Então chegamos hoje ao post nº 333. Isto pode ser comemorado?
Vamos fazer as contas aqui... já temos quatro anos e oito meses de vida, o que dá 56 meses no total, que dividindo 333 dá... (cadê a calculadora?) uma média de quase seis posts por mês, 0,196666 posts por dia, 0,00825 por hora e 0,0001375 por minuto.
Tudo isso só pra te dizer que...
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Eu não sei se o pessoal percebeu que eu tinha comentado isso no post passado, mas a década está acabando. Os anos 2000 estão acabando. A década do futuro, a esperada década da tecnologia. Nos anos 60 e 70, mesmo antes e mesmo depois, nas décadas de 80 e 90, os anos 2000 eram vistos como a época em que tudo seria diferente.
Acredito que a grande maioria das pessoas achava que em 2000 viveríamos em casas flutuantes, dirigiríamos carros voadores e usaríamos trajes espaciais o tempo todo porque o ar estaria irrespirável, agressivo ao ser humano. Estaríamos habitando o espaço, junto a robôs dotados de inteligência artificial. Lembra como em 1969 Stanley Kubrick e Arthur Clarke pensaram o futuro no filme 2001 - uma odisseia no espaço? A fantasia era grande. O número era mágico, sem dúvidas.
É a década onde todos esperavam que tudo isso acontecesse é que está acabando. E no entanto nos parece que nada dessa revolução tecnológica toda e da mudança drástica no modo de vida aconteceu. Se aconteceu, foi de maneira menos drástica do que o esperado.
O que, das poucas coisas que consigo imaginar desse futuro que efetivamente chegaram foram os telefones que permitiriam que você não só escutasse mas visse a pessoa com quem se fala (msn e skype) e a incrível possibilidade de pagar suas contas sem ter que sair de casa (internet banking). É claro que muito do futuro chegou e tudo o mais, o Iphone que o diga, mas eu sei que você não tem a sensação de que o futuro chegou.
Enfim, para tentar relembrar um pouco do que aconteceu nessa década da não-chegada do futuro é que o Defenestrando inaugura a
Sempre que possível, colocaremos em todos os posts daqui até o final do ano algum fato que tenha tido alguma relevância dentro do transcorrer da década. Não serão apenas os acontecimentos musicais que ficarão em evidência por aqui, mas sim qualquer coisa importante que eu ache que valha a pena ser relembrada.
Começaremos do começo:
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O Bug do milênio - reveillon 99/2000
Eu sei que você nem lembrava mais que isso tinha acontecido. Talvez você nem saiba mais do que que o negócio todo se tratou. Talvez você ainda fosse novo demais para ainda hoje lembrar de alguma coisa. Eu ainda era bem novo e só lembro que meu pai, funcionário do setor de tecnologia da informação, passou o reveillon trabalhando. "De sobreaviso" ele me disse quando perguntei a ele sobre o assunto alguns dias atrás: na empresa onde trabalhava o problema estava resolvido, mas alguma coisa inesperada podia acontecer.
Mas o que foi o bug do milênio? A história toda começou há muitos anos (década de 60?), a partir da popularização do uso de computadores. Como os bytes ainda eram caros (em 1965 um megabyte custava U$761,00 segundo artigo original de 1999 publicado no site da Istoé), precisava-se a todo custo economizar espaço, bytes, informações. Uma das maneiras encontradas foi salvar datas nas quais apenas os dois últimos dígitos do ano estivessem representados. Por exemplo, em 12/12/88, o computador entenderia que seria o 12º dia do mês de dezembro do ano de 1988: os números 1 e 9 eram "subentendidos" na data. Tá dando para entender?
Tempos depois, o pessoal começou a perceber que, depois do dia 31/12/99 viria o dia 01/01/00, óbvio. O problema é que as máquinas continuariam subentendendo o 1 e o 9 antes do 00. Sacou a enrascada? Imagine o sistema que computa os juros de um banco: você tem lá uma dívida interminável para pagar e de repente num reveillon o computador VOLTA CEM anos. Segundo o sistema, o banco passaria a te dever uma quantia enorme. Cem anos de juros. You know what I mean?
Imagine o que esse probleminha de voltar 100 anos poderia causar em empresas nacionais de distribuição de energia elétrica, em usinas hidrelétricas, enfim, em qualquer coisa importante que dependesse de datas. Chegou-se a prever que mísseis nucleares seriam lançados automaticamente, desencadeando guerras. A partir daí se instaurou o terror especulativo (por vezes infundado, remetendo à Idade Média), notoriamente na sociedade norte-americana, especialista na cultura de sentir medo. Disse o Gartner Group, grupo estadounidense de consultoria:
"as pessoas devem se preparar para falhas localizadas, tanto nos serviços quanto na infra-estrutura pública. O tipo e o número de problemas irão variar geograficamente e não podem ser realmente previstos. Assim, os indivíduos devem ter em casa o equivalente a duas semanas de salário em dinheiro vivo e suprimentos suficientes para cinco dias de dificuldades"
Pânico. A solução foi a correria para consertar, antes da entrada da nova década, a data de TODOS os sistemas antigos que ainda representassem o ano com apenas 2 dígitos. Atitudes tomadas a tempo, quando o temido reveillon chegou, nenhum problema relevante aconteceu. A humanidade seguiu vivendo seu cotidiano normalmente, agora numa década (século? milênio?) totalmente nova.
Tudo bem, isso passou e continuamos "vivão e vivendo". Só que tem outra coisa. A wikipedia me disse que tem um tal de Bug do Ano 2038 vindo por aí. Comece a se preparar...
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E agora para algo totalmente diferente.
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Você lembra que, há alguns posts atrás, eu comentei aqui a respeito da mudança de perspectiva da MTV em relação à música de qualidade através da nova cara do VMB (aqui). Pois bem. Aconteceu que eu estava curioso para ver a premiação, mas acabei indo ver a Banda Gentileza no James. E não me arrependi, principalmente depois de ficar sabendo dos resultados. Toda aquela esperança de mudança deu com os burros na água. Segue lista dos vencedores, retirada do Move, com direito a comentários rápidos de menos de 140 caracteres:
(os D's em negrito (de Defenestrando) indicam os meus palpites acertados...)
Artista do Ano: Fresno (como o NX Zero perdeu essa?)
Hit do Ano: NX Zero – Cartas pra Você (D)
Revelação: Cine (como li em algum blog, saca o poder da franja: Cine desbancou Little Joy)
Aposta: Vivendo do Ócio (D)
Videoclipe do Ano: Skank – Sutilmente
Melhor Show: Paralamas do Sucesso (D) (duvido muito que "toda a empolgação" de Herbert Vianna em cima de um palco supere o show do Móveis Coloniais de Acaju)
Web Hit do Ano: Os Seminovos – Escolha já seu Nerd
Blog do Ano: Jovem Nerd
Twitter do Ano: Marcos Mion
(não apostei em nenhuma dessas categorias virtuais)
Vocalista: Lucas (Fresno)
Guitarrista: Martin (Pitty) (D)
Baixista: Tavares (Fresno) (D)
Baterista: Duda (Pitty) (D)
(mas se não é a banda dos sonhos da juventude emo brasileira?)
Filme/Documentário Musical do Ano: Titãs – A Vida Até Parece uma Festa (D)
Rock: Forfun (pelo amor de Deus, quem conhece essa banda??)
Rock Alternativo: Pública (parece um Skank novo, mas mais atual)
Hardcore: Dead Fish (D)
Pop: Fresno
MPB: Fernanda Takai (D) (entre cérebro eletrônico, curumin, céu e tiê, ganhou a mais votável)
Samba: Zeca Pagodinho (D)
Reggae: Chimarruts
Rap: MV Bill (D)
Instrumental: Pata de Elefante
Eletrônico: N.A.S.A.
Artista Internacional do Ano: Britney Spears (não sei não, mas acho que essa talvez tenha sido o prêmio mais incoerente da noite. Alguém me lembra alguma coisa que Britney tenha feito esse ano, por favor)
E foi isso. Como eu temia, dei mais palpites certos do que esperava. Não vi nada da premiação até agora (nem a apresentação do Franz Ferdinand que pelo jeito foi apagada), só fiquei sabendo que o Marcelo Adnet mandou bem na apresentação.
E já que você não deixou seus palpites aqui, ganhei a aposta. rara.
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O desenho que ilustra, lá em cima, o quadro da retrospectiva defenestrada, faz parte de uma coleção de gravuras feitas em 1910 que retratava o que, naquela época, se imaginava que seria a vida no ano 2000. As outras imagens (todas bizarras) você encontra aqui.
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Não se preocupe, ninguém aqui esqueceu das Grandes Reportagens.
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