Pois bem, já faz tempo que eu tenho tentado fazer algum top 5, principalmente depois que eu assisiti o "Alta Fidelidade" de novo. Então me esforcei para pensar em algo decente e eis que, depois de anos sem nenhum "top qualquer coisa", o Defenestrando orgulhosamente traz até você a...
A Fabulosa Lista dos 5 Melhores Começos de Disco que eu Consegui Lembrar
Vamos deixar bem claro aqui que técnica é a última coisa que essa lista é. Veja bem, escolhi essas músicas todas em uns dois minutos, sem levar muito a sério critério algum, exceto a agradabilidade de cada um desses começos de disco perante os ouvidos da Redação. E quando eu percebi que estava começaaando a levar a sério a composição da lista, parei imediatamente, pra não ficar aquela coisa chata, técnica, de crítico que fica se metendo a escolher os melhores discos que toda a humanidade já produziu, enfim. E ah, é claro também que depois que eu terminar de escrever a lista e depois que eu já tiver publicado o post, com certeza vou lembrar de inúmeros outros discos que têm começos bem melhores do que esses. Mas enfim.
Vamos então, sem mais delongas e sem mais enrolação aos 5 inícios de álbum mais atrativos que a minha memória conseguiu alcançar:
5 - Cabidela
Álbum: Nadadenovo
Mombojó
Aquela entrada do sintetizador tranquilo, acompanhado segundos depois por uma bateria filtrada e típicos acordezinhos mombojozeanos de guitarra iniciam o primeiro disco da banda que foi uma das principais revelações nacionais de meados dos anos 2000. Até já tinha feito uma resenha desse disco aqui, naquela época que eu tinha me metido a fazer resenhas. A Cabidela em si, é ótima. Meio lounge, meio rock, meio sinistra, meio tranquilona, meio sofrida. E perfeita para ouvir na estrada. Tem um clima meio pesado. "Não quero ter você em mim / nem me esquentar / não quero te sentir" canta Felipe S. se arrastando ao final da música. E os arranjos todos vão carregando uns aos outros: o baixo segurando tudo, a guitarra cheia de efeitos dando um clima sombrio, o teclado/sintetizador jogando a emoção lá em cima, a flauta temperando e uns scratches animais destruindo tudo.
E você pode até querer vir e perguntar pra mim "mas cara, Mombojó numa lista de apenas cinco melhores começos de disco, sendo este o único ítem nacional ainda por cima??". "Olha", eu respondo, "sei lá, foi o que me deu na telha". Mas é sim um ótimo começo de disco, pra não falar um ótimo disco inteiro. Vale a pena ouvir.

4 - The Man-machine
Álbum: Minimum-Maximum
Kraftwerk
O 4º melhor começo de disco que eu consegui lembrar é também o melhor começo de show que eu já vi. Minimum Maximum é um registro ao vivo de várias músicas tocadas pelos pais da musica eletrônica em várias cidades desse mundão. The Man Machine no caso é tocada em Varsóvia, e a história é assim: a banda sobe ao palco, cada integrante fica em pé em frente ao seu laptop, as luzes se apagam, se faz silêncio e surge, como um deus, uma voz de máquina cantando "the man machine machine machine machine ... machiiiiiine". Novamente um breve silêncio e a plateia delira. Logo depois vêm os sonzinhos bizarros de computador, e instantes após entram um beat simples e uma linha de baixo metalizado, características fortíssimas e essenciais desses alemães, que levam a uma nova histeria na plateia. Em São Paulo há alguns meses atrás não foi muito diferente. Eu, pessoalmente, pirei fortíssimo naquele momento.
Corro o risco de ser imparcial nessa avaliação, já que ela vem atrelada a uma memória boa. Mas oras, repito, minha memória momentânea é o único critério usado na elaboração desse ranking, então fica assim mesmo. E sem contar que é o Kraftwerk, convenhamos.
(Leia aqui o relato que o brother Enio nos fez a respeito da versão carioca do Just a Fest)

3 - Genesis
Álbum: † (cross)
Justice
Preciso ser honesto: na verdade eu criei essa lista só pra poder colocar essa música. Esse começo é sensacional. O duo francês bota logo ao início de seu disco de estreia guitarras super pesadas aliadas a uma percussão (?) perfeita (nunca sei os termos técnicos) que parecem trombetas de anjos do século XXI, anunciando para o pessoal que Deus está vindo por aí pra dizer alguma coisa e que Ele está com um humor nem um pouquinho bom. Então se prepare, galere. Consigo até ver as pessoas na terra desesperadas ao ouvirem as tais das trombetas, cada um tentando se preparar de algum jeito. O black music tenso que é a marca registrada do Justice está bem presente aqui e dá bem a noção do que virá no resto do disco (que não tem nada a ver, que fique bem claro pra você que nunca ouviu, com o megahit "D.A.N.C.E" que você tanto viu na Mtv e ouviu na balada e nas rádios).
Cara, essa devia estar no 1º lugar da lista, mas o pouco de racionalidade que eu usei aqui me fez pensar que havia outros começos de disco um pouquiiinho melhores. A ver (ouvir?):

2 - I saw her standing there
Álbum: Please please me
The Beatles
Talvez não dê pra dizer que tudo tenha começado aqui, mas sim que as coisas tenham começado a mudar drasticamente a partir daqui. Tá certo que o primeiro disco dos Beatles não é lá grande coisa, que qualquer bandinha pop da época fazia igual ou melhor sem grandes dificuldades, mas a questão é que quando Paul McCartney grita "one, two, three, FOUR!" (muito antes dos Ramones, portanto) com ênfase especial no FOUR!, meu amigo, a casa cai. Deve ter sido por causa apenas desses 3 segundos iniciais (e claro, também por causa da linha de guitarra que o segue) que milhares de meninas fizeram a Beatlemania, que milhões de adolescentes se apaixonaram e nunca mais conseguiram parar de ouvir qualquer coisa desses garotos de Liverpool, que pais mostram isso aos seus filhos dizendo que isso é que é rock de verdade, etc. O resto você sabe.
Também tem o primeiro verso, destruidor de tão simples, puro e malicioso e direto que é: "Well, she was just seventeen, if you know what I mean".
Precisa dizer mais alguma coisa?

1 - Airbag
Álbum: OK Computer
Radiohead
Enfim, provavelmente o melhor começo de disco de todos os tempos, e que faz parte de um dos melhores discos de toda a década de 90. Começa com o mesmo riff feito simultaneamente pela guitarra e por um violoncelo, alguns segundos mais tarde vem a bateria que entra sempre depois da hora que você imagina que ela vai entrar, mesmo após anos ouvindo esse mesmo disco. Após, Thom Yorke entra cantando daquele seu jeito desesperado, maravilhado, atordoado, chorando que bateu o carro, só não morreu porque um airbag salvou sua vida e que ele nasceu de novo. E tem o baixo super grave, que só entra bem depois numa linha toda quebrada. Isso sem contar aquele solo ABSURDO de guitarra por volta dos 2'30" que realmente faz você sentir o clima da música, fazendo valer tudo o que está na letra. O que é, aliás, grande proeza do Radiohead: as músicas sempre expressam toda a dor das letras, e não é nada diferente nesse caso.
Sacou? Esse foi o melhor começo de disco que eu consegui lembrar. Menções honrosas vão ainda para: Doce Solidão, no álbum "sóu/nós" do Marcelo Camelo; Taxman, em "Revolver" dos Beatles; Brianstorm, em "Favourite worst nightmare" do Arctic Monkeys; Burnout, em "Dookie" do Green Day; Earth Intruders, em "Volta" da Björk e mais alguns que agora eu não consigo lembrar de jeito nenhum.
E acho que é isso.
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Tem videos das musicas acima citadas só pra quem é membro da comunidade defenestrada. vai lá.