26/06/2012

Entrevista - Sonora Coisa

Algo como uma espécie de sorte grande caiu no colo da banda curitibana Sonora Coisa. Um dia após o que foi simplesmente o primeiro show do grupo, algo desejado por todas as espécies de bandas aconteceu ao Sonora Coisa: um renomado produtor internacional descobriu o grupo e quis produzí-lo. O produtor em questão é Mark Kramer, nova iorquino conhecido pelo trabalho com artistas como Galaxie 500, Butthole Surfers, Daniel Johnston e até a trilha sonora do bom e velho Pulp Fiction.

Kramer descobriu o myspace do Sonora Coisa, que até então tinha apenas três músicas - gravadas com uma filmadora - e se ofereceu para produzir as próximas gravações da banda ("I would LOVE to produce your next recordings! and I would even fly to Brazil !!!! PLEASE !!!", disse ele). Para viabilizar tudo isso, a banda fechou com o selo Pisces Records, de Ulysses Cristianini.

Para entender melhor essa história, conversamos com Rafael Bührer, baixista que ao lado do irmão Afonso comanda os vocais do Sonora Coisa. Completam a banda o guitarrista Dennis Medeiros e o baterista Willian Pelacini. O som dos caras? Shoegaze, noise, guitar, experimental, por aí afora.


Como surgiu a banda?
Surgiu em novembro de 2010, quando encontramos o Dennis. Eu e o Afonso estávamos querendo montar uma banda fazia muito tempo. Sempre tentávamos e não dava certo. Aí o Dennis apareceu e casou tudo. Começamos a compor naturalmente e gravar com uma câmera de vídeo simples. As musicas foram saindo, e em poucas semanas tínhamos algumas [prontas]. Aí jogamos três no myspace, mal gravadas mesmo, só pra dizer que a banda existia. Ficamos tentando marcar shows, conseguimos o primeiro no Front Bar em março de 2011. E um dia depois do show recebemos o recado do Kramer. E as coisas ficaram sérias. Foi tudo muito rápido.

Como foi essa aproximação com o Kramer?
Foi surreal. Ele mandou um recado pelo nosso myspace dizendo que tinha gostado muito do que estávamos fazendo e de como estávamos fazendo, e se ofereceu para produzir. Aí ele passou o e-mail dele e começamos a conversar. Ele nos orientou a procurar por um selo, e fechamos com a Pisces. O Kramer é um cara muito legal por e-mail. Nos orienta, dá conselhos e está masterizando nosso primeiro EP. Mas já estamos nos agilizando pra trazer ele [para o Brasil] e fazer um disco inteiro, que é o que ele e nós queremos, desde o começo. Eu sou muito fã do trabalho dele. O dia que recebi o recado saí pelo quintal pulando feito louco. Foi louco. É louco ainda.

A escolha pela Pisces tem algo a ver com o som feito pela banda?
Mandamos material para três selos. Dois responderam, e ficamos com a pisces pelo comprometimento demonstrado nos e-mails. O Ulysses, dono do selo, é um cara muito bacana, com 15 anos de historia no ramo e que lançou muita coisa que a gente gosta. Tem a questão da qualidade do material também, os discos são muito bem feitos e o Ulysses gosta desse tipo de som. Aí estamos em casa com ele. Às vezes ficamos até de madrugada conversando, trocando bandas para ouvir.
Kramer + Pisces, estamos em casa, sabe? E por conta de fazer parte da Pisces agora, completei minha coleção do Pullovers. Pô, tem muito disco bom lá. Daí estou trabalhando com ele e tenho acesso ao material. Muita banda genial, cara! Tem uma que estou ouvindo, o Alarde, é demais, mas não vi ninguém falando a respeito. O Pullovers ainda foi premiado e tal. Tem o Salad Maker agora, que tá na MTV e tal, fazendo barulho. O disco vêm num bolso de pano, muito massa a arte. Fora as bandas maiores que ele lançou e tá lançando, como Dead Fish, Rock Rocket, Leela, Mr Lúdico. É bem legal olhar no site da Pisces e ver nosso nome do lado destes. Mas o lance é que eu e o Ulysses temos um gosto parecido.

Qual é a previsão de lançamento do EP? 
Para logo. Estamos agilizando isso, por conta de mudança da arte e tal, vai levar uns dois ou três meses ainda. A questão é mais sair algo bacana e não simplesmente lançar! É lógico que é bom ter o disco na mão, mas não temos pressa, sabemos que vai sair algo bem feito, e na hora certa!
Temos uma camiseta que saiu pela Pisces já, pela Pisces Wear. Logo vão sair de mais outras bandas (a nossa é a primeira). O EP já tá no site, na pré-venda, e já estamos fazendo a correria pra fazer o disco, com o Kramer aqui. Pretendemos lançar o disco em vinil 12" e em CD.

O Sonora Coisa parece ter uma relação de amizade boa com outras bandas que também estão começando, como o Repossíveis, o Red Foot e o La Vantage. Como você vê isso? É algo como uma cena nova se formando ou são só amigos tocando junto e se divertindo?
Cara, batemos nessa tecla de unir as bandas desde o começo. É sempre um prazer tocar com essas bandas, estamos lutando pra fazer dar certo. É como uma cena mesmo, mas queremos que seja algo aberto, que as bandas que estão começando venham também, que tenham mais facilidade pra começar, que as bandas que estão aí se unam com a gente. Se todo mundo se juntar, Curitiba vira o pólo cultural mais forte do país. Nós importamos muito e exportamos pouco. É hora disso mudar. 
Estou organizando uma festa pra bandas novas, a Supersonic Youth. O Kleber, do Macedonia tá fazendo o Pistão. Se houver mais festas assim, para as bandas mostrarem o som, a coisa vai virar! Vamos fazer virar nem que seja na marra! [risos]. Mas é sempre divertido tocar com essas bandas! Repossiveis, La Vantage e Red Foot! São os brothers mais brothers! Mas ainda sonho em tocar com o ruído/mm. Só tô esperando convite do Ramiro!

Qual é a história da música Fireworks?
Bom, nós formamos a banda pouco depois que meu pai faleceu, e foi a primeira música que fizemos. Na verdade, eu e o Afonso já estávamos fazendo ela antes dele falecer, mas terminamos depois disso acontecer. Ficou algo muito forte, terminar a musica, ter a banda funcionando e ligar isso ao meu pai. Então essa musica é dedicada a ele, que nos apoiava antes de tudo começar a dar certo. Para mim é algo muito forte, porque ela tem esse feeling de saudade, de nostalgia, que me lembra ele. É a musica para a pessoa querida que se foi. Meu pai estaria muito feliz com o que está acontecendo, e com certeza ele iria ajudar muito a gente, aí sempre dedicamos a música para ele. É o momento que eu queria que ele visse, que eu queria ele na frente do palco. Tenho certeza de que ele se orgulharia.


Outra das músicas do Sonora que vale uma ouvida é Reverse 33 RPM. Escuta aí.

4 comentários:

NERI DA ROSA disse...

aí aphonso e sonoros brother.... causando no defenestrando!!! mt bom!!!!!

Para os leitores do Defen:
DIA 16 DE JAN TEM SONORA COISA,
SUBBURBIA E THE ALGUN DIÓS (URUGUAY) no Hermes Bar... a partir das 18h (isso mesmo, matineé!) - É A GRAVAÇÃO DO ULTIMO VOLUME EM ESTILO-SHOW!

valeu (neri)

piL^ disse...

tem que correr atrás
a dificuldade que a gente encontra só vem dando mais motivação, queremos ver a parada crescer a um nivel caótico.

eu já passo o dia ouvindo só música autoral local... essa realidade tem que ser expandida!



Vai lá Rafael! Representa Nóis!

Felipe Gollnick disse...

16 de janeiro, Neri???
hehehe

abração!

REVERB disse...

Muito obrigado ao Felipe pela parada aqui!Ficamos muito felizes que tenha sido publicado,e que o pessoal esteja vendo!E obrigado sempre ao Neri,que sempre tá ai dando uma força!!!