30/05/2009

I_CWB: Jupiter Maçã e o brega lisérgico


Sabe aquele seu tio meio doido, que por ser meio doido você fica pensando "mas como que esse cara leva a vida?" até o dia em que você descobre que ele é vocalista de uma banda? E pior, é um bom vocalista de uma banda boa e que ele se sai bem nisso? Foi mais ou menos isso que me aparentou ser o Jupiter Maçã. Agora não me pergunte de onde foi que eu tirei essa imagem.

Jupiter Maçã foi a atração principal da 3ª edição da festa I_CWB, realizada nessa sexta-feira no Era Só o que Faltava, que estava enfeitado com intervenções artísticas dos Rasputines(ssss). Em pé ou sentadas nas mesas esperando pelo show, muitas pessoas que tinham se esmerado em aparentar da maneira mais descolada possível: terninhos, camisetas de gola, mini-saias com meiões por baixo (não sei os termos técnicos), bottons, cachecóis. Os adeptos curitibanos da "street fashion" (boto entre aspas pra parecer irônico) pareciam ter fugido de seus redutos noturnos como o James, o Wonka e outros bares menores para por uma noite festejar no "neutro" Era só o que faltava. Alguns, com bigodinho fino e cabelo curto esquisito julgavam estar na França. Nada que provocasse um charme forçado à festa, mas pelo contrário, dava o tom dos que aparentemente são os fãs desse famoso roqueiro gaúcho.


Também me chamou a atenção a quantidade de jovenzinhos que estavam por lá. Muita gente recém-maior de idade (eu incluso, hehe) e vários outros certamente menores querendo prestigiar um roqueiro cujo som não tem nada de moderno. Gente que é interessada por música e que vai atrás de coisas boas, presumo. Conversei com uma mulher (26, 27 anos?) que conheci na hora e ela me explicou: "é a nova geração que tá começando a ocupar os bares de Curitiba". Hehehe, oras.

E eis que pouco depois da 1h30 da manhã subiu ao palco Flávio Basso (como Jupiter Maçã é conhecido entre os íntimos) e sua banda de apoio. E ninguém mais ninguém menos do que Thunderbird estava lá tocando o baixo. Demorei para identificá-lo por de trás de seus óculos escuros, mas assim que o percebi tive um flashback que me jogou direto para as tardes em que ainda era criança, quando meus irmãos deixavam a televisão o tempo todo ligada na MTV, que naqueles anos ainda engatinhava e que tinha o tal do Thunderbird (com sua fala esquisita, arrastada, engraçada) na sua lista de VJs. Formavam a banda de apoio, além dele, os músicos Dustan Galas, Felipe Maia e o Astronauta Pinguim.

Thunderbird!

De camisa preta, terninho preto infestado de bottons e chapéuzinho também preto (reitero que não sei os termos técnicos), Jupiter Maçã assume no palco a posição de galã, cantando sem olhar para lugar nenhum, com decisão e firmeza na voz polida, de galã. Segura o pedestal do microfone como fazem os cantores dos filmes. Deixa a plateia cantar nos momentos certos. E aqui penso que para isso existem duas possibilidades: ou Jupiter Maçã sabe exatamente o que faz enquanto é o centro das atenções ou, por ser doido do jeito que é (e ateste isso aqui), não sabe se comportar de outra maneira, e essa única forma de saber se comportar é por sorte o comportamento de um galã. Queria comprovar isso trocando uma ideia com ele depois do show, mas acabou que eu nem o vi, e também não estava com paciência de ficar lá esperando ele aparecer.

O show em si me pareceu bacanão. Plateia cantando em uníssono nos hits, banda parecendo se divertir muito enquanto tocava; menos o Jupiter Maçã, que não demonstrava nada a não ser o jeitão de galã e o fato de estar com a cabeça em qualquer lugar menos naquele palco. A cena beirou o cômico quando ao final da última música antes do bis (não me lembro bem, acho que foi "um lugar do caralho", alguém confirma?) Jupiter pegou o microfone rapidamente e disse "ah, então, esqueci de dizer, essa foi a última música", enquanto a banda já se retirava do palco.

Outro ponto inusitado do show foi o cover de "Talentoso", do Cérebro Eletrônico, detalhe importante que passaria batido pela Reportagem se não fosse a observação do chapa Enio Vermelho, colaborador eventual deste blog.

Enfim, foi um show agradável. Um rock doidão sem frescura, tão sem frescura que vai parar num brega convincente, comandado por uma lenda viva da música nacional. A definição que o Guga Azevedo botou no blog oficial da festa vai mais além e retrata melhor isso tudo: Essa história de “lenda” não é exagero. Júpiter consegue passear pela psicodelia mais pesada, reinventando a tropicália e bossa nova, até cair no folk e blues, como se estivesse no mercado procurando uma pasta de dente. Reflexos de como deve funcionar sua cabeça; um universo que beira o caos do punk com cores lisérgicas e sotaque francês. Mas não é nada complicado, não se assuste. Simples e com uma bela aceitação do público em apresentações únicas.


sacou?
e mês que vem tem mais I_CWB. Fique atento aí.

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As fotos desse post foram tiradas pelo já citado brother Enio Vermelho e estão lá no flickr dele.

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Enquanto assistia o show, comecei a pensar em como deve ser bizarro um diálogo entre o Thunderbird e o Jupiter Maçã. Se você conhece a figura dos dois, entende o que eu estou falando.

E eis que eu nem precisei procurar muito no youtube para descobrir que a bizarrice na conversa dos dois é efetiva. I've found this: (em inglês para entrar no dialeto bilingue de Flávio Basso)




Então o Jupiter Maçã tem um programa de entrevistas no Mtv Overdrive?


24/05/2009

rendez-vous em paris / Alva (SC) / maus Móveis


Duas semanas sem post e eu já começo a ficar angustiado. Vamos então a mais um texto desses redigidos nas sempre iguais tardes dominicais curitibanas. O post de hoje está, contra o meu gosto, mais ácido do que o de costume. Mas o leitor moderno de blogs gosta de umas opiniões extravagantes de vez em quando que eu sei.

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Claude Lelouch é um conhecido cineasta francês. Um belo dia no final da década de 70 ele teve acesso à uma câmera giroscópica, especializada na captação de movimentos bruscos, já que dotada de uma espécie de amortecedor que evita trepidações (esse definiçãozinha vi no pangés).

Agora pense comigo: o que você faria se você fosse francês, tivesse uma câmera que não trepida em movimentos bruscos e uma sobra rolo de filme que permitisse uma gravação de dez minutos apenas? "Oras, botar um piloto de fórmula 1 dirigindo uma Ferrari tentando atravessar Paris o mais rápido possível durante o raiar do dia, o que mais?" pensou Lelouch.

O resultado disso tudo foi o curta "C'était un rendez-vous" ("Era um encontro"), que você assiste aí embaixo. A frase em francês no início do vídeo significa "O filme que você vê foi feito sem efeitos especiais nem aceleração". Você talvez já conheça esse negócio por causa do clipe de "Open your eyes", do Snow Patrol, mas o video original com o som do carro é muito mais emocionante:



Viu?, é por isso que o nome do tal piloto de fórmula 1 que dirigiu o carro nunca foi revelado. A quantidade de infrações cometidas não é nenhum pouco pequena e diz-se que Lelouch foi preso (mas liberado logo em seguida) na primeira vez em que o curta foi exibido publicamente justamente por causa disso.

De uns tempos pra cá surgiram uns boatos de que o carro usado na verdade não era uma Ferrari mas sim um Mercedes-Benz 6.9L e que o som do motor tinha sido forjado (através de um overdub) para que a velocidade do carro aparentasse ser bem maior. Tudo confirmado posteriormente pelo próprio Lelouch, mas nada que diminuísse o grau de adrenalina da gravação.

Se alguém fizesse um video semelhante a esse mas mostrando o ponto de vista de quem anda de bicicleta pelo centro de Curitiba a emoção registrada talvez fosse maior, hehe.

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Música boa da quinzena - o quadro que eu criei por aqui em 2007 está de volta, mas não se pode dizer que com seu retorno ele tenha garantia de contuidade. Ressucito o quadro momentaneamente porque quero indicar uma música pro pessoal, e ele retornará assim que me for conveniente, e não quinzenalmente como diz seu nome. Enfim.

No começo desse ano o Defenestrando esteve numa das sessões de mixagem (ou masterização, nunca sei qual que é qual) do disco "Saudades do futuro", de uma tal de banda joinvilense chamada Alva. Oras, é de se reconhecer o empenho dos caras no fato de eles virem pra Curitiba fim-de-semanalmente por meses para gravar em um estúdio bom (o Solo, para os íntimos), já que em Joinville não há lá muita tradição em gravações de qualidade. O irmão mais velho deste que vos escreve me insistiu que essa deve ser a melhor banda de Santa Catarina no momento.

A música que se mixava (ou raios, se masterizava) enquanto eu estava por lá era a "Auto-exílio", que ficou por semanas a fio sem sair da cabeça da equipe redatora. Eis que o disco foi lançado oficialmente ontem (23) no Don Rock Pub de Joinville e alguns dias antes eu pude, finalmente, ouvir novamente a tal da música, que mais uma vez ficou a rebater na cabeça da mesma equipe redatora. Música boa que alterna momentos de calmaria com um refrãozinho pesado à la Deftones, fora os bons arranjos. Então agora você vai lá no myspace dos joinvilenses em questão e bota pro tocar primeiro a música que recomendei, que está por último na lista. Depois, se lhe apetecer, escute as outras também, que são um pouco mais pesadas.


Mas agora, cá entre nós, o som é bom sim, mas não o suficiente para ser o melhor de um estado inteiro. Não é à banda em si que me refiro, mas ao estado em geral. Quero dizer, não conheço ABSOLUTAMENTE NADA da cena catarinense (tirando a Alva aqui) pra sair falando assim, e realmente posso estar falando uma besteira grande, mas penso que temos três possibilidades: 1) ou Santa Catarina está fraquinha em termos de rock, ou 2) a minha fonte (sic) também não conhece bem a cena catarinense ou 3) eu estou muitíssimo mal acostumado com as recentes revelações curitibanas... espero que a terceira opção esteja mais próxima da realidade.

Bom, apesar do dito acima, reitero que a Alva possui a simpatia deste blog e que a Redação fará o possível para estar presente em um eventual show deles por essas bandas. 
A ver.

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Baixei finalmente o disco novo do Móveis Coloniais de Acaju, "C_mpl_te". Confesso que a sensação que senti nos primeiros segundos da primeira música foi algo do tipo "Nossa, agora eu vou ouvir o disco novo do Móveis, que foda!", chegando a sentir mesmo algum frio na barriga, bem coisa de fã de opinião parcial mesmo. Só havia sentido algo parecido com isso quando ia ouvir pela primeira vez os discos novos do Los Hermanos ou da Kt Tunstall.

Pois bem, não sei se tenho estado excepcionalmente chato nos últimos dias, mas realmente achei que esse segundo disco está bem longe do nível do primeiro. Os rockzinhos-ska-polca-agradáveis-dançantes que são a tônica de "Idem" parecem ter se transformado em canções bem mais melo(dio)sas aqui. As letras perspicazes, irônicas, inteligentíssimas e originais de outrora sumiram. No lugar delas, as novas não deixam de ser boas mas tornam-se "sem graça" e caem no lugar-comum das relações conjugais que começam a tornar-se duradouras, bem do tipinho "tá, nós namoramos há 5 anos. A gente se desentende de vez em quando mas a gente ainda se ama". O grupo se salva talvez apenas em "Cheia de manha", a única que remete diretamente ao som do disco de estreia.

Sinto que a opinião desse blogueiro destoa da crítica em geral e que leitores possam me achar pedante por isso, tal qual críticos que ousam "não gostar tanto assim de Clarice Lispector" e que acabam sendo execrados pelos outros. A mídia especializada insiste em colocar o Móveis nos mais altos planos do rock nacional e oras, era pra colocar mesmo, já que o primeiro álbum foi e os shows são sempre sensacionais, mas agora... a julgar por "C_mpl_te", o Móveis virou banda de rock comum, com o perdão da palavra. 

O Cristiano Castilho, que sempre escreve umas reportagens bacanas, estampou na edição de hoje da Gazeta do Povo que "...a banda brasiliense está no limiar entre uma adolescência despretensiosa e criativa e uma idade adulta e promissora". Me parece mais ser o caso daquele adolescente simpático e divertido que se transforma em um recém-adulto sério e responsável. Não que isso seja ruim, pelo contrário, é até muito desejável. Só é chato.

Bom, esses quatro parágrafos anteriores me pareceram estar entalados na garganta. É que me irrita quando bandas lançam um primeiro disco com uma fórmula própria e certa para músicas super legais que fazem merecido sucesso e depois "amadurecem", mudam completamente o estilo do som e viram bandas de rock comum. Aconteceu com o I'm from Barcelona, com o Cansei de ser Sexy, e tenho quase certeza que vai acontecer com o novo do Bonde do Rolê que vem vindo por aí. Em situação contrária, veja por exemplo o Strokes e o Arctic Monkeys, que mantiveram a mesma fórmula e só atualizaram suas músicas: continuaram lá, glorificados pela mídia "oficial" e pelos blogs. Só sumiram porque não lançaram mais nada, mas devem voltar com tudo assim que vierem com os próximos lançamentos.

Vou parar de ficar resmungando por aqui. Se você ainda não ouviu o novo álbum do Móveis Coloniais de Acaju, vá ao site da trama virtual e faça o download gratuito e legalizado. Depois me diga que gostou e que só eu é que achei ruim. Sei que não vão deixar comentários exaltados me dizendo como eu sou bobo por pensar isso, mas também sei que alguns vão torcer o nariz ao ler a minha opinião.

Isso não é uma deserção, que fique bem claro. Ainda tenho meu chaveiro da banda e pretendo continuar a usá-lo.

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No próximo post eu tento fazer alguma coisa mais elogiosa, prometo.


13/05/2009

Oasis em Curitiba - ponto de vista de um cara de baixa estatura


Pinhais, Expotrade, caminhos obscuros pelo Capão da Imbuia na tentativa de escapar do trânsito... o Defenestrando foi à edição da terra dos pinheirais da turnê sul-americana do Oasis, na qual os irmãos Gallagher tratavam de divulgar seu álbum mais recente, "Dig Out Your Soul" e tenta contar mais ou menos o que viu para o amado leitor.

Desde a saída do churrasquinho familiar em que se encontrava até a chegada ao local do evento, a equipe de reportagem passou por inúmeras confusões e atrapalhos típicos de quem não se organiza direito, mas isso é irrelevante. Cabe dizer que cheguei à "Arena" Expotrade acompanhado do distinto irmão mais velho exatamente no momento em que a banda de abertura, o Cachorro Grande, ia tocando "Conflitos Existenciais", que era pro pessoal já ir balançando e aquecendo o esqueleto. E digo arena entre aspas porque o lugar é tosquíssimo e de arena não tem nada: é o estacionamento de um centro de convenções. E tosquíssimo sim se lembrarmos que a alguns quilômetros dali existe a bonitona Pedreira Paulo Leminski, ideal para um evento como o em questão.

A estrutura não era pequena, pelo menos. Foto de Enio Vermelho Jr.

Pois bem. Na busca por outros conhecidos que estavam acompanhando o show, fui me adentrando à pequena multidão que se aglomerava na pista popular (leia-se "não-vip") até chegar perto do grade. Acontece que por lá o pessoal já estava se apertando demais, e acabou que por ficar atrás de um fã-clube composto por adolescentes mais novos e bem mais altos do que eu, não vi nada do Cachorro Grande. Também não encontrei nenhum conhecido.

No intervalo entre os shows, outro problema: precisava reencontrar meu irmão, que não quis entrar no meio da galera. Saí do aperto e telefonei para ele, tentando localizá-lo. E aí um cara enorme e aleatório, que estava do meu lado nessa hora e que tinha percebido que eu estava procurando alguém, resolveu me ajudar, me levantando por cima dos ombros para que quem eu estivesse procurando me visse de alguma maneira. O irmão mais velho não me viu, mesmo com a ajuda do desconhecido, mas acabei encontrando-o alguns minutos depois.

Com fome, resolvemos comer um cachorro quente na barraquinha do Au-au antes que o show começasse, sem antes lembrar dos abusos cometidos em eventos como esse: R$5 por um hot-dog frio com apenas maionese e uma vina (salsicha para os não curitibanos) e outros R$5 por uma coca. "Revoltante", pensei.

Mas nada que superasse a grata surpresa de poucos minutos depois: de repente várias pessoas começaram a correr para uma das saídas de emergência à direita do pátio, como se tivessem descoberto algo. "Alguma passagem para a pista vip, de certo" pensei alto. E resolvemos tentar, já que estávamos bem longe do palco e não tínhamos muito a perder. Passamos por trás de algumas barracas, seguimos o fluxo e tcharam!, a mágica tinha sido feita: estávamos dentro da pista vip, exatamente de frente para o palco e com a melhor vista possível.

E o Oasis subiu ao palco bem por volta dessa hora, botando tudo pra quebrar com "Rock'n'Roll Star", clássico do primeiro álbum da banda, o Definetely Maybe. Logo depois veio uma das minhas preferidas, "Lyla", e a agitada "The Shock of the Lightning" deixou o pessoal com pouco folego já no começo da apresentação. Se o show continuasse no mesmo ritmo, talvez fosse um dos melhores que Curitiba teria visto. No entanto...

"Cigarettes and Alcohol", também do primeiro disco, fez o pessoal começar a relaxar e ficar mais quieto no seu lugar; apenas os fãs mais inverterados dançavam e cantavam sem parar. A rápida "The Meaning of Soul" voltou a animar a plateia, mas os irmãos Gallagher acabaram deixando transparecer que estavam apenas cumprindo contrato e fazendo o show por fazer: dava pra sentir que estava bom, mas que poderia ser bem melhor.

A próxima, "Waiting for the Rapture", cantada por Noel e sem a presença de seu irmão Liam no palco, iniciou uma sequência de quatro músicas (além dela, "The Masterplan", "Songbird" e "Slide Away") que, mesmo sendo de qualidade, deixaram a plateia parada no seu lugar: não foram poucas as pessoas ao meu redor que vi bocejando.

A animação só voltou quando Liam começou a cantar os primeiros versos de "Morning glory", rockzão agradável do disco homônimo, o mais famoso do grupo. Grande parte do pessoal voltou a cantar, mas a interação entre a plateia e o palco parecia não existir: eles por serem britânicos e serem o Oasis ainda por cima, e os curitibanos por estarem de má vontade. O pessoal daqui não costuma se comportar de maneira pouco abrasadora nos shows, mas no último domingo isso aconteceu com os 12 mil que compareceram ao estacionamento do Expotrade. Isso porque Liam interagiu mais com a plateia do que o normal, pelo que li. O Gallagher mais novo chegou até a atirar duas de suas meia-luas para a galera. Veja bem, duas.

foto descaradamente roubada do orkut alheio

Tanto que entre o fim do show e o bis, ninguém berrou praticamente nada: o silêncio meio que reinou nesse momento, salvo alguns "Oasis!" esparsos. Na volta, uma versão acústica de "Don't look back in anger" serviu para 'resgatar' o pessoal para cantar novamente e iniciou a parte que de longe foi a melhor do show: "Champagne supernova", "Falling down" e a conhecida versão pesadona de "I am the walrus" dos beatles, encerraram a primeira e talvez única apresentação em Curitiba deste que é um dos maiores grupos da atualidade.

No ônibus de volta para casa, duas certezas ficavam rebatendo de um lado para o outro dentro da minha cabeça: 1) o show foi bom, mas poderia ter sido MUITO melhor, posto que a banda em questão era nada mais nada menos do que o Oasis e 2) deveria ter sido na pedreira. Repito que o local que leva o nome de Paulo Leminski é muito melhor para eventos como esse, sonora e visualmente falando. Um estacionamento de um centro de convenções é extremamente broxante, tanto para banda quanto para fãs. E Noel Gallagher até comentou sobre isso em seu blog no myspace (reproduzo aqui em tradução livre):

Curitiba foi ótimo. O show foi, pelo menos. Não sei o que estamos tentando provar tocando em lugares como esse e aqui em Porto Alegre. Por que não fazer apenas dois shows grandes e fodas no Rio e em São Paulo?? Se todo mundo na Argentina estava disposto a viajar para Buenos Aires para fazer parte de uma das melhores noites de todos os tempos (não estou brincando, você deveria ter estado lá!) eu não sei qual que é a diferença para aqui no Brasil. São os garotos que saem perdendo, se você me perguntar. Alguém colocando um palco montável em um estacionamento não pode nunca ser comparado com os sons e as cores de um estádio. Mesmo assim, os shows em si são ótimos. Mas poderia ser melhor.

A questão dos dois shows grandes em São Paulo e no Rio não merece discussão por aqui, mas a do estacionamento sim. Quase nunca trazem grandes atrações internacionais para Curitiba e quando trazem, botam pra tocar em um lugar tosco. Nós, jovens curitibanos (saca o discurso revolucionário), precisamos da pedreira de volta. Se você por acaso foi ao show e teve a empáfia de ler tudo até aqui, aproveite e entre no site do movimento "A Pedreira é Nossa", criado pelo vereador Jonny Stica em parceria com mais um pessoal aí.

Botando em miúdos: foi ótimo ver o Oasis aqui "pertinho" de casa, mas ficou faltando muita coisa para ser uma noite memorável...