13/05/2009

Oasis em Curitiba - ponto de vista de um cara de baixa estatura


Pinhais, Expotrade, caminhos obscuros pelo Capão da Imbuia na tentativa de escapar do trânsito... o Defenestrando foi à edição da terra dos pinheirais da turnê sul-americana do Oasis, na qual os irmãos Gallagher tratavam de divulgar seu álbum mais recente, "Dig Out Your Soul" e tenta contar mais ou menos o que viu para o amado leitor.

Desde a saída do churrasquinho familiar em que se encontrava até a chegada ao local do evento, a equipe de reportagem passou por inúmeras confusões e atrapalhos típicos de quem não se organiza direito, mas isso é irrelevante. Cabe dizer que cheguei à "Arena" Expotrade acompanhado do distinto irmão mais velho exatamente no momento em que a banda de abertura, o Cachorro Grande, ia tocando "Conflitos Existenciais", que era pro pessoal já ir balançando e aquecendo o esqueleto. E digo arena entre aspas porque o lugar é tosquíssimo e de arena não tem nada: é o estacionamento de um centro de convenções. E tosquíssimo sim se lembrarmos que a alguns quilômetros dali existe a bonitona Pedreira Paulo Leminski, ideal para um evento como o em questão.

A estrutura não era pequena, pelo menos. Foto de Enio Vermelho Jr.

Pois bem. Na busca por outros conhecidos que estavam acompanhando o show, fui me adentrando à pequena multidão que se aglomerava na pista popular (leia-se "não-vip") até chegar perto do grade. Acontece que por lá o pessoal já estava se apertando demais, e acabou que por ficar atrás de um fã-clube composto por adolescentes mais novos e bem mais altos do que eu, não vi nada do Cachorro Grande. Também não encontrei nenhum conhecido.

No intervalo entre os shows, outro problema: precisava reencontrar meu irmão, que não quis entrar no meio da galera. Saí do aperto e telefonei para ele, tentando localizá-lo. E aí um cara enorme e aleatório, que estava do meu lado nessa hora e que tinha percebido que eu estava procurando alguém, resolveu me ajudar, me levantando por cima dos ombros para que quem eu estivesse procurando me visse de alguma maneira. O irmão mais velho não me viu, mesmo com a ajuda do desconhecido, mas acabei encontrando-o alguns minutos depois.

Com fome, resolvemos comer um cachorro quente na barraquinha do Au-au antes que o show começasse, sem antes lembrar dos abusos cometidos em eventos como esse: R$5 por um hot-dog frio com apenas maionese e uma vina (salsicha para os não curitibanos) e outros R$5 por uma coca. "Revoltante", pensei.

Mas nada que superasse a grata surpresa de poucos minutos depois: de repente várias pessoas começaram a correr para uma das saídas de emergência à direita do pátio, como se tivessem descoberto algo. "Alguma passagem para a pista vip, de certo" pensei alto. E resolvemos tentar, já que estávamos bem longe do palco e não tínhamos muito a perder. Passamos por trás de algumas barracas, seguimos o fluxo e tcharam!, a mágica tinha sido feita: estávamos dentro da pista vip, exatamente de frente para o palco e com a melhor vista possível.

E o Oasis subiu ao palco bem por volta dessa hora, botando tudo pra quebrar com "Rock'n'Roll Star", clássico do primeiro álbum da banda, o Definetely Maybe. Logo depois veio uma das minhas preferidas, "Lyla", e a agitada "The Shock of the Lightning" deixou o pessoal com pouco folego já no começo da apresentação. Se o show continuasse no mesmo ritmo, talvez fosse um dos melhores que Curitiba teria visto. No entanto...

"Cigarettes and Alcohol", também do primeiro disco, fez o pessoal começar a relaxar e ficar mais quieto no seu lugar; apenas os fãs mais inverterados dançavam e cantavam sem parar. A rápida "The Meaning of Soul" voltou a animar a plateia, mas os irmãos Gallagher acabaram deixando transparecer que estavam apenas cumprindo contrato e fazendo o show por fazer: dava pra sentir que estava bom, mas que poderia ser bem melhor.

A próxima, "Waiting for the Rapture", cantada por Noel e sem a presença de seu irmão Liam no palco, iniciou uma sequência de quatro músicas (além dela, "The Masterplan", "Songbird" e "Slide Away") que, mesmo sendo de qualidade, deixaram a plateia parada no seu lugar: não foram poucas as pessoas ao meu redor que vi bocejando.

A animação só voltou quando Liam começou a cantar os primeiros versos de "Morning glory", rockzão agradável do disco homônimo, o mais famoso do grupo. Grande parte do pessoal voltou a cantar, mas a interação entre a plateia e o palco parecia não existir: eles por serem britânicos e serem o Oasis ainda por cima, e os curitibanos por estarem de má vontade. O pessoal daqui não costuma se comportar de maneira pouco abrasadora nos shows, mas no último domingo isso aconteceu com os 12 mil que compareceram ao estacionamento do Expotrade. Isso porque Liam interagiu mais com a plateia do que o normal, pelo que li. O Gallagher mais novo chegou até a atirar duas de suas meia-luas para a galera. Veja bem, duas.

foto descaradamente roubada do orkut alheio

Tanto que entre o fim do show e o bis, ninguém berrou praticamente nada: o silêncio meio que reinou nesse momento, salvo alguns "Oasis!" esparsos. Na volta, uma versão acústica de "Don't look back in anger" serviu para 'resgatar' o pessoal para cantar novamente e iniciou a parte que de longe foi a melhor do show: "Champagne supernova", "Falling down" e a conhecida versão pesadona de "I am the walrus" dos beatles, encerraram a primeira e talvez única apresentação em Curitiba deste que é um dos maiores grupos da atualidade.

No ônibus de volta para casa, duas certezas ficavam rebatendo de um lado para o outro dentro da minha cabeça: 1) o show foi bom, mas poderia ter sido MUITO melhor, posto que a banda em questão era nada mais nada menos do que o Oasis e 2) deveria ter sido na pedreira. Repito que o local que leva o nome de Paulo Leminski é muito melhor para eventos como esse, sonora e visualmente falando. Um estacionamento de um centro de convenções é extremamente broxante, tanto para banda quanto para fãs. E Noel Gallagher até comentou sobre isso em seu blog no myspace (reproduzo aqui em tradução livre):

Curitiba foi ótimo. O show foi, pelo menos. Não sei o que estamos tentando provar tocando em lugares como esse e aqui em Porto Alegre. Por que não fazer apenas dois shows grandes e fodas no Rio e em São Paulo?? Se todo mundo na Argentina estava disposto a viajar para Buenos Aires para fazer parte de uma das melhores noites de todos os tempos (não estou brincando, você deveria ter estado lá!) eu não sei qual que é a diferença para aqui no Brasil. São os garotos que saem perdendo, se você me perguntar. Alguém colocando um palco montável em um estacionamento não pode nunca ser comparado com os sons e as cores de um estádio. Mesmo assim, os shows em si são ótimos. Mas poderia ser melhor.

A questão dos dois shows grandes em São Paulo e no Rio não merece discussão por aqui, mas a do estacionamento sim. Quase nunca trazem grandes atrações internacionais para Curitiba e quando trazem, botam pra tocar em um lugar tosco. Nós, jovens curitibanos (saca o discurso revolucionário), precisamos da pedreira de volta. Se você por acaso foi ao show e teve a empáfia de ler tudo até aqui, aproveite e entre no site do movimento "A Pedreira é Nossa", criado pelo vereador Jonny Stica em parceria com mais um pessoal aí.

Botando em miúdos: foi ótimo ver o Oasis aqui "pertinho" de casa, mas ficou faltando muita coisa para ser uma noite memorável...



Um comentário:

guga disse...

issae!

foi mais um show... em um estacionamento!