Já se vão lá uns vinte e tantos dias desde que 2011 começou, e junto a ele algo novo e estranho aconteceu: um tal de Beto Richa virou governador do Paraná. O costumeiro leitor defenestrado sabe bem que política é um tema que passa longe (bem longe) das pautas desse blog, mas precisamos dizê-lo.
A questão é que, assim que o atual governador assumiu, um novo nome veio à direção da Rádio Educativa: Fernando Tupan, bom e velho conhecedor da música curitibana e paranaense, ex-membro de bandas (Estação no Inferno, Ídolos de Matinee e Tupans) e um dos proprietários do selo Discos Voadores. O que se diz é que, no começo dos anos 90, ele e o produtor José Crespo teriam sido responsáveis por uma programação incrível a ser transmitida pela extinta Estação Primeira.
Pois bem. O que se viu nos primeiros dias da nova Rádio Educativa foi uma reformulação em seu repertório (priorizando-se, ao que parece, a música paranaense) que motivou, na sequência, uma enxurrada de elogios vindos de todos os lados: seja no boca a boca pessoal ou virtual, bandas e ouvintes se mostraram extremamente felizes e empolgados. Até a Gazeta do Povo, pertencente ao grupo de comunicação que é dono de outras estações musicais, veiculou uma matéria (da qual este blogueiro teve a honra de fazer parte) noticiando as boas novas que vêm da rádio estatal paranaense.
E é algo muito legal quando o rádio da família está ocasionalmente sintonizado em 97,1 MHz e de repente começa a tocar algo tão bom e gostoso quanto o Maxichoro do duo curitibano Felixbravo. E mais: em algumas horas de audição a equipe defenestrada registrou execuções de músicas de grupos como Relespública, Dissonantes, Sabonetes, Charme Chulo, Pão de Hamburguer, Rosie and Me, Banda Gentileza, Nevilton (que a locutora insistiu em chamar de Névilton), Trio Quintina, Maxixe Machine, Blindagem (esses últimos três executados em sequência), Djambi, Maremotos, Te Extraño e até o saudoso Faichecleres.
Mesmo excluindo-se os nomes paranaenses, o nível da programação não cai: belezinhas de nível nacional como Romulo Fróes, Pullovers, Juliana R, Érica Machado, Numismata, Pata de Elefante, Lenine, Dona Iná e Renato Godá também podem ser ouvidas assim, quando menos se espera.
Agora, o ponto a que queremos chegar nesse texto é o seguinte: por mais que a afirmação possa soar estranha em tempos de tão consolidada internet, o rádio ainda tem (ou deve ter) o poder de avalizar as coisas. Uma música que só toca em sítios virtuais vira outra coisa completamente diferente (e, porque não, de uma magnitude bem maior) quando é transmitida por ondas no ar. Não que as outras rádios não deem espaço à música local, mas o que distingue a Educativa é a apuração cuidadosa da programação, a não-restrição das citadas bandas a um horário específico (e normalmente ruim) e a frequência extremamente alta com que elas são executadas.
E agora, o principal. Com o aval e o grande alcance do rádio, finalmente essas músicas feitas por essas bandas de cá, que há tempos insistimos terem muita qualidade, deixam de circular em um circuito restrito de pessoas e agora atingem (ou têm a possibilidade de atingir) o grande povo. A boa música da cidade dos tubos está lá, finalmente disponível aos cidadãos de classe média e baixa; basta que eles as sintonizem (eis, então, em grande parte sanadas, as críticas insistentes de um certo vocalista), mas para fazer o povão arrastar o dial de 98 para 97 são outros quinhentos, e um outro grande processo que não será resolvido apenas com um novo diretor de rádio.
De qualquer jeito, há muito o que se comemorar. Está tudo aí. Sintonize já a Educativa, que está cheio de coisa legal tocando por lá. Conte para a sua família, espalhe para os seus amigos. Novos dias estão vindo por aí. Aproveitemos.