Finalmente. Atrasei alguns dias mas o post da semana está aí, finalmente. Ele faz parte da série ponto de vista de um cara de baixa estatura (outros episódios: Tim Festival Curitiba 2007 e Oasis). O Defenestrando esteve na edição curitibana da Tribaltech 2009 e conta pra você como que foi:
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Chegamos à Fazenda Heimari por volta das 18h20, depois de alguns minutos de estrada. Da fila para deixar o carro no estacionamento já se podia ver o guindaste que estava ali para deixar o pessoal fazer um bungee jump doido. Um helicóptero passeava baixo realizando voos panorâmicos. Tudo isso, é claro, só poderia ser feito mediante algum preço nada módico.
Aliás, como de praxe nesses grandes eventos, os preços eram abusivos: deixar o carro no estacionamento oficial custava 25 reais. Lá dentro, uma garrafa de água, um refrigerante ou uma latinha de 269 ml de cerveja (o normal são 350) saíam por R$5. E nem fiquei sabendo quanto custava alguma coisa para comer.
O tempo estava feio: fazia muito frio, o céu estava fechado e garoava o tempo todo. Não se podia ir de um lugar a outro sem passar por muita lama. A estrutura do evento era enorme: vários palcos e diversas tendas divididas por... assuntos? permitiam que a festa acontecesse em diferentes espaços simultaneamente. Nas tendas Black Tarj CluB e 3plus/DjMag House diversas vertentes da música eletrônica eram apresentadas. No Main Stage o bicho pegava: vários dos principais nomes do mundo se apresentavam para um grande público, sempre entretido com luzes e laseres incríveis. No espaço Cinetech o pessoal podia descansar em sofás assistindo a curtas metragens nacionais projetadas em telão. Mas o que interessava mesmo estava na tenda Organic Beat.
Era lá que estavam tocando algumas das principais bandas (bem orgânicas e pouco eletrônicas) do país no momento. Quando chegamos, BNegão & Os Seletores de Frequência já estavam no palco botando seu som grave em ação. A banda deste que é um dos ex-vocalistas do histórico Planet Hemp trouxe a Curitiba a sua impecável mistura de funk (americano?), dub, reggae, e samba com doses de rock pesado e deixou o pessoal balançando o corpo, com calma. Mas tudo mudou quando no final o grupo tocou a pesadassa "Qual é o seu nome?". BNegão também usou da irreverência ao anunciar uma das últimas músicas de seu show: "essa daqui... essa aqui é a música mais antiga do nosso grupo. Ela tem... há 509 anos, quando os portugueses desembarcaram aqui no Brasil, na praia, eles ouviram, ao longe, essa música". Em seguida o grupo tocou "A Verdadeira Dança do Patinho", mistura de funk escrachado com hardcore pesado de protesto. "A situação é grave feito um sistema de som jamaicano" disse BNegão, em outro momemento. Dava pra confirmar sentindo na alma o baixo gravíssimo. A ver.
Pouquíssimos minutos depois, o Cordel do Fogo Encantado já estava tocando. A estrutura da tenda era tal que na verdade eram dois palcos, um do lado do outro. Assim, enquanto uma banda tocava, a outra já ia arrumando seu set. Aí quando uma acabava, a outra começava logo na sequência. O show do Cordel em si foi bom. Mais forte e menos acrobático do que eu pensava. Expressão tocante de um pequeno pedaço da cultura nordestina, me pareceu. Alguns problemas técnicos no som atrapalharam a apresentação, mas mais tarde tudo se acertou e deu pra entrar bem no clima. Tem um trechinho aqui.
Surpresa boa foi o Pedra Branca: sons indianos com batida eletrônica e instrumentos étnicos (?) compunham outra mistura bacaníssima. Uma cítara tocada por Luciano Sallun, homem careca, de barba comprida e trajes brancos típicos, dividia espaço com uma picape pilotada por um cara de boina vermelha e óculos grandes à la Ali G. Um clarinete era soprado em alguns momentos. Quase sempre algumas dançarinas subiam ao palco para reforçar o clima indiano fazendo, num espaço apertado entre a caríssima aparelhagem do grupo, algo como dança do ventre (ou ela propriamente dita). E a batida eletrônica sempre estava presente. Coisa pra se fechar os olhos, ouvir e ficar ali em pé, viajando, de leve. Dá pra ter uma ideia do que eu tô querendo dizer aqui.
Depois deles, talvez o show mais esperado da noite naquela tenda: o Nação Zumbi subiu ao palco tocando a nada leve "Bossa Nostra" (era essa mesmo? Alguém corrige?) jogando a adrenalina do pessoal lá em cima. E o clima ficaria esse até o último segundo do show. Perto do palco bastante gente dançava e pulava bastante ao som das alfaias e da guitarra afiada e pesadíssima de Lúcio Maia. Luzes frenéticas ajudavam a deixar o clima ainda mais energético. Com um setlist impecável repleto de músicas consagradas que iam desde a época de Chico Science (como "Macô", "Da lama ao caos" e "Rios, pontes e overdrives") até os clássicos mais atuais ("Hoje, amanhã e depois" e "Meu maracatu pesa uma tonelada"), o show não tinha como não dar certo. "Quando a maré encher" provocou um empurra-empurra saudável que deixou o pessoal com pouco folêgo para as últimas músicas. Sem dúvida é show desses para se ir novamente.
Segue aí um trecho da mistura de Da lama ao Caos com Umbabarauma, do Jorge Ben Jor:
Quem tocou depois foi o Eddie, que mistura rock com uma batucada/baião e até chega a lembrar um pouco de ska. Mas tocar logo depois do Nação Zumbi é covardia. É claro que para quem estava na plateia esperando algo no nível do show anterior, a apresentação não teve tanta graça assim. O que chamou a atenção foram as versões rock-batucadas-pernambucanas de "Nantes", do Beirut, e "I wanna be sedated", do Ramones. O Copacabana Club subiu ao palco logo depois tocando aquele sonzinho gostoso que você já deve conhecer. Acabei vendo pouca coisa do show: já eram mais de sete horas e meia seguidas em pé e o cansaço começava a incomodar.
Enfim, noite memorável. Se fizesse um pouco menos de frio, o negócio ia ser ainda mais marcante. E se você me pergunta a respeito da música eletrônica, só a ouvi quando ia ao banheiro ou quando fui embora, já que o Main Stage ficava no meio do caminho entre a tenda onde as bandas tocavam e a saída. E a lama também deixou sua marca.
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Se você quiser ter uma ideia visual mais geral do que foi o evento, vem aqui.
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