28/07/2011

Música Boa da Quinzena: Sick Sick Sinners - Hospital Hell





Hoje a Música Boa da Quinzena, seção cuja principal característica é jamais respeitar a frequência prometida, vem desfazer uma grande injustiça.

O Psychobilly é certamente um dos movimentos mais importantes de Curitiba,
porém nunca teve a atenção merecida aqui no blog. Gostaríamos então de
compartilhar a música (e o clipe de) Hospital Hell, do Sick Sick Sinners. Quem nos alertou sobre o vídeo recentemente foi o Vlad Urban, que já foi convidado do Podcast Sobretudo-Defenestrando. É também o vocalista e guitarrista do Sick Sick Sinners.

O clipe é montado com imagens do Psycho Carnival 2011, maior evento do gênero no mundo todo, e também contém cenas da Zombie Walk.

A redação defenestrada adverte que gostou muito principalmente do baixão acústico.

24/07/2011

Taça Chico Buarque de Allejo - como foi


Então nesses ímpetos que as pessoas têm de tentar inventar alguma coisa estranha ou legal para os outros fazerem, elaboramos aquela Taça Chico Buarque de Allejo de Futebol Virtual Musical. Ela está toda explicadinha aqui, mas se você ficar com preguiça de ler o post anterior, aí vai uma descrição rápida: convidamos, em parceria com o blog Lado B do Futebol, oito bandas curitibanas para disputar um campeonato de videogame (o jogo: International Superstar Soccer. O console: Super Nintendo). A banda vencedora levaria para casa a Taça, mas o objetivo principal era fazer com que os grupos confraternizassem entre si.

Dias antes do campeonato já estávamos na correria de procurar por um Super Nintendo (SNES) que estivesse em plenas condições de funcionamento. Graças aos esforços conjuntos de Matheus Chequim, Mateus Ribeirete e Eduardo Kutianski, conseguimos não só um SNES que funcionava muito bem, como outros dois que ficaram de reserva para o caso de qualquer problema. 

Já na véspera do campeonato corremos ao supermercado para comprar cervejas para o pessoal tomar (valeuzão, tio Paulinho). Mas o esforço mesmo foi elaborar a Taça Chico Buarque de Allejo em si. Foi uma tarde inteira para formular a ideia e construir essa belezinha aqui:



O vencedor levaria ela para casa para sempre, e sem aquela história de que só ganhando três ou quatro vezes o campeonato é que se poderia levar a taça definitivamente (viu, CBF?).

Ainda às vésperas aconteceu algo improvável: quando tuitamos qualquer coisa a respeito da Taça Allejo, o "twitter oficial do Allejo" nos respondeu (Allejo é um jogador fictício da seleção brasileira no International Superstar Soccer). Para nosso agradável espanto aquela conta do twitter dizia respeito ao blog Allejo.com.br, por coincidência mantido por uma equipe de curitibanos que falam sobre futebol brasileiro. Entramos em contato com o blog, eles mostraram interesse na ideia e foram um dos primeiros a chegar na festa, devidamente uniformizados com a camisa oficial da seleção brasileira com o número 7 e o nome Allejo estampado nas costas.


No dia do evento acordei cedo para fazer todos os preparativos, mas é claro que às 17h (que era o horário combinado para o início dos jogos) faltavam várias coisas a serem providenciadas, e ainda estávamos arrumando o salão quando os primeiros convidados começaram a chegar. "Isso é o rock" disse Eduardo Nogueira, da Crocodilla. 

As bandas foram chegando e às 18h o pessoal estava começando a ficar impaciente com a demora. Homemade Blockbuster, Banda Gentileza, Crocodilla, Monaco Beach, RockaJenny, ruído/mm e Yokofive já estavam presentes, mas o Colorphonic não tinha dado sinal de vida. E para completar, faltando minutos para o campeonato começar, o Crocodilla precisou se retirar. Ficamos com seis bandas e, para o mata-mata dar certo com oito participantes, o Lado B do Futebol e o Defenestrando resolveram entrar na parada.

Fizemos os sorteios, explicamos as regras (a saber: 3 minutos de duração de cada tempo; a banda poderia substituir o seu representante que jogava o videogame a qualquer momento; a banda poderia também escolher qualquer time do International Superstar Soccer para disputar as partidas; campeonato disputado em um mata-mata simples a partir das quartas-de-final) e finalmente os jogos começaram.

O campeonato em si:

O primeiro jogo da Taça Chico Buarque de Allejo foi disputado entre Homemade Blockbuster (representado pelo guitarrista André França, que jogou com o Brasil) e Lado B do Futebol (por Mateus Ribeirete, com a Itália). André não teve dificuldades para abrir uma goleada e logo as provocações e reclamações de jogadas irregulares e manhas começaram a aparecer. Não houve nenhum problema com relação a isso, mas o Homemade venceu a primeira partida por 6 a 2 e passou às semifinais. No jogo seguinte, o Monaco Beach (representado pelo baixista Igor Negão com o time do Brasil) enfrentou o ruído/mm (com o baterista Giva jogando com a Itália). Jogo suado, vencido pelos ruidosos com o menor placar do campeonato: 1 a 0. No próximo jogo o ruído/mm iria enfrentar o Homemade Blockbuster.


Pela terceira partida das quartas-de-final, a Yokofive (com o time da Argentina) enfrentou o Defenestrando (com o Brasil). Este blogueiro jogou contra o guitarrista André Petri e o primeiro tempo acabou em 0 a 0. No segundo, Matheus Chequim entrou no meu lugar e enfrentou o baterista André Senna. Chequim foi bem e ganhou o jogo para o Defenestrando por 3 a 1.

No último jogo da primeira rodada, a Banda Gentileza (representada pelo baterista Diogo Fernandes, com nada mais e nada menos que o time da Bulgária) enfrentou a Rockajenny, com a vocalista Fox que mesmo meio desorientada resolveu enfrentar o desafio. Fox teve dificuldades para dominar os controles e, para jogar a partida, acabou escolhendo o time do... País de Gales. A Banda Gentileza logo abriu 3 a 1, mas, se as premissas eram de goleada, Fox conquistou a torcida e nos minutos finais empatou a partida e provocou a única prorrogação do campeonato. No desempate não teve jeito: Diogo fez quatro gols, ganhou o derby por 7 a 3 e classificou a Gentileza para enfrentar o Defenestrando no jogo seguinte.

Pela primeira semifinal, o Homemade Blockbuster foi novamente com André França e o time do Brasil enfrentar o ruído/mm com Giva e a seleção italiana. Embalado pela goleada da rodada anterior, André logo abriu uma larga vantagem de gols. De nada adiantou ao ruído/mm substituir Giva pelo guitarrista Pill: o resultado final foi 6 a 0 (a maior goleada do campeonato) para o Homemade Blockbuster, que agora tinha se classificado para a grande final.

Na outra semifinal, o Defenestrando enfrentou a Banda Gentileza. Chequim escolheu o time da Alemanha e Diogo Fernandes repetiu sua escolha na Bulgária. Por mais que tentássemos, não houve como resistir à infalível jogada da linha de fundo, cruzamento e cabeceada. Entrei no lugar do Matheus no segundo tempo, mas não teve jeito: perdemos por 5 a 0.

Nos restou a disputa pelo terceiro lugar contra o ruído/mm. Em outro jogo apertado, eu e Chequim nos revezamos para enfrentar Pill, mas nossas não-habilidades não foram capazes de segurar o ruído. Perdemos por 1 a 0. O ruído/mm ficou com a medalha de bronze e o Defenestrando achou bom demais ficar com o quarto lugar.

E então ia começar a... 


Homemade Blockbuster, André França e Seleção Brasileira iriam enfrentar a Banda Gentileza, representada por um aficcionado Diogo Fernandes que repetiu pela terceira vez sua aposta no time da Bulgária. De longe o jogo com mais torcida e mais disputado do campeonato: cada chance perdida era um grande "uuuh", cada gol feito era uma grande comemoração. Cada bom lance despertava sorrisos em quem estava vendo o acontecimento, fossem sorrisos de positivo espanto ou nervosismo. A poucos minutos do fim, o placar apontava 2 a 2 e uma tensão engraçada podia ser sentida no ambiente. Em uma arrancada a partir da intermediária, Diogo levou um inesquecível jogador carequinha búlgaro até perto da pequena área e fez o suado gol da vitória. Nesse momento até a comemoração dos jogadores na tela parece ter mais vibração. É como se estivessem eles mesmos disputando a final de um campeonato no mundo deles. Meio surreal, coisa de calor do momento. Final de jogo: 3 a 2 para a Banda Gentileza, a primeira campeã da Taça Chico Buarque de Allejo de Futebol Virtual Musical.

Troféu para Diogo, que teve todas as câmeras do recinto voltadas para ele enquanto fazia a volta olímpica ao redor de uma cadeira:


Gostaríamos de agradecer a presença de todas as bandas na competição, bem como todos que ajudaram de alguma forma na organização ou na complicada limpeza pós-evento. Agradecemos também ao Enio (o terceiro defenestrado) pelo livetweet feito durante o campeonato. Agora é pensar no futuro: vamos nos esforçar para a realizar a segunda Noite Defenestrada e mais uma edição da Taça Allejo. Vamos escutar as ordens do professor no vestiário e vamos estar fazendo o possível para voltar com esses três pontos para casa.

21/07/2011

vem aí - Batalha de iPod

E não é que depois de quase exatamente um ano inteirinho (ou 357 dias, para ser mais exato), vamos participar de mais uma edição da incrível...


Depois da Taça Chico Buarque de Allejo (sobre a qual ainda vamos publicar mais um post aqui, prometemos), nada melhor do que uma balada estilo mata-mata pra curtir as últimas noites das férias.

A Batalha de iPod funciona mais ou menos assim: oito equipes entram na parada. Em cada rodada, duas equipes disputam entre si para ver quem põe na pista as melhores músicas pra tocar. Entre as duas, a equipe da qual o público mais gostar (ou menos desgostar) elimina a adversária e passa para a próxima rodada, e assim por diante até que sobre uma única vencedora.

Balada estilo mata-mata. Uma puta ideia boa (agilizada pelo blog chapa In New Music We Trust) que desde o ano passado tem funcionado muito bem. Veja aí como foi a última edição:


Ano passado, por muito mais sorte do que juízo (a equipe que enfrentamos jogou confeitos no público; a galera na pista de dança ficou revoltada com isso e acabou torcendo para a gente), chegamos na semi-final. Para a batalha dessa sexta-feita, 22/7, nossa ambição é bem maior: ...não ser vaiado.

Para isso, vamos precisar da sua forcinha. Apareça lá no James nessa sexta para ouvir uma ou outra daquelas bizarrices que de vez em quando tocamos nas nossas discotecagens... ou para nos ouvir sendo vaiados. hehehe. E o evento ainda tem a apresentação do Rafael Trucker, por si só um espetáculo à parte.

Serviço:
Batalha de iPod - 4ª edição 2011
Dia 22 de julho, sexta-feira
James Bar
Avenida Vicente Machado, 894
$15
A partir das 22h (as batalhas começam à meia-noite, mas é bom chegar às 22h ou antes por causa daquelas filas)


-----


UPDATE: ainda não sabemos bem como, mas ganhamos a batalha. Em breve, colocamos fotos e o vídeo aqui. Valeu a todos que estavam lá e torceram pra gente!

16/07/2011

Taça Chico Buarque de Allejo de Futebol Virtual Musical

A música dos subterrâneos de Curitiba está com tudo, os olhos (ouvidos) das outras cidades estão virados para cá, tem muita coisa boa rolando por aqui, etc etc etc. Você de certo já deve ter lido ou ouvido várias vezes qualquer coisa semelhante a isso, e nós aqui no blog também não nos cansamos de dizê-lo. Mas qualquer um também sabe que as coisas não são assim um mar de rosas, vide, por exemplo, o post que o Marcos Xi do RockinPress nos escreveu e os comentários que vieram na cola dele. Algum observador mais atento talvez possa dizer que não há muita união entre as bandas da cidade, que o pessoal não se conhece, aquela coisa toda.

Sabendo que ficar só se lamentando não resolve nada (e que ficar apenas disparando elogios também não -- momento autocrítica defenestrada), resolvemos botar a mão na massa e fazer alguma coisa legal. Esse blogueiro juntou-se a Matheus Chequim e aproveitou a estranha vontade dos dois de organizar, por pura diversão, algum tipo de campeonato esportivo ou não, para unir o útil ao agradável: convocamos o blog amigo Lado B do Futebol, capitaneado por Mateus Ribeirete (e do qual Chequim também é colaborador) para organizar a primeira edição da Taça Chico Buarque de Allejo de Futebol Virtual Musical.

"Quê?? Taça Chico Buarque de Allejo de Futebol Virtual Musical??" se pergunta o leitor.



- O que é? 
Um campeonato de videogame disputado entre representantes de oito bandas curitibanas. Como essa edição é um teste para um campeonato maior que poderemos fazer em breve, o evento acontecerá no salão de festas do prédio onde fica parte da redação defenestrada e será restrito a convidados. Mas todos poderão acompanhar tudo pelo livetweet que faremos no @_defenestrando, e quem quiser poderá participar com a hashtag #TaçaAllejo.

- Quando vai ser? 
Nesse sábado, dia 16 de julho, a partir das 17 horas.

- Quem irá participar? 
Estão confirmadas as presenças das seguintes bandas:


- Como vai funcionar? 
O campeonato será disputado com o tradicionalíssimo jogo International Superstar Soccer, para Super Nintendo (ou SNES). Cada grupo irá eleger um jogador que o representará e que defenderá a camisa do time/banda (o representante poderá ser trocado ou substituído a qualquer momento). Os jogos serão disputados em eliminatórias simples (mata-mata), ou seja: quem perder é desclassificado e quem ganhar passa para a próxima fase, até que sobre apenas um único grupo campeão.



- Quem ganhar, ganha o quê?
Elaboramos um troféu especial e com certeza único. A banda vencedora levará como prêmio a primeira Taça Chico Buarque de Allejo para casa. Mas o prêmio principal será a troca de contatos, a confraternização entre as bandas e uma tarde agradável de videogame, risadas, cervejas e sons legais.

- O que significa esse nome?
Precisávamos de um título que fizesse referência aos dois mundos em questão, a saber, música e futebol virtual. Escolhemos o Allejo, que é um jogador inexistente e mítico do time brasileiro do jogo International Superstar Soccer, e o Chico Buarque, que é o Chico Buarque.

- Os leitores só vão poder acompanhar a coisa toda pelo live tweet?
Ao vivo, sim. Mas depois do evento iremos elaborar vídeos e relatar os inesquecíveis acontecimentos em textos detalhados e enrolados.

Lembrando que esse é um teste (um episódio-piloto, digamos assim) para um possível evento semelhante, maior e aberto ao público que poderemos fazer no futuro. Aliás, a Taça Allejo (como é conhecida entre os íntimos) até saiu na Gazeta do Povo desse sábado. Vem aqui ver.

Certo? Então durante a tarde desse sábado fiquem atentos no nosso twitter ou no facebook para saber o que está rolando. Qualquer coisa é só dizer. Dúvidas, críticas ou sugestões nos comentários abaixo.


(imagens retiradas daqui)

14/07/2011

Chega mais, Gustavo Prafrente

foto: Vitor Moraes 


Cheguei a ouvir o Chega, o belo e estranho álbum do Gustavo Prafrente, uma vez assim, meio por cima, e nada acabou me chamando muito a atenção, a não ser o fato de quase todas as músicas se limitarem a dois ou três acordes, quando não o mesmo único acorde dedilhado durante a canção inteira. Deixei o disco voz-e-violão de lado, mas esse vídeo do esperto chapa Vitor Moraes, em que Prafrente faz dupla com Rodrigo Lemos, me fez retornar ao Chega (depois do vídeo, ouvi o álbum inteiro umas seis ou sete vezes em pouquíssimos dias, coisa rara para este blogueiro):


Sim, e não há como não falar de um disco que começa todo calmo, todo delicado, dedilhado precioso, e cuja primeira frase é nada mais e nada menos do que "traga batata palha" -- a frase seguinte é "dois quilos de pneu queimado". Mas deixando as faixas rolarem, percebe-se que talvez a mensagem não seja assim tão importante na maioria das músicas (não parece haver uma busca pretensiosa pelo non-sense engraçadinho, mas sim um processo criativo que acaba resultando nisso, entenda-se) exceto, quem sabe, a última faixa do disco, "Sobre você", que parece ter algo encravado mais profundo ali. 

Gustavo Prafrente (que chegou a viver três anos em Curitiba) encolhido em cima de um violão pequenininho de cordas de aço, é uma figura que desperta simpatia a partir dos vídeos filmados por Vitor Moraes que podemos ver por aí. Já não podemos dizer o mesmo sobre o Chega. Fernando Rischbieter (Stella-Viva), que participou da produção do disco junto com Moraes, disse o seguinte em uma entrevista para o site Nego Dito: "Eu acho que pra quem tem paciência é um disco que tem uma curva dramática muito interessante."

E é bem isso aí mesmo: é preciso paciência para ouvir o Chega, e em tempos de internet e sonoridades voláteis talvez seja perigoso fazer música que exija paciência. Mas são esses os melhores discos: os álbuns que mais te marcam são aqueles que você chega até a não gostar à primeira ouvidela, mas que na segunda você já acha o álbum mais aceitável, na terceira fica com a pulga atrás da orelha e na quarta tá achando aquilo sensacional.

Muitas palmas para "Quando eu sinto falta de você amor", a melhor música da bolacha e uma das únicas com percussão. São só dois acordes e uma variação nas cordas graves, mas o ritmo é contagiante, que o diga o pegajoso refrão em que Prafrente repete "americano americano americano".

Disco gostoso e complicado, repetitivo e na medida, singelo porém caprichadíssimo. Honesto. E uma aventura. Talvez você acabe não gostando, talvez ache incrível. Mas ouça Chega pelo menos duas vezes. Dá pra baixar ele inteirinho aqui.

01/07/2011

Curitibando a cena brasileira



O post de hoje está um pouco diferente. Diferente bacana. E tem uma dose de polêmica. Quem escreveu foi o esperto Marcos Xi, apresentado por ele mesmo nas linhas abaixo. A leitura é boa e vale pelo ponto de vista diferente. Os grifos e itálicos do texto são do próprio Marcos. Então, com vocês, ele:

-----


Oi. Eu sou Marcos Xi, carioca e 'escrevetero' de um site 'rocker brazilis' chamado RockinPress. Sempre ouvi falar que unidos venceremos. Como eu não estou disputando nada, gosto de me juntar com amigos blogueiros para trocar pautas bacanas. Quando tive que cancelar minha tão sonhada viagem a Curitiba para um trabalho, pensei no nosso defenestrando mor, Felipe Gollnick, para cumprir a árdua e suada missão de assistir um show de graça por mim. Trabalho completo. Fifi me convida para dar um pitaco sobre o que as pessoas de fora veem da cena curitibana. Em dois minutos eu já tinha a pauta e o argumento. Em 30 já tinha o texto. Sabe aqueles chatos que procuram sarna pra coçar? Prazer, eu sou Marcos Xi, carioca e 'escrevetero' de um site 'rocker brazilis' chamado RockinPress.

Curitibando a Cena Brasileira

Pouco menos de dois anos atrás, começa a história.

Um tempinho atrás, tentei criar um festival do RockinPress (quando ainda se escrevia Rock in Press, separado e o endereço ainda era .wordpress.com). Por paixão a prolífica cena curitibana, escolhi a cidade e bandas da localidade para fazer daquele sonho uma realidade. O mais curioso é que os músicos, que apesar de serem meus amigos, viraram a cara e juntos alegaram que o público curitibano não gosta de festivais em pequenas casas, porque o público da cidade gosta é de balada.

Corta e volta pro presente, observe o que acontece.

Hoje, o superestimado blog do Lúcio Ribeiro se orgulha em mostrar que a nova moda que lota as casas noturnas curitibanas é a prática do cover – sabe, aquelas bandas que vivem a tocar músicas de outros artistas, geralmente as custas de umas menininhas na noite. Daí eu, um carioca amante da boa música curitibana, coço a cabeça (e regularmente o saco) para entender onde raios brota tanta novidade interessante da cidade com a melhor banda larga do país e falta gente para ver shows autorais, músico desacreditado e tanta banda cover?

A Banda Mais Bonita da Cidade repete 11 vezes o mesmo verso que, exibido 6.200.000 (seis milhões e duzentas mil) vezes, dá 67.320.000 (sessenta e sete milhões, trezentos e vinte mil) repetições do mesmo verso no youtube. Legal né? A turnê deles no sudeste  bombou. O Sabonetes e o Charme Chulo já se mudaram para São Paulo e o Rosie and Me quer é se mudar para os EUA ou Londres. O Humanish e a Banda Gentileza aposto que daqui a um tempinho já arrumarão as malas. O Copacabana Club e Bonde do Rolê nem são mais vistos pela cidade.

Porque esse fenômeno acontece? Eu tô aqui, no meu Rio de Janeiro funkeado, e já vi ao vivo dezenas de bandas de Curitiba. Se os curitibanos não tem tanto orgulho do que se produz na sua cidade, acham que é pouco para divertir sua noite ou acreditam que a próxima geração deverá se espelhar totalmente em produtos de fora que raramente tocam nos barzinhos da capital, aí é com eles. Mas que em Curitiba é atualmente o maior centro criativo e o que mais rápido exporta novidade atualmente, é verdade. Com todas essas informações, há de se questionar uma coisa:

Será que se evitarmos ir a shows ou tocar nas nossas cidades, por acharmos que sempre aparecerá algo novo e incrível por aí afora, a cena musical brasileira vai sobreviver? E a curitibana?

*P.S: ‘Achismos’, ‘gerativismos’... todo mundo tem, sabe o que é e usa. Só tem medo de assumir.


-----


Lendo aqui o texto do Marquinhos, dá pra chegar a algumas conclusões:
- o negócio aqui em Curitiba é prolífico mas parece meio confuso, quiçá obscuro (nenhuma novidade, certo?)
- se parece confuso/obscuro pra nós (eu, você e seus amigos) que estamos aqui no meio do barulho, o que será que deve parecer para as pessoas de outras cidades que ficam sabendo das coisas através da turvíssima lente do blog do Lúcio Ribeiro?
- as afirmações de Lúcio Ribeiro, por mais desinformadas que possam ser de vez em quando, continuam tendo grande impacto
- Lúcio Ribeiro é um cara bobo.


O que você acha dessa história toda? Comentários aí em baixo.