20/07/2009

Rita Hayworth e o fiasco do Expressões Oi



Acho que esta é a primeira vez que as férias rendem alguma coisa. Contatos musicais e encontros com amigos e aniversários e essa coisa toda, fora o infindável barulho do teclado sendo digitado. Mesmo com o cronograma apertado por causa da estreia próxima da primeira das Grandes Reportagens, a Redação Defenestrada se empenhou em escrever mais um post para que os amados leitores não ficassem sem ter o que ler. Vamos aos fatos:

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Antes, a Música Boa da Quinzena. O que temos aqui para te mostar é a Rita Hayworth cantando Put the Blame on Mame, na sensacional cena de strip-tease do filme Gilda (1946), marco do cinema noir. A beldade só tira a luva direita, mas foi o suficiente para o trecho entrar para a história de Hollywood. Saca só:



Put the blame on Mame, boy.

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Agora sim:

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Aconteceu nesse domingo (19) a edição curitibana do Expressões Oi. Durante toda a tarde de ontem o público em geral pôde acompanhar expressões humanas (significando o que isso signifique) tais como artes visuais, performáticas e música. Tudo era de graça e acontecia em 5 pontos diferentes da cidade, como o Parque São Lourenço ou as ruínas do São Francisco.

O Defenestrando escolheu a praça 29 de março (que aposto que muita gente nem sabe que existe) para montar seu acampamento e passar a tarde conhecendo um pouco mais do que é produzido à noite nos subterrâneos da capital mais fria do país.

Aliás, ótima oportunidade de ver essas bandas em ação durante o dia, ao ar livre, sem cheiro de cigarro e sem volume alto destruindo a audição. Seria um ótimo programa para toda a família, não fosse o frio e a péssima organização. Trataremos disso mais para a frente.

Cheguei pelas 14h ao local, tarde demais para assistir a Yoko Five e aos Terribiles, ambos objetos de curiosidade deste blogueiro. Àquela hora os Cacofônicos (myspace) já estavam fazendo seu barulho: a banda se vestia de uma maneira que procurava misturar Jota Quest a qualquer coisa indie, e as músicas seguiam a mesma linha. De vez em quando o som até ficava parecido com o do Dissonantes -- apesar do nome, ambos procuram fazer tudo soar certinho. Só no final é que se pôde ouvir alguns rockzinhos mais dançantes, mas foi só. O público na hora era formado basicamente por conhecidos da banda e alguns manos curiosos, mais algumas famílias que passeavam pela praça.

Após, começou o baile da organização: subiu ao palco o Mordida (myspace), depois de um bom tempo de intervalo entre as duas bandas. O engraçado é que o Mordida não estava na programação do evento divulgada em anúncio de página inteira no Caderno G da Gazeta do Povo, muito menos na programação oficial que estava estampada do lado do palco. Mas parece que no site isso estava anunciado, já que muita gente veio à praça só pra ver a banda, só que no horário errado: o Mordida tocou bem antes da hora prevista, de modo que muita gente que veio no horário "certo" perdeu o show.

O show em si foi bom: o Mordida já é banda conhecida no cenário local, e talvez por isso tenha se sentido no direito de tocar bem mais do que os 30 minutos previstos. O som em sim é todo ensaiadinho, soando bem e agradável. Rockzinho à la anos 60-70 com direito a backings em falsete em quase todas as músicas. Foi o maior público da tarde, com direito a presença (ilustre?) de Ivo Rodrigues, o vocalista da banda-dinossauro curitibana Blindagem e único espectador que pôde sentar em uma cadeira de plástico durante toda a tarde.

Depois veio o power trio feminino Mixtape, banda que já tem mais de 450 mil reproduções no seu myspace. As garotas variam do hardcore ao indie-rock e pop, passando por covers de Marilyn Manson e Cranberries. Curioso foi ver que, em frente ao palco, dividindo espaço com um fã clube que aparentava ser bem fiel, assistiam ao show alguns maloqueiros, estáticos. De braços cruzados, apenas parados, pareciam tentar entender o que que eram aquelas adolescentes fazendo som pesado; eu do outro lado tentava entender o que que eram aqueles maloqueiros tentando entender aquelas adolescentes. Outra coisa no mínimo curiosa foi a vocalista anunciando que a festa de lançamento do recém-gravado primeiro disco da banda será dia 16 de agosto no Castelinho do Batel.

[pigarro]

Tá?

A penúltima atração foi o pessoal do Heitor e Banda Gentileza (myspace), que subiu ao palco um pouco menos do que uma hora antes do previsto. Som completamente diferente a cada música: os caras passeiam pelo samba, por um rock-valsa e pelo leste europeu sem se perder, sempre com algum integrante da banda trocando de instrumento. Talvez a melhor presença de palco da tarde. O público na hora já tinha diminuído razoavelmente, ao contrário do vento frio, a cada momento mais presente. Fora outro baile, dessa vez do técnico responsável pela mesa de som, que entre outras mancadas deixou no final a voz do backing bem mais alta do que a voz principal.

A última do dia foi Nevilton (myspace), que tocou quando a noite começava a cair. Vi pouco do show, mas foi o suficiente para sacar que o trio também tem sensacional presença de palco. Que o diga o guitarrista que dá nome a banda, que não hesita em dançar, saltar e fazer solos bacanas, tudo isso enquanto canta. Na verdade eu já tinha assistido eles há alguns anos atrás, quando ainda formavam quarteto chamado Superlego; o som já chamava atenção e fazia o pessoal balançar a cabeça. Os caras tão ficando cada vez mais falados nos blogs e sites e afins, e toda vez que vão tocar em São Paulo, Curitiba ou qualquer outra cidade, têm que sair láá de Umuarama, que é de onde são, e pegar algumas razoáveis horas de estrada.

Fora isso, estavam escalados para também tocar no local o Wolf Attack, o Sebastião Estiva e a Inimitável Fábrica de Jipes. Estava curioso para conferir esse pessoal, mas não houve no entanto nem menção a tais nomes no evento. Simplesmente não tocaram e ninguém avisou nada. Sem contar os horários totalmente confusos. Não sei como que foram os shows nos outros lugares, mas ficam aí os meus parabéns à Oi pela sensacional organização do evento.

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No burburinho que costuma ser o twitter nas manhãs de segunda-feira, o jornalista Guga Azevedo fez a seguinte pergunta ao pessoal do Charme Chulo, que tocou ontem nas ruínas de São Francisco:

@CharmeChulo procede aquela declaração FODA que o Igor fez no final do show de vcs ontem... sobre a Oi ficar bem rica e tal...? =p (aqui)

...ao que foi prontamente respondido pela própria banda:

@gugaazevedo Sim senhor! Palavras do Igor em alto e bom ton "Espero que a Oi fique bem rica e pague todos os artistas da próxima vez" (aqui)

Adoro.

(pra quem não sabe, Igor é o divertido vocalista do Charme Chulo)

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...no castelinho do batel??

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Muitíssimo obrigado ao Enio, à Marilia e ao Carlos Wagner, do blog Coutinho Sagrada e campos, por terem comentado no último post contando suas versões a respeito do Los Hermanos. Contribuições são sempre bem vindas.


Fique aí, que o fim de julho se aproxima. E aí eu vou te contar uma coisa.


17/07/2009

Sobre ter sido fã


Por esses dias eu estava precisando lavar a louça. E como ninguém é de ferro, eu queria fazer o serviço enquanto cantava alguma coisa junto. Peguei o Ventura, do Los Hermanos, botei no aparelho de som, apertei o play e comecei.

Como sou pessoa dessas que viajam enquanto lavam a louça (mesmo cantando), de repente me vi lembrando de várias situações que envolviam a vida particular deste que vos escreve e a banda em questão. Hoje, já vencido os status de fã inveterado e de fã apenas, faço um relato, possivelmente em ordem cronológica, das minhas lembranças mais relevantes que dizem respeito a este que deve ter sido o maior grupo brasileiro dos anos 2000. Se ajeite aí na sua cadeira que a história é comprida.

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Conheci a banda através de Anna Júlia, óbvio. Tinha sete anos na época. A primeira imagem que tenho é deles tocando no programa da Eliana, numa manhã de férias em que eu jogava futebol na sala com a televisão ligada. A Eliana àquela época ainda apresentava programas infantis; deve ter sido engraçado ver aqueles rapazotes (tinham 20 ou 21 anos quando Anna Júlia estourou) tocando para uma plateia de não mais do que 30 crianças, todas com a mesma idade que eu tinha.

Pouco tempo depois eu sabia a letra de Anna Júlia de cor, mas é claro que depois que a música parou de tocar em todos os lugares, esqueci. Foi mais tarde que veio meu irmão com uma fitinha k7 do primeiro disco deles. Não achava nada demais naquele lovecore que eram as outras músicas do Los Hermanos, mas de tanto que meus dois irmãos ouviam, comecei a ficar com elas na cabeça.

Em 2001 saiu o Bloco do Eu Sozinho. Disco difícil, você sabe. Mas os meus irmãos continuaram ouvindo loucamente. Comecei a entrar na do disco acho que só um ano depois, mais ou menos, só porque no carro do meu pai tinha uma outra fita com o Bloco gravado. Tocava todas as vezes que íamos de Curitiba à Joinville, quase que semanalmente, tanto na ida quanto na volta. Fui virando fã aos poucos, já estava decorando as letras. Veja bem, comecei a virar fã quando tinha dez anos. Mas nem estava ligado nas coisas ainda. Estava mais era preocupado com a quarta série, ano difícil.

O negócio piorou mesmo foi 2003, quando saiu o Ventura, aquele que é o disco "nem para lá, nem para cá". O meio termo entre os dois discos anteriores, que significava músicas de mais fácil digestão mas nem por isso de menos qualidade, encaminhou este que vos escreve para os obscuros lados da fãzice inveterada. Ainda lembro de entrar no site do Los Hermanos e escutar Cara Estranho antes do lançamento oficial do álbum e estranhar, assim como estranharia todo o resto do disco depois. Mas eu continuaria a ouvir, iria me acostumar e passaria a adorar todas as músicas. Acabou que ali por volta de 2004 eu tinha virado daqueles fãs idiotas, e tentava fazer todos ao meu redor (principalmente amigos) ouvir e, pior, adorar qualquer música dos cariocas.

Mas quebrava a cara. À época eu estava na sétima série e estudava num colégio bem "particular" de Curitiba. E Charlie Brown Júnior estava no ápice de seu sucesso. Imagina. Quando falava que gostava de Los Hermanos, meus amigos faziam cara feia. Alguns ficavam até espantados, como se fosse algo desumano gostar de músicas tão ruins. Eram todos uns bobões, pensava eu. E foi bem por aí que comecei a desenvolver o hábito de odiar quem odiava o Los Hermanos, coisa de fã chatíssimo. Odiava todos os meus amigos, por tabela. Mas é claro, isso só quando o assunto era música. No resto do tempo todo mundo era brother.

Camelo na época em que foi agredido pelo Chorão. Foto: aqui

Com 13 anos, não podia ir aos shows. Via meus irmãos indo em todos as apresentações deles aqui e ficava com uma dor grande no coração. Só me restava alguma gravação emprestada de alguma coisa que passasse na mtv, já que ainda não existia o youtube para poder ver gravações de shows eventuais deles em qualquer lugar, e já que não pegava mtv na televisão de casa.

Foi quase uma benção quando me contaram que ia ter um pocket show do Los Hermanos na Fnac. Ia ser a minha oportunidade de finalmente ver os caras ao vivo na minha frente, fazendo um som. No dia, chegamos cedo e o local já estava abarrotado de gente. Consegui chegar do lado do palco e o Amarante ficou ali, a meio metro de distância. Eu não conseguia acreditar. Tocaram só umas oito músicas, mas eu mal dormi aquela noite.

A foto é gentilmente roubada do álbum do Enio

Em 2005 lançaram o 4, o último e de longe o mais estranho disco de estúdio do grupo. Algumas semanas depois eles vieram fazer show de lançamento no Guairão, lotado na ocasião. Conseguiria vê-los em ação mais uma vez, agora em show integral, não em versão pocket-show reduzida. Foi emocionante não só ver ao vivo a banda que mais gostava, mas ver o teatro inteiro em pé cantando todas as músicas, mesmo o álbum tendo sido lançado poucas semanas antes. Outra noite mal dormida.

2006 foi o auge da fãzice inverterada. Com 15 anos já tinha alguma altura e idade passíveis de poder ir em algum show "regular", que não fosse de teatro nem pocket-show. Pois bem. Em maio daquele ano, cinco dias antes do meu aniversário, eles vieram tocar no Curitiba Master Hall. Fui até certificar autorização dos pais em cartório, para não ter risco de não entrar. Na hora do show a casa estava lotada, então não consegui enxergar nada que estivesse em cima do palco. Mas a sensação de pular junto com a massa em Todo Carnaval Tem Seu Fim foi inigualável. Mais uma noite mal dormida.

Algum desses é o meu braço

No final do mesmo ano, eles voltaram para mais duas apresentações no Guairão, agora pelo Circuito Cultural Banco do Brasil. Com direito a Mombojó (no início do seu hype) como banda de abertura e preço de banana: a meia-entrada estava R$7,50 para cada uma das apresentações. Chance de ouro. Até comprei serpentina para jogar no carnaval.

A alegria se completou quando eu e mais um pessoal resolvemos tentar entrar no camarim depois do segundo show. Após muita encheção de saco nossa em cima dos seguranças e algumas voltas pelos corredores complicados pelo complexo do Teatro Guaíra, fomos parar na porta do camarim. Eu não consegui entrar, mas volta e meia algum hermano saía, passava pelo corredor e aí dava pra dar uma conversada. Assim, vencendo a timidez, tive a oportunidade de trocar uma ideia rápida com um Camelo de saco cheio e cara fechada, com um Amarante cansadaço mas atencioso com os fãs e de bom humor, com um Barba feliz da vida, e com um Medina que saiu do teatro poucos minutos após o show. Fora os caras do mombojó.

Felipe não cabendo em si de alegria e Camelo não cabendo em si de tão cheio que seu saco estava

Após isso, a sensação foi de dever cumprido. Tinha chegado no ponto máximo que um fã "saudável" poderia chegar: sabia de cor quase todas as letras de todos os quatro discos; vi show na primeira fila; falei com eles pessoalmente; consegui autógrafos. Não há porque ir além. Meio que satisfeito, o interesse começou a diminuir.

2007 seria ano de disco novo, na lógica do "a cada 2 anos, novo álbum" (Los Hermanos foi lançado em 99; o Bloco, em 2001; Ventura em 2003 e o 4 em 2005), mas eles se enrolaram para ir para o sítio ou entrar em estúdio. "Aí tem coisa", pensei. Até que saiu o comunicado dizendo que eles parariam por tempo indeterminado. Aí o resto da história você sabe.

Por essa época que aconteceu a popularização extrema do Los Hermanos, acho. As músicas mais simpáticas do 4, como Paquetá, O Vento e Morena começaram a tocar em todo lugar (até novela) e cada vez mais gente começou a gostar, virar fã, mesmo após o fim da banda. Antes não, se à época do Ventura alguma música deles tocava numa rádio "boa", comemorava junto, "os caras tão virando populares", parecia uma vitória para mim que outras pessoas também estivessem gostando da banda.

No começo de 2009 a coisa já era completamente diferente. Percebeu-se pela quantidade de outdoors espalhados pela cidade anunciando que o Multishow iria transmitir ao vivo o show de reunião do grupo, como atração de abertura para os shows de Kraftwerk e Radiohead. Estive em São Paulo para ver esse show, mas o que me chamou a atenção é que o Los Hermanos junto não funciona mais. A relação Camelo-Amarante em cima do palco agora parece ser esquisita, incompatível, ou esgotada.

foto: aqui

Acho que fizeram bem em terminar a banda antes que brigassem e qualquer coisa negativa repercutisse na mídia. Fez bem para engrandecer o status da banda e deve ter feito mais discos serem vendidos.

Mas chega. Foi basicamente essa a minha viagem pelas lembranças hermaníacas que fiz enquanto lavava a louça. Nem sei se alguém vai ter saco de ler essa porcaria sentimental toda, mas enfim.

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Se você leu isso tudo, primeiramente obrigado por ter perdido uns dez minutos de sua vida aqui. Você não sabe o tempo que levei para escrever esse texto; é bom ter alguém nos lendo.

Segundamente, fique atento: vem aí a estreia das Grandes Reportagens. No final de julho/começo de agosto deve pintar por aqui um texto (bem melhor que o sentimentalismo trash acima) que irá dissecar os Sabonetes, banda prodígio daqui dos pinheirais. Trata-se de uma série de frequência (teoricamente) mensal que no decorrer do segundo semestre desviará as atenções dos amados leitores para as mais notáveis bandas curitibanas do momento, através de esforçadas reportagens de caráter sempre científico e/ou jornalístico.

Além do Sabonetes, Copacabana Club, Ruído/mm e Relespública deverão ser retratados por aqui. Penso em mais uma banda ainda, mas não sei qual. Você pode sugerir nos comentários.

Mas calma, que você vai ficar sabendo de tudo. Fica tranquilo aí.


07/07/2009

Mal Estar Card / Vois Sur Ton Chemin


Milhares de semanas sem post. E encerramos o mês de junho com um post apenas, recorde negativo. Mas explico: isso é tudo culpa da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e do seu terrível final de semestre. Se não me perdi nos cálculos, tive cinco provas complicadas e apresentação de três trabalhos em uns sete ou oito dias. Fora o exame final desgraçado de Filosofia Geral que aconteceu sexta passada.

Mas vem cá, quem que é doido de estudar Letras numa Universidade TECNOLÓGICA? Sensacional, isso parece ideia de jerico. Mas vamos lá.

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Música Boa da Quinzena

Sim, o quadro voltou (como prometido), mas não na frequência quinzenal propriamente dita (como também foi prometido). Enfim. A canção que trouxemos até você hoje é a sensacional Mal Estar Card, do Curumin. Música nenhum pouco nova, é verdade, mas vale a recomendação.

Sambinha eletrônico da melhor qualidade, muito suíngado. Se você está no clima, ao ouvir a música você abre um sorrisão e fica com vontade de dançar. A letra fala com muito bom humor do pessoal que enriquece fácil com o dinheiro dos outros, sem cair naquela chatice das músicas sérias de protesto. "Cadê minha fatia do filé-é-é? O osso é duro de roê-ê-ê" canta Curumin no refrão. Fora o animado "divide o dim, divide o dim dim dim" ao final, que não deixa ninguém esquecer que estamos tratando de um samba, mas também de um protesto.

Divulgação

Aí embaixo tem o vídeo do Curumin e sua bandinha de apoio tocando no Trama Virtual, com uma estrevistazinha bem-humorada de bônus. (se você preferir, vá direto ao myspace do cara e escute a versão do disco). Saca só:



Espirituoso né? O disco inteiro (Japan Pop Show) é assim. O show dele também é assim. O Defenestrando esteve na apresentação dele em Curitiba, no último dia 9 de abril no Era só o que faltava, que na ocasião estava cheio. No final do show o pequeno palco estava abarrotado, já que Curumin tinha chamado a malemolente Anelis Assumpção (filha do Itamar, que tinha tocado antes), o André Abujamra (radicado em Curitiba e que estava no local prestigiando) e o Cristopher Lover (brother do Curumin, que inclusive faz várias participações no seu disco) para subir ao palco e balançar ao som de um sambinha divertido que a banda ia tirando. Coisa fina.

E ainda, naquela lista da Trama Virtual dos dez melhores álbuns nacionais de 2008 a que tanto me refiro aqui, o Japan Pop Show ficou em 3º. E aí, não obstante, você vai lá no myspace do cara e vê que ele tá cheio de shows marcados em turnês fora do Brasil. O material é bom.

Sacou?

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Agora vamos deixar o pop/hip-hop/samba/indie de lado para falar de alguma coisa mais decente familiarmente falando:

Coisa bacana que fiz nos últimos tempos foi entrar no coral da universidade. Ótima professora/regente, bom pianista, muitas gargalhadas e bastante gente disposta a soltar a voz para ver se a timidez diminui. Fora o repertório, que é bem bacana: uma divertida Pinga com Limão, de Wagner Franklin; uma de percussão corporal, Rock Trap; e tem a mais classuda, uma versão de Mamma Mia, do Abba, arranjada pela própria regente (aqui está o vídeo do nosso pessoal cantando em um ensaio. A qualidade do vídeo está ruim mas dá pra ter uma ideia boa).

Mas o que quero dizer aqui não é nem isso. É que passaram pra a gente cantar uma música chamada "Vois sur ton chemin", em bom francês. Como ninguém (nem mesmo a própria regente?) sabe falar francês no coral, colocaram na comunidade do orkut um link para um coral infantil (infanto-juvenil?) francês cantando a música original, que era pra gente ir sacando como que é o negócio.

E aí eu abri o link. E aí eu fui parar nesse vídeo que está aí em baixo. Emocionei mais mesmo na parte do "e-le-ê", ali pelos 1:13. Dá uma olhada:



Sensacional. Olha como a vida fica bonita quando a gente ouve um coral bacana acompanhado acompanhado por uma orquestra legal.

Priscilla, a nossa regente, tinha dito pra gente que o coral aí de cima se chama Les Choristes, mas uma breve pesquisa na Wikipedia mostrou que na verdade Les Choristes é um drama francês, desses que em uma escola há um bando de alunos problemáticos e que após sucessivas tentativas falhas de melhoria no comportamento destes, um professor resolve montar um coral, e aí tudo acontece.

O coral verdadeiro, do vídeo que você viu ali em cima, na realidade se chama Les Petits Chanteurs de Saint-Marc, e eles que gravaram a trilha sonora do filme. E o negócio não é fraco. Diz a enciclopédia wiki que a rapaziada "recebe treinamento especial em teoria musical, harmonia, canto coral, música de câmara e mais". E treinam entre 6 e 8 horas por semana. (Daqui)

Legal hein? Já pensou você lá, com seus 10-11 anos ou menos, cantando em um coral bacana com uma orquestra atrás de você fazendo um puta acompanhamento? Então.

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Acho que é isso. Se tudo correr bem, no final de semana que vem temos post de novo, e o ritmo semanal costumeiro volta a prevalecer.

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Um post inteiro sem absolutamente uma letra sobre Michael Jackson. É isso aí. Resistimos.

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NOTA: a pesquisa Mapa Musical, desenvolvida pelo pessoal da Agência Alavanca e da Identidade Musical, encerra sua primeira etapa (que foca os blogueiros) dia 11, sábado agora. Então, se por um acaso você é blogueiro, escreve alguma coisa sobre música independente no seu blog e ainda não ficou sabendo sobre essa pesquisa, vai lá. Ajude a gente a saber o que que está acontecendo com a nossa música.

Depois a pesquisa deve abrir para as próprias bandas e mais tarde para o público. E aí devo voltar a anuciar isso por aqui.