Quem acaba de lançar seu primeiro álbum cheio é o This Lonely Crowd, banda noise-barulheira de Curitiba. Está aí o Some kind of Pareidolia, que veio à luz há poucas semanas. Já de cara o disco está mais difícil e foge um pouco da delicadeza pesada (sim, essa mistura é possível) de EPhemeris, o excelente EP lançado por eles no ano passado. "Sometimes we only start again" começa o disco com muito barulho, muito peso, muitas camadas de guitarras. As músicas vão indo, vão indo, passeiam por montanhas distantes e vão parar em terras de contos de fadas e fantasias. Mas o mais importante dele é a sensação de que as coisas vistas podem não ser muito bem o que estamos vendo; ou mesmo elas podem nem estar ali onde as enxergamos -- há a possibilidade delas sumirem de uma hora para outra, como num passe de mágica ou como num mundo de faz de conta.
Eis o tom do álbum de uma banda cujos integrantes se apresentam pelos nomes-fantasia (han han, entendeu?) de Tweedledee, Tweedledum, Humpty Dumpty, Jabberwock e Red Queen. Contos fantasiescos, histórias infantis, fábulas... está tudo nas letras e nos riffs das músicas do This Lonely Crowd. Uma grande viagem. Dá pra perceber já nos nomes das músicas: "Where is when?", "Rainbow's Burns", "Spotty Powder", "Mastering the art of training squirrels" e "Escher's starcase" (essa última um grande destaque do disco e exemplo claro da possibilidade de misturar peso e delicadeza, resultando em grande beleza -- nesse ponto relembramos do ruído/mm e sentimos que as duas bandas se aproximam).
O This Lonely Crowd não é lá uma banda de fazer muitos shows (eles fizeram um ótimo em janeiro no Sinewave Festival, mas não lembro de outros depois desse). Parece que a alegria deles está mais em compor suas músicas, elaborar suas letras e melodias até que se chegue a um ponto determinado. Esse ponto pode estar em uma emoção sentida por eles mesmos ou por alguém que esteja ouvindo, ou ainda em um alguma parte do País das Maravilhas. Mas dá pra sentir também que, para a banda, a gravação do disco em si é um grande prazer: ir ao estúdio, ao invés de um momento apenas protocolar e necessário, é uma experiência marcante que deixará saudades. Do contrário não teríamos em "Some kind of Pareidolia" um disco tão milimétrico e autêntico.
Dá para baixar ele inteirinho e de graça lá no site da Sinewave. Ou então, "pagando" com apenas um tweet, você pode fazer o download das músicas em maior qualidade (320k).
Uma boa recomendação para quem gosta de uma boa barulheira.
E, desconfio aqui, o álbum é um bom candidato ao Prêmio Defenestrando desse ano. Será? Deixe sua opinião aí nos comentários.



