Então estou aqui, em Pinhais, no Expotrade, nesse evento que é a comemoração dos 10 anos do clube Vibe e, logo ali, a não mais do que uns dez metros de distância, estão à minha frente os britânicos do The Prodigy. Então subitamente me vejo em dois lugares diferentes ao mesmo tempo: 1) ora, ali mesmo no Expotrade; e 2) na sala da minha casa, em meados dos anos 90 (talvez 96 ou 97, vai saber), com a TV ligada na Mtv e o clipe de Breathe passando enquanto eu brincava com alguma coisa. Tento abstrair, mas essa imagem fica voltando à cabeça durante o show inteiro, e ah.
Então estou aqui, no meio dessa galera, há playboys, há mulheres aparentando mais de 35 anos mas se vestindo e se comportando como se tivessem 15, há pessoas normais, há apreciadores de boa música, há fãs inveterados, há os que estão ali só pelo fervo, e eu admito que a verdade é que caí ali de paraquedas e só conheço duas ou três das músicas dos caras, as mais famosas, é claro.
Admito então também que não sei nada sobre os caras, mas estou me divertindo. Tem muita gente pulando, gosto de shows em que a galera pula, mas não são bem todas as pessoas que estão pulando, há meninas com saias de dois palmos de comprimento que não pulam, se recusam, não querem se mexer muito, Essa que é a galera da Vibe?, me pergunto. Mas, ora, como que eu não fui conhecer melhor esse som antes? Não sou lá grande fã de música eletrônica, mas se há um tipo de música eletrônica que eu gostaria de ouvir é justamente esse, e estou aqui no show dos caras.
O show está indo muito bem, apesar das caixas de som à minha frente estarem estourando os agudos das músicas (problema que some poucas músicas depois), e após a terceira ou quarta música o guitarrista joga sua guitarra para o alto em direção ao fundo do palco, Meu Deus, ele jogou a guitarra para o alto, o que vai acontecer agora?, penso durante décimos de segundo, a guitarra voa tão alto que quase bate no teto baixo, mas ufa!, ela aterrissa suavemente nas mãos do roadie: movimento intensamente ensaiado.
E os dois vocalistas estão lá, agitando a galera que está ali pulando no chão, o moreno cabeludo e o branquelo esquisito, o cabeludo está com alguma pintura brilhante no rosto (será uma máscara?), e o branquelo está um pouco mais reservado, mas ainda assim os dois estão agitando. O cabeludo o tempo todo grita algo parecido com "all my worries on the floor", mas não deve ser isso, a frase não faz sentido, não tem porque o cara ficar gritando isso o show inteiro.
Em algum momento resolvo comprar cerveja: perco várias músicas enquanto espero a minha vez de pedir duas long necks, volto carregando três copos pequenos, de plástico, cheios, porque não eu não poderia ficar na pista com uma garrafa de vidro, e perco mais outras músicas enquanto derramo cerveja tentando voltar ao lugar em que estava.
Acabo o último gole quando começa a última música antes do bis, e é claro que é ela, Smack my bitch up. E é óbvio que é nesse momento que o público mais se manifesta, parece que todos no Expotrade estão gritando Chase my bitch up, smack my bitch up, e no finalzinho da música o vocalista cabeludo manda todo mundo se agachar, Everyone get the fuck down!, ele grita, quase todos se agacham, e quando o último refrão começa todos pulam enloquecidamente, há uma empolgação coletiva, e isso é muito legal enquanto dura.
Eles voltam para o bis, tocam duas músicas, e a terceira e última é Out of Space, aquela que tem o loop daquele reggae famoso no meio, e todos cantam o reggae famoso no meio, e aí acaba o show. As luzes acendem, e há um monte de caras sem camisetas, Que negócio é esse?, penso, e na saída há uns pufes, e em um deles há várias garotas (mulheres? certamente têm mais de 30 anos mas parecem forçosamente mais novas) de vestido curto sentadas ao redor de um cara em pé, sem camisa, Ora ora, penso de novo. No dia seguinte, assistindo a algum vídeo do show, percebo que um dos vocalistas pediu que a rapaziada tirasse as camisetas, e é claro que era isso que alguns desses caras que gostam de se exibir estavam esperando para poder se exibir.
Mas de qualquer jeito o show foi muito bom, e cair assim de paraquedas nele foi legal. Bela noite essa, dessas que de algum jeito acabam simbolizando o fim de ano. E agora era só aguentar o Chase my bitch up, smack my bitch up ecoando ininterruptamente na cabeça pelos próximos três dias, mas ah!, o show foi legal e ponto.

2 comentários:
Showzaço! Independente de quem estava lá ou não.
Ele falava "all my warriors on the floor"... todos os meus gerreiros q estão no chão... haha
Talvez por causa da musica warriors dence, q tem um clip mto legal, ou pq ele acha q faz algum sentido.haha
ah, então era isso que ele gritava! mistério resolvido. hehehe, valeu Fabiano!
Postar um comentário