Então vamos aproveitar aqui o momento "Fórmula 1 fever" propiciado pelo novo pacote de regras, pela reviravolta dos resultados, pela mudança no que o Galvão Bueno insiste em chamar de Hierarquia da Fórmula 1 e pela estreia-humilhation da BrawnGP e comentar um assunto que passou meio batido pela imprensa esportiva brasileira, quiçá da curitibana... Mas antes vamos fazer uma breve introdução da história:

Ali por volta de julho de 2004 (muuito antes da crise e dos cortes bruscos nas despesas, portanto) a FIA promoveu um evento desses de divulgação nas ruas de Londres, muito à imagem e semelhança daquele que ocorreu no final do ano passado no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Oito carros de fórmula 1 -- exatamente como os usados nas corridas originais -- e seus respectivos pilotos desfilaram por determinado traçado no centro da cidade inglesa, promovendo um dia atípico na vida dos que passavam por ali. [ao lado, Jenson Button. A foto foi retirada do site da BBC]
O sucesso do evento (500 mil londrinos se aglomeraram em torno dos alambrados) e a insatisfação com o GP de Silverstone fizeram o chairman supremo Bernie Ecclestone considerar a possibilidade de transferir o tradicional Grande Prêmio inglês para um circuito de rua em Londres, previsto para acontecer por volta de 2007. Acabou que o plano foi deixado de lado, tendo sido considerado "caro demais", entre inúmeras outras razões, fora a absurdez da ideia.
Pois bem, aconteceu que correram novos rumores desse tipo, desta vez sobre o fato de que Bernie Ecclestone estava considerando seriamente a possibilidade de realizar uma corrida nas ruas da cidade de Nova Iorque, que acabaria sendo a única alternativa plausível para o retorno da F1 à terra do tio sam que não Indianápolis...
Claro, a gente sabe que isso é bizarrice, que não tem nada a ver e que nunca vai acontecer. Mas o que quase ninguém sabe é que a FIA esteve nas últimas duas semanas aberta a sugestões de prefeituras que desejassem receber uma corrida da mais importante categoria do automobilismo em suas ruas. Rio de Janeiro, Curitiba e Santiago do Chile foram as únicas cidades da América Latina que enviaram seus projetos para a entidade.
Mais bizarrice ainda. Ter uma corrida de rua acontecendo na América do Sul é tão "mito" quanto a realização das Olimpíadas no Rio. Mas... mas se uma copa do mundo será realizada em terras tupiniquins e se a F1 tem em seu calendário uma corrida de rua noturna realizada em Singapura, não custa sonhar...
O Defenestrando teve acesso ao trajeto planejado pela prefeitura de Curitiba e até o transcreveu no Google Maps, pra você ter uma ideia bacana de como que vai ser o negócio. Clique aqui para abrir o mapa no seu browser e poder dar um zoom legal, porque vamos dar uma boa analisada no que seria o circuito e você vai precisar de uma referência:
Visualizar F1 Curitiba GP em um mapa maior
A reta de largada seria ali, na Cândido de Abreu. A linha de chegada seria na frente do Shopping Mueller, que pagaria milhões para que os boxes fossem instalados nas suas redondezas. A própria Cândido de Abreu é bem propícia para isso, posto as várias pistas que possui e a sua larga largura.
A longa reta continuaria ali na Barão do Cerro Azul, até chegar na Praça Tiradentes. Uma possibilidade seria virar a direita para pegar a Augusto Stellfeld para passar por baixo do viaduto da Al. Doutor Muricy, para depois virar na Visconde de Nácar e atingir a Rui Barbosa. A opção foi descartada por não englobar a reformada Marechal Deodoro, exigência da Prefeitura para uma boa imagem da cidade. Então ficou que as curvas 1 e 2 seriam no contorno da também reformada Praça Tiradentes.
Segue-se um curto trecho da também novinha em folha Marechal Floriano, até a curva à direita na esquina das Marechais. Continua-se então na Mal. Deodoro, passa pela praça Zacarias e segue a Emiliano Perneta até as duas curvas à esquerda em torno do tradicional Colégio São José. Aí entra a inusitada passagem por dentre a Praça Rui Barbosa através da ruazona do expresso, até a torsão à direita na agora recapeada Desembargador Westphalen.
Duas quadras após atinge-se a curva 7 para a entrada na Visconde de Guarapuava, onde o percurso seguirá reto até nova torsão à esquerda estrategicamente em frente ao Palácio do Rio Branco, sede da Câmara Municipal. Aí temos uma reta de médio comprimento na Barão do Rio Branco, que precisará passar por obras de alargamento, já que a rua é muito estreita.
Daí voltamos à Mal. Deodoro para um ponto de alta velocidade até a curva 10, em frente ao Mercadorama (que também pagará milhões para ter a sua logomarca aparecendo no dia da corrida), e aí os pilotos passarão para a pista da esquerda da Mariano Torres.
Lá eles seguirão para o único trecho sinuoso do circuito (Curitiba é uma cidade planejada, veja bem), passando pela entrada do Círculo Militar e por trás do Passeio Público na Luíz Leão. Depois curva à direita na João Gualberto em frente ao Colégio Estadual do Paraná (até a data ele estará reformado e com seus jardins "apresentáveis", segundo a assessoria).
Na parte final do traçado os carros deverão subir a João Gualberto pela canaleta do expresso até o cotovelo à esquerda na Praça Goethe, atingindo a Comendador Fontana. Depois temos a última curva, suave para a esquerda, que poderá ser chamada de Do Palácio (já que o Palácio do Rio Branco poderá ser visto ao fundo), e que levará os pilotos de volta à longa reta dos boxes na Cândido de Abreu.
O Paddock poderia muito bem ser o próprio Passeio Público. Curitiba inovaria, já que sendo a Capital Ecológica deixaria os Motor Homes e as cabines de imprensa espalhados em um bosque bem arborizado. Arquibancadas também não seriam grandes problemas: as principais aglomerações de pessoas ficariam na Cândido de Abreu (óbvio), na Pç. Rui Barbosa, na Visconde de Guarapuava, nas Marechais e na João Gualberto, que teriam espaço de sobra para acomadá-las.
Concluindo, seria um bom traçado, longo (6,32 quilômetros), de alta velocidade mas muito pouco sinuoso. O IPPUC ainda afirmou que o planejamento inicial incluía a passagem em frente ao museu do olho, mas descartou a possibilidade já que a distância a ser percorrida por volta passava dos 8 quilômetros. A previsão é de que em 2013 a cidade já esteja em condições de receber o evento.
Enfim, eu pagaria uma grana muito alta para ver Felipe Massa dirigindo sua Ferrari nas ruas que estou acostumado a andar. Resta esperar que as decisões excêntricas de Bernie Ecclestone venham a ter respaldo aqui na terra dos pinheirais.
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Alguém leu isso aqui até o final?
Pois então, tirando lá os parágrafos iniciais, é tudo mentira. Passar bem.
3 comentários:
[b]cuzaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaooooooooooooooooooooooooo
*ódio eterno!
hahahaha! mas é um miserável mesmo!
1º de abril atrasado! =p
seu viado
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