29/10/2010

entrevista RockaJenny


A RockaJenny é uma banda legal, em toda a legalzice do termo (tirando o jurídico, mas aí já é outra história). A começar pelo nome, uma piadinha simples que demorei muito para sacar,  que brinca com a proposta musical do grupo e com o fato de só haver garotas na banda.

Essa legalzice não para por aí, mas vai além, seja nas guitarras com poucos efeitos, cruas, de riffs acentuados e diretos ao ponto (e esse ponto fica em algum lugar muito dançante e divertido); seja no vocal charmoso e um pouco estabanado da Fox (a vocalista do conjunto, não o canal de TV); e por fim na cozinha da banda, que entrega a quem ouve um produto cru, mas muito gostoso -- tipo um brownie. Então o que temos na RockaJenny não é propriamente uma cozinha, mas uma delicatessen.

E uma delicatessen que é mantida por jovens dedicadas, tal qual uma moça que sempre cozinhou, que se esforça bastante e consegue juntar um dinheiro suficiente para abrir sua tão sonhada doceria, mas ainda uma doceria pequena... é como se, através de seu myspace, a RockaJenny falasse ao público: "Nossa loja ainda é pequena, mas experimenta os nossos brownies!". E você experimenta os brownies e eles são deliciosos. Você já está pensando em indicar o lugar para os seus amigos quando surge um estalo simples: se a delicatessen fosse um pouco mais bonitinha e arrumada, seria um sucesso.

Toda essa metáfora para dizer que as músicas da RockaJenny são MUITO legais, mas falta um trabalho com um acabamento à altura do que a banda pode apresentar (e as garotas sabem disso). Assim, quando ouvimos um burburinho de que elas tinham entrado em estúdio para gravar com um produtor, ficamos felizes demais e corremos para mandar algumas perguntas para elas e ficar sabendo de tudo. Quem respondeu foi a simpática Penny, guitarrista, por e-mail.



defenestrando - Ouvi por aí, em alta madrugada em uma rua sombria, boatos de que a RockaJenny está gravando um disco novo. Procede a informação?
Penny - (na alta madrugada? haha que legal!) Não é um disco, mas sim um EP, com 4 ou 6 músicas. Ainda não decidimos pois vamos regravar algumas que estão disponíveis no myspace, pois a qualidade delas não é das melhores, além de outras novas.

Esses boatos também davam conta de que a gravação está sendo feita em Foz de Iguaçú. É verdade ou uma mentira deslavada?
Nós estamos gravando com o nosso amigo Felipe Gomes, que está lançando o selo "housepartie". Ele mora aqui em Curitiba, mas é de Foz, e foi lá que gravamos toda a parte da bateria. O resto dos instrumentos e voz serão gravados aqui provavelmente. Então fica meio a meio talvez.

A quantas anda esse processo? Já gravaram os instrumentos, mixaram? O que falta para finalizar?
Até agora temos todas as baterias e começamos a gravar o baixo, então está bem no começo.

Qual é a previsão de lançamento?
A ideia é lançar em janeiro de 2011, e eu espero que dê pra cumprir!! haha.

Podem nos fazer um resumo da bolacha? Tipo contar um pouquinho sobre cada música, as letras, etc, o que melhor convir.
Bom, como ainda não decidimos exatamente o que vamos lançar, posso dizer que é bom regravar algumas músicas antigas, é como se estivéssemos "pintando um rascunho", só pra ficar mais bonitinho mesmo. Dentre elas estão Last Night Party Girls, Lion, Heart In Coma e Vizinho Intergalático. Já as músicas novas posso falar de Jennifer e Noite. Jennifer é uma música que fizemos pra casa RockaJenny, uma casa antiga onde ensaiávamos no primeiro ano de banda. Aconteceu de tudo por lá, e como tínhamos um grande vínculo com ela, surgiu Jennifer. Noite foi uma música que se modificou em boas partes, começou com uma letra toda em português mas depois mudamos para o inglês e supostamente se chamaria "Hands", porém não nos acostumamos e deixamos o nome como Noite, mesmo não tendo nada a ver com a letra que se tornou oficial. Mas é só aguardar pra ver o que vai sair nesse EP.

Além do domínio do planeta, o que a banda espera desse EP de estreia?
O domínio do planeta é uma ideia fixa que pelo menos eu tenho, e acho que não tem nada maior que isso haha, mas a gente espera a princípio que esse EP supere nossas expectativas tanto na qualidade de som como de show, que o pessoal curta não só porque somos meninas e novinhas, mas porque gostamos de tocar e nossas músicas representam exatamente o que somos, sem querer ser clichê ou forçar uma "modinha", pois não adianta nada ser elogiado por algo que não foi feito de coração, não ser de verdade.


Já estamos ansiosos!

25/10/2010

Gentileza antes Do Amor

Quando cheguei, a Gentileza já tinha começado. A Banda Gentileza, quero dizer, e com letra maiúscula mesmo, porque os caras realmente costumam fazer um show desse porte. Antes de partir pro Jokers vi o Rufatto dizer no twitter: "show da Banda Gentileza é o novo 'Tem Wandula no Wonka' do pedaço." Sou muito novo e muito piá de prédio (han han) pra entender exatamente o que isso significa, mas cada apresentação da Banda Gentileza já é evento marcado no calendário de um grande grupo de pessoas que vão se ver ou rever onde quer que o show seja. Quando você chega atrasado num show, numa festa o no que quer que seja, é comum que se encontre pessoas já consideravelmente alcoolizadas e delirantes, o que te deixa um pouco por fora do clima. Eu tinha mesmo chegado atrasado e não estava suficientemente alcoolizado e delirante. O Jokers tava muito cheio. Não tinha arranjado lugar pra largar minha mala, então cruzei os braços e fiquei lá atrás mesmo, só observando. Mentiria se dissesse que não queria estar lá no meio, pulando e gritando, mas a atmosfera envolvida num show (e especificamente nesse show) da Banda Gentileza é contagiante. Só o que pude fazer foi sorrir. Já foi falado muito sobre essa banda aqui no defenestrando, mas só o que posso dizer é que a Banda Gentileza no Jokers sexta-feira (22) foi sem dúvidas um dos cinco melhores concertos do ano nessa cidade, como bem definiu o Felipe (este sim, devidamente alcoolizado) logo após o show.


Mas abertura da Gentileza era meio que pra recepcionar outros caras, pra dizer: "Ok, ouçam esse som", pra introduzir os cariocas da banda Do Amor. Aliás, Do Amor, que nome mais complicado de se referir, hein? Dizer "do Do Amor" parece gaguejado, e "da Do Amor" soa cacofônico e contraditório. A saída é dizer a banda ou o grupo Do Amor, mas aí fica repetitivo.

Confesso que estava muito curioso pra ver o show da Do Amor. Primeiro que, você pode pensar que nunca ouviu os caras, mas talvez não seja bem assim: a banda é formada pelos caras que já tocam com o Caetano Veloso há 3 anos (Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes, da Banda Cê, que gravou o zii e zie, e tudo mais), e por ninguém menos que Gabriel Bubu.

- Aquele que toca baixo pro Los Hermanos?
- Esse mesmo

Outro motivo que me despertava curiosidade era ver essa proposta experimental que traz o Do Amor, que mistura axé, carimbó, bom humor, dub, indie, 80's, e o que mais se possa imaginar.


A primeira coisa que notei assim que o show começou foi a disposição da banda no palco. Estáticos, guardando mais posição que zagueiro em final de campeonato. Na hora pensei que podia ser algum tipo de timidez de se apresentar pela primeira vez para o considerado crítico público curitibano. Reconheço também que qualquer banda pode parecer estática tocando logo após a Gentileza. Mas o motivo real deles estarem tocando cada um no seu lugar era outro. Todos os membros Do Amor (e a partir de agora vai ser simplesmente Do amor, sem mais "do" ou "da" antes) são vocalistas também e não estamos falando apenas de backing vocals. Cantam juntos, ou alternando. O cara das baquetas Do Amor, o Marcelo, disse após o show em entrevista exclusiva ao defenestrando (ainda que ele não soubesse disso) que esse lance de todos cantarem tinha muito mais a ver com o espírito de banda. "O que acontece nas bandas é que geralmente quem compõe é que canta. Como todos nós compomos, então todos nós cantamos, ué."



Talvez seja por todos comporem que Do Amor tem músicas tão diferentes entre si. Não sei se foi quando tocava "Perdizes" ou "Cachoeira", fechei os olhos e por um instante e pensei que estivesse numa micareta. Pra um show de rock, isso é tão excêntrico quanto por exemplo um Bonde do Rolê, que sobe no palco pra mandar inusitadamente um funk com guitarras, mas no caso Do Amor, sem um compromisso em ser cool ou algo parecido.

"Dar uma banda" tem uma voz que me remeteu a algo de Mamonas Assassinas ou Cazuza. "Morena Russa", apesar de toda a mistura de estilos, entrega a marra carioca dos caras, no maior clima de praia, e numa levada à la Jorge Ben. "Pepeu baixou em mim" volta pro Norte do Brasil e puxa pro tal do carimbó. Por falar em carimbó, o ponto alto do show foi justamente "Isso é carimbó", que a equipe defenestrada teve a felicidade de gravar:


A letra é didática e contagiante: é como se alguém já no fim do show chegasse e perguntasse:

- Porra, Bubu! Que é isso que cês tão tocando, cara? De onde vem esse balanço maneiro? Ô, Benjão! Que balanço maneiro é esse?
- Isso é carimbó, rapaz!

A música se encerrou com o coro do público, que cantava "Me dê, me dê, meu Alfa Romeu", num clima tão gostoso que ninguém queria parar. No fim do vídeo dá até pra notar a falta de reação da banda na situação. Depois do show, naquela entrevista exclusiva com o Marcelo, disfarçada de conversa-enquanto-eu-compro-seu-disco, ele até revelou que nunca tinha acontecido aquilo antes, justo com aquela parte da música, e que eles tinham achado o público curitibano muito caloroso.

Fizemos questão de dar um adesivo do defenestrando pro cara. Falei que talvez ia fazer esse post relatando o show, e quanto eu estava indo embora, ele olhou pra mim e falou: "Escreve lá no blog, cara. Tu tá com mó cara de que tá sóbrio!"

E foi isso. Aí eu ri, e fui embora dançando carimbó.

19/10/2010

Música Boa da Quinzena: feliz horário de verão!

Hoje, numa bonita segunda-feira de outubro, abri a porta para a rua às seis da tarde e o sol resplandecia. Não só estava apenas claro (como tem sido nos últimos dois meses, mais ou menos), mas ainda havia sol, e bastante: é o horário de verão, que chegou pulsante como o aviso mais feliz de que ele, sim, ele mesmo, o verão, está mais próximo do que nunca.

Sim, sim. Dias quentes virão, as peles pálidas de escritório irão quase que sumir, as coxas serão redescobertas pela humanidade, os pés mofados conhecerão o ar fresco novamente etc etc.

O horário de verão é uma benção; para tanto, a maneira que encontramos de homenageá-lo aqui no blog foi com um resgate da boa e velha Música Boa da Quinzena, o quadro que nunca respeita a frequência prometida no nome e que, dada a nossa empolgação (digo, a minha empolgação, não sei a quantas anda a do Matheus) dessa vez vem em dose tripla. (Não somos os únicos ansiosos para o verão: tem gente fazendo contagem regressiva há tempos)

Então vamos aos trabalhos:

1) O Los Hermanos fez nesse final de semana aquela mini turnê pelo nordeste. No vídeo abaixo você vê os caras tocando a primeira música do primeiro show da série, em Recife. Veja a loucura e a devoção dos fãs, algo que joga direto aos bons tempos pré-hiato da banda, mas todo esse culto é agora reforçado pelas "férias por tempo indeterminado", que aparentemente só fizeram bem para a fama e o nome do grupo. Vai vendo:


2) "Copacabana", o excelentíssimo-brasilidade-all-right disco do Fino Coletivo lançado ainda no primeiro semestre desse ano, é um grande invocador do verão em todo o seu suíngue, carisma e efusividade. Seu carro chefe, "A coisa mais linda do mundo", tem tocado direto na Lumen FM e é uma belezoca de música: quase dá para ver a garota toda de amarelo caminhando pela calçada da praia, vindo em sua direção.


3) E pra completar o périplo da alegria, aproveite o momento de euforia para curtir a felicidade de ver um clipe tão legal e ouvir uma música tão bacana quanto a já bem velha, mas nunca ultrapassada "U can't touch this", do Mc Hammer:


Então, finalizando, um FELIZ HORÁRIO DE VERÃO para você!

14/10/2010

troca-troca: 2ª edição

Oi, tudo bem? Temos mais um recado para vossa magnânima senhoria:




Exatamente. Temos o prazer de anunciar a segunda edição do mais-do-que-classudo Troca-Troca na Galeria Lúdica! All right! 

Dessa vez, além de nos juntarmos novamente ao pessoal espertíssimo do Bless this Mess, teremos a honra de estar ao lado do badalado Trend Coffee para mais uma gostosa tarde de sábado de muita alegria, descontração, música e escamb... trocas! haha. Você que foi na primeira edição já sabe como é legal e divertido.


Sacou o clima? Ali fora, o pessoal confraternizando, curtindo a tarde e a vibe do São Francisco. Aqui dentro, a galerinha trocando roupas legais por livros ou livros por discos ou discos por uma balança química dos anos 60 (??), como a abaixo:



(Na edição anterior a Sayuri da Yokofive levou um Stylophone muito doido. Sabe lá que outras surpresas poderão aparecer dessa vez. Fica ligado!)

E para animar o ambiente, teremos o seguinte: 
1) música boa - os três blogs levarão suas músicas ao evento, dando ao Troca-Troca o toque especial e o tempero de cada blog;
2) vodka a preço justo - drinks marotos com vodka a meros 3 reais (na primeira edição a caipirinha que tomei estava sensacional);
3) cupcakes - a Caramelodrama estará por lá vendendo seus docinhos e seus cookies e seus brownies para adocicar ainda mais essa tarde já gostosa;
4) snacks for free - salgadinhos NA FAIXOLA para você petiscar.

Então vá já se preparando. Pegue aquela roupa legal mas que não cabe mais em você (haha), aquele livro de ficção científica que seu primo nerd já leu três vezes ou aquele disco do Reginaldo Rossi que a sua tia nunca mais ouviu, leve tudo lá na Galeria Lúdica nesse sábado  (16/10) a partir das 15h e seja feliz!

Lembrando que a entrada é franca e que a Lúdica disponibiliza araras, cabides e estantes para você expor os objetos.

Então reforçando: a coisa toda vai acontecer nesse sábado, (dia 16/10), das 15h às 20h, na Galeria Lúdica, que fica na Trajano Reis, 367. Te esperamos lá!

12/10/2010

SWU - dia 9: sobre o que poderia ter sido, mas não foi


Fiquei na instiga quando o SWU começou a anunciar suas primeiras atrações, meses atrás. Quando confirmaram o Rage Against the Machine, corri para arranjar um estágio: afinal, o histórico confronto aberto da banda contra as mazelas do capitalismo, o primeiro show deles na América do Sul e o histórico de apresentações explosivas prometiam um dos eventos musicais mais marcantes da história desse país (não é exagero). Assim sendo, meus dois primeiros salários foram inteiros gastos em um ingresso para pista comum e na excursão para Itu (e quase metade do terceiro foi para comprar uma camiseta oficial da banda e me alimentar dentro do festival -- tudo a preços abusivos, como era de se esperar).

Mas eis que a data chegou (o terceiro dia do festival está em seus momentos finais enquanto escrevo, em casa, esse relato). Pegamos a estrada de madrugada e o ônibus em que estávamos foi o primeiro a chegar na área reservada a ônibus e vans do evento. Aguardamos com paciência o horário em que os portões seriam abertos -- às 10h da manhã -- mas, por falta de policiamento, que demorou a chegar (foi o que me disse alguém do staff), só foi possível entrar na Fazenda Maeda por volta das 13h30. Nada que atrapalhasse a ansiedade e alegria de poder ver, logo mais, o RATM ao vivo e a cores.

Entramos. Lugar bonitão, tendas (música eletrônica e novas bandas) super legais e descoladas, roda gigante, parede de escalada, e os dois palcos principais, mega construções retráteis e visíveis a grandes distâncias. Enfim, não me pareceria nenhum problema ficar por ali curtindo um dia inteiro de música boa. "All right", pensei.


Pessoal descansando na graminha. Foto descaradamente roubada do Move that Jukebox


A primeira metade da tarde foi muito boa: fiquei quase o tempo todo na tenda das novas bandas organizada pela Oi. Vi os shows da Letuce (alegria e remelecho), Superguidis (competente, mas não vai além disso), Curumin (sensacional, como sempre) e Mallu Magalhães (insegura a partir de problemas no seu microfone -- falei o contrário de um outro show dela aqui). Tudo ia muito bem e pontual; a única coisa próxima a um incoveniente até aí foi o show da Mallu ter demorado uns 10 minutos para começar. Mas algo ainda absolutamente irrelevante perto de um festival naquelas proporções. "A produção está boa", pensei, surpreso.

Então era hora de ir aos palcos principais (eram dois, um do lado do outro: assim, quando uma banda acabava, outra já começava) e tentar achar um lugar legal para ver o Los Hermanos e o RATM, que iriam tocar no mesmo palco. Pegamos o final do Infectious Grooves (banda americana de funk metal dos anos 90; o vocalista é um dos fundadores do Suicidal Tendencies) e vimos, muito de longe, o Mutantes: banda afinadíssima e atuação incrível (com direito a tiradinhas políticas mencionando Lula e Dilma) de Sérgio Dias, lenda viva do rock brasileiro, fazendo chover com a sua inconfundível guitarra dourada.

O Los Hermanos foi uma grata surpresa. Ainda lembrava do show fraquinho que eles tinham feito ano passado abrindo para o Radiohead, mas dessa vez foi diferente. A banda estava entrosada, certinha, e Camelo e Amarante fizeram a festa. O público, que eu imaginava que não reagiria bem por causa dos inveterados fãs de RATM, estava completamente ganho, cantando todas as músicas e gritando um sonoríssimo "volta, Los Hermanos!" ao final da apresentação.


Foto descaradamente roubada do Rock 'n' Beats

The Mars Volta era a próxima atração. Como eles tocaram no outro palco principal e eram a última banda antes do Rage, o lugar em que eu estava (próximo à grade) virou pandemônio: muita gente quis procurar um bom local, e o pessoal começou a ficar irritado. Foi aí que as coisas começaram a desandar. Muitos começaram a gritar "ei, área vip, vai tomar no cu!", e teve início o empurra-empurra. Mas não eram aqueles empurrões que acontecem no meio de um show de rock pesado tradicional: eram ondas de pessoas esmagadas por outras ondas de pessoas (esse estranho ritual dos shows de grande porte). Vários ignorantes berravam que queriam derrubar a grade que separava a pista comum da premium, e o efeito dominó foi inevitável. Aguentei por uns quinze minutos mas a situação não melhorava de jeito nenhum -- e dava para ver que alguma hora ia dar merda. Como o Mars Volta ainda tocaria por uma hora e meia, pensei que era ridículo ficar ali todo esse tempo e fui voltando, na base da força (a única maneira possível), à procura de um lugar mais tranquilo.

Então descobri: não tinha um lugar mais tranquilo. Voltei até a torre de som, onde apenas deu para enxergar, num espaço apertadíssimo, o final do Mars Volta: eles foram ótimos, mas suas músicas de quinze minutos só abusaram da paciência dos milhares de ansiosos que aguardavam a banda dona de clássicos como "Guerilla Radio" e "Killing in the Name".

E aconteceu. Mars Volta foi embora. Depois de um intervalo, as luzes se apagaram e uma enorme estrela vermelha foi erguida no palco, ao som de sirenes estridentes que anunciaram a entrada do Rage. Quando Tom Morello empunhou sua guitarra e começou o riff matador de "Testify", Itu veio abaixo. Nada que fosse fraco e estivesse a menos de duzentos metros do palco sairia sem sequelas (exagero necessário para descrever o que vi). Quase tudo era um grande empurra-empurra -- esse sim tradicional (mas mais intenso do que o comum) dos shows de rock. Fiquei pensando: se mesmo estando meio longe do palco o negócio estava meio tenso, como estaria a situação lá na frente?



Eles tocam mais uma ou outra música e o som para: uma voz desconhecida vem ao microfone e anuncia que o show será interrompido até que se restabeleça a ordem e se conserte a grade da pista VIP, que tinha sido derrubada -- confirmando a merda prevista. Irritação geral. Zack de la Rocha fala, em inglês, que estão muito excitados em tocar na América do Sul pela primeira vez mas pede que todos deem três passos para trás, e que todos tomem cuidado com a pessoa que está ao seu lado.


Todos dão alguns passos para trás, mas logo que a banda recomeça a ordem se perde em hordas de agitação extrema promovida pelos riffs absolutamente contagiantes de Tom Morello. O que se vê são milhares de fãs que suportaram quase 18 anos de espera por um show do Rage no Brasil arrancando finalmente os gritos de protesto não só da garganta, mas de todo o corpo, tantos milhares de corpos, que agora pulam nervosa e freneticamente, se empurram, berram e, acima de tudo, se emocionam e ficam sufocados com a falta de ar proporcionada pela aglomeração humana.




E depois disso, duas pausas inesperadas absolutamente no meio de duas músicas, em situações diferentes: o som sumiu, ficando apenas nos PAs de retorno da banda, que continuava tocando sem saber o que tinha acontecido. Mais indignação geral. Pelo que li depois nos sites, tratou-se de falha técnica: difícil de acreditar. Pelo que eu tinha visto pessoalmente quando estava lá na frente, era mais fácil concluir que a confusão estava fortíssima e que por medidas de segurança a produção, extremamente desorientada, cortava o som a fins de tentar manter o controle da situação. 


Agora cabe indagar: quando você produz um evento para 47 mil pessoas e chama uma banda como o Rage Against the Machine para ser o headliner, não irá você tomar todas as providências necessárias para que não dê merda? Houve alguma providência, ou as 47 mil pessoas apenas estavam lá jogadas à mercê do descontrole proporcionado pelos berros cortantes de Zack de la Rocha?


E a cada interrupção forçada de quatro ou cinco minutos, o show histórico meio que ia escorrendo por entre os dedos. Não porque ele estava acabando, mas mais por causa da sensação de coito interrompido (muito bem descrita pelo Marcelo Costa). "People of the Sun" estava sendo tocada bem ali, na minha frente (e dedicada por Zack aos brothers and sisters do Movimento dos Sem Terra), mas não pude sentir nada, nenhum arrepio ou algo semelhante.




E o show acabou, e foi só um show. O que poderia ter sido extremamente incrível e histórico foi algo apenas um pouco acima da média. Que seja deixado claro que, enquanto o RATM tocava, era tudo sensacional. A segunda metade da apresentação foi excelente, mas já não tinha como ser a mesma coisa. Ainda tive a sensação nítida de que o show durou bem menos do que a 1 h e 45 min prevista na programação. Pense na frustração de muitos fãs que aguardaram tanto tempo para pouco ou nada. Sorte dos que conseguiram relevar tudo isso e aproveitar.


E ainda teve toda a confusão das praças de alimentação ao final do show (demorei uns 40 minutos para comprar uma mini pizza ruim) ou todo o imbróglio da saída (que nem percebi, já que estava dormindo profundamente no ônibus, hehe). Ou ainda o Multishow cortando a transmissão no meio.


9 de outubro de 2010, um dia que entrou para a história musical desse país. Poderia ter sido assim, mas não foi.


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Em tempo: apesar de todos os apesares, ver em ação talvez o maior guitarrista vivo foi uma benção. Tom Morello toca guitarra de todos os jeitos possíveis e faz solo até com o cabo na palma da mão. Sensacional.

02/10/2010

promoção: Gentileza Do Amor Defenestrado


Temos uma coisa pra te contar, caro e estimadíssimo leitor que mora em Curitiba. Dia 22 de outubro, também conhecido como uma sexta feira, você irá viver uma noite feliz. O motivo é o seguinte: ninguém mais e ninguém menos do que a Banda Gentileza e o Do Amor vão tocar juntos no Jokers Pub. A expectativa é de muita alegria e um festerê animado demais (a equipe defenestrada já tem dado indícios claros de ansiedade).

A Banda Gentileza já é velha conhecida da galerinha curitibana (e dos frequentadores deste blog). A mistura de rock com samba, bolero, salsa, funk, música caipira, felicidade e poesia tem levado cada vez mais gente aos shows da banda, que tem viajado bastante para tocar em outras cidades do país. Do outro lado, os cariocas do Do Amor também não têm medo de explorar centenas de referências a estilos musicais completamente diferentes. Com uma escalação extremamente respeitável, que conta com Gabriel Bubu (Los Hermanos), Gustavo Benjão (+2 e Nervoso e Os Calmantes), Marcelo Callado e Ricardo Dias (ambos da banda que acompanha Caetano Veloso), ele abusam da alegria para criar misturebas musicais super felizes.

A dobradinha repete a classuda Confraria Pop (festa nascida da união das entidades Urbanaque, Scream and Yell, Agência Alavanca e Move that Jukebox) ocorrida na última quinta feira no Estúdio Emme, em São Paulo, e, reforço, promete para o dia 22 um show memorável.




Para celebrar a ocasião, começa agora a promoção Gentileza Do Amor Defenestrado! Você vai concorrer aos excelentes discos de estreia da Banda Gentileza (um dos melhores de 2009) e do Do Amor (um dos melhores de 2010 até agora) em edição deluxe. Já pensou?


Para participar é muito simples, comissário. É só tuitar a seguinte mensagem:
vou ficar feliz demais se eu ganhar os discos da @bandagentileza e do @doamor que o @_defenestrando está sorteando! http://kingo.to/i2k
O vencedor será definido através do sorteie.me e, segundo recomendações do próprio site, um único tuíte é suficiente para participar do sorteio. Tuitar várias e várias vezes a mesma mensagem não dá mais chances de ganhar e você ainda corre o risco de ser filtrado pelo Twitter. Também é copiar e colar o tuite inteiro, até o link: sem ele o sistema do sorteie.me não consegue computar os RTs!

Então agora é só tuitar e torcer! O resultado deve sair na próxima quarta ou quinta à noite! Fique atento ao nosso twitter, através dele vamos deixar você inteiramente informado! 


Enquanto isso, um videozinho Do Amor pra você ir entrando no clima:




Tchau!