23/12/2009

top 5 defenestrado dos shows de 2009


Ok, então é isso. A década de 2000 está quase acabada. Não faltam coisas passadas a serem reanalisadas em retrospectivas nostálgicas, mas retrospectivas normalmente são chatinhas se não forem bem feitas ou a respeito de algum tema interessante.

Queremos fazer uma retrospectiva aqui, mas para que não publiquemos nada que seja entediante ao leitor, trataremos de um tema que sem dúvida (nos) é interessante. E para fazer dela algo ainda mais atraente, apresentamo-la em forma de top 5. Claro, porque rankings são sempre muito mais divertidos. Tem toda aquela coisa de fazer o suspense pra ver quem chegou em primeiro e tudo o mais.

Então é com muito prazer que venho aqui tornar público O Incrível Top 5 Defenestrado dos Shows de 2009.

Antes de passar à lista, vamos deixar claro que os critérios utilizados nessa seleção foram todos os possíveis, como por exemplo o público presente no local, a capacidade da banda de entretê-lo, a disposição e a reação dele, a repercussão do evento em qualquer meio de comunicação, a concentração etílica do sangue, o preço do ingresso, o grau de ineditismo, a ansiedade e a espera pelo show, a sua importância histórica (??), a qualidade das músicas e do som, toda e qualquer coisa enfim que possa influenciar no julgamento de uma apresentação musical

É bom deixar claro também que não estamos elencando os cinco melhores shows que aconteceram em toda a extensão do território nacional em 2009, mas simplesmente os cinco shows mais bacanas que vi nesse ano. Vamos parar de enrolação e começar de uma vez:

----------

5) Móveis Coloniais de Acaju, dia 21 de novembro
Lupaluna – Bioparque


Alguns dizem que a apresentação do Móveis talvez seja a melhor do Brasil no momento. Baseado no que vimos na madrugada daquele sábado, dá para concordar. Mesmo começando só depois das duas da manhã e acontecendo na tenda “B” do maior festival de Curitiba, a big band brasiliense encontrou público empolgado e em bom número. Os músicos espalhados pelo palco, brincando com os instrumentos e correndo soltos de um lado para o outro, aliados ao carisma marcante de André Gonzáles, o vocalista, que transmite largas doses de alegria ao público montam espetáculo incrível. O auge foi a tradicional roda no meio da galera em Copacabana (vídeo aqui), a última música, que encerrou o show deixando os fãs suados. Quem estava ali se sentiu feliz.
Para mais informações, o Cristiano Castilho escreveu uma resenha bacana sobre o evento.

----------

4) Orquestra à Base de Corda convida André Abujamra, dia 26 de janeiro
Oficina de Música de Curitiba – Teatro da Reitoria


Daquelas gratas surpresas em que você fica sabendo do evento poucas horas antes dele acontecer e que chegando lá você se surpreende. A Orquestra à Base de Corda do Conservatório de MPB de Curitiba é um combo de violão, cavaquinho, violão de sete cordas, viola caipira, violino e mais outros instrumentos do gênero, todos sob a direção musical de João Egashira. Os arranjos próprios das músicas compostas pelo multifuncional André Abujamra suavizaram os rockzinhos da época do Karnak e deixaram ainda mais tocantes as suas letras, que são ao mesmo tempo engraçadas e sérias ou até emotivas. Depois de versões lindamente inusitadas de clássicos como “O mundo”, “Juvenar” e “Alma não tem cor”, não foi difícil ao final da apresentação encontrar alguns olhos lacrimejando. Fiquei arrepiado.

----------

3) Kraftwerk – 22 de março
Just a Fest – Chácara do Jockey


Como pode um show em que os quatro membros do grupo ficam o tempo todo estáticos na frente de seus laptops (sem nem sorrir direito) ser tão sensacional? Bom, os pais da música eletrônica sabem como fazer isso. Com a ajuda de um enorme telão atrás deles, vários clássicos do synthpop como Autobahn e The Model e números mais “novos” como Tour de France e Aerodynamik eram ilustrados com projeções coloridonas e extremamente sincronizadas que prendiam o tempo todo a atenção do público. Vale mencionar o começo do show (que já descrevi uma vez aqui) com The Man-machine e a primeira música do bis, The robots, quando a banda sai da frente de seus microcomputadores e em seu lugar são colocados robôs-manequins que ficam mexendo seus braços de um lado para o outro. O final também é arrasador: Music Non-stop é tocada com um bom improviso no meio é ilustrada pelo emblemático clipe dos bonecos computadorizados que cantam “boing bummm tschak!”
O show talvez só não tenha sido melhor porque razoável parte do público estava entediada esperando a banda que iria tocar logo depois...

----------

2) Radiohead – 22 de março
Just a Fest – Chácara do Jockey

foto: aqui

Havia um certo clima místico naquele lugar quando a banda liderada por Thom Yorke subiu ao palco e começou a tocar 15 step para um público formado por cerca de 30 mil pessoas, que há anos esperavam ansiosamente por uma passagem do conjunto pelo país. Não bastasse a própria tensão característica de suas músicas e a extrema qualidade delas, que fazem alguns afirmarem que o grupo inglês é na verdade composto por alienígenas (hehe), o clima sombrio foi reforçado pelas luzes quase sempre frias e pelos incríveis e enormes LEDs que pendiam do teto, como que também ilustrando as músicas.
Misturando clássicos antigos com as músicas do último disco, o setlist agradou tanto à banda quanto ao público, que notadamente berrou a letra toda em Paranoid Android e manteve-se no mais absoluto silêncio em Faust Arp, tocada por um duo de violões tocados por Thom e Johnny.
Não tem muito como definir bem a maravilha toda que foi esse show em um textinho pequeno como esse, então sugiro que você vá ao youtube e assista o vídeo de The National Anthem, gravado pelas várias câmeras do multishow, e que dá uma ótima idéia do que foi o negócio todo.
“Mas como você deixa esse show em segundo lugar??”, deve estar se perguntando o leitor que esteve na chácara do jockey naquele fatídico dia de fim de março, “Que show no mundo foi melhor do que esse??”. “Apenas um único”, eu respondo.

----------

1) Bonde do Rolê – 16 de outubro
John Bull Music Hall


Hahaha. O leitor já percebeu que esse aqui não é um top 5 tão racional assim. Mas é que o espetáculo que se viu aquele dia naquele lugar foi tão inesperado, tão tosco e tão bom que não tinha como achar outra coisa: todos os quatro membros do grupo estavam bêbados e vestindo fraldas de bebê; os fãs berravam enlouquecidamente todas as letras; a banda atirava toda a espécie de sujeira (cerveja, talco, cocô falso, geladinho) em si mesma e na platéia; a platéia retribuía; o palco era regularmente invadido pelos fãs. Para não dizer que fazia cerca de três anos que o Bonde não se apresentava em Curitiba.
A sujeira foi forte: mesmo depois de algumas limpezas o meu tênis ainda conserva algumas marcas da apresentação; no dia seguinte a minha camiseta branca manchada de cerveja e do colorido dos geladinhos denunciava o elevado grau trash do que tinha sido visto naquele show. Também não dá pra descrever muito bem a sensação de alegria por ter visto algo tão tosco assim. Só consigo dizer que foi uma noite boa. E que, depois que ela acabou, eu tive a certeza de que aquilo tinha sido tão pretensiosamente ruim que era melhor apresentação “musical” que eu tinha visto até então.
Lá no Mondo Bacana tem o texto que escrevi sobre o evento e a entrevista que fiz com a banda. A quantidade de detalhes lá é maior, então lá talvez você consiga entender melhor o que eu estou querendo dizer.

----------

Ganham menção honrosa: Guizado dia 04/04 no John Bull Music Hall; Curumin dia 09/04 no Era só o que faltava; Nação Zumbi dia 22/08 na Tribaltech; e Ruído/mm dia 15/09 no Sesc da Esquina.

----------

Então é isso, terminamos o post, depois de dias de batalhas pacientes contra a internet que não pára de cair. Encerramos o ano defenestrado agora porque tiraremos umas férias nos dias seguintes. Então até ano que vem.

----------

19/12/2009

EXTRA! Rage Against the Machine causa rebuliço na Inglaterra


Olha essa história. Achei tão sensacional que vim aqui fazer um post extra:

Acontece que os fãs britânicos do Rage Against the Machine, insatisfeitos com o domínio das músicas do programa "X Factor" (espécie local de American Idol) no topo das paradas nacionais de singles, resolveram se mobilizar para tirá-las do domínio e colocar Killing in the name (de 1992) em primeiro lugar.

O que se viu na sequência foram os fãs correndo para o Itunes para comprar em massa a música.

Estrago causado, dia 17 (quinta-feira agora) a banda foi parar em programa de rádio ao vivo na BBC, onde comentou sobre todo esse acontecimento. Depois da conversa, o RATM tocou Killing in the name, óbvio. O que não era esperado foi o fato de que, no final da música, quando Zack de la Rocha grita "Fuck you I won't do what you tell me" algumas vezes seguidas, o programa censurasse imediatamente o som da banda pela repetição de palavrões. E o que consta é que os produtores tinham pedido a Zack que não mencionasse "Fuck".

O youtube não nos deixa mentir:


Essa história toda começou em um tópico no Facebook. E você pode acompanhar a mobilização dos fãs através dos trending topics do twitter.

----------

Semana que vem voltamos aqui com os melhores shows de 2009. Prepare aí sua lista pra gente comparar depois.

----------

18/12/2009

o disco do ano


Não ia fazer top fives dos melhores discos do ano por aqui, mas agora, às 23h40 do décimo sétimo dia de dezembro de 2009, morrendo de sono, com dores nos braços por sentar ao computador por tempo demais em postura errada, tentando organizar a quinta edição do Podcast Defenestrado, cheguei à conclusão silenciosa de que A Força do Hábito, da Poléxia, foi o melhor disco que ouvi esse ano.


Claro, porque um álbum que inicie com a nota dolorida e solitária de baixo de O Capa Dura, que passa logo para Você já teve mais cabelo (produzida por John Ulhoa, Pato Fu), e não deixa o fôlego ser retomado em O Radar, de riff e refrão marcantes; que transmite sofrimento conjugal em Cá entre nós (com participação de Vanessa Krongold, Ludov), que tem logo depois a sensacional O Tiro, A Fuga, que passa para a feliz e autoafirmativa Hedonismo de um domador e que chega ao clímax na épica O Inimigo (de refrão desses para ser cantado bêbado, em côro e com força); enfim, um disco que não só reúna essas sete músicas mas que as coloque numa sequência milimetricamente bem pensada e encaixada só pode ser considerado uma obra prima.

É verdade que depois desse combo infalível há uma queda brusca de rendimento no álbum, as quatro canções seguintes vêm apagadas-quase-sumindo e podem fazer um ouvinte mais desatento esquecer o que está ouvindo. Mas o desfecho é grandioso, A Balada do Contramão começa singela, vai crescendo e termina grandiosa, fechando bem o conjunto.

Não estou dizendo que este aqui foi o melhor disco produzido em toda a face da Terra no ano que se passou; não tenho, ao contrário de muito blogueiro por aí, a empáfia de fazer uma afirmação dessas (e até porque acho que ouço bem menos coisa do que devia), mas digo seguramente que foi o melhor compilado de músicas lançadas em 2009 que ouvi. E acho que, se você ainda não sabe do que se trata o álbum, você deveria baixá-lo (por aqui, legalmente, com o consentimento da (ex-)banda), dar uma boa escutada e ver o que acontece.
E que o clipe abaixo lhe sirva de bom estimulante:


E é uma pena grande que o grupo tenha encerrado suas atividades pouco tempo depois de ter lançado a bolacha. Imagino aqui que A Força do Hábito teria muito mais repercussão se a banda continuasse tocando seus shows por aí, e me arrisco a afirmar que o disco será esquecido pelas listas top nacionais do ano justamente por causa disso. Realmente uma pena.

----------

Mesmo apesar daquela questão toda, a Banda Gentileza leva menção honrosa pelo disco homônimo.

----------

08/12/2009

mega agenda defenestrada


Final de ano (e de década!) fervendo em Curitiba! Pra você que ainda tem a empáfia de não seguir o Defenestrando no twitter e que portanto não viu a mega agenda dessa semana que eu fiz por lá, reproduzo-a por aqui com alguns detalhes a mais. Vai vendo:

08/12 (terça agora, dia da veiculação desse post)
- Romulo Froés no Wonka. Até às 23h você não paga entrada.

10/12 (quinta)
- Charme Chulo faz seu último show do ano no James. $8 ou $4 com o nome na lista enviando e-mail para lista[@]barjames.com.br

11/12 (sexta) - dia de muitas opções, muitas opções.
- Autoramas lançando seu disco desplugado no John Bull Pub (veja bem, é no PUB, não vá confundir). 15 dinheiros.
- Ruído/mm lançando o clipe de "Novíssima" no Wonka. Monaco Beach faz a abertura. 10 mangos.
- Agora de manhã recebi no meu orkut recado convidando para uma tal de Skins Party. Tinha um vídeo do seriado de mesmo nome (no qual rolava uma PUTA duma festa) e depois a seguinte chamada: "vai fazer alguma coisa sexta à noite? não? que tal ir a uma festa baseada na festa acima hein? música boa, substâncias e putaria. vai perder?". Lovefoxx (CSS) está no line-up. O ingresso na porta está $20. Pagando $30 rola VIP, com direito a champagne de graça e entrada para um tal de cofre secreto. Deixo aqui o link para o cartaz da festa, no qual tem mais informações. (ah se eu fosse rico!)

11, 12 e 13/12 (final de semana)
- Mega Bazar Lúdica. A população descolada de Curitiba se encontra por 3 dias e faz comércio. Lá na casa vermelha, no largo da ordem. Custa R$3 para entrar. Guarde um dinheiro para comprar umas camisetas bacanas y otras cositas más.

também dias 12 e 13/12
- FixOlimpix, a olimpíada brasileira de bicicleta de roda fixa. Daquelas que não têm marcha e você não pode parar de pedalar. O pessoal vai tentar não se embananar competindo em modalidades como subir ladeira, bike polo, anticorrida, skid (derrapada) e miss hipster. O ponto de encontro é o velódromo, mas não há nada muito fixo (ahn ahn?). O Defenestrando estará lá para cobrir o acontecimento.

Mas eu preciso dizer que, de tudo isso, o mais imperdível é a apresentação do coral dos alunos da UTFPR. Haha. Dias 9 e 12/12, às 19h30 no auditório da mesma universidade. Entrada franca, e na mesma noite se apresentam também o grupo instrumental e o coral dos servidores da instituição. Hype maior não há! hehe.

Então é isso. Já decidiu o que você vai ver/fazer? conta aí. Só não vale ficar parado. Ou você vai me dizer que nas últimas semanas da década de DOIS MIL você ficou sem fazer nada?

----------