando aqui é muito parecida com a que já tinha. Quando era criança, me lembro de conversar com meus amigos. Nós falávamos sobre as últimas novidades da tecnologia, medicina, jogos e da ingenuidade americana. Olhava para fora e via Anderson e as crianças brasileiras brincando na lama". Declarações como essa deram motivos para que qualquer simples simpatizante do UFC se transformasse em um feroz torcedor pela derrota de Sonnen.

E de algum modo tudo isso parecia estar sintetizado simultaneamente -- no Espaço Cult e em Las Vegas -- na última madrugada de sábado para domingo.


Cassim abriu a noite no Zebra Stage

Let's get it on (ou: it's time to rumble)

Tal qual as lutas de um card preliminar do UFC servem mais para esquentar o público para a atração principal que virá mais tarde, o show de Cassim (ex-Cassim e Barbária) na abertura do Zebra Stage fez muito bem esse papel de aquecimento: o rock sideral pé-na-estrada e competente de Cassiano esquentou os amplificadores e o ar do Espaço Cult. Talvez tenha esquentado até demais -- já que o calmo e sério Madrid, a atração principal que viria logo a seguir, nada tinha de pesado ou agressivo ou rock. Pensando logicamente, pela ordem o show seguinte seria o dos curitibanos do Rosie and Me, também escalados para o evento, mas por questões logísticas (melhor descritas pelo bom e velho Cristiano Castilho aqui) a ordem mudou, o Madrid passou a ser a segunda atração e o grupo de Rosanne Machado fecharia a noite.

Aí algo acontece, e de maneira semelhante aos intervalos entre as lutas do card principal do UFC, o show parece demorar uma eternidade para começar (a discotecagem certeira muito ajudou a amenizar a demora) e é só depois de um longo intervalo é que Marina Vello e Adriano Cintra sobem ao palco, acompanhados de um guitarrista e um baterista que muito parecia o Digão, do Raimundos -- que mais tarde seria revelado como um cara problemático, como se verá na sequência do texto.


Adriano Cintra é meio que o maestro da parada

Ali fora do Espaço Cult, em Las Vegas e nas televisões de todo o país, a luta entre Silva e Sonnen começava morna: já aos primeiros segundos o americano derruba Silva no chão e durante o primeiro round quase inteiro os dois ficam sempre ao solo, com Sonnen sempre dominando. Os cinco minutos iniciais são quase chatos -- a exemplo do Madrid, que até impressiona e agrada nos primeiros números, mas depois... depois você se acostuma e sente um pouco de sono. Ao vivo, as delicadas canções do álbum de estreia do Madrid (que não foi lançado oficialmente mas já circula por aí) ganham mais corpo e força. As músicas são boas, mas muito iguais. Um observador menos atento poderia sair da frente do palco, ir ao banheiro, comprar uma cerveja, conversar com os amigos e, ao voltar, teria a impressão de estar ouvindo a mesma música.

Afastado das luzes e no canto do palco, Adriano Cintra parece fazer o mesmo que fazia no CSS: ofuscar o brilho do próprio trabalho ao levantar a bola na área para uma outra garota fazer o gol e receber os louros: quem chama atenção agora não é mais Lovefoxxx, mas Marina Vello, que com um visual muito mais comportado do que o visto no Bonde se revela moça de beleza singular e uma voz incrível (por onde esse rosto e essa voz andaram o tempo todo??). 


Marina Vello não lembra em absolutamente nada sua própria figura no Bonde do Rolê

Mas... é isso. O show acaba, e é como se nada muito grande tivesse acontecido. Como o primeiro round da luta entre Silva e Sonnen, que acabou chato demais para o que se aclamava ser a luta do século.

Nocaute técnico

O segundo round começa. Silva se segura, não permite que Sonnen o derrube no chão novamente e encaixa alguns socos que deixam o americano desorientado, a ponto de Sonnen errar grosseiramente uma tentativa de golpe no esquivante brasileiro e ir ao chão com uma expressão desconcertada. Silva se agacha em frente ao adversário e prepara a vitória.


Aí vem ele

Após mais um longo intervalo, o Rosie and Me sobe ao palco em uma configuração esquisita: a vocalista Rosanne Machado, o guitarrista Thomas Kossar e o baixista Guilherme Miranda estão espremidos no canto esquerdo, enquanto o baterista Tiago Barbosa está isolado na outra ponta. Olhos em chamas, a cada intervalo Rosanne demonstra querer desferir impropérios contra a banda que subira ao palco antes dela e, ao que parecia, atrapalhara o esquema técnico da banda curitibana: "Garanto que para o baterista do Madrid o som não estava todo zoado", reclama a vocalista, extremamente desconfortável. Depois de alguma outra música, Rosanne explode: "Sério, pessoal. A gente não vai continuar esse show até que alguém venha arrumar o som". Uma voz masculina de alguém da mesa de som surge nos alto falantes, tentando acalmar: "Aqui na frente o som está bom". Um técnico sobe ao palco segundos depois, mexe em qualquer fio e sai, provavelmente sem encontrar maiores soluções. O show prossegue.


Rosanne fica desconfortável com o som no palco

Após uma série de golpes de Anderson, Sonnen consegue se levantar, mas novamente Silva encaixa socos potentes e o americano vai ao chão. O brasileiro parte para cima outra vez e após mais alguns golpes o juíz interrompe a luta, declarando o nocaute técnico e a vitória de Anderson Silva.

"Queria agradecer de novo o Madrid por ter ferrado a nossa noite", reclama Rosanne -- conforme relembra Castilho. Rosie, sempre tão dócil e tímida, nesse momento está quase irreconhecível. (Observação pessoal: apesar das reclamações, o som não está tão ruim quanto ela faz parecer. Vi shows da banda em que o som estava pior. O caso ali parecia mais ser a gota d'água de algo que teria acontecido antes). Ela agradece ao público que resiste às condições e ao horário avançado e, antes da última música, desabafa que é a primeira vez que fica aliviada de anunciar que o show estava terminando.

Anderson Silva levanta o cinturão. Quanta luta.


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Bacana: entre duas músicas, Rosanne anuncia que o Rosie and Me recebeu autorização para gravar seu ótimo cover de Ready for the floor, do grupo inglês Hot Chip. Notícia boa! A versão transforma um hit de pista de dança em algo muito mais profundo e tocante, e até então era uma pena não ter isso gravado em algum lugar. Vem coisa boa por aí.


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**Crédito das fotos dos shows: Karla Gironda

05/07/2012

vem aí - Mistinguett Live + Quick White Fox


Sexta-feira, 6 de julho. Início de inverno em Curitiba, a capital mais fria do Brasil. Uma data que, em condições normais, estaríamos implorando pra que você deixasse as cobertas, o filminho e a vontade de ficar em casa pra encarar o frio e balançar os esqueletos. A gente ia até usar essa desculpa, de que sair pra dançar e tomar um vinho ia ser bom pra se esquentar (ou arranjar alguém pra te esquentar), mas a verdade é que não sabemos se isso realmente cola.

Acontece que, excepcionalmente durante esta semana, o sol resolveu dar as caras na capital paranaense proporcionando aquele fim de tarde rosinha no céu que, a noite, ainda dá lugar a uma bela lua cheia. Acredite, tudo isso ao mesmo tempo. Sem contar que é a primeira sexta-feira do mês, e você acaba de receber seu rico dinheirinho para gastar da maneira que achar mais conveniente.

Todas essas maravilhosas condições nos dão a possibilidade de fazê-lo este convite (que faríamos de qualquer jeito) sem contar uma mentira sequer (cof cof).

Estamos falando do show da Mistinguett Live e Quick White Fox, duas das mais descoladas bandas da novíssima cena "meio eletro meio rock" desta nem tão pacata cidade. Para completar a noite, a discotecagem fica por conta do Defenestrando (conhece?) e do grande incentivador cultural (entre outras mil funções) Neri Rosa.

A Mistinguett Live lançou no ano passado o EP Petrified, que pode ser baixado na faixa - faixa por faixa - no site do projeto. Já a Quick White Fox lançou no começo deste ano o clipe excepcional da música She Said, que vale a pena ver e rever.

Para confirmar presença nesta noite inesquecível, aqui está a página do evento no Facebook. As informações você confere logo abaixo:

Mistinguett Live + Quick White Fox + Defenestrando + Neri Rosa
Sexta-feira, 6 de julho de 2012, a partir das 22h
92 Graus - Rua Manoel Ribas, 108 - São Francisco - Curitiba
10 mangos de entrada