foto: Circulando por Curitiba
Se há uns cinco ou seis meses atrás fôssemos falar da tal "cena curitibana" (e não levando em conta o notável cenário psychobilly, do qual este blog lamenta não ter propriedade para falar), poderíamos citar sem medo aquelas bandas de sempre, como o Sabonetes, a Anacrônica, os caipiras urbanos sensacionais do Charme Chulo e o Copacabana Club, para ficar apenas em alguns dos principais nomes da cidade.
Só que o tempo passou. A seriedade de seus trabalhos, que tornou-se uma ótima característica em comum dos grupos de cá, trouxe não só o reconhecimento, mas a sensação de que a cidade ficou pequena demais para os nomes citados. O Sabonetes, como é sabido, mudou-se para São Paulo há mais ou menos um ano, e deixou atrás de si uma trilha aberta: por ela recentemente seguiram a Anacrônica e o Charme Chulo (e essa mudança para lá não deve ser encarada como um comportamento blasé por parte delas, pelo contrário, devemos antes enxergar com louvor o sucesso e o crescimento das bandas). O Copacabana Club é ainda outro caso: mais fácil dizer que a banda ascendeu ao nível internacional do que tentar encaixá-la em um espaço apertado entre bandas menores, que são boas mas ainda nascentes.
E à medida em que estes grupos debandam e procuram outros ares, abrem-se vagas, surgem candidatos. Se havia um "segundo pelotão" escondido atrás dos "primeiros colocados" (entre aspas porque é tudo muito relativo), os grupos menores têm agora a chance que precisavam para mostrar o seu som para mais gente. Alguns, mais espertos, já estão aproveitando a ocasião. Configura-se, então, a nova geração de bandas curitibanas.
Esses novos nomes
Entre o que já veio e o que ainda virá, eis aqui alguns nomes que já se destacam. A começar pelo Homemade Blockbuster, que parece que na hora de compor as suas músicas entendeu o que está acontecendo no indie-rock dançante atual, fez algumas adaptações ao clima subtropical da cidade e chacoalhou mais outras influências da música moderna em uma mistura certeira. Essa percepção acertada talvez se deva a alguma experiência que já vale pontos: "a HMBB na sua formação conta com alguns músicos que já estão cansados de tocar nos bares da cidade pra pouca gente" diz André França, guitarrista e responsável pelos sintetizadores do grupo, com quem divido algumas das conclusões contidas nos parágrafos iniciais. "É uma banda que tem seis shows até hoje*, mas com músicos bons e seguros", diz ele.
Essa pequena quantia de shows talvez explique a surpresa dos mais atentos ao hype que tem surgido ao redor da banda: a Homemade Blockbuster caiu no gosto de Lúcio Ribeiro, o catalisador das tendências musicais descoladas, e no último dia 10 de junho a banda tocou na edição paulistana do Popload Gig 3, o pequeno festival que é sinônimo de ascenção indie. Para aumentar o espanto, a banda acaba de assinar com a Vigilante, selo "alternativo" mantido pela Deckdisc, grande gravadora de artistas como Nação Zumbi, Cachorro Grande e Pitty.
"Já recebemos sondagens de outras capitais: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Floripa... o pessoal daqui nos verá com uma postura esnobe de não tocar muito em Curitiba, [mas] as oportunidades estão aparecendo mais fora do que dentro da nossa cidade, temos que aproveitar esse momento" diz o guitarrista.
Ouvir: "Dance Moves" e "Sweet Boys Sweet Girls", as duas únicas músicas disponíveis no myspace da banda.
A folclórica imagem que ilustra o myspace da HMBB
André França é o elo comum que liga a Homemade Blockbuster à próxima banda dessa coisa que estou me arriscando a chamar de nova geração: foi ele quem produziu o EP "Drowning in my dreams", o lançamento que deve transformar o Monaco Beach em um dos principais nomes da cidade, quiçá do país, se a banda tiver a manha de aproveitar o bom momento e também tiver a sorte de cair no gosto de alguma entidade especializada em hypes (alô Move That Jukebox. Diga lá Lúcio Ribeiro).
As quatro músicas do compilado lançado recentemente em um abarrotado show no Sláinte têm qualidade dentro de sua proposta e remetem, à uma primeira ouvidela, diretamente ao The Killers (os fãs do grupo de Brandon Flowers provavelmente gostarão do Monaco Beach) e, a partir da segunda ouvida, a um monte de sonoridades bacanas desse indie-pop mais denso, consagrado no final dos anos 00. Chama a atenção o vocal discretamente berrado (se isso é possível) do ruivo Ramon Fassina, sincero em seus gritos de lamento.
Em suma, os monegascos praieiros curitibanos trazem em "Drowning in my dreams" um material muito bem acabado, pelo qual parecem saber muito bem quais são suas capacidades. O futuro para eles parece muito promissor. A ver.
Ouvir: "Sex and Explosions"
Um nome novíssimo que vem engrossar a lista desses mais recentes atacantes curitibanos é o Colorphonic (cuidado para não confundir com o power pop colorido da atual adolescência brasileira da Mtv), que empolga com uma pegada mais dançante, com guitarras animadas e um vocal agudo e agitado.
O Colorphonic traz um pouco mais da cor e da descontração que talvez tenham faltado em outras propostas indies-dançantes surgidas anteriormente na cidade. Pelo caráter de novidade, ainda não dá pra dizer muita coisa sobre a banda, exceto o fato de que vale a pena dar uma ouvida para você verificar se sente a mesma vontadezinha de dançar que senti quando ouvi esse som pela primeira vez.
Ouvir: "Deslizar em outras palavras", a primeira faixa do EP de estreia da banda.
As quatro músicas do compilado lançado recentemente em um abarrotado show no Sláinte têm qualidade dentro de sua proposta e remetem, à uma primeira ouvidela, diretamente ao The Killers (os fãs do grupo de Brandon Flowers provavelmente gostarão do Monaco Beach) e, a partir da segunda ouvida, a um monte de sonoridades bacanas desse indie-pop mais denso, consagrado no final dos anos 00. Chama a atenção o vocal discretamente berrado (se isso é possível) do ruivo Ramon Fassina, sincero em seus gritos de lamento.
Em suma, os monegascos praieiros curitibanos trazem em "Drowning in my dreams" um material muito bem acabado, pelo qual parecem saber muito bem quais são suas capacidades. O futuro para eles parece muito promissor. A ver.
Ouvir: "Sex and Explosions"
Alguns já prestam tributos.
Um nome novíssimo que vem engrossar a lista desses mais recentes atacantes curitibanos é o Colorphonic (cuidado para não confundir com o power pop colorido da atual adolescência brasileira da Mtv), que empolga com uma pegada mais dançante, com guitarras animadas e um vocal agudo e agitado.
O Colorphonic traz um pouco mais da cor e da descontração que talvez tenham faltado em outras propostas indies-dançantes surgidas anteriormente na cidade. Pelo caráter de novidade, ainda não dá pra dizer muita coisa sobre a banda, exceto o fato de que vale a pena dar uma ouvida para você verificar se sente a mesma vontadezinha de dançar que senti quando ouvi esse som pela primeira vez.
Ouvir: "Deslizar em outras palavras", a primeira faixa do EP de estreia da banda.
Uma banda que não está exatamente ajudando a formar a nova geração mas que acaba fazendo parte dela é a Yokofive, que deve (e merece) ganhar mais atenção nesse novo momento da cena. Até chegamos a fazer um comentário aqui quando a banda lançou seu potencioso EP de estreia "Creation Steppers in the Noise Fever".
A voz arrastada de Daniel del Cueto se mistura ao noise ágil das guitarras distorcidas e forma um composto pesado, uma bebida que desce com dificuldade e fazendo efeito, mas deixe-se claro, o torpor é bom. A Yokofive larga mão da delicadeza amedrontada reinante no indie rock atual para fazer um som mais sujo, guiado pelo que der na telha, sem a coleira das notas certinhas que soam sempre limpas e não-agressivas. É uma banda mais corajosa que, segundo as próprias palavras, "acredita no terrorismo sonoro". Fazem bem.
Ouvir: "Pop, girls, etc" e "Neon"
A turminha do barulho (literalmente) da Yokofive
Há ainda outros coletivos que merecem atenção, como as simpáticas meninas da RockaJenny, o Cinema Mudo e o seu trompete dramático, o power trio das Pancadas Esparsas e mais, sempre há mais. Essa turminha toda parece estar sendo liderada pela Rosie and Me, que tem agora caminho livre para se tornar a banda curitibana (ainda presente na cidade) de maior destaque. O Subburbia também está por ali e deve crescer um pouco mais.
E, colocados todos esses fatos, dá pra perceber uma coisa: a nova geração tem muito mais unidade sonora do que a geração anterior. Melhor talvez seja dizer que, antes de uma unidade, haja bem menos contraste entre cada banda: não temos mais (entre as novas) uma que misture rock e mpb, outra que faça instrumental viajado, outra que faça pop limpinho e outra que misture Smiths com roça; o que temos agora são sons modernos, mais parecidos entre si, no geral com um pouquinho menos de qualidade do que a turma de antes. Mas nada que um ou dois anos não resolvam.
Atentai-vos a estes nomes, leitores. A coisa toda está só começando. A ebulição parece que não para. Fora tudo isso, ainda vem muito mais. É só ficar ligado.
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*a entrevista foi feita dia 05/06/10, antes portanto do show no Popload Gig.







