31/03/2009

Relato Just a Fest


Então, aconteceu que no final de semana anterior a esse que acabou anteontem aconteceram as edições carioca e paulistana do Just a Fest, aquele festivalzinho que reuniu aqui no nosso querido Brasil varonil os shows de nada mais e nada menos do que Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead. O Defenestrando esteve presente nos dois shows: em 20/3 no Rio de Janeiro através do correspondente Enio Vermelho Jr. e em 22/3 em São Paulo através de mim mesmo.

Você acompanha abaixo o relato de nosso correspondente a respeito da versão carioca do evento. Está certo que venho com esse post com grande atraso se você comparar com outros blogs que já no dia seguinte ao show já tinham uma resenha enorme e caprichada. Acontece que a faculdade está atravancando os meus planos bloguísticos por enquanto, mas é só questão de uma ou duas semanas, tudo volta ao normal já já. O meu relato vem algum dia depois aí.


Just a Fest @ Apoteose, Rio de Janeiro

Depois de anos de espera, finalmente o Radiohead tocou no Brasil. O lugar do debut brasileiro foi a Apoteose (a.k.a. Sambódromo), no Just a Fest. Além da banda inglesa, foram atrações do festival o quarteto alemão Kraftwerk, no primeiro show oficialmente sem Florian Schneider, um dos fundadores do grupo, e os cariocas do Los Hermanos, na sua volta após quase dois anos sem tocarem juntos.

Mas até o festival foi um longo caminho: 14 horas de viagem e mais o trânsito caótico na chegada ao Rio de Janeiro. Viagem essa que valeu a pena.

Apoteose

No local, uma velha mania dos curitibanos: a fila. Cheguei lá eram 15:30h e já naquele horário tinham umas 700, 800 pessoas. O problema mesmo foi na hora que abriram os portões... Falta de organização, uma tentativa de afunilar o público que entrava para a possibilidade de revista (que não aconteceu), outra fila para aqueles que estavam com meio ingresso (me incluo aí) e, como se não bastasse, ainda tinha uma rua no meio do caminho, que era liberada de vez em quando para a passagem dos pedestres do Sambódromo. E, claro, todo mundo correndo entre essas “barreiras” para conseguir um lugar melhor próximo de palco.

Lá dentro, um assalto: R$ 4 o copo de água! E não quis nem ver quanto estava o refrigerante ou a cerveja ou mesmo algum lanche (santa bolacha – ou “bishcoito” – recheada que trouxe comigo...).

Antes dos shows, a discotecagem ficou por conta do Maurício Valladares, que comanda o programa Ronca-Ronca na Oi FM do Rio de Janeiro. Aliás, foi o mesmo que discotecou antes do, até então, último show do Los Hermanos na Fundição Progresso.

Los Hermanos

Muitos que estavam ali na Apoteose esperavam com ansiedade este “retorno” da banda. Aspas porque o grupo afirmou que, pelo menos por enquanto, são só esses dois shows no Just a Fest e depois sabe-se lá que vai acontecer.

Comoção logo no início do show, com “Todo Carnaval Tem Seu Fim” e “Vencedor”. Todo mundo (pelo menos ali na frente onde eu estava) cantando e pulando como nos velhos tempos. Mas o som não ajudou, estava muito baixo e mal dava para escutar as guitarras, principalmente a do Marcelo Camelo.

Só que ao longo do show ficou a impressão de que eles estavam ali meio que por obrigação, como se tivessem acionado o piloto automático, como cheguei a comentar com alguns que lá estavam.

Sem vontade ou não, o show teve três surpresas: “Cher Antoine”, “Assim Será” e “cadê teu suín-“, músicas difíceis de aparecerem nos shows dos Hermanos. O contraponto destas surpresas foram as ausências das músicas do primeiro álbum.

Kraftwerk

Cerca de 40 minutos depois do show dos Hermanos, os alemães do Kraftwerk assumiam o comando de seus respectivos laptops para mostrar ao público brasileiro pela terceira vez (eles já vieram ao Brasil em 1998, no extinto Free Jazz, e em 2004, no Tim Festival) de onde veio a música eletrônica como a conhecemos hoje. A banda, formada em 1970 na cidade de Düsseldorf, tem hoje somente um integrante original: Ralf Hütter.

E sobre o show? Conheço pouco da banda, somente o Trans-Europe Express e mais recentemente (e por causa deste show, confesso) o Minimum-Maximum e este último me deixou curioso de como seria vê-los ao vivo.

Autobahn

Para quem conhece ou já é fã do quarteto, o show é perfeito: eletrônica minimal (li por aí, não entendo muito disso) e as projeções no telão sempre complementando as músicas. São as projeções, aliás, que até chamam mais a atenção dos mais leigos, como este que vos escreve.

No geral, o show valeu como uma aula de história da música eletrônica, desde “The Man Machine” até “Music Non Stop”, passando por “The Robots”, quando os quatro integrantes são substituídos por quatro bonecos que se movem durante a música.

Radiohead

Terminada a apresentação do Kraftwerk, a expectativa pelo show do grupo de Oxford era cada vez maior. Não era para menos: seria a primeira aparição em solo brasileiro – e na América do Sul também.

Com dez minutos de atraso, Thom Yorke, Jonny Greenwood, Ed O’Brien, Colin Greenwood e Phil Selway entram em cena e dão fim à longa espera de 15 anos por um show do Radiohead no Brasil.

Começam o show com “15 Step”, que abre o mais recente álbum dos ingleses, In Rainbows. E a partir daí alternam faixas do último álbum, como “All I Need”, “Weird Fishes/Arpeggi” e “Faust Arp”, esta tocada somente por Thom e Jonny, com os sucessos de outros álbuns, como “There There” (do Hail To The Thief), com direito ao vocalista voltando a cantar alguns versos da música e sendo acompanhado somente pelo público, “The National Anthem” (do Amnesiac), onde no começo da música sintonizam aleatoriamente uma rádio local, e “No Surprises” (do – clássico? – OK Computer).

A melhor iluminação de palco de todos os tempos

Com pouco mais de uma hora de show, eles saem do palco. Mas, claro, há o bis. Na verdade, dois bis.

No primeiro bis, vem o que, para muitos (eu incluso), foi o melhor momento do show: “Paranoid Android”. E segue com “Just” (do The Bends) e “Everything In Its Right Place” (do Kid A).

No segundo bis, tem “You And Whose Army?”, com Thom dizendo que “esta [música] é por todas as vezes que a América do Norte tentou f… com vocês”, e “Reckoner”. Encerrando o show de pouco mais de duas horas de duração, finalmente surge a música que fez com que a banda aparecesse ao mundo pela primeira vez, além de talvez ser a mais conhecida deles: “Creep” (do Pablo Honey, o primeiro álbum do Radiohead).

Adjetivos para o que eu e 24 mil pessoas vimos na Apoteose? Faltam... e sempre faltarão, pois é missão difícil tentar descrever o que foi para mim e para muitos que estavam lá o show das suas vidas. Poderia aqui falar dos telões, da iluminação, do som perfeito mesmo para quem estava próximo do palco, como eu estava, mas só estando lá para saber.

Enfim, este foi, sem dúvida, um dos melhores shows que este país viu neste início de século.

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O Defenestrando agradece muito ao Enio pelo relato. As fotos que ilustram esse post foram tiradas por ele. Para mais imagens acesse o flickr dele e para mais videos vá para seu playlist no youtube.

16/03/2009

Oasis em Curitiba / fim da Discografias


Parece que os deuses do entretenimento leram o que escrevi aqui no post anterior. 

Quando disse aqui, a respeito do Just a Fest, que "Radiohead, Kraftwerk e Los Hermanos tocando juntos só não será o principal evento do ano se John Lennon e George Harrison descerem dos céus para um eventual show de reunião com Paul McCartney e Ringo Starr e botarem a formação original dos Mutantes para abrir, no evento de reinauguração da Pedreira Paulo Leminski, começando a tardinha e pegando um pôr-do-sol bacana", aqueles deuses trataram de mexer os pauzinhos e acabaram me respondendo, ainda que de forma indireta: 

Poucos dias depois do post, surgiu na sessão "Próximos shows" do myspace do Oasis, a afirmação de que no dia 10 de maio (véspera do meu aniversário, UOU) a banda fará nada mais nada menos do que um show aqui em Curitiba, também em nenhum outro local a não ser a Pedreira Paulo Leminski. (A resposta indireta está no fato de que Liam Gallagher - ou o Noel, nunca sei qual que é qual - teria dito certa vez que "acho que os Beatles somos nós e nós éramos os Beatles"... hein)


Dá-lhe Liam

Isso é uma coisa muito agradável de se ficar sabendo (aliás, a informação chegou até mim através de um agradável SMS durante um agradável almoço familiar segunda-feira passada). "Mas oras bolas, a Pedreira não está interditada?", perguntaria qualquer pessoa atenta. 

Bom, aí é que está a questão. No Last.fm achei um link que mandava para uma reportagem de outrubro do ano passado no site do Caderno G (a seção cultural da Gazeta do Povo) que dizia que o juiz Dr. Douglas Marcel Perez assinou no dia 9 daquele mês a liberação da Pedreira para a realização de shows e outros eventos. "A decisão, no entanto, não permite a utilização do espaço de forma 'ampla e genérica'. É necessário um esclarecimento prévio, por escrito, com relação ao tipo de evento que será realizado, horário e público-alvo", dizia o artigo, que ainda completava que se os eventos terminassem antes das 23h a vizinhança não seria lá muito incomodada.

E aí do frisson que foi o surgimento da data naquele myspace, saiu mais uma notinha quinta-feira última (12/3) no mesmo Caderno G, da qual reproduzo aqui os dois últimos parágrafos:

" 'Ainda não é certo que eles toquem na Pedreira. Eles gostariam de fazer um show em Curitiba no dia 10 de maio, mas isso depende da autorização do Judiciário', explicou o procurador Ídalo Tanaka, que está à frente do caso. Segundo Tanaka, os organizadores ainda estão em busca da referida autorização. 'É um conjunto renomado que levará grande público ao espaço. Minha expectativa é que o espaço possa ser liberado', diz.

Os ingressos começam a ser vendidos no próximo dia 27 pelo site www.ticketmaster.com.br. Ainda não há informação sobre quantidade e o preço dos bilhetes".

Acho que, sintetizando os dois artigos e colocando aí alguma quantidade de pensamento positivo, dá pra ficar confiante de que o show aconteça mesmo. Não sei você aí, mas eu estou animado. O momento-musical-em-termos-de-rock que Curitiba está vivendo inspira confiança e um evento como esse apenas coroaria tanto pensamento positivo... 

*UPDATE - já que tem um monte de gente vindo parar aqui digitando "oasis em curitiba" no google, vamos deixar o negócio bem claro: o show não será mais na Pedreira Paulo Leminski, como todos desejávamos, mas na Arena Expotrade, onde recentemente aconteceu o Curitiba Country Festival. Me contaram que o lugar é tipo estacionamento de supermercado, sem muita estrutura, então vamos com um pé atrás. Os ingressos estão a venda no site da Ticketmaster e no shopping Novo Batel, mas não tenho bem certeza. Os preços estão R$200 a meia vip e R$80 a meia popular... 

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Agora, vamos nos acalmar e ponderar aqui por alguns instantes. Consideremos as 3 bandas que podem com alguma certeza ser definidas como as maiores bandas de rock em atividade no mundo (disse maiores, não melhores): Radiohead, Oasis e U2, certo?

Qual que seria a probabilidade de, morando em um país emergente, distante e de certa forma excluído das rotas dos grandes shows internacionais, assitir o show de duas dessas bandas em menos de dois meses?

E 2009 ainda tá só no começo... 

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Faleceu ontem, dia 15 de março de 2009, a comunidade Discografias, principal fonte de links para download de músicas e discos do Orkut e de grande parte dos internautas brasileiros. A moderação afirmou que no comunicado oficial que o encerramento se deu pelas constantes ameaças que a comunidade recebia da APCM (Anti-Pirataria Cinema e Música), que é a representante legal de diversas grandes gravadoras e estúdios.

Uma grande pena. "Perdem eles, perdemos todos, mas enfim, tudo em nome do dinheiro das grandes corporações. Nada em nome da cultura", como dizia o mesmo comunicado. Vale lembrar que a comunidade (tal qual o Pirate Bay, que passou por julgamento esses tempos) não hospedava nenhum arquivo virtual, apenas indicava os links. Assim todos os arquivos ainda continuam na internet, apenas o "apontador" é que desapareceu. 

Sendo assim, tudo ainda permanece ao alcance de nosso mouse, através de serviços básicos como o Google... Mais uma bola fora das majors.

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O Defenestrando volta na semana que vem com o relato (ponto de vista de um cara de baixa estatura) do Just a Fest.



07/03/2009

Just a fest se aproximando / bons nomes gregos


Avaliando aqui os programas que uma gripe na semana mais quente do ano fazem você perder.

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Mas não é com esse mau-humor que o Defenestrando adentra o mês de março! Não senhor, porque é no final desse mesmo mês que acontece o evento musical mais importante do ano, o Just a Fest, a ocorrer em São Paulo e no Rio de Janeiro. Este blog terá seu enviado que irá tratar de cobrir a edição paulistana da maneira mais competente possível.


E será o show do ano sim senhor, dá pra dizer com toda a certeza mesmo estando apenas no mês de março. Radiohead, Kraftwerk e Los Hermanos tocando juntos só não será o principal evento do ano se John Lennon e George Harrison descerem dos céus para um eventual show de reunião com Paul McCartney e Ringo Starr e botarem a formação original dos Mutantes para abrir, no evento de reinauguração da Pedreira Paulo Leminski, começando a tardinha e pegando um pôr-do-sol bacana. 

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Está terminado o próximo folhetim a ser defenestrado por aqui. "A aclamação de Cristiano Camacho" está agora na fase de transcrição, depois segue para os processos de mixagem e masterização, hehe. Já viu o trailer?




A premiere deve ser no comecinho de abril e a história prossegue até o fim de maio. Vai ser praticamente uma novela e exigirá paciência do leitor fiel... Daqui a algumas semanas faço um trailer novo e mais divertido pra divulgar mais esse negócio.

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Adoro nomes fortes, de presença e complicados de ler. Acabo conseguindo me divertir bastante com eles, principalmente aqueles que terminam com S. Sob esses aspectos, os nomes gregos tradicionais são para mim uma diversão só.

E aí entra a melhor coisa que li na faculdade até agora, que foi um dos parágrafos iniciais da peça chamada "Fédon", em que teoricamente Platão registra o que seu mestre, Sócrates, teria dito a seus amigos nos momentos finais de sua vida. A parte do livro de que me refiro trata-se da conversa entre Équecrates, um curioso a respeito daquele discurso de Sócrates e Fédon, o personagem-título que estava junto a Sócrates antes de ser executado e que relata a seu amigo o que o divisor de águas da filosofia ocidental teria dito. 

O leitor entenderá melhor essa minha diversão se ele conseguir ler todo o excerto abaixo:

EQUÉCRATES - Quem se encontrava lá, Fédon?
FÉDON - De atenienses havia Apolodoro, Critóbulo e Críton, seu pai, Hermógenes, Epígenes, Ésquines e Antístenes; encontravam-se também Ctesipo de Peara, Menexeno e alguns outros. Platão não estava presente, acho que havia adoecido.
ÉQUECRATES - E havia pessoas de outras cidades?
FÉDON - Havia. De Tebas, Símias, Cebas e Faedonde; e de Megara, Euclides e Terpsion.
ÉQUECRATES - Aristipo e Cleômbrote não se encontravam lá?
FÉDON - Não, disseram que estavam em Engina.
ÉQUECRATES - Quem mais havia?
FÉDON - Somente esses.

Agora repita todos esses nomes de trás para frente três vezes e rápido.

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É para isso que está servindo a faculdade, Felipe?