30/06/2012

Cena Independente #6 - junho

É fim de mês! E não, isso não é uma música do Raul Seixas, mas sim a época de vir à tona mais uma edição da Coletânea Cena Independente. A sexta, para ser mais exato.

Para quem ainda não sabe, o negócio é o seguinte: o Cena Independente é um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma coletânea mensal, publicada sempre no último dia de cada mês por cada blog parceiro. 

Atualmente o projeto é formado por 15 blogs de norte a sul do país. A organização da mixtape fica por conta do FUGA Underground. Já a elaboração da arte da capa é revezada entre os parceiros, que escolhem sempre que possível um artista da sua região. Nesta edição de junho, quem desenhou a arte do mês foi o próprio Raphael Tataia do blog piauiense UpTune


Para essa sexta edição, o Defenestrando indicou a música Can be dead, do Subburbia. A faixa está no EP Pentagrama, lançado pelos caras no início do ano.

Curtiu a ideia do Cena Independente? Tem um blog de algum dos estados que não estão na lista e quer entrar nessa pira? Manda e-mail para a Clara, do FUGA Underground, em mixtape.cenaindependente[arroba]gmail.com 
ou para a gente em defenestrandoblog[arroba]gmail.com

Para ouvir as músicas via soundcloud, clique aqui ou vá até o final do post.


A seguir, detalhes sobre cada faixa da mixtape #6:


MINAS GERAIS: Meio Desligado
Câmera – Tulsa
indie rock
Câmera é atualmente uma das principais representantes do indie rock produzido em BH. Com dois EPs no currículo, a banda produz canções carregadas de melancolia, destacando-se pelas melodias e arranjos bem trabalhados.
Para quem gosta de: Real Estate, Atlas Sound, Pavement

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Filipe C. – Crack of Love
pop/folk/indie
Em apenas sete faixas, o paulistano Filipe C. apresenta ótimas referências, mostra que é um baita músico, conduzindo todos os elementos de suas canções, e não te deixa escolha, ao fim de seu EP de estreia, a não ser colocar o disquinho num repeat quase eterno. Folk, indie, pop, rock e até tímidos toques de sintetizadores. Em Silence EP, Filipe esbanja domínio em vários territórios sem jamais deixar que um atrapalhe o outro – está tudo redondinho, em seu devido lugar.
Para quem gosta de: Pinback, Elliot Smith, Death Cab For Cutie

RIO DE JANEIRO: RockinPress
Isadora – Serenata
nova mpb
Acho interessante nome de pessoa em banda porque, simplesmente, engana. Ainda mais quando cinco marmanjos se chamam Isadora e tentam fazer MPB na terra da MPB. Enquanto a gente se satura de mesmices e comparações infundadas com Los Hermanos, eles simplesmente dedicam boas melodias para ouvidos atentos, embalados por uma voz doce e letras delicadas, como podemos ouvir em Serenata, faixa presente no álbum de estréia da banda, chamado A Eletrônica e Musical Figuração das Coisas e lançado este ano.
Para quem gosta de: Chico Buarque, Vinícius Castro, Caetano Veloso

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Simona Talma – Nas Barbas do Profeta
indie pop
Em uma carreira de quase 15 anos como cantora e compositora, Simona Talma lançou seu primeiro disco somente em 2008. A Moça Mais Vagal Que Há trazia uma mistura de blues, jazz e rock que conquistou a crítica local. O sucesso de público, no entanto, só veio três anos mais tarde. Arriscando em uma linguagem mais pop, o Talma&Gadelha foi a grande revelação do rock potiguar no ano passado. Seguindo uma linha similar à de Matando o Amor (2011), Nas Barbas do Profeta, primeiro single de seu próximo disco solo, traz até um quê inesperado do indie pop ensolarado de bandas suecas como Hari and Aino ou mesmo o The Cardigans da época de “Rise and Shine”.
Para quem gosta de: The Cardigans, Ludov, Penélope

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Sol na Garganta do Futuro – Das Pulsações
experimental/poesia falada
Poesia falada encaixada em arranjos musicais, ou música encaixada em falas. Voz envolvente, performance teatral, música experimental são alguns detalhes desta, vejamos, “banda”, que assume uma trajetória tão diferente do habitual. Seu debut é No meio e tudo: Espaço (disponível para download), com um pouco de rock, sons eletrônicos, ritmos nacionais e coisas estranhas que soam bem.
Para quem gosta de: 3 Na Massa

PERNAMBUCO: AltNewspaper
Ex-Exus – Estejam Sempre Aqui
porno rock/pós-mangue/freak mpb
A música Estejam Sempre aqui é o cartão de visitas do novo disco da banda pernambucana Ex-Exus: o álbum XÔ! sai ainda nesse ano. Com essa música eles convidam toda  a sociedade brasileira a seguir seus passos, nem sempre corretos (longe disso), mas carregados de muita dúvida e confiança. A Ex-Exus é hippie, a Ex-Exus é pop, a Ex-Exus é reggae, a Ex-exus é rock! Antes disso tudo, eles ja estavam bem pirados, ansiosos e bebados...
Para quem gosta de: Talking Heads, Lula Côrtes, Fernando Mendes

BAHIA: el Cabong
Velotroz – Do Amigo
rock/MPB/tropicália
Uma das boas promessas da nova geração do rock baiano, a Velotroz prepara seu disco de estreia, mas antes soltou o EP Espelho de Sharmene, com quatro músicas que já mostram uma evolução na mistura de rock com MPB. Um amálgama de sons, ritmos e influências que vai ganhando identidade e mostra que ainda há o que trazer de novidades neste universo da música brasileira. Guitarras gritando, percussão, teclados, cozinha no ponto e um vocalista de alto nível criam uma atmosfera especial...
Para quem gosta de: Caetano Veloso, Ronei Jorge, Gilberto Gil, Wado

Molho Negro – Mania de Perseguição
rock
O power trio Molho Negro lançou em janeiro o primeiro EP, Rock!, gravado no estúdio Rocklab (Goiânia), com um som direto e dançante, letras que falam de situações cotidianas com um ar entre ácido e despojado e vocais ao mesmo tempo fortes e melodiosos. Formada por João Lemos (voz/guitarra), Raony Pinheiro (baixo) e Augusto Oliveira (bateria/vocais), a banda já está em pré-produção para mais um EP e acaba de ter um vídeo lançado pela produtora Greenvision (PA), para Mania de Perseguição.
Para quem gosta de: Danko Jones, Black Rebel Motorcycle Club, The Vines

MARANHÃO: Shock Review
Fúria Louca – Rock Fever
hard rock/heavy metal
Banda de hard n’ heavy cujo primeiro CD acaba de ser lançado. O álbum, também intitulado Fúria Louca, conta com dez faixas produzidas de forma independente, que trazem claras influências do autêntico hard rock e heavy metal dos anos 80. Peso e atitude interpretados em refrões marcantes e riffs de guitarra que remetem ao tempo em que as bandas de metal se preocupavam em fazer hits, embalar festas e marcar a vida de toda uma geração. Não há espaço para o introspectivo, não há espaço para experimentações, não há espaço para a frivolidade radical e infantil. Para a Fúria Louca, o rock é rock!
Para quem gosta de: AC/DC, Accept, Motley Crue, Guns n' Roses

PARANÁ: Defenestrando
Subburbia – Can Be Dead
noise/pop/dance-punk
Sem demonstrar ser um grupo pretensioso, o Subburbia está entre uma leva de bandas curitibanas capaz de fazer o jornalista/blogueiro Lucio Ribeiro dar cambalhotas de alegria (por diversas vezes Lucio aclamou o grupo como “nossa nova banda favorita”). O Subburbia mistura rock sujo com referências visuais dos anos 90 sem dispensar algo que remeta ao pop atual. A despreocupação com uma afinação vocal impecável também é uma marca das músicas da banda e combina bem com a proposta musical do Subburbia. Can Be Dead está no EP Pentagrama, lançado no início do ano.
Para quem gosta de: Sleigh Bells, New Order, The Stone Roses

ALAGOAS: Sirva-se
Katty Winne – Your Girl
indie rock
Caminhando numa fronteira entre o grunge e o indie rock, a alagoana Katty Winne esbanja atitude em suas músicas e apresenta uma sonoridade concisa e bem decidida, atitude de sobra dessa garota que vem ganhando espaço com um trabalho sincero. Sem preocupações mais apuradas com rótulos, Katty lançou recentemente seu segundo EP, Molly Gun, com cinco músicas. Your Girl se destaca pelo peso das guitarras e sua pegada garageira. Vale a pena ouvir!
Para quem gosta de: Weezer, My Bloody Valentine, Sonic Youth

MATO GROSSO: Factóide!
Veniversum – Catarse
rock
Em 2010, a Veniversum foi uma bem vinda novidade na cena, principalmente por sua divulgação através de Webtvs e mídias sociais. Faz algum tempo que a banda tem estado inativa, mas no mês de junho eles resolveram lançar um EP que estava pronto desde 2010. Não se sabe se é o prenúncio do retorno da banda, mas de qualquer maneira é um material muito interessante.
Para quem gosta de: Queens of Stone Age e Stone Temple Pilots

Ultravespa – Motel Barato
rock ‘n’ roll/garagem dançante
Parece banda do sul, soa como banda do sul, mas é do cerrado. Fazendo um rock'n rollzinho honesto e sacana, a Ultravespa é a nossa indicada para essa edição da mixtape. O destaque vai pra música Motel Barato. Saca aquelas músicas que quando a gente ouve dá vontade de pegar a estrada? Pois é... No TNB da banda, além dessa, há mais cinco músicas pra download. Vale muito a pena conferir.

Ostin – Reflito
A banda Ostin despontou no cenário roraimense há alguns anos com a proposta de trazer o rock jovem para a cena local. A banda, que atualmente é composta por Felipe Veras – Vocal, Neto Loureiro – Guitarra, Giovanni Souza – Baixo e Lucas Lucchesi – Bateria, tem uma estratégia muito legal de lançar durante o ano singles para os seus fãs através da internet. Esse segundo single intitulado Reflito foi gravado no encerramento de 2011 e conta com a participação dos músicos Hugo Pereira e Arápa. Se você ainda não conhece a música de Roraima, sem dúvida a banda Ostin é uma ótima maneira para começar essa valiosa pesquisa.
Para quem gosta de: Fresno, Paramore, Nx Zero

PIAUÍ: Uptune
Danilo Rudah – Armadilha
reggae/pop/mpb
Danilo interpreta a vida sob um ponto de vista particular, e, num mundo cheio de idéias e pensamentos, suas experiências e amores viram música em Corações, seu primeiro álbum solo, que traz no repertório canções que vão de reggae e baião a suaves baladas de amor. Amor que, aliás, é o principal tema das canções que farão parte desse trabalho que deverá ser lançado no primeiro semestre de 2011.
Para quem gosta de: Bob Marley, Cidade Negra, Gilberto Gil

26/06/2012

Entrevista - Sonora Coisa

Algo como uma espécie de sorte grande caiu no colo da banda curitibana Sonora Coisa. Um dia após o que foi simplesmente o primeiro show do grupo, algo desejado por todas as espécies de bandas aconteceu ao Sonora Coisa: um renomado produtor internacional descobriu o grupo e quis produzí-lo. O produtor em questão é Mark Kramer, nova iorquino conhecido pelo trabalho com artistas como Galaxie 500, Butthole Surfers, Daniel Johnston e até a trilha sonora do bom e velho Pulp Fiction.

Kramer descobriu o myspace do Sonora Coisa, que até então tinha apenas três músicas - gravadas com uma filmadora - e se ofereceu para produzir as próximas gravações da banda ("I would LOVE to produce your next recordings! and I would even fly to Brazil !!!! PLEASE !!!", disse ele). Para viabilizar tudo isso, a banda fechou com o selo Pisces Records, de Ulysses Cristianini.

Para entender melhor essa história, conversamos com Rafael Bührer, baixista que ao lado do irmão Afonso comanda os vocais do Sonora Coisa. Completam a banda o guitarrista Dennis Medeiros e o baterista Willian Pelacini. O som dos caras? Shoegaze, noise, guitar, experimental, por aí afora.


Como surgiu a banda?
Surgiu em novembro de 2010, quando encontramos o Dennis. Eu e o Afonso estávamos querendo montar uma banda fazia muito tempo. Sempre tentávamos e não dava certo. Aí o Dennis apareceu e casou tudo. Começamos a compor naturalmente e gravar com uma câmera de vídeo simples. As musicas foram saindo, e em poucas semanas tínhamos algumas [prontas]. Aí jogamos três no myspace, mal gravadas mesmo, só pra dizer que a banda existia. Ficamos tentando marcar shows, conseguimos o primeiro no Front Bar em março de 2011. E um dia depois do show recebemos o recado do Kramer. E as coisas ficaram sérias. Foi tudo muito rápido.

Como foi essa aproximação com o Kramer?
Foi surreal. Ele mandou um recado pelo nosso myspace dizendo que tinha gostado muito do que estávamos fazendo e de como estávamos fazendo, e se ofereceu para produzir. Aí ele passou o e-mail dele e começamos a conversar. Ele nos orientou a procurar por um selo, e fechamos com a Pisces. O Kramer é um cara muito legal por e-mail. Nos orienta, dá conselhos e está masterizando nosso primeiro EP. Mas já estamos nos agilizando pra trazer ele [para o Brasil] e fazer um disco inteiro, que é o que ele e nós queremos, desde o começo. Eu sou muito fã do trabalho dele. O dia que recebi o recado saí pelo quintal pulando feito louco. Foi louco. É louco ainda.

A escolha pela Pisces tem algo a ver com o som feito pela banda?
Mandamos material para três selos. Dois responderam, e ficamos com a pisces pelo comprometimento demonstrado nos e-mails. O Ulysses, dono do selo, é um cara muito bacana, com 15 anos de historia no ramo e que lançou muita coisa que a gente gosta. Tem a questão da qualidade do material também, os discos são muito bem feitos e o Ulysses gosta desse tipo de som. Aí estamos em casa com ele. Às vezes ficamos até de madrugada conversando, trocando bandas para ouvir.
Kramer + Pisces, estamos em casa, sabe? E por conta de fazer parte da Pisces agora, completei minha coleção do Pullovers. Pô, tem muito disco bom lá. Daí estou trabalhando com ele e tenho acesso ao material. Muita banda genial, cara! Tem uma que estou ouvindo, o Alarde, é demais, mas não vi ninguém falando a respeito. O Pullovers ainda foi premiado e tal. Tem o Salad Maker agora, que tá na MTV e tal, fazendo barulho. O disco vêm num bolso de pano, muito massa a arte. Fora as bandas maiores que ele lançou e tá lançando, como Dead Fish, Rock Rocket, Leela, Mr Lúdico. É bem legal olhar no site da Pisces e ver nosso nome do lado destes. Mas o lance é que eu e o Ulysses temos um gosto parecido.

Qual é a previsão de lançamento do EP? 
Para logo. Estamos agilizando isso, por conta de mudança da arte e tal, vai levar uns dois ou três meses ainda. A questão é mais sair algo bacana e não simplesmente lançar! É lógico que é bom ter o disco na mão, mas não temos pressa, sabemos que vai sair algo bem feito, e na hora certa!
Temos uma camiseta que saiu pela Pisces já, pela Pisces Wear. Logo vão sair de mais outras bandas (a nossa é a primeira). O EP já tá no site, na pré-venda, e já estamos fazendo a correria pra fazer o disco, com o Kramer aqui. Pretendemos lançar o disco em vinil 12" e em CD.

O Sonora Coisa parece ter uma relação de amizade boa com outras bandas que também estão começando, como o Repossíveis, o Red Foot e o La Vantage. Como você vê isso? É algo como uma cena nova se formando ou são só amigos tocando junto e se divertindo?
Cara, batemos nessa tecla de unir as bandas desde o começo. É sempre um prazer tocar com essas bandas, estamos lutando pra fazer dar certo. É como uma cena mesmo, mas queremos que seja algo aberto, que as bandas que estão começando venham também, que tenham mais facilidade pra começar, que as bandas que estão aí se unam com a gente. Se todo mundo se juntar, Curitiba vira o pólo cultural mais forte do país. Nós importamos muito e exportamos pouco. É hora disso mudar. 
Estou organizando uma festa pra bandas novas, a Supersonic Youth. O Kleber, do Macedonia tá fazendo o Pistão. Se houver mais festas assim, para as bandas mostrarem o som, a coisa vai virar! Vamos fazer virar nem que seja na marra! [risos]. Mas é sempre divertido tocar com essas bandas! Repossiveis, La Vantage e Red Foot! São os brothers mais brothers! Mas ainda sonho em tocar com o ruído/mm. Só tô esperando convite do Ramiro!

Qual é a história da música Fireworks?
Bom, nós formamos a banda pouco depois que meu pai faleceu, e foi a primeira música que fizemos. Na verdade, eu e o Afonso já estávamos fazendo ela antes dele falecer, mas terminamos depois disso acontecer. Ficou algo muito forte, terminar a musica, ter a banda funcionando e ligar isso ao meu pai. Então essa musica é dedicada a ele, que nos apoiava antes de tudo começar a dar certo. Para mim é algo muito forte, porque ela tem esse feeling de saudade, de nostalgia, que me lembra ele. É a musica para a pessoa querida que se foi. Meu pai estaria muito feliz com o que está acontecendo, e com certeza ele iria ajudar muito a gente, aí sempre dedicamos a música para ele. É o momento que eu queria que ele visse, que eu queria ele na frente do palco. Tenho certeza de que ele se orgulharia.


Outra das músicas do Sonora que vale uma ouvida é Reverse 33 RPM. Escuta aí.

23/06/2012

Juan, el marinero - Constantina & Franny Glass


Às vezes, quando o mar está mais calmo, Juan olha para os lados, levanta a calça surrada até a altura dos joelhos, tira os sapatos, põe os pés para fora de seu barquinho e caminha alguns passos sobre a água. Volta logo depois ao barco para não atrasar a pescaria.

Do outro lado, no pequeno vilarejo em terra firme, todos sabiam da habilidade de Juan. Ele é um peixe, diziam alguns, maravilhados, observando a tranquila caminhada do antigo marinheiro, Isso é uma bobagem, resmungavam outros, inconformados ou desconfiosos do que seus próprios olhos viam, mas o fato é que quando Juan trazia seu barquinho de volta à areia as crianças corriam em direção a ele. Queriam fotos, queriam autógrafos.

Juan não entendia nada disso e, se no dia seguinte o mar estivesse tranquilo, lá estaria ele novamente, caminhando descalço ao redor de seu barco.

Certa vez, em uma tarde calma, enquanto as crianças se alvoroçavam ao seu redor, alguém comentou que ele tinha quarenta anos, Mas parece que tem dez, disse um outro, Deve ser porque é bobo, comentou um terceiro.

Dias depois, se o mar estivesse tranquilo, Juan voltava ao Pacífico. Descalço, calça surrada na altura dos joelhos, andava alguns passos pelo mar e voltava ao barquinho para não atrasar a pescaria.


* Inspirado na letra de Juan, el marinero, música do grupo mineiro Constantina em parceria com o uruguaio Franny Glass. Isso tudo está no sublime EP Pacífico, lançado há poucas semanas pelo Constantina. Baixe aqui.

21/06/2012

vem aí - Pélico no Teatro Paiol

Românticos talvez digam que o romantismo está fora de moda. Ou até morto. Ainda bem, para estes, que existe o Pélico. E ainda bem, para os românticos curitibanos, que Pélico vem a Curitiba para um show no incrível Teatro Paiol.


Levando o coração às mãos e à garganta, Pélico lançou um dos melhores discos nacionais de 2011. Que isso fique entre nós talvez seja um ícone da resistência masculina que ainda acredita na singeleza, na sinceridade e no amor em meio a um mundo surdo de dança-kuduros e ai-se-eu-te-pegos.

Músicas como Tenha fé, meu bem, À beira do ridículo, Vamo Tentá, Não éramos tão assim e a faixa-título são capazes de fazer transbordar qualquer coração que esteja com as resistências um pouco mais baixas. 

O ótimo clima do Paiol deve combinar perfeitamente com as belas músicas de Pélico, que ainda não se apresentou em Curitiba desde que lançou seu álbum mais recente (que você pode baixar gratuitamente aqui). O fato, na verdade, é que o último show que Pélico fez na cidade foi em 2009.


Pélico vem a Curitiba como uma das atrações do projeto Radar, que tem como mote trazer mensalmente a nova música brasileira ao Teatro Paiol - que comemora seus quarenta anos de vida.

Pélico
Radar - A nova música brasileira nos 40 anos do teatro Paiol
Teatro Paiol
Praça Guido Viaro S/N
Sexta-feira, 13 de julho de 2012
20h30
Ingressos: R$ 20 para estudantes e doadores de alimento - R$ 40 a inteira

19/06/2012

Rádio Defenestrando - entrevista André França

Pois bem, temos o prazer de anunciar mais uma empreitada defenestrada: eis aí a Radio Defenestrando, um programa musical de rádio e/ou podcast gravado nos estúdios da Rádio Teia, a rádio laboratório da Universidade Positivo.

Três edições do programa já foram gravadas. Nas duas primeiras, este blogueiro se aventurou pelo microfone indicando músicas sem nenhum grande critério lógico. 

Já a terceira edição é especial: fizemos uma bela conversa fiada com o esperto André França, tradicional guitarrista do Homemade Blockbuster que, desde o começo do ano, está também entre os integrantes do Copacabana Club.


Para ouvir a parada, é só dar o play aí em baixo. Pegue lá a sua cervejinha e  seu fone de ouvido e bom divertimento. E fique atento porque tem música inédita do Homemade Blockbuster aí:


As músicas tocadas durante o programa são essas (na ordem):

Homemade Blockbuster - If we were giants (inédita!)
Copacabana Club - Pas Toujours
Miike Snow - Paddling Out

As músicas que tocam ao fundo, durante as conversas, são do Chris Joss e estão no álbum Monomaniacs Volume 1.

Para ouvir as outras edições da Rádio Defenestrando, clique aqui.