24/01/2011

viva a nova Rádio Educativa!


Já se vão lá uns vinte e tantos dias desde que 2011 começou, e junto a ele algo novo e estranho aconteceu: um tal de Beto Richa virou governador do Paraná. O costumeiro leitor defenestrado sabe bem que política é um tema que passa longe (bem longe) das pautas desse blog, mas precisamos dizê-lo.

A questão é que, assim que o atual governador assumiu, um novo nome veio à direção da Rádio Educativa: Fernando Tupan, bom e velho conhecedor da música curitibana e paranaense, ex-membro de bandas (Estação no Inferno, Ídolos de Matinee e Tupans) e um dos proprietários do selo Discos Voadores. O que se diz é que, no começo dos anos 90, ele e o produtor José Crespo teriam sido responsáveis por uma programação incrível a ser transmitida pela extinta Estação Primeira.

Pois bem. O que se viu nos primeiros dias da nova Rádio Educativa foi uma reformulação em seu repertório (priorizando-se, ao que parece, a música paranaense) que motivou, na sequência, uma enxurrada de elogios vindos de todos os lados: seja no boca a boca pessoal ou virtual, bandas e ouvintes se mostraram extremamente felizes e empolgados. Até a Gazeta do Povo, pertencente ao grupo de comunicação que é dono de outras estações musicais, veiculou uma matéria (da qual este blogueiro teve a honra de fazer parte) noticiando as boas novas que vêm da rádio estatal paranaense.

E é algo muito legal quando o rádio da família está ocasionalmente sintonizado em 97,1 MHz e de repente começa a tocar algo tão bom e gostoso quanto o Maxichoro do duo curitibano Felixbravo. E mais: em algumas horas de audição a equipe defenestrada registrou execuções de músicas de grupos como Relespública, Dissonantes, Sabonetes, Charme Chulo, Pão de Hamburguer, Rosie and Me, Banda Gentileza, Nevilton (que a locutora insistiu em chamar de Névilton), Trio Quintina, Maxixe Machine, Blindagem (esses últimos três executados em sequência), Djambi, Maremotos, Te Extraño e até o saudoso Faichecleres.

Mesmo excluindo-se os nomes paranaenses, o nível da programação não cai: belezinhas de nível nacional como Romulo Fróes, Pullovers, Juliana R, Érica Machado, Numismata, Pata de Elefante, Lenine, Dona Iná e Renato Godá também podem ser ouvidas assim, quando menos se espera.

Agora, o ponto a que queremos chegar nesse texto é o seguinte: por mais que a afirmação possa soar estranha em tempos de tão consolidada internet, o rádio ainda tem (ou deve ter) o poder de avalizar as coisas. Uma música que só toca em sítios virtuais vira outra coisa completamente diferente (e, porque não, de uma magnitude bem maior) quando é transmitida por ondas no ar. Não que as outras rádios não deem espaço à música local, mas o que distingue a Educativa é a apuração cuidadosa da programação, a não-restrição das citadas bandas a um horário específico (e normalmente ruim) e a frequência extremamente alta com que elas são executadas.

E agora, o principal. Com o aval e o grande alcance do rádio, finalmente essas músicas feitas por essas bandas de cá, que há tempos insistimos terem muita qualidade, deixam de circular em um circuito restrito de pessoas e agora atingem (ou têm a possibilidade de atingir) o grande povo. A boa música da cidade dos tubos está lá, finalmente disponível aos cidadãos de classe média e baixa; basta que eles as sintonizem (eis, então, em grande parte sanadas, as críticas insistentes de um certo vocalista), mas para fazer o povão arrastar o dial de 98 para 97 são outros quinhentos, e um outro grande processo que não será resolvido apenas com um novo diretor de rádio.

De qualquer jeito, há muito o que se comemorar. Está tudo aí. Sintonize já a Educativa, que está cheio de coisa legal tocando por lá. Conte para a sua família, espalhe para os seus amigos. Novos dias estão vindo por aí. Aproveitemos.

9 comentários:

Rafael Onori disse...

Parabéns paranaenses pela "nova" rádio!

É deliciosamente estranho falarmos de rádio na era da internet, mas como bem disse o Felipe, "o rádio ainda tem (ou deve ter) o poder de avalizar as coisas."

Matheus Chequim disse...

O rádio tem a ver com o imprevisível. é deixa o egoísmo de escolher as músicas e deixar que alguém faça isso por você. é tão mais empolgante ouvir a música da sua banda preferida quando tocada na rádio e você nem esperava. aí mora o sabor do rádio. e também na possibilidade de conhecer o novo, que nunca se procuraria por conta própria

Rodrigo Ferro disse...

Vamos com calma. A Rádio Educativa era muito boa. Uma das poucas que não haviam se vendido a interesses de outras classes (tirando, claro, os programas do Requião). A música paranaense tem dois defeitos básicos de forma geral: 1- sempre falam sobre o Paraná, como se os autores fossem comer barreado todo santo domingo; 2- tentando soar diferentes ou revolucionários, acabam sendo chatos. Nem toda loucura é original, já disse o Chico. É claro que nem tudo é ruim, as bandas do Glauco, o Blindagem, Trio Quintina são exemplos de boas músicas, mas de maneira geral a rádio Educativa tá muito chata! E tem outra, por que não falar na rádio dos atos nepotistas do Richa?

Rodrigo Ferro disse...

Errata: "Nem toda loucura é genial."
Foi mal Chico...

gabriel fausto disse...

eu já acho o contrário: quase nunca escuto músicas falando sobre o Paraná. Inclusive acho que falta esse tipo de canção. O que com certeza não é estranho pra ninguém é escutar músicas sobre Ipanema, Corcovado, Leblon, Pelourinho, Salvador, Rua Augusta, Pantanal.... mas aqui não pode. Se eu quiser falar a palavra Araucária numa música, só se for pra tocar num evento da prefeitura, pois o certo é ficar emulando os chicos e caetanos de sempre.

Felipe A. disse...

Esse tipo de atitude e discurso me soa as vezes como um certo complexo de viralata, incomprendido pelo resto do país. Deveriam é fazer uma reflexão pq o Paraná nunca conseguiu emplacar um grupo sequer a nivel nacional.Com certeza nao é pq a opção foi ser alternativo.Ser alternativo é o que restou. Soltam-se cds aos montes vindos de projetos de incentivo, alguns com uma certa qualidade mas a grande maioria muito fracos.Te pergunto algum desses CDs tocam em outras praças?? Encontram-se em lojas pra comprar?? Agora impoe alguns desses grupos no radio como que um grito de independencia. Nao ouviremos mais grandes interpretes e grupos nacionais pq a ditadura local impoe na marra a produçao local, seja ela boa ou ruim. Depois de algumas semanas ja mudei pra outra radio quase ali do lado, onde ainda prevalece o bom senso.E olhe que é dos padres..Quem diria...

Anônimo disse...

Meu Deus Rodrigo, em que planeta você vive? lançei em 2003 um livro de 707 paginas tratando de música local, chamado A dês contrução da música na cultura paranaense e nuc aouvi em toda a minha vida tamanha asneira. A música do Paraná é rica, criativa, contendo desde música tradicionalista, clássica até o rock e música eletônica mais antenados com a produção e espirito de nosso tempo no mundo. Apenas no Musin - Museu Independente estão guardados mais de 1600 discos paranaenses com mais de 12.000 musicas pra todos os gostos. Isso ocorre devido as região de circulação latino americana e imigração de vários povos de todo o mundo. Aqui se faz todo tipo de música e o que menos se ouve é pinheiro e barreado, porem até isso tem valor, vá estudar... pois pagou de otário! abraços

Manoel

Felipe Gollnick disse...

Grande Manoel, é isso aí cara!

Obrigado pela visita, uma honra saber que você passou por aqui!

Anônimo disse...

tem que tocar musica paranaense mesmo, mas é inegável que mais que 50% é chato.
acontece....
nao adianta só ser bairrista, tem que ter alguma noção estética malanoel.