28/03/2010

a ALL e o Laerte


Calma aí que estamos com uns problemas logísticos aqui, os caminhões da ALL estão demorando para chegar com as toneladas de relatórios defenestrados que contam o que tem acontecido por aí. Laerte, me ajuda.


Temos algumas coisas bem bacanas planejadas para as próximas semanas, tipo mais entrevistas e um ou outro relato. Não saia daí, não mude de canal.

Enquanto isso você pode ir acompanhando as defenestradinhas que a gente dá diariamente lá no twitter defenestrado, all right?

---------

21/03/2010

Nevilton e o Belchior

E motivado pelo showzaço do Nevilton que foi visto quinta-feira passada (18/03) no James, volta a ser defenestrado por aqui o fabuloso quadro Música Boa da Quinzena, que nunca respeita a frequência prometida no nome.

O que temos aqui dessa vez é o trio umuara... mense? tocando a sensacional Conto até pro Belchior, um pequeno relato suingado e... patriota? que conta a história da passagem de Nevilton e Lobão (o baixista do grupo) pelos Estados Unidos. Além de tudo o que é contado na letra, há condensado nos pouco mais de três minutos de música referências sonoras que passam pela MPB, Bossa Nova, Blues e até pelo próprio Belchior, mas tudo sob o ponto de vista do rock mais tradicional, menos moderno. Sonzeira. Saca:

(Nesse vídeo do grupo se apresentando no Festival de Música e Poesia de Paranavaí tem alguma coisa estranha que eu não consegui identificar. Se você descobrir o que é, me conta)


E não dá pra encerrar o post sem falar do showzaço em si. Nevilton, o instrumentista, sabe tocar guitarra demais (ou o sabe fazer parecer muito bem) e dançar muito ao mesmo tempo, fazendo careta, se atirando contra a parede, pulando de cima do palco, se ajoelhando no chão enquanto faz solos performáticos que estão sempre sob o respaldo dos ótimos timbres de sua Gibson. Uma presença de palco que não se vê muito por aí -- não à toa, seu show foi eleito o segundo melhor nacional no ano passado no top seven do Scream & Yell, ficando atrás apenas do nada fraco show do Móveis Coloniais de Acaju.

Nevilton, o power trio, dá suporte e versatilidade às composições perspicazes do rapaz que dá nome à banda (que até chega a resgatar o rock tradicional dos anos 80, como li em algum site que a memória não me deixa lembrar qual é). A mera formação guitarra-baixo-bateria dá todos os recursos que as músicas exigem, em outras palavras a música é só aquilo ali, básica, e a formação enxuta dá conta de tudo o que a música necessita.

Não há como não querer dançar em sonzeiras como as antigas Me espere, menino lobo e A Máscara, e na mais recente Pressuposto, que dá nome ao EP lançado pouco tempo atrás e que na ocasião contou com a participação do Heitor, o vocal da Banda Gentileza. Também chamou a atenção a pequena homenagem feita pelos rapazes de Umuarama à Poléxia: no meio de uma de suas músicas, Nevilton emenda uma das letras da extinta banda curitibana e de repente surge Rodrigo Lemos, o ex-vocalista, em cima do palco, tentando cantar sua música com alguma dificuldade -- Nevilton mudara o tom da canção.

É uma coisa boa poder presenciar uma situação como um show desses, no qual há a música sendo feita com sinceridade, com alegria e disposição. É bom também poder verificar a evolução do divertido rapaz umuaramense: anos atrás tive a sorte de assistir ao show do Superlego, o embrião do que hoje é o rebuliçado power trio em questão, e Nevilton era outra pessoa totalmente diferente: extremamente tímido, não dançava em cima do palco e gaguejava quando falava alguma coisa entre as músicas (Heitor e Nevilton até comentam sobre aquela noite no Porão Rock Club em entrevista ao mesmo Scream & Yell).

Os rapazes estão aí, na batalha, em turnês intermináveis que passam pelas grandes capitais e pelo interior. Em abril o grupo se apresenta no Abril Pro Rock, em Recife, e deve aproveitar a ocasião para tocar em outras cidades do Nordeste.

E Sorte pra eles na estrada.

---------

Você pode baixar o EP mais recente dos caras, "Pressuposto", aqui. Nevilton também anuncia que o primeiro álbum do trio deve sair ainda esse ano. Muy bueno.

---------

Esse post de hoje saiu com uma linguagem mais rebuscada, confusa, prolixa, alguém percebeu? Não foi culpa minha, juro.

---------

14/03/2010

voa curitiba!!


O próximo post só vem na próxima semana, mas a gente precisa deixar escrito duas coisas muito importantes aqui:

1) Segunda feira, dia 15 de março, é dia do embarque do Copacabana Club para os Estados Unidos, onde tocam no mega festival South by Southwest e fazem sua primeira turnê internacional. O grupo também anunciou que lançará seu próximo single ("Mrs. Melody") pelo selo europeu TIAS, que tem no currículo nomezinhos como Placebo, Tiga, Paul Weller e Tiësto. Já estava na hora.

2) A Day 1 Entertainment, responsável pela turnê do Franz Ferdinand no Brasil, anunciou que quem abre o show de São Paulo dia 23 próximo é ninguém mais ninguém menos do que a Anacrônica. Também já estava na hora de algo grande acontecer com eles.

Ou seja, dia 23, uma terça-feira, o Copabacana estará tocando em Nova York e o Anacrônica estará abrindo para o Franz Ferdinand. Ou seja.
É aquilo que a gente sempre diz.

No post da semana que vem provavelmente a gente comenta melhor isso.

----------

Sensacional, eu diria.

----------

13/03/2010

entrevista André Gonzales


No final de semana passado, a pretexto de participar da festa de comemoração dos cinco anos do bar Jacobina, o Móveis Coloniais de Acaju veio a Curitiba para fazer mais um de seus shows já tradicionalmente memoráveis.

André Gonzales (foto: Matheus Chequim)

Mesmo com uma agenda abarrotada de entrevistas durante a curta estadia da banda na cidade, o Defenestrando conseguiu achar uma brecha e bateu um papinho rápido com André Gonzales, aquele cidadão alto, cabeludo e mega carismático, responsável pelos aconchegantes vocais do grupo. Em pauta, as gravações do primeiro e do segundo disco, a série de shows feita na Europa ano passado e a ciranda que se abre em meio ao público toda vez o Móveis toca Copacabana.

Quando vocês foram gravar o primeiro disco, como que foi a estrutura e tudo mais? Vocês estavam com pouca grana?
Cara, a banda tem doze anos. A gente começou em 1998, sem nenhuma ambição profissional, de forma despretensiosa, por diversão, aquela historinha de sempre, saía junto com os amigos, aí tinha o projeto e tal. E a partir de 2003 a gente começou a ganhar alguma visibilidade, participamos de um concurso pra entrar (e a gente entrou) em um festival enorme... isso exigiu montar uma equipe, estruturar uma equipe com pessoas para trabalhar. E aí de 2003 pra 2005 a gente começou a pensar no disco, que foi mais um registro do que éramos até então. E claro, a gente não tinha grana, então corremos atrás de edital. Aí a gente conseguiu aprovar um lá na secretaria de cultura do Distrito Federal, o FAC, que é o Fundo de Apoio à Cultura. Só que ele não pagava o disco inteiro, pagou só a metade e a tivemos que tirar a outra metade do nosso bolso. Aí no lançamento do disco... a gente produziu o show do lançamento e fez no boca a boca, cada um saiu com uma caixa de discos pra vender. São dez [na banda], a gente conseguiu vender 2010 discos em dez dias. A gente não tinha a quantidade de fãs que a gente tem hoje.
E aquele rolê que vocês deram na Europa, foi antes do segundo disco?
Na verdade foi durante a produção e criação do segundo disco. A gente não conseguiu parar pra fazer o disco, que foi resultado de um ano de trabalho. E aí durante essa época tivemos a oportunidade de receber o convite pra tocar no festival lá da Bélgica. Aí a gente foi pra Bélgica e conseguiu tocar em outros festivais menores... durante a criação do disco. Assistimos uns shows impressionantes, ampliou a visão.
Foi daí que veio a feijoada búlgara?
É, a feijoada búlgara foi o que eu escutei muito antes de fazer o primeiro disco, que tinha muito mais do leste europeu... o segundo disco já vem, digamos, mais processado. Então a gente buscou no segundo uma identidade mais nossa ainda mais evidente. No primeiro disco as referências tão muito claras, do tipo "isso aqui é um samba, isso aqui é um ska, isso aqui é um leste europeu". Já nesse segundo disco não, a coisa já é mais misturada...
...menos identificável.
É, mas continua uma feijoada búlgara.
Eu tava lendo que vocês iam gravar o "C_mpl_te" ao vivo, que rolou uma correria.
Ah é! Cara, foi a maior confusão. Perto de gravar, acho que tava faltando um mês antes de a gente começar a gravar a gente tinha combinado de fazer tudo ao vivo e fazer um DVD junto com o disco. E aí no final o DVD caiu e o Miranda falou "vamos fazer um discão então." E aí em pouco tempo a gente tentou mudar a estética do ao vivo para um disco cheio de dobras, coisa que a gente nunca tinha vivido antes.
E pra gravar esse segundo disco, como que foi o contato de vocês com a Trama? Vocês conversaram com ela, ela conversou com vocês...?
Cara, na verdade a gente foi estimulando o contato da banda com a Trama. Em 2007 fizemos um circuito intenso de festivais e a Trama tem um programa virtual que cobriu todos os eventos e a partir daí a gente se conheceu. Aí concorremos também ao Trama Universitário, no site, e ganhamos em Brasília, no Centro-Oeste. E aí a gente fez um show em São Paulo com a Maria Rita pelo Trama Universitário, e aí demos uma entrevista bacana [para eles] que deu visibilidade. Aí a gente foi se relacionando, foi virando amigo do pessoal. A gente já tinha conversado com o pessoal da Trama sobre o segundo disco mas até então não tínhamos caminhado muito. E aí quando a coisa foi andando, foi se tornando mais palpável, a gente casou isso com o processo do Álbum Virtual e aí foi perfeito cara. Era o que a gente queria, porque a gente não queria deixar de liberar as nossas músicas pela internet.
Vocês estão conseguindo ganhar um dinheirinho legal aí com o negócio?
Pô, foi uma grana legal cara. E isso foi muito bom.
Eles fazem por download ou é um pacotão?
Não, eles pagam por tudo, pelo disco inteiro. Na verdade o patrocinador praticamente paga o disco e paga o artista.
E na forma de tratamento? Quando vocês foram gravar já era uma megaestrutura por ser da Trama?
Cara, é um estúdio excelente. Mas a Trama já tá botando ele pra rodar há muito tempo. Então todos os programas da Trama Virtual, todas as bandas que tocaram por lá passaram por um estúdio que é referência no Brasil, onde gravaram Tom Jobim, Elis Regina, Novos Baianos, muita gente foda.
Um estúdio fraquinho...
É, é! Pô, lá tinha uma mesa sem noção, que eu acho que só tem duas ou três no Brasil.
Muito bom. E esse negócio de ter cada vez mais fãs? Fui num show de vocês aqui em 2008 e tava cheio mas nem tanto, aí depois teve o show que vocês fizeram naquele festival aqui...
...no Lupaluna.
Isso, tava cheiaço lá. E aposto que amanhã [06/03/10] vai estar lotadaço também. Como que é isso?
Cara, isso é muito bom, porque é o nosso trabalho, o nosso objetivo primeiro é esse, de estar interagindo com o público, de estar chegando em mais gente, de estar trocando [sic] com mais gente. E eu acho que o show reflete isso, porque é um show que depende muito do público para acontecer. A gente utiliza muito desse diálogo entre a banda e o público e é isso que faz o show, isso que faz acontecer.
Vocês já largaram os empregos de vocês para tocar?
A gente já largou, só tem um integrante que trabalha ainda, que de vez em quando faz uns bicos, mas atualmente a gente já vive de banda.
Dá pra viver legal?
Digamos que ainda não estamos na melhor situação, que ainda é difícil né, mas a gente consegue pagar aluguel, essas coisas. Dá pra viver cara.
Pra terminar, e aquela rodinha em Copacabana? Vocês vão continuar fazendo até o final da vida? Vão tentar se livrar dela uma hora?
Até então é difícil se livrar dela. [risos] A gente até tentou, teve uns shows que eu não cheguei a ir, a gente não conseguiu abrir uma roda, mas sempre existe a intenção. Acho que é uma coisa que aconteceu que deu certo e acho que simbolicamente representa muito, porque o público quer que a gente esteja junto com eles, que é um momento que reflete a nossa proposta artística mesmo. Então é difícil a gente largar isso e o dia que a gente largar vai ser porque vão existir outros momentos que vão representar essa relação.

-----------

Escrevi também um texto contando um pouco sobre o show deles que aconteceu nessa cidade sábado passado e sobre o crescimento deles nos últimos cinco anos. Deve sair em algum site. Quando publicarem, aviso aqui.

-----------

07/03/2010

A lista defenestrada dos melhores shows de 2010 - 1ª parcial


Então, já acabamos fevereiro, estamos aí no comecinho de março e já é época de liberar a primeira parcial d'A Incrível Lista Defenestrada dos Melhores Shows de 2010.

Só lembrando que o negócio trata-se da eleição dos melhores shows presenciados pela Equipe Defenestrada no corrente ano, e que para sua elaboração são usados todos os critérios de avaliação possíveis, sejam reais ou abstratos, passando pela qualidade técnica do som até chegar na menina bêbada que derruba o copo de cerveja em cima de você. Certo? Então vamos com isso:

3) Sabonetes, dia 22 de janeiro (John Bull Music Hall)

O show de lançamento do primeiro álbum do Sabonetes encheu o John Bull Music Hall (coisa que não é fácil de se fazer, principalmente quando se é uma banda local) de gente entusiasmada cantando quase todas as músicas. Coisa bacana de se ver.


2) Móveis Coloniais de Acaju, dia 6 de março (Moinho Eventos)

Apesar de ter demorado horrores para começar e da qualidade do som estar péssima, o Móveis fez novamente o que de melhor sabe fazer: um showzaço que transborda alegria e deixa todo mundo contente. Teve até direito a flash mob, no qual o fã clube da banda distribuiu bexigas vermelhas com formato de coração para que todos jogassem para o alto quando a banda tocasse "Adeus".


1) André Abujamra, dia 5 de fevereiro (Teatro da Caixa)

André Abujamra é mestre em saber interagir com a plateia. O "não-show", como o próprio André chamou a apresentação, trazia os clássicos da carreira solo e os da época do Karnak com uma roupagem mais clean e tranquila. Abujamra o tempo todo interrompia as execuções para contar histórias enormes e engraçadas de sua vida, justificando-se que aquilo era um não era um show de verdade e que ele podia então fazer o que quisesse. Sensacional.


Levam menção honrosa o show do ruído/mm dia 5 de março no Wonka e o recital do Quinteto de Sopro dos Professores da Oficina de Música de Curitiba, dia 13 de janeiro no SESC da Esquina.

---------

O ano está só começando. Até o final de dezembro essa lista deve mudar completamente. Vamos vendo.

---------

Falando em Móveis Coloniais de Acaju, estou preparando aqui uma coisa bacana para o post da semana que vem. Fica ligado, véi.

---------