09/04/2010

entrevista anacrônica


Imagine que você tem uma bandinha de rock, e que um belo dia alguém liga no seu celular e te diz que você vai fazer um show de abertura para o Franz Ferdinand. Imagine só.
Pois foi exatamente isso que aconteceu com a Anacrônica. Ligaram para o telefone desses curitibanos e do outro lado da linha estava a Day1 Entertainment, braço da Sony que produziu a turnê que o Franz realizou em terras brasileñas mês passado: através de votação realizada pela internet, a Anacrônica fora escolhida para, no dia 23 de março de 2010, abrir a edição paulistana da apresentação destes escoceses.


Conversamos por e-mail com o Marcelinho, responsável pelos graves do grupo. Entre outras coisas, falou-se do camarim, do recebimento da notícia e da edição especial de Ypioca que ganharam de presente de Nick McCarthy:

Como foi o processo de seleção? Foram milhares de bandas inscritas, uma campanha enorme de votação, e aí, o que mais?

Era bem simples. No hotsite da turnê você indicava a banda e a cidade onde queria que ela abrisse o show. Entramos até meio atrasados na votação. Já tinham bandas fazendo campanha a mais de mês. Tivemos a idéia e seguimos em frente. Contando com a ajuda de amigos, fizemos vídeos, mandamos recados um por um e o pessoal foi votando. Rolou uma grande votação. Ficamos muito felizes que rolou. Falando nisso, MUITO obrigado a todos que votaram! Isso foi de suma importância para nossa carreira.


Sabem quantas bandas estavam inscritas e quantos votos vocês receberam?

Segundo a própria Day1 foram mais de 22 mil bandas inscritas. Não sabemos quantos votos foram computados ao Anacrônica. Mas no total, foram mais de 200 mil indicações de fãs das bandas.


Como foi o contato da Day 1 com vocês? E como vocês reagiram à notícia? (nessa pergunta rola uma liberdade para romancear o acontecimento)

Foi por telefone. Ligaram para o Bruno e falaram: "É vocês!" Aí depois de alguma conversa o Bruno me Ligou. Isso era umas 10 da manhã. Atendi o meu celular e escutei alguem berrando: "AAAAAAHHHHH" Eu apenas pensei: "Ou ele ta tendo um treco ou rolou o lance do Franz!!!!" Logo saquei que era a segunda opção [risos]. Também saí berrando pela casa e pulando de alegria!


Como se comportou com vocês o público, que estava ansioso pra ver o Franz tocar logo depois?

Banda de abertura é sempre complicado. Tá todo mundo lá para ver a banda principal. Banda de abertura é apenas uma banda aquecendo a galera e mostrando o trabalho. O trabalho de desconhecidos em busca de reconhecimento. Fomos lá e fizemos um show rápido e rasteiro. Apenas para dar o recado do Anacrônica. Quem estava mais na frente tava curtindo e participando. Quem estava mais atrás apenas estava indiferente. Tinha tabém alguns grupos isolados cantando as músicas. Foi bacana ver isso. Sabíamos que ia ser assim. Foi um saldo positivo para a Anacrônica, com certeza!


Chegaram a falar com os caras da banda em algum momento?

Sim, falamos! O Nick [McCarthy, guitarrista] é um cara muito bacana. Deu até presente para nós após nosso show. Uma Ypioca edição especial. Ficamos conversando e ele comentou que o Alex [Kapranos, guitarrista e vocalista] estava muito doente e com uma baita febre. Por isso não tivemos contato com ele. Aqui tem um video da visita do Nick ao nosso camarim. Aqui tem outro editado por um amigo, que é um resumão do show. No nosso canal no youtube vocês encontram também mais vídeos sobre o show. Depois do show o Paul [Thomsom, baterista] foi discotecar numa casa de São Paulo e fomos convidados a participar da festa. Foi muito bacana o contato com ele e com o Nick. O Bob [Hardy, baixo] e o Alex já haviam se recolhido no hotel. Mas segundo o Nick, todos gostaram muito do show. Eles ficaram vendo ali do backstage. Foi uma baita experiência tocar com eles.


Rolou algum luxo no camarim?

Rolou o básico: Sanduiches e bebidas. Era um belo e grande Camarim. [risos]


Pra terminar, quantas entrevistas sobre isso vocês já deram?

Já demos algumas, não sei dizer ao certo. Mas queremos que isso nos abra mais espaço, assim como o defenestrando fez.


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O Anacrônica sempre foi tido como uma banda promissora, mas o esperado disco de estreia "Deus e os Loucos" foi lançado no ano passado e o negócio acabou acontecendo sem tanta repercussão assim. Agora, depois do Franz, a banda parece estar voltando com tudo, tanto que até anunciou em seu blog que está começando a vender a segunda prensagem do álbum -- o que significa dizer que já foram vendidos pelo menos mil discos, e outras mil cópias estarão vindo por aí.


Não bastasse isso, o grupo está de mudança para São Paulo. Junta-se ao Sabonetes, que partiu para terras paulistanas ano passado, e ao Charme Chulo (que dirigindo-se à terra da garoa busca tomar conta do território nacional). Boa sorte para eles.


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Uma pequena agenda:


09/04 - sexta (também conhecido como a data de publicação deste post) - Primeiro show do Copacabana Club em Curitiba desde que a banda fez sua primeira turnê pelos Estados Unidos. Lá no Wonka. Até meia-noite, entrada franca para as meninas e $8 para a rapaziada, depois $12 para todo mundo.


10/04 - sábado - Jazz Cigano Quinteto no SESC da Esquina. R$10, às 20h.


E também nesse mesma sexta feira de nove de abril, Fábio Elias, o marcante vocalista da Relespública, faz seu último show em São Paulo (no CB Bar) com o power trio que o projetou nacionalmente e que ano passado completou 20 anos de carreira. O motivo é a intenção de se dedicar com mais afinco à sua nova carreira solo, sertaneja. É o que dizem o Rock 'n' Beats e o Hora Sonora.

O show de despedida em Curitiba acontece dia 8 de maio dentro do "Curitiba 12 Horas", série de apresentações que contará também com a presença de ninguém mais do que os Mutantes. Mais informações mais perto da data.


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As principais bandas da cidade estão aos poucos se mudando para São Paulo. Significa uma maior possibilidade de crescimento para elas e a expansão e fixação dos nomes locais em outras cidades, mas em compensação o público fica sem seus nomes mais queridos e a essência da cena curitibana é transferida para fora da cidade.

Isso é bom ou ruim? Deixe um comentário aí, vamos iniciar um debate.


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O post da semana que vem vai estar bom, hein. Fica ligado.


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2 comentários:

Thomaz disse...

Poxa, acho ruim a banda ir "morar fora". sabe aquele esquema de mae que nao quer que o filho saia de casa?!?
entao!


é triste por ver a banda saindo e parando de se apresentar sempre que voce quer sair. dai as vezes quando voltam fazer um show aqui o publico fica esperando um puta show, como se somente ir pra sao paulo transformasse a banda numa MEGA banda.

mas vendo pelo lado deles, tao la pra ganhar dinheiro né! muito mais facil ganhar dinheiro la do que aqui!

a parada é apostar no trem bala curitiba/sao paulo e ver no que vai dar!

Diogo Camargo, Juliana Anverce e Marina Oliveira, disse...

Dá-lhe meus veteranos!

Beijos

Marina.