31/08/2009

O caso Mixtape


O Defenestrando segue em sua viagem pelas bandas mais expressivas de Curitiba. O grupo que expomos nesse post não segue o mesmo estilo das bandas que costumamos expor por aqui, mas é importante saber o que que está acontecendo no geral. Então você fica agora com um trabalho jornalístico pseudo-sério, semelhante (mas em menor escala) do que quero realizar com as Grandes Reportagens. Se acomode aí que a viagem é longa.

----------


Certa vez, este que vos escreve estava saindo de um estúdio de ensaio com sua modesta bandinha quando o grupo que ia ensaiar no horário seguinte chegou na sala. Eram três garotas, todas aparentando estarem ali na faixa da pós-adolescência. Uma delas tinha cabelo vermelho; uma outra, descolorido. A primeira tocava baixo; a segunda, cantava e tocava guitarra. Na hora fiquei um pouco curioso, mas fui embora poucos minutos depois e esqueci o fato.

Alguns meses mais tarde, para minha surpresa, o mesmo trio subiu ao palco instalado na praça 29 de março para o Expressões Oi (como você leu aqui). Na frente dele, considerável fã clube cantando várias músicas com fé. O nome da banda era Mixtape, um apresentador havia anunciado. As meninas tocaram um rock emo pop com influências de algo mais pesado e entre o repertório de músicas próprias brotaram covers de Marilyn Manson e Cranberries.

O espanto se completou instantes depois: a menina de cabelos descoloridos anunciou que elas fariam o show de lançamento de seu primeiro álbum no Castelinho do Batel. Não seriam vendidos ingressos; eles seriam distribuídos gratuitamente para quem fosse na comunidade da banda no orkut e participasse das promoções. A curiosidade só aumentava.

Mais algumas semanas e o trio sai estampando a capa da Gazetinha, o caderno infanto-juvenil da Gazeta do Povo. Se não me falha a memória, eram três páginas inteiras falando só sobre essas garotas: quem são, o que fizeram, que a gazetinha estaria sorteando um bom número de pares de ingressos para o show no castelo, e que as duas meninas de cabelo colorido tinham 28 anos de idade e eram proprietárias da Vira o Disco, conhecida marca virtual de roupas descoladas (a baterista, de cabelos de cor preta "normal", diz não revelar a idade de jeito nenhum).


Curioso, entrei em contato com a banda e consegui convites. Retirei-os em loja de roupas moderninhas no shopping estação e de quebra ganhei de bônus uma promo (CD com cinco músicas que visa promover um álbum a ser lançado futuramente).

Uma pesquisa rápida na internet antes de começar a escrever alguma coisa sobre a banda e chego no myspace da Mixtape, que já tem mais de 450 mil plays em pouco mais de um ano. Outra pesquisa no youtube e descubro que o clipe da música "Meu mundo", hit da banda, tem mais de 40 mil visualizações naquele site. O vídeo é super produzido. Dá uma olhada:



Somando os fatores, temos um trio de meninas de cabelos coloridos (duas delas têm 28 anos e a outra faz segredo) que toca emo-rock pop, gravam videoclipe caro e fazem show de lançamento de álbum na locação mais chique da cidade, disponibilizando convites gratuitamente. O leitor agora entende a extrema curiosidade deste repórter farsante.

O show em si

Em meio às típicas maratonas de dias feios e frios no inverno curitibano, são comuns ilhas de dias quentes e agradáveis de céu azul. Para a sorte do evento, fazia um final de tarde agradabilíssimo no último domingo (30): temperatura agradável com o sol se pondo devagar pareciam condições ideais para que as pessoas se sentissem estimuladas a sair de casa e ir até o show.

Do lado de fora do castelo, um bom público aguardava o início da apresentação: havia rodinhas de adolescentes emo que aparentavam ter não mais do que 13 anos; havia adolescentes cujos pais foram junto com os filhos; havia grupos de pessoas com roupas descoladinhas; havia uma roda de emos mais marrentos do que muito mano por aí; e havia vários outros que, assim como eu, pareciam ter ido lá por pura curiosidade.

O castelo do Batel. (foto: aqui)

Promoters foram até cada grupinho avisar que o show estava prestes a começar dentro do castelinho. Lá, em um salão chique digno de receber festas da mais alta sociedade de Curitiba, pequena multidão se aglomerava em frente ao palco. Um cabelo rosa e outro descolorido são vistos em uma janela do segundo andar e o resultado é uma surpreendente histeria na frente do palco: parecem ídolos pop. A "girl-band" de Curitiba.

Pouco depois, a música ambiente para e o choro de um bebê anuncia que o show vai finalmente começar. Enquanto uma contagem regressiva de dois minutos é exibida em um telão, as integrantes da Mixtape sobem ao palco sob os gritos da plateia, assumem suas posições, empunham seus instrumentos e congelam feito estátuas, esperando a regressiva acabar. Os últimos segundos são gritados em coro e quando eles acabam, a banda continua estática, provocando alguns risos ansiosos. Depois o espetáculo começa.

Quem está cantando e tocando guitarra é Pris Elias, a de cabelos descoloridos. Ela sobe ao palco com um microfone desses que ficam presos no ouvido: assim ela não tem a necessidade de ficar próxima ao pedestal do microfone convencional. Por causa disso a pose é estranha, não parece a de uma vocalista roqueira mas de uma cantora pop. A voz naquele microfone acaba ficando estourada nas caixas de som e ela passa a cantar no mic normal.

Pris exerce a função de carismática do grupo e chama as atenções para si pelo visual trabalhado e pela presença de palco. De vez em quando ela deixa a guitarra de lado para tocar um teclado ou ficar apenas no microfone. Nessas horas quem segura as pontas é uma outra guitarrista que fica mais atrás, discreta, sem visual chamativo, tocando bem.

Pris Elias. (foto: aqui)

No baixo e nos cabelos rosas, Helen Negrão. A mais quietona no palco, parece ficar no limite entre timidez e discrição de baixista. Em alguns momentos se solta e dança um pouco mais. Em uma brincadeirna numa pausa entre duas músicas, finge cavalgar o baixo enquanto segura um megafone. Em um dos intervalos volta vestida de viúva.

Atrás, na bateria, Renata Monteiro. É a mais energética do grupo. Marca o tempo com força, fazendo cara de brava. De vez em quando toca levantada, tirando o pé esquerdo do chimbal e usando-o de apoio; nessas horas ela grita a letra e por vezes sua voz pode ser ouvida mesmo sem microfone. Atira algumas de suas baquetas à plateia, que as disputa como recordação.

O show é interrompido ainda no começo para as acrobacias de um trapezista de circo, que fica balançando no meio do salão. No meio de uma manobra difícil, ele cai no chão, mas levanta logo em seguida e continua sua apresentação como se nada tivesse acontecido. Mais tarde outra interrupção bota em evidência um malabarista. As duas apresentações parecem não ter ligação nenhuma com o show, mas ajudam a construir o espetáculo e desviam a atenção dos fãs para que a banda possa trocar seu figurino.

As covers de Marilyn Manson e Cranberries estavam lá, junto a outras de Katy Perry e Cindy Lauper. Em termos de qualidade, o som não convence, mas ele é bem trabalhado, se é que o leitor me entende. De qualquer jeito, há legiões de fãs que, a julgar pelos comportamentos no show desse domingo, estão dispostos a comprar qualquer coisa da banda. E o leitor sabe muito bem que, para vender, a música não precisa ser nenhuma nona sinfonia. Pelo contrário.

Depois do show, enquanto voltava andando para casa aproveitando o gostoso clima da noite, me restaram uma certeza e uma dúvida: a certeza é de que, dados os fatos científicos como os 8 mil membros na comunidade do orkut, as 450 mil plays no myspace e o lançamento do disco em um lugar como o Castelo, a Mixtape é uma das mais relevantes bandas de Curitiba, mesmo apesar do som nada original. A dúvida que fica é de que maneira as meninas conseguiram todos os inúmeros apoios anunciados ao final da apresentação, suficientes para alugar o Castelo e deixar a entrada franca. "Elas devem ser correria", disse meu irmão.

P.S: Outra certeza: a jogada de marketing foi sensacional. A ver por este blogueiro que foi até o show, conheceu as músicas da banda e agora está aqui repercutindo.

----------

A Redação tem o prazer de anunciar que está no prelo a quarta edição do Podcast Defenestrado, depois de quase um ano e meio do lançamento da terceira. O leitor segue ávido pelas músicas que são carinhosamente defenestradas para ele, e nós o entendemos. Aguenta aí que essa semana o negócio já deve estar acontecendo.

----------

E com esta aqui chegamos à quinta postagem do mês de agosto. O Defenestrando não anda tão corrido assim desde setembro do ano passado. É nóis.

----------

26/08/2009

Tribaltech 2009 - ponto de vista de um cara de baixa estatura



Finalmente. Atrasei alguns dias mas o post da semana está aí, finalmente. Ele faz parte da série ponto de vista de um cara de baixa estatura (outros episódios: Tim Festival Curitiba 2007 e Oasis). O Defenestrando esteve na edição curitibana da Tribaltech 2009 e conta pra você como que foi:

----------


Chegamos à Fazenda Heimari por volta das 18h20, depois de alguns minutos de estrada. Da fila para deixar o carro no estacionamento já se podia ver o guindaste que estava ali para deixar o pessoal fazer um bungee jump doido. Um helicóptero passeava baixo realizando voos panorâmicos. Tudo isso, é claro, só poderia ser feito mediante algum preço nada módico.

Aliás, como de praxe nesses grandes eventos, os preços eram abusivos: deixar o carro no estacionamento oficial custava 25 reais. Lá dentro, uma garrafa de água, um refrigerante ou uma latinha de 269 ml de cerveja (o normal são 350) saíam por R$5. E nem fiquei sabendo quanto custava alguma coisa para comer.

O tempo estava feio: fazia muito frio, o céu estava fechado e garoava o tempo todo. Não se podia ir de um lugar a outro sem passar por muita lama. A estrutura do evento era enorme: vários palcos e diversas tendas divididas por... assuntos? permitiam que a festa acontecesse em diferentes espaços simultaneamente. Nas tendas Black Tarj CluB e 3plus/DjMag House diversas vertentes da música eletrônica eram apresentadas. No Main Stage o bicho pegava: vários dos principais nomes do mundo se apresentavam para um grande público, sempre entretido com luzes e laseres incríveis. No espaço Cinetech o pessoal podia descansar em sofás assistindo a curtas metragens nacionais projetadas em telão. Mas o que interessava mesmo estava na tenda Organic Beat.

Era lá que estavam tocando algumas das principais bandas (bem orgânicas e pouco eletrônicas) do país no momento. Quando chegamos, BNegão & Os Seletores de Frequência já estavam no palco botando seu som grave em ação. A banda deste que é um dos ex-vocalistas do histórico Planet Hemp trouxe a Curitiba a sua impecável mistura de funk (americano?), dub, reggae, e samba com doses de rock pesado e deixou o pessoal balançando o corpo, com calma. Mas tudo mudou quando no final o grupo tocou a pesadassa "Qual é o seu nome?". BNegão também usou da irreverência ao anunciar uma das últimas músicas de seu show: "essa daqui... essa aqui é a música mais antiga do nosso grupo. Ela tem... há 509 anos, quando os portugueses desembarcaram aqui no Brasil, na praia, eles ouviram, ao longe, essa música". Em seguida o grupo tocou "A Verdadeira Dança do Patinho", mistura de funk escrachado com hardcore pesado de protesto. "A situação é grave feito um sistema de som jamaicano" disse BNegão, em outro momemento. Dava pra confirmar sentindo na alma o baixo gravíssimo. A ver.

Pouquíssimos minutos depois, o Cordel do Fogo Encantado já estava tocando. A estrutura da tenda era tal que na verdade eram dois palcos, um do lado do outro. Assim, enquanto uma banda tocava, a outra já ia arrumando seu set. Aí quando uma acabava, a outra começava logo na sequência. O show do Cordel em si foi bom. Mais forte e menos acrobático do que eu pensava. Expressão tocante de um pequeno pedaço da cultura nordestina, me pareceu. Alguns problemas técnicos no som atrapalharam a apresentação, mas mais tarde tudo se acertou e deu pra entrar bem no clima. Tem um trechinho aqui.

Surpresa boa foi o Pedra Branca: sons indianos com batida eletrônica e instrumentos étnicos (?) compunham outra mistura bacaníssima. Uma cítara tocada por Luciano Sallun, homem careca, de barba comprida e trajes brancos típicos, dividia espaço com uma picape pilotada por um cara de boina vermelha e óculos grandes à la Ali G. Um clarinete era soprado em alguns momentos. Quase sempre algumas dançarinas subiam ao palco para reforçar o clima indiano fazendo, num espaço apertado entre a caríssima aparelhagem do grupo, algo como dança do ventre (ou ela propriamente dita). E a batida eletrônica sempre estava presente. Coisa pra se fechar os olhos, ouvir e ficar ali em pé, viajando, de leve. Dá pra ter uma ideia do que eu tô querendo dizer aqui.

Depois deles, talvez o show mais esperado da noite naquela tenda: o Nação Zumbi subiu ao palco tocando a nada leve "Bossa Nostra" (era essa mesmo? Alguém corrige?) jogando a adrenalina do pessoal lá em cima. E o clima ficaria esse até o último segundo do show. Perto do palco bastante gente dançava e pulava bastante ao som das alfaias e da guitarra afiada e pesadíssima de Lúcio Maia. Luzes frenéticas ajudavam a deixar o clima ainda mais energético. Com um setlist impecável repleto de músicas consagradas que iam desde a época de Chico Science (como "Macô", "Da lama ao caos" e "Rios, pontes e overdrives") até os clássicos mais atuais ("Hoje, amanhã e depois" e "Meu maracatu pesa uma tonelada"), o show não tinha como não dar certo. "Quando a maré encher" provocou um empurra-empurra saudável que deixou o pessoal com pouco folêgo para as últimas músicas. Sem dúvida é show desses para se ir novamente.

Segue aí um trecho da mistura de Da lama ao Caos com Umbabarauma, do Jorge Ben Jor:


Quem tocou depois foi o Eddie, que mistura rock com uma batucada/baião e até chega a lembrar um pouco de ska. Mas tocar logo depois do Nação Zumbi é covardia. É claro que para quem estava na plateia esperando algo no nível do show anterior, a apresentação não teve tanta graça assim. O que chamou a atenção foram as versões rock-batucadas-pernambucanas de "Nantes", do Beirut, e "I wanna be sedated", do Ramones. O Copacabana Club subiu ao palco logo depois tocando aquele sonzinho gostoso que você já deve conhecer. Acabei vendo pouca coisa do show: já eram mais de sete horas e meia seguidas em pé e o cansaço começava a incomodar.

Enfim, noite memorável. Se fizesse um pouco menos de frio, o negócio ia ser ainda mais marcante. E se você me pergunta a respeito da música eletrônica, só a ouvi quando ia ao banheiro ou quando fui embora, já que o Main Stage ficava no meio do caminho entre a tenda onde as bandas tocavam e a saída. E a lama também deixou sua marca.

----------

Se você quiser ter uma ideia visual mais geral do que foi o evento, vem aqui.

----------

16/08/2009

VMB 2009: expectativas defenestradas


Então tá. A gripe suína acaba nessa segunda-feira, dia 17, que é quando as aulas voltam na maioria das escolas. Só não voltam nas universidades federais. Teremos mais uma semana de marasmo: será a sétima, pelas minhas contas. Mas tudo bem, iniciemos:

----------

A MTV anunciou nessa semana os indicados para as categorias do VMB, aquela festa estranha que é sempre de um humor meio forçado. A tradição é que as bandas do mainstream sempre vençam nas categorias em que concorrem, não refletindo necessariamente um resultado justo. Já que o voto é aberto, vencerão os Nx Zeros da vida, porque as fãs inveteradas espalhadas pelo Brasil todo votam em massa e não dão a menor chance para que outras bandas que tenham mais qualidade mas que sejam menos representativas tenham um bom resultado. Isso não é novidade.

Eu tenho um monte de coisas que faz tempo que quero comentar a respeito disso, mas não estou conseguindo organizar as ideias de maneira que algo fique claro e sucinto para o leitor. Então vamos fazer assim: vou escrever este post enquanto distribuo meus votos. Assim você vai lendo em tempo real (??) o meu processo de votação (quase como aqueles sites que mostram os placares dos jogos de futebol, com comentários resumindo a partida minuto a minuto), com direito a análises e explicações de opinião no meio disso tudo. Aí você vai entendendo o que que eu estou querendo dizer.

Marcelo Adnet será o apresentador do evento. Promessa de trocadilhos infames e improvisações a noite toda. (foto: aqui)

Vamos lá:

Artista do ano
indicados: Fresno, Jota Quest, Mallu Magalhães, Marcelo D2, Nando Reis, Nx Zero, Os Paralamas do Sucesso, Pitty, Seu Jorge e Skank
comentário: a MTV tem feito uma mudança bem calma. Antes sua programação era baseada no mainstream (até porque não tinha internet pra que se ficasse sabendo de muitas outras bandas), mas de uns tempos pra cá a emissora logicamente percebeu que tinha muita coisa nova boa surgindo pela grande rede e começou a pulverizar em sua programação clipes de bandas independentes. Agora, depois de alguns anos, a grade horária está infestada delas, num bom sentido. Mas a Music Television brasileira não é boba, ela também quer agradar as majors. E aí ela fica com um pé em cada lado. E a gente percebe de que pé estamos falando ao observar os indicados para a principal categoria da premiação. Que eu saiba nenhum desses artistas fez nesse ano ou na segunda metade do ano passado um trabalho de estardalhaço que merecesse tal prêmio. Mas continuemos.
meu voto: Paralamas do Sucesso.
palpite: Nx Zero, com certeza. Já que você pode votar quantas vezes quiser, as milhares de fãs teen deverão repetir várias vezes cada uma seu voto no grupo de Di Ferrero, que além dessa levará várias outras estatuetas para casa.

Hit do ano
Indicados: Cartas para você (Nx Zero), Me adora (Pitty), Burguesinha (Seu Jorge), Sutilmente (Skank) e Fly (Wanessa feat Ja Rule)
comentário: só conheço a música do Seu Jorge. Mas Ja Rule? Que coisa hein.
voto: Burguesinha.
palpite: Nx Zero. Mesma história.

Revelação
Cine, Copacabana Club, Garotas Suecas, Glória e Little Joy.
comentário: opa, aí a gente já percebe uma movimentação boa. Não conheço Cine nem Glória, mas Garotas Suecas e Copacabana Club são coisas bem boas, tal qual o estrelado Little Joy. A gente percebe também aquele negócio de um pé de cada lado quando se vê que em baixo do nome de todas as bandas aparece sempre o nome da gravadora/selo em que estão assinadas. O que contrasta com essas indicações (revelações). Que contrastam com as indicações anteriores. Tá entendo o que eu estou querendo dizer?
voto: Copacabana Club. Vamos ajudar o pessoal de Curitiba.
palpite: Little Joy. Dessas, foi a que teve maior exposição. E tem o apelo nada fraco de Rodrigo Amarante.

Aposta MTV
Black Drawing Chalks, EMICIDA, Holger, Mickey Gang e Vivendo do Ócio
comentário: é aquela coisa de botar em evidência uma banda ainda desconhecida que tenha potencial para explodir. A ideia é bacana. E a gente fica feliz se quem ganha é coisa boa.
palpite: Vivendo do Ócio. Mas essas categorias que só têm bandas pouco conhecidas sempre são uma loteria, não dá pra ter ideia em quem que o pessoal vai votar.

Melhor show
Alindo Cruz, Little Joy, Marcelo Camelo, Móveis Coloniais de Acaju e Os Paralamas do Sucesso
comentário: engraçado ver o Marcelo Camelo disputando com Little Joy, do Amarante. Em 2007 eles foram indicados juntos, pelo Los Hermanos. Olha como o tempo passa.
voto: Móveis Coloniais de Acaju. O show deles não é pouca coisa.
palpite: Paralamas. Mas não sei.

Game, Web Hit, Blog e Twitter do ano
Categorias absurdas. Principalmente a última, que chega a ser duvidosa: dois dos cinco indicados são VJs da própria MTV (Marcos Mion e Marimoon). "what's the point?", perguntaria alguém.

Banda dos sonhos
votos: Mallu Magalhães (vocalista), Sérgio Dias (guitarrista - Mutantes), Rodolfo (baixista - Cachorro Grande) e Curumin (baterista)
palpite: Pitty (vocal), Martin (guitarra da Pitty), Tavares (baixo do Fresno) e Duda (bateria da Pitty)
comentário: 1) em 2005, 2006 e 2007 essa premiação era aberta. A pessoa ia lá e votava em quem quisesse. Aí como o adolescente emo em geral não conhece quase nada de música (a premiação mostrou bem isso), Pitty, Champignon e Japinha foram sempre escolhidos naqueles três anos. Percebendo o negócio, em 2008 a emissora deixou a escolha nas mãos dos próprios músicos. Esse ano o voto volta às mãos do público, mas agora escolha não é livre, há 5 indicados. Assim não vai ser a mesma coisa, de novo. 2) veja lá, outra vez, o pé de cada lado. Há instrumentistas importantes e reconhecidos de um lado, e famosos de grandes grupos do outro. E é claro que essa segunda classe deve ganhar. São os únicos palpites que dou com convicção, além do Nx Zero como artista do ano.

Filme / Documentário musical
Coração Vagabundo, Dub Echoes, Loki, Simonal - Ninguém sabe o duro que dei e Titãs - a vida até parece uma festa
comentário: sensacional a ideia da categoria. Deve dar uma ajuda bacana na movimentação do mercado. Maravilha.
voto: Loki
palpite: Titãs. É o único filme que a grande maioria deve ter visto. Além de ter o "apoio cultural" da MTV.

Rock
Autoramas, Cachorro Grande, Forfun, Pitty, Strike.
comentário: um pé de um lado...
voto: Cachorro Grande
palpite: Pitty

Rock alternativo
Black Drawing Chalks, Holger, Móveis Coloniais de Acaju, Nervoso & Os calmantes e Pública
comentário: ...o outro pé do outro lado.
voto: Móveis Coloniais de Acaju
palpite: Móveis Coloniais de Acaju

Hardcore
Dead Fish, Devotos, Garage Fuzz, Mukeka di Rato e Presto?
comentário: pulo essa. Tô por fora.
palpite: Dead Fish

Pop
Fresno, Jota Quest, Nando Reis, Skank e Wanessa
comentário: pulo também.
palpite: difícil hein? Arrisco no Jota Quest.

MPB
Cérebro Eletrônico, Céu, Curumin, Fernanda Takai e Tiê
comentário: bacanas essas indicações hein? Surpreendentes até.
voto: Curumin
palpite: Fernanda Takai

Samba
Arlindo Cruz, Diogo Nogueira, Casuarina, Mariana Aydar e Zeca Pagodinho
comentário: Arlindo Cruz gravou um disco dentro do projeto MTV Ao Vivo. Zeca Pagodinho também teve seu Acústico. Casuarina já circula em várias propagandas como o próximo lançamento da emissora. Desconfiemos.
palpite: Zeca Pagodinho

Reggae
Chimarruts, Jimmy Luv, Lei Di Dai, Natiruts e Planta e Raiz
comentário: não tenho nem como chutar nessa.

Rap
EMICIDA, Kamau, Mv Bill, Relatos da Invasão e RZO
palpite: Mv Bill

Instrumental
Eu Serei a Hiena, Hurtmold, Macaco Bong, Pata de Elefante, Retrofoguetes
comentário: legal a MTV reconhecer que o rock instrumental no Brasil é expressivo e dedicar um prêmio a ele. Não sei como que está o cenário instrumental no momento, mas penso aqui que o Ruído/mm poderia estar aí no meio dessa galera.
voto: Hurtmold
palpite: Loteria. Hurtmold

Eletrônica
Boss in Drama, Database, Mixhell, N.A.SA. e The Twelves
voto: Boss in Drama. Ajudemos os curitibanos, de novo. Vai lá, Péricles.
palpite: Loteria também. The Twelves.

Artista Internacioanal
Arctic Monkeys, Beyoncé, Black Eyed Peas, Britney Spears, Franz Ferdinand, Green Day, Katy Perry, Kings of Leon, Lady Gaga e Lily Allen
voto: Arctic Monkeys, o álbum novo deles está muito bom. Mas tive que me segurar pra não votar na Lady Gaga só por diversão, hehe.
palpite: Katy Perry.

Ufa, pronto. Toda esse negócio é pra te dizer que a MTV está tentando agradar a gregos e a troianos. E está conseguindo, pelo jeito. Há as categorias das majors e do grande público (Artista e Hit do ano, Pop, Rock e outras) e há as categorias da galerinha que tá antenada (Melhor show, Filme, Rock alternativo e MPB, por exemplo). Ou seja, ficaremos menos com aquele sentimento de "palhaçada!" que sentíamos depois do anúncio de todos os vencedores.

Ressalto também essa minha teoria de que a MTV sabia muito bem que antes passava um monte de porcaria na programação e que agora, com a consolidação de novas bandas boas sempre surgindo através da internet, ela está bem interessada em levar até o seu grande público a música de qualidade. Só que é aquele negócio que eu já falei, não dá pra largar o esquemão de uma hora pra outra. Tem que ser aos poucos. E isso, na minha modesta opinião, ela tem feito com maestria. Mas chega.

Vai lá e vota. Mas com sabedoria.

----------

Não tem como evitar o auto-comentário a respeito das Grandes Reportagens. O post anterior teve bons resultados. A visitação esteve bem acima da média e o pessoal comentou bastante. Tivemos também repercussões agradáveis em dois blogs vizinhos, o Subtropicália e o In New Music We Trust. Por essas coisas você já pode saber que a primeira dessas reportagens, como "episódio piloto", foi muitíssimo bem em seu caráter pilotístico e a série continuará. Se tudo correr bem, a próxima edição sai no final de setembro. Mas pode sair antes. Então fique ligado aí.

Agradecimentos efusivos com aquele sorrisinho agradável para quem repercutiu, para o pessoal que comentou e para quem veio até aqui e leu o texto todo. Legal.

----------

Enquanto esse post era escrito, um cara jamaicano chamado Usain Bolt percorreu com as próprias pernas 100 metros em 9 segundos e 58 centésimos. Veja bem. Tente entender. O que são 100 metros em 9.58 segundos?

Ano passado eu tinha achado que era doping. Mas essa tarde mudei de opinião: não era doping coisa nenhuma, o caso é de falha na Matrix. Esse rapaz aí tem um código diferente.

----------

Vamos fazer um bolão? Dê aí seus palpites para o VMB 2009. Depois a gente anota os pontos e faz uma competiçãozinha. Quem ganhar, vence. Eu tenho quase certeza que vou errar no mínimo 80% do que chutei, mas vamos lá. Estou te esperando.

----------

07/08/2009

Grandes Reportagens: Sabonetes



A pista está cheia. Mesmo sendo uma quinta-feira, muita gente veio ao show. Pouco depois das 23h15 a música ambiente para e um loop de Descontrolada sai das caixas de som anunciando que os Sabonetes estão subindo ao palco. A pista vibra, Artur faz as saudações iniciais ao público e logo depois a banda começa tocando a mesma música do loop. A platéia agora dança da maneira mais solta possível ao som de um dos rocks mais dançantes feitos em Curitiba nos últimos anos.

Os coloridos holofotes durante todo o show priorizam a figura de Artur Roman (Tuzi, como o vocalista e guitarrista é conhecido entre os amigos). De cabelo loiro estrategicamente desarrumado, barba mal feita, olhos claros e bem vestido, ele chama a atenção para si, claramente exercendo o papel de galã em cima do palco. Quem confirma a tese são as várias garotas bem-produzidas que no gargarejo dançam loucamente enquanto cantam toda a letra, sempre olhando para Artur, que por sua vez reitera a posição de galã ao olhar apenas para o longe. O local é o James, a balada alternativa mais concorrida da cidade e que aos sábados conserva filas enormes para fora até altas horas da fria madrugada curitibana. Nas quintas-feiras o local fica bem mais tranqüilo, mas Descontrolada é música que pode perfeitamente ser tocada na abarrotada pista de dança das noites de sábado.

Depois de Artur, quem recebe mais atenção das luzes é o baixista Rodrigo Lemos, ex-vocalista da Poléxia, expressiva banda do cenário local que no começo do ano lançou o marcante álbum A Força do Hábito, pouco tempo antes de encerrar suas atividades. Algumas semanas depois daquele show Lemos também sairia do Sabonetes e abriria espaço para que João Davi (ex-Gianninis e Mordida) se tornasse o novo responsável pelos graves do grupo. Atrás, iluminado por enfraquecidos holofotes ora amarelos ora azulados, está o baterista Cajinha, que o tempo todo balança o corpo enquanto mantém o ritmo e não deixa a festa desandar. Um sorriso presente durante quase toda a apresentação transparece o prazer de tocar com grandes amigos a música que gosta para um público empolgado.

ao fundo, Rodrigo Lemos

Do outro lado do palco, sempre no escuro e vindo às luzes somente para os backings ou algum acerto nos pedais de sua epiphone semiacústica, fica o cabeludo Wonder Bettin, aparentemente um dos cérebros da banda. Foi ele quem me recebeu na Bolha numa tarde ensolarada de sexta-feira para uma entrevista de mais ou menos uma hora.

Bolha é o nome carinhoso dado a uma pequena casa de madeira construída a poucos metros do Jardim Botânico, localizada em bairro residencial tranqüilo e aconchegante. Da esquina onde fica a casa é possível avistar os verdes gramados do Jardim e o seu famoso domo de vidro, cartão postal definitivo de Curitiba. É nesse ambiente que há pouco mais de um ano o grupo resolveu se instalar, passando a ter o seu próprio local de ensaio e residência. Agora os cachorros da vizinhança – que vez ou outra resolvem latir todos juntos – não seriam mais os únicos grandes ruidosos das redondezas.

Ainda quando Salim, o primeiro baixista da banda, fazia parte do time, os quatro sabonetes decidiram morar juntos para adquirir mais entrosamento tanto cotidiana quanto musicalmente. Talvez até psicologicamente. Fato é que, depois de alguns meses de convívio ininterrupto sem qualquer confusão relevante, eles estão mais entrosados do que nunca. “Por questões pessoais, a banda não tem o que temer. A gente convive demais junto e se fosse pra dar errado, já teria dado”, diz Wonder.

Wonder e Cajinha

Para o pop soar bem

Se uma pessoa que costumava ir às apresentações do Sabonetes nos idos de 2005 e 2006 viajasse, ficasse fora por alguns anos, voltasse hoje e para matar as saudades fosse a um show deles, estranharia. O grupo antes era mais cru em suas composições, trazendo ao público um rock direto, com poucos efeitos. Quem visitava o Myspace da banda escutava músicas como Aurora, Se não der não deu e Mistérios, composições que puxavam para o estilo Franz Ferdinand de botar todo mundo pra dançar: as duas guitarras conversando entre si, riffs com tempos quebrados e refrões que pareciam estrategicamente feitos para todo mundo cantar em apertados shows de inferninhos foram algumas das armas que ajudaram o Sabonetes a estabelecer seu nome no cenário da cidade.

Nessas ocasiões, Se não der não deu era atração curiosa: depois de uma canção que aliava muito bem letra e melodia para emocionar quem a ouvia, se o bar estivesse cheio, os amigos e simpatizantes sempre gritariam “Salim! Salim!” antes do fim da música, homenageando a figura tímida do baixista imóvel. “Uma figura estática no palco, não soltava um pio, [ele] era sempre obrigado e requisitado a cantar a última frase de Se não der não deu”, afirma Wonder. Tudo brincadeira entre amigos.

show no apertado e extinto Korova

De lá para cá, a banda ganhou alguns anos de vida e o som começou a mudar. O indie-rock vibrante começou a ser deixado de lado e o grupo passou a remar calmamente em direção aos lados do pop sem, no entanto, mergulhar nele de cabeça. Depois de um percurso tranqüilo, percorrido sem pressa, o Sabonetes foi desaguar em rio de afluentes distintos: de um lado, músicas calmas, de letras e riffs sinceros e singelos, construídos de maneira a buscar a melhor sonância possível (vide Marcapágina e Quando ela tira o vestido); do outro, a antiga veia dançante presente em músicas feitas para serem apreciadas não mais em inferninhos, mas em pistas de dança.

A mistura (temperada com a boa imagem dos quatro integrantes do grupo) é potente a ponto de botar em fervor garotas entre os dezoito e os vinte e poucos anos de idade, que nos shows cantam gritando todas as músicas e dançam freneticamente nos números mais agitados – Descontrolada parece ter sido feito para elas. Mas o público alvo não engloba apenas estas: vai além e se estende até a faixa das que estão na pré-adolescência, vide letras sugestivas a respeito de primeiros encontros e relacionamentos casuais tranquilos. Com tanto esmero musical e apelo emotivo simples (que passa longe das sombras do emo), o Sabonetes só não explodiu no mainstream ainda porque as gravadoras estão perdidas. Talvez seja apenas questão de tempo.

Mallu Magalhães e o marketing de Descontrolada

Marco científico da mudança no estilo do som é o lançamento do EP Descontrolada, em maio de 2008. Os fãs agora podiam ir ao myspace da banda e conferir as novas Hora de Partir, Quando ela tira o vestido e a faixa-título, bem diferentes das músicas que antes estavam lá.

O que chamou a atenção foi a idéia de convidar Tomás Magno (produtor que trabalhou com inúmeros artistas nacionais reconhecidos, como O Rappa, Marisa Monte, Raimundos e outros) para produzir o EP. A inspiração veio do Terminal Guadalupe, a pioneira da atual fase “profissional” das bandas independentes curitibanas: o mesmo Tomás ouviu a banda de Dary Júnior e resolveu produzi-la. O resultado foi o álbum A Marcha dos Invisíveis, de qualidade técnica superior ao que vinha sendo apresentado pelos roqueiros de Curitiba até então e que fez os olhos dos sabonetes brilharem. O contato foi feito e, tempos depois, Tomás desembarcou em Curitiba para a pré-produção. Vieram à luz três músicas polidas e profissionalmente acabadas: Quando ela tira o vestido – agora mais eletrônica e rebuscada do que antes –, a pop Hora de Partir e Descontrolada, filha-prodígio, nascida espontaneamente no último dia da pré-produção (curiosamente na ausência de Magno), que foi o motivo das aparições do Sabonetes em diversas mídias especializadas, como Rolling Stone, Trama Virtual e Folha de S. Paulo. Flores também estava prevista, mas o resultado final não agradou ao grupo, que acabou deixando-a de lado.

Findas todas as gravações, mixagens e masterizações, restava lançar o EP. Tinha que ser uma festa grande, de maneira que a divulgação fosse imediata. Eis que surge na cabeça da produtora Andy, responsável pela organização dos shows da banda, a idéia de conseguir arranjar uma apresentação em Curitiba da na época recém-hype Mallu Magalhães e botar o Sabonetes como banda de abertura, lançando o EP. O bar lotaria de gente interessada em ver a primeira aparição de Mallu na cidade e o quarteto aproveitaria o público em grande número para divulgar o registro. “A gente pegou um timing perfeito: antes do show dela ficar inacessível pra gente e logo após ela ter caído na mídia”, diz Wonder.


Andy mexeu alguns pauzinhos, conseguiu uma data na cada vez mais apertada agenda da garota e no dia 30 de maio de 2008 o fenômeno teen se apresentou no palco do Jokers Pub, lotado. “Teve uma lotação de 600 pessoas e ficou muita gente pra fora. Foi incrível mesmo”, Wonder se orgulha. De quebra, ainda viraram amigos da menina e de sua banda: Kadu Abecassis, o guitarrista, fez amizade com os rapazes; o baterista Jorge Moreira emprestou pratos para Cajinha gravar algumas linhas no álbum de estreia do Sabonetes; eles até almoçaram com a mãe de Mallu, que veio junto com ela para o evento.

Tentando flutuar

A boa repercussão de Descontrolada deu meios para que o Sabonetes fizesse shows em ritmo frenético com direito a cachês um pouco melhores. O trabalho intenso permitiu que, mesmo em curto espaço de tempo desde o lançamento do EP, a banda acumulasse fundos suficientes para que o plano da gravação do desejado primeiro álbum deixasse de ser apenas um plano.

Novamente, Tomás Magno foi chamado para a produção. Para as gravações, o grupo passou alguns finais de semana internado em três estúdios diferentes: na famosa Toca do Bandido (do falecido Tom Capone, do qual Magno era assistente), no Rio de Janeiro, para o registro das linhas de baixo e bateria; no Ferradura (ao lado da casa de Magno) e no Máfia do Dendê (do qual Magno é dono), ambos em São Paulo, para gravar as guitarras, vozes e efeitos. Finalizado quase todo o processo, o grupo agora aguarda apenas o disco físico ficar pronto. E o resultado parece ter agradado. "Tudo que a gente faz hoje, a gente conseguiu colocar no disco de uma forma legal", diz Tuzi. "E a gente ficou muito feliz, ficou super foda o disco, a gente está bem realizado e espera que as pessoas gostem". O lançamento está previsto para meados de setembro.

Tuzi e bolhas de sabão

A Bolha agora está ficando para trás. Com o álbum na mão, o grupo está de mudança para São Paulo, na tentativa de alçar voos maiores. Talvez não voos, mas flutuações tranquilas, como flutuaram as inúmeras bolhas de sabão que surgiram no bar quando a banda tocou Marcapágina na noite daquela quinta-feira: calmas e suaves, elas de repente se espalharam por todo o ambiente, deliciando as pessoas enquanto música muito agradável saía das caixas de som. Os sabonetes tentarão flutuar até algum ponto mais próximo do sucesso enquanto deliciam quem ouve suas músicas.

A Bolha não mais será ruidosa durante as tardes de ensaio; de barulhentos, o tranqüilo bairro residencial ficará apenas com os cachorros da vizinhança. E Curitiba ficará com um álbum que está prometendo. Tanto que eles até brincam. Se para o show de lançamento do EP eles chamaram a Mallu Magalhães, quem vem para a festa do disco? “Rolling Stones”, Wonder responde rindo.

----------

Sabe quando você está lá, assistindo um DVD gostoso no conforto do seu sofá, e depois que acaba o filme você quer continuar no clima? Aí você vai lá, bota nos extras e começa a assistir a entrevista com o diretor do filme, com os atores, até com o cara que só fica segurando o cabo? O Defenestrando é assim também: pra você que depois de tudo isso ainda não ficou satisfeito de Sabonetes, na Comunidade Defenestrada tem alguns trechos das entrevistas que fiz com o Wonder e com o Artur. Vai lá.

----------

02/08/2009

sobre as Grandes Reportagens


Sexta-feira que vem é dia de premiére aqui no Defenestrando. É o dia da estreia das Grandes Reportagens.


No post do dia 7 de agosto quem estará em evidência por aqui é o Sabonetes. Mas o que raios são essas Grandes Reportagens?, se pergunta o leitor confuso.

Vamos começar do começo: você já leu em blogs, já leu em jornais, já viu na MTV, já escutou no rádio. A cena do rock independente de qualidade está borbulhando em Curitiba (digo "de qualidade" porque ainda tem muita gente que quando lê o termo "rock independente", acha que é a respeito de hardcore). O cenário é expressivo há um bom tempo, pelo que dizem, mas há cerca de mais ou menos dois anos é que o negócio começou a esquentar: desde lá, cada vez mais bandas resolveram se dedicar à sua música com mais afinco e um número crescente de grupos está procurando registrar suas canções de maneira mais profissional; criações de qualidade estão brotando em cada esquina. Tais fatores e muitos outros desencadeiam efeito dominó: uma pessoa ouve ou vê em ação uma banda que faz um bom trabalho, se entusiasma e resolve montar o seu próprio grupo, que se também fizer um bom trabalho entusiasmará outras pessoas, e o negócio, se funciona, tende ao infinito. Até que as ideias ou a vontade um dia acabem.

Je rêve de toi @ Rock de Inverno 7, 25/07/09

O resultado só pode ser a efervescência. Adoro esse termo. São Paulo e outras cidades já têm se virado para cá com bons olhos e ouvidos, vide a mídia que volta e meia está publicando alguma coisa sobre alguma banda daqui. Abri a Rolling Stone de junho e estava lá uma nota sobre O Lendário Chucrobillyman. O ruído/mm foi resenhado no mega portal indie/site de referência Pitchfork. O ascendente Copacabana Club está em vinheta da Fox que passa em toda a América Latina, aparece direto na Mtv e só está esperando o momento certo para ir tocar na Europa e Estados Unidos e explodir por aqueles lados, a exemplo do Bonde do Rolê (que é outra história, eu sei). A paulistana Agência Alavanca promoveu em janeiro do presente ano o festival Curitiba vai pro inferno, levando ao emblemático Inferno Club (sito à Rua Augusta e com bom público na ocasião), além dos já citados Ruído e Copacabana, Sabonetes e Heitor e Banda Gentileza, constantes frequentadores de artigos que saem por aí. A Trama Virtual tempos atrás publicou a série Preview Curitiba, na qual diariamente destacava uma banda diferente na sua página principal.

Curitiba vai pro inferno. Divulgação

Temos os casos peculiares das duplinhas alternativas Je Rêve de Toi e Rosie and Me; temos ainda o Charme Chulo, rock caipira de cidade grande; tínhamos a Poléxia; também não dá pra esquecer da Relespública. E esses são apenas alguns dos nomes mais falados. Tem ainda muita coisa boa menos conhecida por baixo disso tudo e que valeria a pena citar por aqui, não fosse o alongamento excessivo do post.

Relespública. Divulgação

Vendo tudo isso, o Defenestrando fica animado e se sente na obrigação de participar do processo. Botando em evidência bandas de qualidade, elas talvez ganhem um pouco mais da notoriedade que merecem e recebam ares de importância. Engrandece-se a banda, claro, mas também se contribui para que o ambiente todo fique melhor. Outros grupos irão querer ser engrandecidos também (e se esforçarão para isso), com sorte por outros blogs que igualmente queiram fazê-lo. Progressão Geométrica, saca?

O meio que encontrei para contribuir foi a única coisa que sei fazer menos mal: estes textos meio tortos. Fascinado que sou pelas extensas reportagens da Rolling Stone (e jornais culturais afins), que preferem a análise da celebridade como pessoa e não como mera celebridade, priorizando não só os bastidores mas também o lado psicológico do retratado, resolvi fazer o mesmo. Ou algo parecido.

Então "Grandes Reportagens" será uma série de reportagens com as bandas curitibanas mais relevantes do momento. Qualidades e defeitos, vícios e virtudes, momentos sérios e piadas internas. Tudo isso e ainda mais procuraremos retratar, buscando sempre a maior fidelidade e transparência possíveis.

Como nunca tinha feito nada do gênero, precisava de uma cobaia. Por fatores de proximidade, escolhi o Sabonetes (link para o Myspace lá em cima), que foi o alvo do "piloto" das Grandes Reportagens. E como piloto, entenda-se que será um teste: publicaremos a primeira, veremos a reação das pessoas, contaremos a audiência, testaremos jogadas de marketing e aí decidiremos se a série receberá mais investimentos ou não. Mas ela deve continuar sim, não se procupe.

Então é isso. Agora você já sabe o que são as Grandes Reportagens. O que você não sabe é que tem até trailer. Ou teaser. Prefiro teaser.





Tá?

Então você já sabe qual endereço digitar no seu browser dia 7 de agosto. Não se esqueça. É nessa sexta agora.

----------