30/04/2010

defenestrando em expansão: vem aí Matheus Chequim


Uma coisa muito importante que percebi é que este blog acabou ficando focado demais em um tema só: o curitibanismo musical. A verdade é que há muitas outras coisas muito bacanas acontecendo nesse mundão de meudeus que precisam ser comentadas nesse blog, e é fato que nunca conseguiremos dar conta de todas essas coisas com posts feitos em uma frequência tão pequena como é a característica do defenestrando (o que é algo que vem me incomodando há um bom tempo).

Para dar conta dessa expansão temática pretendida, driblamos a crise financeira mundial e essa conjuntura chata que fica martelando na cabeça de todo mundo que as redações de jornais estão cada vez menores para anunciar que a Equipe Defenestrada está aumentando em 100% o seu contingente: temos o prazer de anunciar o nome de Matheus Chequim como o mais novo defenestrador das bandas de cá.

Chequim na verdade já teve uma pequena participação anterior neste blog: ele deu uma forcinha bacana quando fizemos, tempos atrás, aquela entrevista com o André Gonzales, vocalista do Móveis Coloniais de Acaju.

Matheus Chequim não é o da direita, nem o do meio.



Além de trazer um ar mais internacional ao blog ao falar daquelas bandas bacanas de além das fronteiras nacionais, Matheus deverá fazer a quantidade de leitores defenestrados aumentar incrivelmente, ao arrastar, atrás de si, sua enorme legião de fãs para cá.

Para evitar mais introduções subjetivas, deixaremos o leitor tirar suas próprias conclusões ao ler a entrevista que fizemos com o Chequim.

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Matheus, conta pra gente um pouco sobre você, sobre sua intimidade. Como você faz pra escapar do assédio de suas milhares de fãs?
Olha, Felipe, vou te confessar que essa é uma coisa que não me incomoda nem um pouco. Adoro dar atenção a todas as minhas fãs. Sempre estudei muito pra um dia poder ser uma celebridade e agora estou vivendo um momento muito bonito na minha vida. Pra quem não sabe estou me formando em biblioteconomia.

Quais as sensações, os sofrimentos, as angústias, as alegrias de ser um jovem cidadão dessa nossa tão querida nação?
Meu pai costuma me dizer que no tempo dele o jovem era mais ativista, tinha mais sede por transformação e não era tão acomodado, tão folgado. Sem dúvidas essa é a maior aleg... Digo, angústia de ser jovem nos dias de hoje.

Que pensas do Roberto Carlos? O cantor.
Um profeta. "É Proibido Fumar" é uma prova disso. Você acha realmente que nos lugares onde ele tocava naquela época era proibido fumar? Óbvio que não. Isso aí só veio recentemente com a Lei Antifumo. Genial.

Dizem que Elvis Presley está vivo e mantém uma barraquinha de sanduíches no Havaí. Que tipo de sanduíche você pediria ao senhor Presley?
"Escuta aqui... Eu sei que é você, senhor Presley. Não adianta usar esses óculos enormes e nem forçar essa voz fininha. Me vê logo aí um Suspicious Mind Burger e um Hound Hot Dog pra viagem, fazendo o favor. E nem venha me cobrar ou eu conto pra todo mundo."

Paul McCartney ou John Lennon?
Quem são esses? Sou mais esse tal de Paul, quem quer que ele seja. (risos)

Barcelona ou Real Madrid?
Torço pros dois perderem. 

Bonde do Rolê ou Cansei de Ser Sexy?
Cansei de Ser do Rolê.

Carla Perez ou Sheila Carvalho?
Até que enfim uma pergunta séria. Sheila Carvalho, obviamente.

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Esteje bem vindo, Chequim. Está em casa.

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Aos designers mais conservadores, o defenestrando agora não usa mais Arial, mas Helvetica Neue. Pelo menos é isso o que o novo editor de texto do blogger está me dizendo.

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Vamos deixar claro aqui que, a partir de agora buscaremos tratar um pouco mais de outras musicalidades, mas o curitibanismo otimista continuará sendo o mote deste blog. As centenas de planos que temos aqui no papel, todos concernentes ao rrrock da cidade dos ônibus biarticulados, continuam existindo e serão postos em prática em algum momento próximo. Vamos vendo.

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E eu vou te fazer uns avisos aqui com antecedência que é pra você já ir se programando:

- dia 14/5 (sexta) tem Otto no John Bull Music Hall.
- no mesmo dia 14 tem BNegão e Os Seletores de Frequência no Ambiental.
- e dia 16/5 (domingo) tem Banda Gentileza e Apanhador Só no James (não bastasse o showzão costumeiro da Gentileza, o Apanhador vem à cidade pela primeira vez desde que lançou o seu DISCAÇO (que vamos comentar aqui mais para a frente). A noite promete, Curitiba.

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15/04/2010

entrevista copacabana club


Desde que surgiu, em 2007, o Copacabana Club é a banda da vez. Foi a banda pequena da vez em seus primeiros meses de vida, quando Lúcio Ribeiro fez comentários sutis atribuindo status hypado ao grupo. Foi a banda da vez quando lançou o EP King of the Night em 2008. Foi a banda da vez no começo de 2009, quando protagonizou em alta madrugada de uma noite paulistana o Curitiba vai pro Inferno. Foi a banda da vez quando o clipe de "Just do it" foi parar em campanha latinoamericana da Fox e quando um famoso rapper internacional deu destaque ao grupo em seu blog.


Em 2010 os Copas continuam botando em prática a sua sagaz capacidade de manterem-se sempre em evidência: em março embarcaram em avião rumo a sua primeira turnê internacional. Foram parar em Austin, Texas, onde acontece anualmente um dos maiores festivais de música do mundo (e talvez o maior de indie rock), o South by Southwest.

Tido como a maior fonte reveladora de tendências musicais do momento, o SXSW é um evento que dura uma semana ou um pouco mais e que, durante quatro dias específicos, conta com mais de 700 (SETECENTOS) shows por dia, e é no meio de toda essa agitação que o Copacabana foi parar. O Defenestrando ficou curioso pra saber como que foi esse negócio e bateu um papinho rápido por e-mail com as fofonas Claudinha e Camila (ou Cacá V.), respectivamente baterista e vocalista. Saca:

Como surgiu a oportunidade de tocar lá no SXSW? Foi o próprio festival que entrou em contato com vocês?
Claudinha - Fizemos a inscrição para o SXSW na metade do ano. E em novembro recebemos o convite oficial do festival.

Dizem que o clima em Austin fica super legal enquanto acontece o festival, que a cidade fica borbulhando música e tudo o mais. Contem um pouquinho do que vocês sentiram.
Claudinha - O clima do festival é incrível mesmo. Dá a impressão que cada espaço de Austin vira palco para shows: bares, restaurantes, estacionamentos... o nosso show foi num comedy club.
[nota: o The XX se apresentou em uma igreja presbiteriana]
Camila - A cidade vive o festival durante os quatro dias da amostra oficial. Uns dias antes já rola um "aquecimento", e um dia depois a "ressaca".

Vocês fizeram dois shows dentro do SXSW, não? Tinha público? Rolou uma aprovação bacana?
Claudinha - os dois shows tiveram um público bacana. O primeiro começou mais cheio. Já no segundo show que fizemos a casa foi lotando durante o nosso show. Quando terminamos, estávamos com a pista cheia.

Depois desses, rolaram mais alguns shows em outras cidades. Falem um pouco de cada um, onde vocês tocaram, se tudo rolou direitinho.
Claudinha - depois de Austin, nosso primeiro show foi no Zebulon, em NY. Fomos super bem recebidos, o pessoal do bar foi incrível conosco. Foi um show diferente, já que o Zebulon é um bar mais tranquilo, onde as pessoas costumam assistir aos shows sentadas. Mas foi divertido. Nosso segundo show foi no Lit Lounge. A melhor parte desse show foi que coincidiu de conseguirmos arrastar vários amigos que estavam morando ou passeando por NY. Depois disso tocamos na Filadélfia com o Garotas Suecas. E um dos meus favoritos foi nosso show com o Bodega Girls, em Boston. Por ultimo, nossa despedida dos EUA no Nublu, que também foi incrível.
Camila: A maioria das bandas que tocam pela primeira vez lá fora não recebem cachê, ou se recebem, é um valor simbólico. Nesse primeiro show de Nova Iorque, após o show, eles passam a cesta... ou chapéu. Ganhamos U$ 49, e R$ 10,00 de uma brasileira de Campinas, que estava morando em NY. Ela ainda mandou um recadinho na nota, "queria ter certeza que vocês iam receber o dinheiro. beijo @carol(algumacoisa)". Ela pediu pra gente responder via twitter. [risos]

Trocaram figurinhas com outras bandas de fora?
Claudinha: Tivemos contatos com várias bandas durante o SXSW.
Camila: A gente ficou amigo do pessoal do French Horn Rebellion, que já fizeram shows com os meninos do Database. E com o pessoal do Bodega Girls, banda que tocamos em Boston. Mas conhecemos bastante gente de outras bandas e djs. E ainda claro, os brasileiros que tocaram no SXSW. Que estão sempre se ajudando! Os meninos do River Raid, a Mônica, a.k.a. Moxine, The Name, Garotas Suecas...

Rolaram contatos profissionais? Saíram de lá com mais shows marcados?
Claudinha: Sempre rolam contatos. Alguns promoters de festas que tocamos chegaram a nos convidar pra fazer shows em outras cidades, mas as datas coincidiam com shows que já estavam marcados. Mas acredito que essa primeira tour tornou muito mais fácil agendar shows por lá quando tivermos oportunidade de ir novamente.

Como a Claudinha falou na reportagem do Metropolis, vocês nunca tinham passado tanto tempo juntos. O que a banda tira de proveitoso desse convívio intenso?
Claudinha: em primeiro lugar... descobrir que podemos sobreviver e nos damos bem, mesmo passando longos períodos juntos [risos]. Acho que esse convívio foi legal, voltamos pro Brasil querendo ensaiar mais, fazer mais músicas, nos dedicar o maior tempo possível para a banda.

Pra terminar, uma descontraída: deu tempo de fazer umas compras?
Claudinha: Sempre! [risos]
Camila: A Claudinha deixou NY mais leve. hehehe, brincadeira.


Uma coisa que eu esqueci de perguntar na entrevista é sobre o curioso caso do incidente da ingestão indevida de uma lente de contato. hehe. Lá no tumblr da banda.

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Em crescimento contínuo, o Copacabana Club fará na sexta que vem (23/04) a abertura do show do Moby em São Paulo. Vai vendo.
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Para quem quiser saber mais sobre essa viagem que é o SXSW, dá pra ter uma ideia bacana vendo esses registros que a Moxine fez em sua passagem pelo festival. Fiquei até com vontade de juntar uma graninha e um belo dia ir lá conhecer o negócio.

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No próximo post eu quero falar sobre o disco novo da Pata de Elefante.

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09/04/2010

entrevista anacrônica


Imagine que você tem uma bandinha de rock, e que um belo dia alguém liga no seu celular e te diz que você vai fazer um show de abertura para o Franz Ferdinand. Imagine só.
Pois foi exatamente isso que aconteceu com a Anacrônica. Ligaram para o telefone desses curitibanos e do outro lado da linha estava a Day1 Entertainment, braço da Sony que produziu a turnê que o Franz realizou em terras brasileñas mês passado: através de votação realizada pela internet, a Anacrônica fora escolhida para, no dia 23 de março de 2010, abrir a edição paulistana da apresentação destes escoceses.


Conversamos por e-mail com o Marcelinho, responsável pelos graves do grupo. Entre outras coisas, falou-se do camarim, do recebimento da notícia e da edição especial de Ypioca que ganharam de presente de Nick McCarthy:

Como foi o processo de seleção? Foram milhares de bandas inscritas, uma campanha enorme de votação, e aí, o que mais?

Era bem simples. No hotsite da turnê você indicava a banda e a cidade onde queria que ela abrisse o show. Entramos até meio atrasados na votação. Já tinham bandas fazendo campanha a mais de mês. Tivemos a idéia e seguimos em frente. Contando com a ajuda de amigos, fizemos vídeos, mandamos recados um por um e o pessoal foi votando. Rolou uma grande votação. Ficamos muito felizes que rolou. Falando nisso, MUITO obrigado a todos que votaram! Isso foi de suma importância para nossa carreira.


Sabem quantas bandas estavam inscritas e quantos votos vocês receberam?

Segundo a própria Day1 foram mais de 22 mil bandas inscritas. Não sabemos quantos votos foram computados ao Anacrônica. Mas no total, foram mais de 200 mil indicações de fãs das bandas.


Como foi o contato da Day 1 com vocês? E como vocês reagiram à notícia? (nessa pergunta rola uma liberdade para romancear o acontecimento)

Foi por telefone. Ligaram para o Bruno e falaram: "É vocês!" Aí depois de alguma conversa o Bruno me Ligou. Isso era umas 10 da manhã. Atendi o meu celular e escutei alguem berrando: "AAAAAAHHHHH" Eu apenas pensei: "Ou ele ta tendo um treco ou rolou o lance do Franz!!!!" Logo saquei que era a segunda opção [risos]. Também saí berrando pela casa e pulando de alegria!


Como se comportou com vocês o público, que estava ansioso pra ver o Franz tocar logo depois?

Banda de abertura é sempre complicado. Tá todo mundo lá para ver a banda principal. Banda de abertura é apenas uma banda aquecendo a galera e mostrando o trabalho. O trabalho de desconhecidos em busca de reconhecimento. Fomos lá e fizemos um show rápido e rasteiro. Apenas para dar o recado do Anacrônica. Quem estava mais na frente tava curtindo e participando. Quem estava mais atrás apenas estava indiferente. Tinha tabém alguns grupos isolados cantando as músicas. Foi bacana ver isso. Sabíamos que ia ser assim. Foi um saldo positivo para a Anacrônica, com certeza!


Chegaram a falar com os caras da banda em algum momento?

Sim, falamos! O Nick [McCarthy, guitarrista] é um cara muito bacana. Deu até presente para nós após nosso show. Uma Ypioca edição especial. Ficamos conversando e ele comentou que o Alex [Kapranos, guitarrista e vocalista] estava muito doente e com uma baita febre. Por isso não tivemos contato com ele. Aqui tem um video da visita do Nick ao nosso camarim. Aqui tem outro editado por um amigo, que é um resumão do show. No nosso canal no youtube vocês encontram também mais vídeos sobre o show. Depois do show o Paul [Thomsom, baterista] foi discotecar numa casa de São Paulo e fomos convidados a participar da festa. Foi muito bacana o contato com ele e com o Nick. O Bob [Hardy, baixo] e o Alex já haviam se recolhido no hotel. Mas segundo o Nick, todos gostaram muito do show. Eles ficaram vendo ali do backstage. Foi uma baita experiência tocar com eles.


Rolou algum luxo no camarim?

Rolou o básico: Sanduiches e bebidas. Era um belo e grande Camarim. [risos]


Pra terminar, quantas entrevistas sobre isso vocês já deram?

Já demos algumas, não sei dizer ao certo. Mas queremos que isso nos abra mais espaço, assim como o defenestrando fez.


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O Anacrônica sempre foi tido como uma banda promissora, mas o esperado disco de estreia "Deus e os Loucos" foi lançado no ano passado e o negócio acabou acontecendo sem tanta repercussão assim. Agora, depois do Franz, a banda parece estar voltando com tudo, tanto que até anunciou em seu blog que está começando a vender a segunda prensagem do álbum -- o que significa dizer que já foram vendidos pelo menos mil discos, e outras mil cópias estarão vindo por aí.


Não bastasse isso, o grupo está de mudança para São Paulo. Junta-se ao Sabonetes, que partiu para terras paulistanas ano passado, e ao Charme Chulo (que dirigindo-se à terra da garoa busca tomar conta do território nacional). Boa sorte para eles.


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Uma pequena agenda:


09/04 - sexta (também conhecido como a data de publicação deste post) - Primeiro show do Copacabana Club em Curitiba desde que a banda fez sua primeira turnê pelos Estados Unidos. Lá no Wonka. Até meia-noite, entrada franca para as meninas e $8 para a rapaziada, depois $12 para todo mundo.


10/04 - sábado - Jazz Cigano Quinteto no SESC da Esquina. R$10, às 20h.


E também nesse mesma sexta feira de nove de abril, Fábio Elias, o marcante vocalista da Relespública, faz seu último show em São Paulo (no CB Bar) com o power trio que o projetou nacionalmente e que ano passado completou 20 anos de carreira. O motivo é a intenção de se dedicar com mais afinco à sua nova carreira solo, sertaneja. É o que dizem o Rock 'n' Beats e o Hora Sonora.

O show de despedida em Curitiba acontece dia 8 de maio dentro do "Curitiba 12 Horas", série de apresentações que contará também com a presença de ninguém mais do que os Mutantes. Mais informações mais perto da data.


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As principais bandas da cidade estão aos poucos se mudando para São Paulo. Significa uma maior possibilidade de crescimento para elas e a expansão e fixação dos nomes locais em outras cidades, mas em compensação o público fica sem seus nomes mais queridos e a essência da cena curitibana é transferida para fora da cidade.

Isso é bom ou ruim? Deixe um comentário aí, vamos iniciar um debate.


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O post da semana que vem vai estar bom, hein. Fica ligado.


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04/04/2010

o Deserto Vermelho de Romulo


Enquanto nenhum gringo esperto coloca pra baixar o Platypus Funk, debut do grupo francês de rap de nome ASM e o álbum completamente desconhecido mais aguardado de todos os tempos pela Redação Defenestrada, vamos com mais uma música boa da quinzena, que não tem nada a ver, acho, com rap.

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Nos últimos dias tem rolado nas caixas de som aqui de casa um repeat intenso na música Deserto Vermelho, do Romulo Fróes. Cidadão paulista, barbudo, de cabelo baixinho, óculos de aro grosso e aspecto acanhado, Romulo é mais um desses seres pensantes que felizmente ajudam essa fase atual da música brasileira a ser sensacional do jeito que é.

Sobre a música em si: trata-se de um rock soturno, mas com um quê de alegria, com um riff ágil de guitarra, com uma presença pontual e muito precisa de um naipezinho de metais de classe. Acho muito bacana como parece existir um contraste, a música te joga nas alturas, te faz sentir vontade de sair correndo louca e alegremente, mas a voz contida de Romulo Fróes cantando versos rápidos não te deixa tirar os pés do chão em nenhum momento, como que te prendendo à realidade. Uma realidade complicada, essa a que Romulo parece querer fazer menção, que é a dos desencontros conjugais, ou da incompatibilidade conjugal. Ou até do impreciso timing conjugal.

E aí acontece o final da música, intenso, desencontradamente coeso, cada instrumento faz uma coisa completamente diferente da outra, como um jazz livre só que rock e pesadinho. Há a bateria sempre especial do herói nacional do samba-rap-alegria Curumin, a guitarra bacaníssima de Guilherme Held, o baixo rock de Fábio Sá, e a percussão do Pimpa que faz uma cuíca soar como latidos de cachorro.

Então, com vocês, a sensacional Deserto Vermelho:


Essa obra aí faz parte do discaço que é o álbum duplo chamado "No chão sem o chão" (quarto da carreira de Romulo), que segundo votação feita pela Trama Virtual foi nada menos do que o melhor lançamento nacional do ano passado. Não é coisa pequena.

E faço aqui o mesmo que o Denis fez lá no INMWT, que é recomendar com alguma urgência o entrevistão que o Scream & Yell fez com o artista em foco. O termo entrevistão cai bem porque, além de ser uma entrevista enorme (demorei cerca de uma hora pra chegar na metade), a conversa é sensacional. Fala-se dos bons nomes da atual música brasileira, de pagar para tocar, de diferenças entre as MPBs atual e dos anos 60 e 70, além de mais UM MONTE de coisas importantíssimas para quem curte ficar sabendo do que ocorre nesse bom momento musical do país.
(aliás, foi uma coincidência bacana os dois blogs indicarem nesse mesmo domingão de páscoa a audição de alguma coisa do Romulo. Telepatia imperceptível, saca?)

Finalizando, digo aqui que pude presenciar a primeira apresentação de Romulo Fróes em Curitiba (o cara até faz menção ao show na entrevista, confere lá), em plena terça-feira de dezembro do ano passado. Pista cheia, gente cantando e pedindo bis. Show atmosférico, sideral, mesmo sem presença de palco. É bom ficar atento a um eventual retorno do rapaz para nova apresentação na cidade das superlotadas estações tubo, porque vale a pena.

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Se eu te contasse a quantidade de planos que eu tenho pra esse blog no segundo semestre...
Claro que o segundo semestre ainda está looonge, mas a gente aqui já começa a arregaçar as mangas, que o trabalho vai ser duro mas reconfortante. Vamos vendo.

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Finalizadas as contagens mensais do Departamento de Estatística Defenestrada, podemos com alegria dizer que março foi o mês de maior visitação deste blog em seus pouco mais de cinco anos de vida, fruto direto da veiculação da Grande Reportagem sobre o ruído/mm, em fins de fevereiro.
Março de 2010 superou até mesmo aquele incrível e suino-gripado agosto de 2009, quando colocamos por aqui a Grande Reportagem sobre o Sabonetes.
Em julho/agosto próximo devemos ter mais uma das Grandes Reportagens por aqui, dando sempre aquele olhar diferenciado às mais relevantes bandas curitibanas. All right?

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Um abração!

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