Ok, então é isso. A década de 2000 está quase acabada. Não faltam coisas passadas a serem reanalisadas em retrospectivas nostálgicas, mas retrospectivas normalmente são chatinhas se não forem bem feitas ou a respeito de algum tema interessante.
Queremos fazer uma retrospectiva aqui, mas para que não publiquemos nada que seja entediante ao leitor, trataremos de um tema que sem dúvida (nos) é interessante. E para fazer dela algo ainda mais atraente, apresentamo-la em forma de top 5. Claro, porque rankings são sempre muito mais divertidos. Tem toda aquela coisa de fazer o suspense pra ver quem chegou em primeiro e tudo o mais.
Então é com muito prazer que venho aqui tornar público O Incrível Top 5 Defenestrado dos Shows de 2009.
Antes de passar à lista, vamos deixar claro que os critérios utilizados nessa seleção foram todos os possíveis, como por exemplo o público presente no local, a capacidade da banda de entretê-lo, a disposição e a reação dele, a repercussão do evento em qualquer meio de comunicação, a concentração etílica do sangue, o preço do ingresso, o grau de ineditismo, a ansiedade e a espera pelo show, a sua importância histórica (??), a qualidade das músicas e do som, toda e qualquer coisa enfim que possa influenciar no julgamento de uma apresentação musical
É bom deixar claro também que não estamos elencando os cinco melhores shows que aconteceram em toda a extensão do território nacional em 2009, mas simplesmente os cinco shows mais bacanas que vi nesse ano. Vamos parar de enrolação e começar de uma vez:
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5) Móveis Coloniais de Acaju, dia 21 de novembro
Lupaluna – Bioparque

foto: Enio Vermelho
Alguns dizem que a apresentação do Móveis talvez seja a melhor do Brasil no momento. Baseado no que vimos na madrugada daquele sábado, dá para concordar. Mesmo começando só depois das duas da manhã e acontecendo na tenda “B” do maior festival de Curitiba, a big band brasiliense encontrou público empolgado e em bom número. Os músicos espalhados pelo palco, brincando com os instrumentos e correndo soltos de um lado para o outro, aliados ao carisma marcante de André Gonzáles, o vocalista, que transmite largas doses de alegria ao público montam espetáculo incrível. O auge foi a tradicional roda no meio da galera em Copacabana (vídeo aqui), a última música, que encerrou o show deixando os fãs suados. Quem estava ali se sentiu feliz.
Para mais informações, o Cristiano Castilho escreveu uma resenha bacana sobre o evento.
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4) Orquestra à Base de Corda convida André Abujamra, dia 26 de janeiro
Oficina de Música de Curitiba – Teatro da Reitoria

foto: Mariana Fonseca
Daquelas gratas surpresas em que você fica sabendo do evento poucas horas antes dele acontecer e que chegando lá você se surpreende. A Orquestra à Base de Corda do Conservatório de MPB de Curitiba é um combo de violão, cavaquinho, violão de sete cordas, viola caipira, violino e mais outros instrumentos do gênero, todos sob a direção musical de João Egashira. Os arranjos próprios das músicas compostas pelo multifuncional André Abujamra suavizaram os rockzinhos da época do Karnak e deixaram ainda mais tocantes as suas letras, que são ao mesmo tempo engraçadas e sérias ou até emotivas. Depois de versões lindamente inusitadas de clássicos como “O mundo”, “Juvenar” e “Alma não tem cor”, não foi difícil ao final da apresentação encontrar alguns olhos lacrimejando. Fiquei arrepiado.
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3) Kraftwerk – 22 de março
Just a Fest – Chácara do Jockey

foto: Bloody pop
Como pode um show em que os quatro membros do grupo ficam o tempo todo estáticos na frente de seus laptops (sem nem sorrir direito) ser tão sensacional? Bom, os pais da música eletrônica sabem como fazer isso. Com a ajuda de um enorme telão atrás deles, vários clássicos do synthpop como Autobahn e The Model e números mais “novos” como Tour de France e Aerodynamik eram ilustrados com projeções coloridonas e extremamente sincronizadas que prendiam o tempo todo a atenção do público. Vale mencionar o começo do show (que já descrevi uma vez aqui) com The Man-machine e a primeira música do bis, The robots, quando a banda sai da frente de seus microcomputadores e em seu lugar são colocados robôs-manequins que ficam mexendo seus braços de um lado para o outro. O final também é arrasador: Music Non-stop é tocada com um bom improviso no meio é ilustrada pelo emblemático clipe dos bonecos computadorizados que cantam “boing bummm tschak!”
O show talvez só não tenha sido melhor porque razoável parte do público estava entediada esperando a banda que iria tocar logo depois...
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2) Radiohead – 22 de março
Just a Fest – Chácara do Jockey

foto: aqui
Havia um certo clima místico naquele lugar quando a banda liderada por Thom Yorke subiu ao palco e começou a tocar 15 step para um público formado por cerca de 30 mil pessoas, que há anos esperavam ansiosamente por uma passagem do conjunto pelo país. Não bastasse a própria tensão característica de suas músicas e a extrema qualidade delas, que fazem alguns afirmarem que o grupo inglês é na verdade composto por alienígenas (hehe), o clima sombrio foi reforçado pelas luzes quase sempre frias e pelos incríveis e enormes LEDs que pendiam do teto, como que também ilustrando as músicas.
Misturando clássicos antigos com as músicas do último disco, o setlist agradou tanto à banda quanto ao público, que notadamente berrou a letra toda em Paranoid Android e manteve-se no mais absoluto silêncio em Faust Arp, tocada por um duo de violões tocados por Thom e Johnny.
Não tem muito como definir bem a maravilha toda que foi esse show em um textinho pequeno como esse, então sugiro que você vá ao youtube e assista o vídeo de The National Anthem, gravado pelas várias câmeras do multishow, e que dá uma ótima idéia do que foi o negócio todo.
“Mas como você deixa esse show em segundo lugar??”, deve estar se perguntando o leitor que esteve na chácara do jockey naquele fatídico dia de fim de março, “Que show no mundo foi melhor do que esse??”. “Apenas um único”, eu respondo.
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1) Bonde do Rolê – 16 de outubro
John Bull Music Hall

foto: Enio Vermelho
Hahaha. O leitor já percebeu que esse aqui não é um top 5 tão racional assim. Mas é que o espetáculo que se viu aquele dia naquele lugar foi tão inesperado, tão tosco e tão bom que não tinha como achar outra coisa: todos os quatro membros do grupo estavam bêbados e vestindo fraldas de bebê; os fãs berravam enlouquecidamente todas as letras; a banda atirava toda a espécie de sujeira (cerveja, talco, cocô falso, geladinho) em si mesma e na platéia; a platéia retribuía; o palco era regularmente invadido pelos fãs. Para não dizer que fazia cerca de três anos que o Bonde não se apresentava em Curitiba.
A sujeira foi forte: mesmo depois de algumas limpezas o meu tênis ainda conserva algumas marcas da apresentação; no dia seguinte a minha camiseta branca manchada de cerveja e do colorido dos geladinhos denunciava o elevado grau trash do que tinha sido visto naquele show. Também não dá pra descrever muito bem a sensação de alegria por ter visto algo tão tosco assim. Só consigo dizer que foi uma noite boa. E que, depois que ela acabou, eu tive a certeza de que aquilo tinha sido tão pretensiosamente ruim que era melhor apresentação “musical” que eu tinha visto até então.
Lá no Mondo Bacana tem o texto que escrevi sobre o evento e a entrevista que fiz com a banda. A quantidade de detalhes lá é maior, então lá talvez você consiga entender melhor o que eu estou querendo dizer.
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Ganham menção honrosa: Guizado dia 04/04 no John Bull Music Hall; Curumin dia 09/04 no Era só o que faltava; Nação Zumbi dia 22/08 na Tribaltech; e Ruído/mm dia 15/09 no Sesc da Esquina.
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Então é isso, terminamos o post, depois de dias de batalhas pacientes contra a internet que não pára de cair. Encerramos o ano defenestrado agora porque tiraremos umas férias nos dias seguintes. Então até ano que vem.
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