28/04/2009

Kraftwerk surf-rock / o monolito do Paço


Esses dias completou-se um mês desde a ocorrência do Just a Fest, e o normal é que depois de eventos como esse a gente fique com algumas sequelas. O que aconteceu comigo é que fiquei ouvindo Kraftwerk sem parar durante alguns dias e, já que as vezes invento de dar uma de produtor musical, fiquei também curioso para saber como que funcionava essa banda que é pioneira do synth pop.

Por "saber como que funciona" quero dizer quais são as funções de cada um dos quatro integrantes dentro de cada música, o que que cada um faz em seu laptop durante os shows, que programas devem usar em seus computadores portáteis etc, essa curiosidade que as pessoas comuns têm a respeito de profissionais que ganham dinheiro com o que pra gente é só um hobby.

Pois bem, estou interessado em um belo dia fazer uma cover da famosíssima The Model, e em função disso saí procurando qualquer coisa a respeito dela no youtube. Encontrei videos dos alemões tocando em programas de auditório antigos, tocando ao vivo em showzinhos, covers de famosos e tudo o mais.

Mas me chamou a atenção essa cover inusitadíssima feita pela trio russo Messer Chups (??) que transformou a divertidinha e já citada The Model em um curioso surf-rock que não sai da cabeça até o final do dia. Vale a pena conferir:


Legal né? E aí quando interessa a gente vai atrás: achei outra 'cover' interessantíssima, "Tchaikovsky beat", na qual esses russos transformaram o clássico de seu conterrâneo que viveu no século XIX em uma versão surf-beat que também merece a sua atenção (clique aqui para ouví-la).

Agora você já está conquistado. Deixe que eles lhe dêem o golpe de misericórdia acessando o myspace deles. Lá você descobre que a banda toca nada mais nada menos do que algo que poder ser classificado como zombie-surf-rock (?!) bem-humorado -- há uma música chamada "Loch Ness Surfing" -- mistura que pode parecer estranha mas que cai bem aos ouvidos de qualquer um mais receptivo musicalmente falando.

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Messer Chups já é super conhecido e eu nem tô sabendo? Me avise. 
Mas cá entre nós, mesmo que seja, um trio russo que toca surf-rock zumbi e faz cover de Kraftwerk merece sempre alguma atenção.

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Então, você que é curitibano e presta atenção em qualquer coisa deve ter ficado sabendo que o Paço Municipal (o prédio histórico que estava fechado para reforma por não sei quantos mil anos e que antigamente era a prefeitura da cidade) foi finalmente reformado por completo e rebatizado como Paço da Liberdade. O espaço será utilizado como um grande espaço cultural, recebendo exposições artísticas, showzinhos de qualidade, alguns pequenos teatros, etc. Terá até um café literário (meio que nem o lucca, sabe?) e um estúdio que servirá para grupos locais com mérito registrarem suas gravações.


O local foi reinaugurado dia 29 de março (da comemoração dos 316 anos de Curitiba) e segundo informe publicitário estaria aberto para a visitação do público por 45 dias sem o novo mobiliário, para que a população tomasse conhecimento de como é originalmente a construção, como que se deu a reforma, etc etc.

Munido desta informação fui, acompanhado do distinto primo cabeludo e de sua distinta namorada e antes de ir à versão curitibana do world pillow fight day [o tema é antigo, estava na pauta dos dois últimos posts e acabou não saindo em nenhum deles], conhecer o local antes que o novo mobiliário fosse colocado.

Pois bem, fique o leitor sabendo que está tudo muito bonito e que o novo Paço merece sim a sua visita. A reforma parece ter sido feita por peritos europeus acostumados a recuperar construções seculares caindo aos pedaços, deixando-as novinhas em folha. Mas o que mais chamou a atenção da Redação -- passando por cima de toda a beleza do lugar -- foi esse negócio aqui:

foto gentilmente tirada pelo celular do primo cabeludo

Foi estranho encontrar em meio a toda a antiguidade preservada do novo Paço uns blocos retangulares pretos e maciços como esse (os mais doidões lembrariam do monolito de '2001 - uma odisseia no espaço'). Com algum medo, chegamos perto para averiguar e descobrimos dois botões, em um dos quais piscava uma luzinha vermelha. Tensão no ar. O primo cabeludo, cheio de receio, curiosidade e coragem, aproximou seu dedo do botão que piscava e o apertou, retirando-o rapidamente logo depois (a cena dos macacos descobrindo o monolito cai muito bem aqui).

Como nos mais reais filmes de ficção científica, algo aconteceu. Uma tampa se abriu automaticamente, fazendo aquele barulhinho bem clichê do tipo robô mexendo os braços. Dentro daquilo estava não um alienígena, mas uma sacola de lixo preta. Era só uma lixeira! Recuperada a razão, este que vos escreve tomou consciência política e começou a indagar: "tá bom que o lugar ficou legal, mas precisava de uma lixeira elétrica??"

Uma lixeira elétrica certamente deve custar algumas dezenas de reais a mais do que uma regular, e não foram poucas outras iguais a essa que vimos por lá. Uma pesquisa rápida pelo buscapé e a gente descobre que qualquer lixeira elétrica não sai por menos do que 200 denários.

Ora, se isso tudo tivesse sido bancado pelo dinheiro público eu já estaria aqui bradando incorfomado "mas como assim?". Mas como a reforma foi bancada que eu saiba pelo Sesc e pela Fecomércio (partindo portanto da iniciativa privada), vou é não falar nada mesmo.


Quer dizer, toda essa história que eu contei agora tornou-se completamente inútil depois desse último parágrafo, reconheço. Mas pelo menos descolei um post novo e te deixei entretido por uns dois minutos, vai.

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Vamos lá que maio tá chegando e vai ser uma correria mano.

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Ah, pra não perder a viagem, circulam pela net especulações de que no dia 16 próximo Marcelo Camelo vem ao dito Paço da Liberdade com o seu projeto-doidera Orquestra Youtube. A informação não é oficial, mas mesmo que seja, não sei se vale a pena ir. Veja abaixo do que que se trata o negócio e me diga você mesmo se a gente deve ou não ir ao show.



Concretismo. Simbolismo. Neo-tropicalismo. Youtube progressivo. Sei lá o que é, só sei que quando intelectual se mete a artista incompreensível é foda...


14/04/2009

Fórmula 1 em Curitiba??


Então vamos aproveitar aqui o momento "Fórmula 1 fever" propiciado pelo novo pacote de regras, pela reviravolta dos resultados, pela mudança no que o Galvão Bueno insiste em chamar de Hierarquia da Fórmula 1 e pela estreia-humilhation da BrawnGP e comentar um assunto que passou meio batido pela imprensa esportiva brasileira, quiçá da curitibana... Mas antes vamos fazer uma breve introdução da história:

Ali por volta de julho de 2004 (muuito antes da crise e dos cortes bruscos nas despesas, portanto) a FIA promoveu um evento desses de divulgação nas ruas de Londres, muito à imagem e semelhança daquele que ocorreu no final do ano passado no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Oito carros de fórmula 1 -- exatamente como os usados nas corridas originais -- e seus respectivos pilotos desfilaram por determinado traçado no centro da cidade inglesa, promovendo um dia atípico na vida dos que passavam por ali. [ao lado, Jenson Button. A foto foi retirada do site da BBC]

O sucesso do evento (500 mil londrinos se aglomeraram em torno dos alambrados) e a insatisfação com o GP de Silverstone fizeram o chairman supremo Bernie Ecclestone considerar a possibilidade de transferir o tradicional Grande Prêmio inglês para um circuito de rua em Londres, previsto para acontecer por volta de 2007. Acabou que o plano foi deixado de lado, tendo sido considerado "caro demais", entre inúmeras outras razões, fora a absurdez da ideia.

Pois bem, aconteceu que correram novos rumores desse tipo, desta vez sobre o fato de que Bernie Ecclestone estava considerando seriamente a possibilidade de realizar uma corrida nas ruas da cidade de Nova Iorque, que acabaria sendo a única alternativa plausível para o retorno da F1 à terra do tio sam que não Indianápolis...

Claro, a gente sabe que isso é bizarrice, que não tem nada a ver e que nunca vai acontecer. Mas o que quase ninguém sabe é que a FIA esteve nas últimas duas semanas aberta a sugestões de prefeituras que desejassem receber uma corrida da mais importante categoria do automobilismo em suas ruas. Rio de Janeiro, Curitiba e Santiago do Chile foram as únicas cidades da América Latina que enviaram seus projetos para a entidade.

Mais bizarrice ainda. Ter uma corrida de rua acontecendo na América do Sul é tão "mito" quanto a realização das Olimpíadas no Rio. Mas... mas se uma copa do mundo será realizada em terras tupiniquins e se a F1 tem em seu calendário uma corrida de rua noturna realizada em Singapura, não custa sonhar...

O Defenestrando teve acesso ao trajeto planejado pela prefeitura de Curitiba e até o transcreveu no Google Maps, pra você ter uma ideia bacana de como que vai ser o negócio. Clique aqui para abrir o mapa no seu browser e poder dar um zoom legal, porque vamos dar uma boa analisada no que seria o circuito e você vai precisar de uma referência: 


Visualizar F1 Curitiba GP em um mapa maior


A reta de largada seria ali, na Cândido de Abreu. A linha de chegada seria na frente do Shopping Mueller, que pagaria milhões para que os boxes fossem instalados nas suas redondezas. A própria Cândido de Abreu é bem propícia para isso, posto as várias pistas que possui e a sua larga largura.

A longa reta continuaria ali na Barão do Cerro Azul, até chegar na Praça Tiradentes. Uma possibilidade seria virar a direita para pegar a Augusto Stellfeld para passar por baixo do viaduto da Al. Doutor Muricy, para depois virar na Visconde de Nácar e atingir a Rui Barbosa. A opção foi descartada por não englobar a reformada Marechal Deodoro, exigência da Prefeitura para uma boa imagem da cidade. Então ficou que as curvas 1 e 2 seriam no contorno da também reformada Praça Tiradentes.

Segue-se um curto trecho da também novinha em folha Marechal Floriano, até a curva à direita na esquina das Marechais. Continua-se então na Mal. Deodoro, passa pela praça Zacarias e segue a Emiliano Perneta até as duas curvas à esquerda em torno do tradicional Colégio São José. Aí entra a inusitada passagem por dentre a Praça Rui Barbosa através da ruazona do expresso, até a torsão à direita na agora recapeada Desembargador Westphalen.

Duas quadras após atinge-se a curva 7 para a entrada na Visconde de Guarapuava, onde o percurso seguirá reto até nova torsão à esquerda estrategicamente em frente ao Palácio do Rio Branco, sede da Câmara Municipal. Aí temos uma reta de médio comprimento na Barão do Rio Branco, que precisará passar por obras de alargamento, já que a rua é muito estreita.

Daí voltamos à Mal. Deodoro para um ponto de alta velocidade até a curva 10, em frente ao Mercadorama (que também pagará milhões para ter a sua logomarca aparecendo no dia da corrida), e aí os pilotos passarão para a pista da esquerda da Mariano Torres.

Lá eles seguirão para o único trecho sinuoso do circuito (Curitiba é uma cidade planejada, veja bem), passando pela entrada do Círculo Militar e por trás do Passeio Público na Luíz Leão. Depois curva à direita na João Gualberto em frente ao Colégio Estadual do Paraná (até a data ele estará reformado e com seus jardins "apresentáveis", segundo a assessoria).

Na parte final do traçado os carros deverão subir a João Gualberto pela canaleta do expresso até o cotovelo à esquerda na Praça Goethe, atingindo a Comendador Fontana. Depois temos a última curva, suave para a esquerda, que poderá ser chamada de Do Palácio (já que o Palácio do Rio Branco poderá ser visto ao fundo), e que levará os pilotos de volta à longa reta dos boxes na Cândido de Abreu.

O Paddock poderia muito bem ser o próprio Passeio Público. Curitiba inovaria, já que sendo a Capital Ecológica deixaria os Motor Homes e as cabines de imprensa espalhados em um bosque bem arborizado. Arquibancadas também não seriam grandes problemas: as principais aglomerações de pessoas ficariam na Cândido de Abreu (óbvio), na Pç. Rui Barbosa, na Visconde de Guarapuava, nas Marechais e na João Gualberto, que teriam espaço de sobra para acomadá-las.

Concluindo, seria um bom traçado, longo (6,32 quilômetros), de alta velocidade mas muito pouco sinuoso. O IPPUC ainda afirmou que o planejamento inicial incluía a passagem em frente ao museu do olho, mas descartou a possibilidade já que a distância a ser percorrida por volta passava dos 8 quilômetros. A previsão é de que em 2013 a cidade já esteja em condições de receber o evento.

Enfim, eu pagaria uma grana muito alta para ver Felipe Massa dirigindo sua Ferrari nas ruas que estou acostumado a andar. Resta esperar que as decisões excêntricas de Bernie Ecclestone venham a ter respaldo aqui na terra dos pinheirais.

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Alguém leu isso aqui até o final?
Pois então, tirando lá os parágrafos iniciais, é tudo mentira. Passar bem.

 

08/04/2009

David Lynch meditando / ruído/mm, guizado e cérebro eletrônico


Escrevi esse post quase inteiro sobre efeitos de grande sono: entre o showzaço de sábado (ruído/mm, guizado e cérebro eletrônico, que comentarei logo abaixo) e a fórmula 1 de domingo, eu dormi um pouco mais do que duas horas. Fui dormir umas 4h30, acordei pelas 6h30 pra ver a parte final da corrida mais esquisita de todos os tempos, e acabou que ela foi tão esquisita nem consegui dormir mais, e sem ter o que fazer vim escrever esse post. Terminei o texto nesta terça também de madrugada, depois de ter jogado 20 minutos de basquete e quase ter morrido (voltando às quadras depois de um jejum de mais de 3 anos, por estar me recuperando de... uma lesão? ...preguiça?)

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Tá ligado o David Lynch, né? Esse diretor, ilustrado na foto ao lado, você sabe, já é considerado clássico por muitos (?) e faz aqueles filmes que ninguém entende mas que todos adoram, como Veludo Azul, Cidade dos Sonhos e Império dos Sonhos, que de tão non-sense que são o próprio David Lynch isenta os espectadores da obrigação de compreender a história. 

Pois bem, parece que o cara é meio engajado socialmente falando. Não fui muito a fundo na pesquisa sobre o tema, mas ele criou a David Lynch Foundation, que procura impregnar nas crianças e nos jovens o hábito da Meditação Trascendental. Que porra é essa, David Lynch?? Ele explica bem direitinho na sua mensagem deixada no site da fundação:

I have been “diving within” through the Transcendental Meditation technique for over 30 years. It has changed my life, my world. I am not alone. Millions of other people of all ages, religions, and walks of life practice the technique and enjoy incredible benefits.

Someday, hopefully very soon, “diving within” as a preparation for learning and as a tool for developing the creative potential of the mind will be a standard part of every school’s curriculum. The stresses of today’s world are taking an enormous toll on our children right now. There are hundreds of schools, with thousands of students, who are eager to relieve this stress and bring out the full potential of every student by providing this Consciousness-Based education today.

Isso está bom. Tentar espalhar a meditação entre os jovens como um facilitador para o entrosamento entre os alunos e a vida escolar para que assim possam enfrentar com mais recursos as intempéries de qualquer cotidiano que nesse mundo atual é sempre difícil só me parece ser uma atitude louvável.

E o negócio parece que funciona. Pra você ter uma ideia, David Lynch esteve esses tempos aqui em Belo Horizonte, ensinando a Meditação Trascendental a 4 mil crianças. O resultado você confere no video abaixo, que vale uma boa assistida (se o youtube não funcionar, vá para o link oficial em HD aqui -- e me avise se isso acontecer):
 



sem comentários.

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Saindo dessa parte socio-religiosa-transcendental, vamos à música: o Defenestrando acompanhou na noite de sábado os shows do ruído/mm, do Cérebro Eletrônico e do Guizado. E cá entre nós, noite de gala foi essa, já que essas bandas lançaram respectivamente o sétimo, o quarto e o melhor disco nacional do ano passado, segundo a lista do pessoal da respeitada Trama Virtual.

A boa expectativa foi confirmada logo de cara com o septeto do ruído por milímetro. A banda daqui de Curitiba tem obtido alguma projeção fora da terra dos pinheirais com seu ótimo rock instrumental soturno produzido por nada mais nada menos do que quatro guitarras (nenhuma delas supérflua), além de baixo, teclado e bateria. O ótimo sistema de som do John Bull Music Hall contribuiu para a construção de uma atmosfera limpa e sonoramente tensa, que é justamente o objetivo da banda. O show é maravilhoso, mas cansa depois da primeira meia hora: as músicas do álbum de estreia A Praia (Peligro / Open Field - 2008) são mais apropriadas para se ouvir em casa ou sentado em um teatro do que em pé em inferninhos. Há lá também alguns artifícios musicais (como riffs coletivos que visam uma chocante parede sonora) que são ótimos nas primeiras vezes, mas que acabam repetidos em diversas canções, delatando algum vício (me arrisco?). 

Mas não se deixe enganar por esses últimos apontamentos: o show é realmente muito bom, e você que mora em Curitiba e é apreciador de um rock bom PRECISA ir conferir o material ao vivo, se você já não o fez.

Depois rolou o show do projeto do brother aí de baixo, o trompetista Guilherme Mendonça, líder do Guizado. Tinha ouvido o disco dele umas duas vezes antes do show e não tinha gostado muito, mas fui ao show por curiosidade. A situação aqui me pareceu justamente o contrário do que ocorre com o ruído/mm: uma vez sendo as músicas no álbum pouco atrativas (você ouve uma ou duas vezes mas não tem vontade de ouvir pela terceira ou quarta vez (claro, isso é só a minha opinião, o disco foi eleito o melhor do ano passado por quem entende)), no show o negócio é diferente.


O começo arrebatador com "Vermelho" e "Miragem" deixou todos balançando a cabeça com esse jazz sujo e distorcido e cientes de que o que se via ali não era coisa pequena. Outros pontos altos foram "Maya" e "Rinkisha", que mesmo compostos por riffs tensos, pesados e repetitivos, não foram atrações nada cansativas; pelo contrário: o trompete maloqueiro (por vezes non-sense) e as programações do laptop de Guilherme Mendonça deram conta do recado e transformaram tudo em um grande espetáculo sombrio. A ver.

Houve lá ainda algumas músicas com vocal e que não estão em seu comentado primeiro álbum [Punx (Urban Jungle / Diginóis - 2008) é inteiramente instrumental]; nestas o microfone estava sempre sob o efeito de filtros, remetendo ao Homem Binário do Maquinado e a algumas músicas do Mombojó. E falando em Maquinado, o ilustre guitarrista do Nação Zumbi estava lá tocando também, mas sua presença passou despercebida. Um ótimo show; pena que durou pouco e que o local ficou meio vazio. 

Já passava das 3 da manhã quando o Cérebro Eletrônico subiu ao palco, acabou com o clima tenso e injetou alegria nas poucas pessoas que restavam no lugar. Por motivos de força maior (adoro essa expressão) vi pouco do show deles, mas foi o suficiente para perceber a boa presença de palco do vocalista Tatá Aeroplano, cuja voz ligeiramente fina combina perfeitamente com a alegre despretensão das músicas do grupo. Também é bom reparar nos bem-ensaiados backings, sempre em simpáticos falsetes.

Enfim, fechando tudo e fazendo as contas, analisando vários quesitos e calculando bem, noves fora e sobe o dois, dá pra classificar os shows da noite de sábado passado com o quê, quatro estrelas de cinco? Cinco estrelas foi o do Kraftwerk e o do Radiohead mês passado.

Exagerei em alguma coisa? Falei merda aqui ou ali? Dá um feedback aí, vai. É fácil.

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Ah, que sono. Acho que desisti do meu relato do Just a Fest. Já se passaram mais de duas semanas, perdi o sono.

E o show do Oasis vem vindo aí!