29/05/2011

This Lonely Crowd - fantasias e as coisas onde elas talvez não estejam


Quem acaba de lançar seu primeiro álbum cheio é o This Lonely Crowd, banda noise-barulheira de Curitiba. Está aí o Some kind of Pareidolia, que veio à luz há poucas semanas. Já de cara o disco está mais difícil e foge um pouco da delicadeza pesada (sim, essa mistura é possível) de EPhemeris, o excelente EP lançado por eles no ano passado. "Sometimes we only start again" começa o disco com muito barulho, muito peso, muitas camadas de guitarras. As músicas vão indo, vão indo, passeiam por montanhas distantes e vão parar em terras de contos de fadas e fantasias. Mas o mais importante dele é a sensação de que as coisas vistas podem não ser muito bem o que estamos vendo; ou mesmo elas podem nem estar ali onde as enxergamos -- há a possibilidade delas sumirem de uma hora para outra, como num passe de mágica ou como num mundo de faz de conta.

Eis o tom do álbum de uma banda cujos integrantes se apresentam pelos nomes-fantasia (han han, entendeu?) de Tweedledee, Tweedledum, Humpty Dumpty, Jabberwock e Red Queen. Contos fantasiescos, histórias infantis, fábulas... está tudo nas letras e nos riffs das músicas do This Lonely Crowd. Uma grande viagem. Dá pra perceber já nos nomes das músicas: "Where is when?", "Rainbow's Burns", "Spotty Powder", "Mastering the art of training squirrels" e "Escher's starcase" (essa última um grande destaque do disco e exemplo claro da possibilidade de misturar peso e delicadeza, resultando em grande beleza -- nesse ponto relembramos do ruído/mm e sentimos que as duas bandas se aproximam).

O This Lonely Crowd não é lá uma banda de fazer muitos shows (eles fizeram um ótimo em janeiro no Sinewave Festival, mas não lembro de outros depois desse). Parece que a alegria deles está mais em compor suas músicas, elaborar suas letras e melodias até que se chegue a um ponto determinado. Esse ponto pode estar em uma emoção sentida por eles mesmos ou por alguém que esteja ouvindo, ou ainda em um alguma parte do País das Maravilhas. Mas dá pra sentir também que, para a banda, a gravação do disco em si é um grande prazer: ir ao estúdio, ao invés de um momento apenas protocolar e necessário, é uma experiência marcante que deixará saudades. Do contrário não teríamos em "Some kind of Pareidolia" um disco tão milimétrico e autêntico.

Dá para baixar ele inteirinho e de graça lá no site da Sinewave. Ou então, "pagando" com apenas um tweet, você pode fazer o download das músicas em maior qualidade (320k).

Uma boa recomendação para quem gosta de uma boa barulheira. 

E, desconfio aqui, o álbum é um bom candidato ao Prêmio Defenestrando desse ano. Será? Deixe sua opinião aí nos comentários.

22/05/2011

Beastie Boys, os moleques de sempre


Os Beastie Boys não mudaram. São os mesmos guris branquelos nova iorquinos metidos a rappers de sempre, apesar do fato de eles já terem passado dos quarenta anos de idade. Dá pra confirmar tudo nos primeiros segundos de Hot Sauce Committee Part Two: um tecladinho todo entortado, todo moleque, que chega dançando uns passos de break bem na sua frente e te olha com cara de deboche.

Ora, se isso não é o tipinho do bom e velho Beastie Boys de sempre, sabe-se lá o que é. Os próximos segundos só confirmam a tese e os velhos guris resmungam "yeah" e "huh", e logo começam os vocais agudos e ágeis que conhecemos de outros tempos e que os identificam muito bem, mas que não nos cansamos de ouvir nunca. Há ainda aqueles jogos de rimazinhas que vêm de quatro em quatro versos, um esquema que também já conhecemos de longa data, principalmente se o assunto é Beastie Boys, mas é isso aí. E tome filtros nas vozes, uma hora estão cantando de dentro de um rádio velho, outra hora estão em uma sala cheia de eco, outra hora no andar de baixo.

E logo vem a batida, grave. Sensação de largura, a música é espalhafatosa, mas mesmo assim ágil, há um b-boy de roupas largas dançando aí na sua frente. Pena não ser você o b-boy, mas a sua vontade bem que era de estar ali, dançando como quem sabe curtir rap. Tudo isso é culpa de "Make some noise", primeira faixa do álbum e mantenedora da tradição beastiana de começar álbuns muitíssimo bem -- vide "B for my name" em The mix-up (2007), "Ch-check it out" em To the 5 Boroughs (2004), "Sure shot" em Ill Communication (1994) e "Jimmy James" em Check your head (1992), só pra ficar não-poucos exemplos.


Muito da descontração e molecagem do grupo está no clipe da música de abertura, uma versão resumida de "Fight for your right (revisited)" -- vídeo de trinta minutos dirigido por Adam Yauch (ou MCA*, um dos beasties) que conta com as presenças de Seth Rogen, Elijah Wood, Kirsten Dunst e até Jack Black, entre outros ilustres.



Os reverbs nas vozes voltam exagerados na segunda música, "Nonstop disco powerpack", esquisita mas muito bem digerível. A terceira faixa "Ok", é uma grande reforçadora do espírito de molecagem do grupo, basta sacar os loops travessos no qual um sintetizador e um baixo cheio de efeitos conversam entre si meio que num tom de escárnio.

Em uma entrevista à Rolling Stone, Mike D (outro dos beasties) disse que um dos objetivos para Hot Sauce Committee Part Two era "dentro de qualquer canção de três minutos, conseguir mandá-la a seis ou sete lugares diferentes antes de terminar." A quinta faixa, "Say it", não chega a ir a seis ou sete lugares, mas é notável como ela começa em um lugar e termina em outro completamente distinto. Ela começa num clima meio pesado, meio denso, cheio de barulheiras, alguma coisa remetendo à clássica "Sabotage" de 1994, mas termina num lugar distante do início, que é um loop que parece som de videogame antigo, tipo um atari. Está lá representada, mais uma vez, a juventude do grupo.


Outra faixa moleque é "Crazy ass shit", essa sim indo a cinco a seis lugares diferentes antes de acabar com menos de dois minutos de duração, e terminando (de uma hora para outra) completamente diferente da maneira que começou. Vozes infantis introduzem a música, apresentam o refrão e a encerram repentinamente, pegando de supresa um ouvinte menos atento.


Ponto altíssimo do disco é "Don't play no game that I can't win", vibrante dub que conta com a participação especial de Santigold. Combina muito bem a voz dela com um reggae que viaja longe em efeitos, tantos efeitos que você se perde na audição, seus ouvidos estão em algum lugar no meio de violinos alterados e ondas maciças de reverbs vindos da guitarras e baixos e baterias. A verve dub/reggae dos moleques volta a aparecer em "Multilateral nuclear disarmament", música instrumental que remete à sonoridade do The mix up, excelente álbum só de músicas sem voz lançado pelo Beastie Boys em 2007 (e que, alguns dizem, é o melhor disco do grupo).


Encerrando a lista de destaques do álbum está "Here's a little someting for ya", um rap ligado, imponente, rápido, que te faz ficar com vontade de balançar a cabeça e as mãos e falar "yo!". No meio dessa história, novos loops malucos e moleques interrompem a música e a transportam a outro lugar.

Hot Sauce Committee Part Two (clique no link para ouví-lo) é um ótimo álbum, mas sem dúvidas ele não é lá um dos melhores discos da carreira dos Beastie Boys. Não está no nível de Check your head, Ill Communication e de The mix up. Mas serve para ver que esses velhos moleques continuam na ativa, sem perder o espírito que tão bem os identifica. Estão aí fazendo barulho, mesmo apesar do fato de MCA* estar passando por processo de tratamento de um câncer na glândula salivar que deve ter abalado os ânimos dos beasties. Eles estão sempre aí, fazendo rap, barulho e molecagens.


*R.I.P. MCA - 4/05/12

20/05/2011

a volta da Rosie and Me


O que vamos mostrar aqui hoje não é nenhuma novidade. Eu e o Felipe estávamos fazendo uma limpeza aqui na redação defenestrada, uma daquelas típicas que acontecem a cada seis meses, sabe? Em meio a toda bagunça e poeira que tem se acumulado desde que nossas vidas viraram um tributo à universidade e ao trabalho, (com sorte com algum tempo pra comer e dormir), achamos no fundo de uma caixa uma fitinha com um registro inédito.

Já falamos outras vezes da Rosie and Me aqui no blog (aqui), e nunca é de mais lembrar que eles são os atuais vencedores do Prêmio Defenestrando. Pois essa fita que encontramos no fundo de uma caixa de papelão continha a música deles chamada Old Folks, gravada de cima do palco no M/E/C/A Festival deste ano, lá no Rio Grande do Sul.

Como no Brasil tudo é digno de uma boa comemoração, lançamos esse vídeo (com um pequeno delay) após algumas coisas muito louváveis terem acontecido com a banda nas últimas semanas. Depois de algum tempo sumidos por conta de um imbróglio judicial envolvendo a antiga gravadora, a Rosie and Me felizmente conseguiu passar por cima dessa palhaçada e está livre, leve e solta novamente. Outro acontecimento bacana é que a música "Darkest Horse" foi tocada em um episódio da respeitável série americana One Tree Hill.

Essas e outras histórias estão no Podcast Sobretudo - Defenestrando que foi ao ar recentemente lá no Sobretudo, com a participação da Rosanne Machado e do Thomas Kossar (tem uns vídeos exclusivos também).

E vida longa à Rosie and Me!



p.s.: esse vídeo é um vestígio de uma cobertura frustrada

19/05/2011

vem aí: Curumin

E bem no meio desse frisson todo do vídeo mais bonito da cidade (aliás, que história incrível essa hein?), venho até este blog infestado de teias de aranha e poeira para dizer, pululando de alegria, que nessa sexta-feira tem show do Curumin em Curitiba. Bora?


Já tá muito tarde pra dizer como que foi o Lupaluna? E pra falar do disco novo do Beastie Boys? Uma hora a gente resolve tudo isso.

07/05/2011

vem aí: Lupaluna


Sim senhor. O Lupaluna 2011 já está aí, é no final de semana que vem (13 e 14 de maio, sexta e sábado) e está com um cast com várias bandas responsa -- a balança pende bem mais para a sexta-feira, pelo menos no que diz respeito a essa música boa e gostosa que tanto apreciamos.

Coincidência ou não, 364 dias depois da noite em que deveriam ter tocado na mesma hora (nesse post aqui tem uma coisinha sobre isso), Otto e BNegão e os Seletores de Frequência sobem ao mesmo palco no mesmo dia. É grande a possibilidade de rolar outro acontecimento que nem esse:


Convenhamos que só esses dois já valem o preço do ingresso. E ainda rola no mesmo dia Tulipa Ruiz, Gentileza, Charme Chulo, The Cult e Monobloco. A curiosidade também está atiçada para o show da Ivete Sangalo, que não deve ser pouca coisa. E óbvio, curiosidade também para ver como o Copacabana Club se comporta abrindo os trabalhos no palco principal.

Falando em palco principal, para o dia seguinte está previsto algo no mínimo muito esquisito e de grande probabilidade de fiasco: Marcelo Camelo no EcoMusic (o palco grande), escalado para tocar entre Fresno e Vanessa da Mata. O ex-hermano estará lá para divulgar seu difícil disco novo, "Toque dela", e a previsão do tempo (mesmo otimista) indica rápido esvaziamento da pista e grande chance de vaias.

No mesmo dia tocam Emicida e Sublime with Rome. Já na tenda alternativa a programação fica mais fraca do que a do dia anterior. O destaque inevitável vai para o Sabonetes, para o Teatro Mágico (com ressalvas) e para o Raimundos, que sabe-se lá a quantas anda (se alguém souber de algo, o espaço dos comentários serve pra isso).


De qualquer jeito, estaremos lá e esperamos te encontrar no Bioparque, local que parece surgir como um possível substituto à Pedreira Paulo Leminski.

03/05/2011

1 2 3 4

Um caminhão que carregava compotas de geleia de figo caiu aqui na frente da redação. Estamos há semanas tentando limpar o estrago. O mais difícil é limpar os buraquinhos entre os botões dos teclados. Estamos momentaneamente impossibilitados de postar coisas novas por aqui por causa disso. 

Enquanto novidades não chegam, fique com a bela mensagem propagada por Little Quail and the Mad Birds:


Estamos com vários posts engatilhados por aqui. Assim que sobrar um tempinho, postamos coisas novas e tudo volta ao não-ritmo defenestrado de sempre. Aliás, essa pausa estratégica de limpeza sempre acontece por aqui nessa época do ano, é bom para não atrair formigas. 

Qualquer coisa dá um grito aí. All right?