A correria voltou a reinar na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Daqui para frente o tempo começa a ficar cada vez mais curto. Daí essa enrolação na hora de publicar posts novos que você já conhece. Mas vamos lá. O post de hoje é para ser meio curto. Só vai ser maior se eu me entusiasmar, o que, a julgar pelas minhas costas, não deve acontecer.
----------
Terça-feira última, dia 15 do presente mês de setembro do último ano da década de 2000 (do ano de Vossa graça), o Ruído/mm, regularmente comentado neste blog, apresentou-se no Sesc da Esquina, sob a... égide? de ser A Última Praieira.
.jpg)
Explico o parágrafo anterior, de difícil compreensão: ano passado o grupo de rock instrumental lançou o bem-resenhado álbum A Praia. Agora, para encerrar a... turnê? o ruído resolveu fazer uma última apresentação no aconchegante teatro do Sesc da Esquina antes de fazer uma pausa nos shows para a gravação do próximo álbum. Daí o nome "a última praieira". O Defenestrando esteve lá e faz ao leitor um pequeno relatório:
Clima sombrio, luzes escuras. Encanamentos retorcidos como tentáculos pendendo do teto faziam a única decoração do palco. E o som, repetindo os termos, sempre climático, soturno e lúgubre. Mas precioso, sempre polido e, em alguns momentos, pesadíssimo. Desta vertente, estavam lá as paredes sonoras de "Mariachis"; e da polidez, também não falharam o riff limpinho e a sanfona na música que leva o nome deste instrumento. Em "Praieira", mudanças repentinas e alguma violência sonora em nove minutos de música sem voz.
Esquimós têm um costume curioso: homens casados, quando recebem visitas, cedem suas esposas ao hóspede como sinal de boas-vindas. A possível dor e dificuldade de lidar com este incomum hábito é o que parece ser expresso em notas na música "Folk Esquimó", devidamente explicada com esta histórinha após sua execução. Ao final do show, lamentos fogem e até surge alguma alegria em "Folk" (só folk), de levada mais dançante e agradável.
Enfim, showzão. Bom poder ouvir o som do Ruído sentado em uma poltrona de teatro, ambiente muito mais propício à musicalidade do grupo do que barzinhos apertados. Dava para apreciar tudo, do sonoro ao visual, passando pelo climático. Coisa boa de se presenciar.
Agora é esperar o disco novo. Coisa boa deve vir.
---------
André Ramiro, um dos guitarristas do Ruído, escreveu dia 11 de agosto na comunidade da revista Coquetel Molotov:
Procura-se vocalista para grupo post-rock
Para banda ruído/mm (curitiba)
A moça precisa gostar de pisar e modular efeitos em pedais e possuir uma voz com timbres de pássaros.
Favor entrar em contato o mais breve possível.
obrigado.
que tal?
---------
Chegou aqui em minhas mãos (na minha caixa de entrada) o EP Creation steppers in the noise fever da Yokofive. Ouvi-o e comentar-lo-ei, rapidamente, sem mesóclises.

São cinco musiquinhas bacanas: a primeira, "Black Roof", não empolga muito, mas as outras são mais atraentes e dançantes. E sujas. Sem dúvida o som indie/psicodélico/dançante/sideral da Yokofive é para ser ouvido num bar apertado, dançandinho com uma cerveja na mão e respirando toda aquela fumaceira. Me parece que essas músicas seriam bem mais apreciadas nesse ambiente do que em casa, mas nada que tire o brilho do EP.
"Youth against fashionism" e "Neon" são as mais empolgantes do compilado. Nesta última, há a voz da baixista Sayuri Kashimura, que mesmo pendendo para o desafinado é bem utilizada e cai legal na mistura suja da música. Não sei como são os demais números do grupo, mas penso que ela talvez devesse cantar em mais músicas. Há ainda "Pop, girls, etc" e a bonus track "Dub, girls, etc", alternativa mais jamaicana do próprio grupo para a música anterior. Parece um dub mentiroso, tipo americano tentando fazer samba. Tipo uma banda indie tentando fazer dub. Mostra que a banda não está presa a um único tipo de influência.
No final das contas, o som é legal, mas não é original, me parece. Está certo, hoje em dia é difícil, tem MUITA banda por aí e ser original é difícil, mas...
Serviço: Você encontra o EP Creation steppers in the noise fever inteirinho aqui. Se interessar, a Yoko se apresenta dia 25, sexta agora, no Blues Velvet, junto com Bardot em Coma, custando 7 dinheiros para quem entrar antes da meia-noite.
----------
Eu não sei se você percebeu, nós estamos nos últimos meses da década de 2000. Pare e pense. A década de 2000. Lembra do bug do milênio?
...desenterrei hein.
Depois, se eu me animar, escrevo um post fazendo uma análise não-musical do que foi esse período.
----------
Outros assuntos importantes a serem articulados por aqui no futuro:
- a relevância da sensação térmica
- a função científica de uma bonus track
- e se 100% de humidade relativa do ar significa que o mundo inteiro está embaixo d'água
---------
