Sabe aquele seu tio meio doido, que por ser meio doido você fica pensando "mas como que esse cara leva a vida?" até o dia em que você descobre que ele é vocalista de uma banda? E pior, é um bom vocalista de uma banda boa e que ele se sai bem nisso? Foi mais ou menos isso que me aparentou ser o Jupiter Maçã. Agora não me pergunte de onde foi que eu tirei essa imagem.
Jupiter Maçã foi a atração principal da 3ª edição da festa I_CWB, realizada nessa sexta-feira no Era Só o que Faltava, que estava enfeitado com intervenções artísticas dos Rasputines(ssss). Em pé ou sentadas nas mesas esperando pelo show, muitas pessoas que tinham se esmerado em aparentar da maneira mais descolada possível: terninhos, camisetas de gola, mini-saias com meiões por baixo (não sei os termos técnicos), bottons, cachecóis. Os adeptos curitibanos da "street fashion" (boto entre aspas pra parecer irônico) pareciam ter fugido de seus redutos noturnos como o James, o Wonka e outros bares menores para por uma noite festejar no "neutro" Era só o que faltava. Alguns, com bigodinho fino e cabelo curto esquisito julgavam estar na França. Nada que provocasse um charme forçado à festa, mas pelo contrário, dava o tom dos que aparentemente são os fãs desse famoso roqueiro gaúcho.

Também me chamou a atenção a quantidade de jovenzinhos que estavam por lá. Muita gente recém-maior de idade (eu incluso, hehe) e vários outros certamente menores querendo prestigiar um roqueiro cujo som não tem nada de moderno. Gente que é interessada por música e que vai atrás de coisas boas, presumo. Conversei com uma mulher (26, 27 anos?) que conheci na hora e ela me explicou: "é a nova geração que tá começando a ocupar os bares de Curitiba". Hehehe, oras.
E eis que pouco depois da 1h30 da manhã subiu ao palco Flávio Basso (como Jupiter Maçã é conhecido entre os íntimos) e sua banda de apoio. E ninguém mais ninguém menos do que Thunderbird estava lá tocando o baixo. Demorei para identificá-lo por de trás de seus óculos escuros, mas assim que o percebi tive um flashback que me jogou direto para as tardes em que ainda era criança, quando meus irmãos deixavam a televisão o tempo todo ligada na MTV, que naqueles anos ainda engatinhava e que tinha o tal do Thunderbird (com sua fala esquisita, arrastada, engraçada) na sua lista de VJs. Formavam a banda de apoio, além dele, os músicos Dustan Galas, Felipe Maia e o Astronauta Pinguim.

Thunderbird!
De camisa preta, terninho preto infestado de bottons e chapéuzinho também preto (reitero que não sei os termos técnicos), Jupiter Maçã assume no palco a posição de galã, cantando sem olhar para lugar nenhum, com decisão e firmeza na voz polida, de galã. Segura o pedestal do microfone como fazem os cantores dos filmes. Deixa a plateia cantar nos momentos certos. E aqui penso que para isso existem duas possibilidades: ou Jupiter Maçã sabe exatamente o que faz enquanto é o centro das atenções ou, por ser doido do jeito que é (e ateste isso aqui), não sabe se comportar de outra maneira, e essa única forma de saber se comportar é por sorte o comportamento de um galã. Queria comprovar isso trocando uma ideia com ele depois do show, mas acabou que eu nem o vi, e também não estava com paciência de ficar lá esperando ele aparecer.
O show em si me pareceu bacanão. Plateia cantando em uníssono nos hits, banda parecendo se divertir muito enquanto tocava; menos o Jupiter Maçã, que não demonstrava nada a não ser o jeitão de galã e o fato de estar com a cabeça em qualquer lugar menos naquele palco. A cena beirou o cômico quando ao final da última música antes do bis (não me lembro bem, acho que foi "um lugar do caralho", alguém confirma?) Jupiter pegou o microfone rapidamente e disse "ah, então, esqueci de dizer, essa foi a última música", enquanto a banda já se retirava do palco.
Outro ponto inusitado do show foi o cover de "Talentoso", do Cérebro Eletrônico, detalhe importante que passaria batido pela Reportagem se não fosse a observação do chapa Enio Vermelho, colaborador eventual deste blog.
Enfim, foi um show agradável. Um rock doidão sem frescura, tão sem frescura que vai parar num brega convincente, comandado por uma lenda viva da música nacional. A definição que o Guga Azevedo botou no blog oficial da festa vai mais além e retrata melhor isso tudo: Essa história de “lenda” não é exagero. Júpiter consegue passear pela psicodelia mais pesada, reinventando a tropicália e bossa nova, até cair no folk e blues, como se estivesse no mercado procurando uma pasta de dente. Reflexos de como deve funcionar sua cabeça; um universo que beira o caos do punk com cores lisérgicas e sotaque francês. Mas não é nada complicado, não se assuste. Simples e com uma bela aceitação do público em apresentações únicas.

sacou?
e mês que vem tem mais I_CWB. Fique atento aí.
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As fotos desse post foram tiradas pelo já citado brother Enio Vermelho e estão lá no flickr dele.
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Enquanto assistia o show, comecei a pensar em como deve ser bizarro um diálogo entre o Thunderbird e o Jupiter Maçã. Se você conhece a figura dos dois, entende o que eu estou falando.
E eis que eu nem precisei procurar muito no youtube para descobrir que a bizarrice na conversa dos dois é efetiva. I've found this: (em inglês para entrar no dialeto bilingue de Flávio Basso)
Então o Jupiter Maçã tem um programa de entrevistas no Mtv Overdrive?



