Esses dias completou-se um mês desde a ocorrência do Just a Fest, e o normal é que depois de eventos como esse a gente fique com algumas sequelas. O que aconteceu comigo é que fiquei ouvindo Kraftwerk sem parar durante alguns dias e, já que as vezes invento de dar uma de produtor musical, fiquei também curioso para saber como que funcionava essa banda que é pioneira do synth pop.
Por "saber como que funciona" quero dizer quais são as funções de cada um dos quatro integrantes dentro de cada música, o que que cada um faz em seu laptop durante os shows, que programas devem usar em seus computadores portáteis etc, essa curiosidade que as pessoas comuns têm a respeito de profissionais que ganham dinheiro com o que pra gente é só um hobby.
Pois bem, estou interessado em um belo dia fazer uma cover da famosíssima The Model, e em função disso saí procurando qualquer coisa a respeito dela no youtube. Encontrei videos dos alemões tocando em programas de auditório antigos, tocando ao vivo em showzinhos, covers de famosos e tudo o mais.
Mas me chamou a atenção essa cover inusitadíssima feita pela trio russo Messer Chups (??) que transformou a divertidinha e já citada The Model em um curioso surf-rock que não sai da cabeça até o final do dia. Vale a pena conferir:
Legal né? E aí quando interessa a gente vai atrás: achei outra 'cover' interessantíssima, "Tchaikovsky beat", na qual esses russos transformaram o clássico de seu conterrâneo que viveu no século XIX em uma versão surf-beat que também merece a sua atenção (clique aqui para ouví-la).
Agora você já está conquistado. Deixe que eles lhe dêem o golpe de misericórdia acessando o myspace deles. Lá você descobre que a banda toca nada mais nada menos do que algo que poder ser classificado como zombie-surf-rock (?!) bem-humorado -- há uma música chamada "Loch Ness Surfing" -- mistura que pode parecer estranha mas que cai bem aos ouvidos de qualquer um mais receptivo musicalmente falando.
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Messer Chups já é super conhecido e eu nem tô sabendo? Me avise.
Mas cá entre nós, mesmo que seja, um trio russo que toca surf-rock zumbi e faz cover de Kraftwerk merece sempre alguma atenção.
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Então, você que é curitibano e presta atenção em qualquer coisa deve ter ficado sabendo que o Paço Municipal (o prédio histórico que estava fechado para reforma por não sei quantos mil anos e que antigamente era a prefeitura da cidade) foi finalmente reformado por completo e rebatizado como Paço da Liberdade. O espaço será utilizado como um grande espaço cultural, recebendo exposições artísticas, showzinhos de qualidade, alguns pequenos teatros, etc. Terá até um café literário (meio que nem o lucca, sabe?) e um estúdio que servirá para grupos locais com mérito registrarem suas gravações.

O local foi reinaugurado dia 29 de março (da comemoração dos 316 anos de Curitiba) e segundo informe publicitário estaria aberto para a visitação do público por 45 dias sem o novo mobiliário, para que a população tomasse conhecimento de como é originalmente a construção, como que se deu a reforma, etc etc.
Munido desta informação fui, acompanhado do distinto primo cabeludo e de sua distinta namorada e antes de ir à versão curitibana do world pillow fight day [o tema é antigo, estava na pauta dos dois últimos posts e acabou não saindo em nenhum deles], conhecer o local antes que o novo mobiliário fosse colocado.
Pois bem, fique o leitor sabendo que está tudo muito bonito e que o novo Paço merece sim a sua visita. A reforma parece ter sido feita por peritos europeus acostumados a recuperar construções seculares caindo aos pedaços, deixando-as novinhas em folha. Mas o que mais chamou a atenção da Redação -- passando por cima de toda a beleza do lugar -- foi esse negócio aqui:

foto gentilmente tirada pelo celular do primo cabeludo
Foi estranho encontrar em meio a toda a antiguidade preservada do novo Paço uns blocos retangulares pretos e maciços como esse (os mais doidões lembrariam do monolito de '2001 - uma odisseia no espaço'). Com algum medo, chegamos perto para averiguar e descobrimos dois botões, em um dos quais piscava uma luzinha vermelha. Tensão no ar. O primo cabeludo, cheio de receio, curiosidade e coragem, aproximou seu dedo do botão que piscava e o apertou, retirando-o rapidamente logo depois (a cena dos macacos descobrindo o monolito cai muito bem aqui).
Como nos mais reais filmes de ficção científica, algo aconteceu. Uma tampa se abriu automaticamente, fazendo aquele barulhinho bem clichê do tipo robô mexendo os braços. Dentro daquilo estava não um alienígena, mas uma sacola de lixo preta. Era só uma lixeira! Recuperada a razão, este que vos escreve tomou consciência política e começou a indagar: "tá bom que o lugar ficou legal, mas precisava de uma lixeira elétrica??"
Uma lixeira elétrica certamente deve custar algumas dezenas de reais a mais do que uma regular, e não foram poucas outras iguais a essa que vimos por lá. Uma pesquisa rápida pelo buscapé e a gente descobre que qualquer lixeira elétrica não sai por menos do que 200 denários.
Ora, se isso tudo tivesse sido bancado pelo dinheiro público eu já estaria aqui bradando incorfomado "mas como assim?". Mas como a reforma foi bancada que eu saiba pelo Sesc e pela Fecomércio (partindo portanto da iniciativa privada), vou é não falar nada mesmo.
Quer dizer, toda essa história que eu contei agora tornou-se completamente inútil depois desse último parágrafo, reconheço. Mas pelo menos descolei um post novo e te deixei entretido por uns dois minutos, vai.
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Vamos lá que maio tá chegando e vai ser uma correria mano.
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Ah, pra não perder a viagem, circulam pela net especulações de que no dia 16 próximo Marcelo Camelo vem ao dito Paço da Liberdade com o seu projeto-doidera Orquestra Youtube. A informação não é oficial, mas mesmo que seja, não sei se vale a pena ir. Veja abaixo do que que se trata o negócio e me diga você mesmo se a gente deve ou não ir ao show.
Concretismo. Simbolismo. Neo-tropicalismo. Youtube progressivo. Sei lá o que é, só sei que quando intelectual se mete a artista incompreensível é foda...


