Comentei há alguns posts atrás que a diretoria daqui de casa decidiu assinar um serviço de Tv à cabo. E a vida é outra, sim senhor. Programas um pouco melhores e alternativos e a total ausência de novelas no período entre as 18 e as 22 horas propiciam juntos um entretenimento completamente melhor. Acho que gramaticalmente isso não está certo.
Enfim, o leitor bem sabe que os canais pagos da tv paga são oferecidos por pacote: por x reais você recebe o pacote básico com os canais mais "simples", por 2x reais você recebe um pacote um pouco melhor com mais canais, por 423x reais você consegue ainda mais canais e assim por diante.
E neste meio é comum que os canais menos simples sejam liberados para todos por alguns dias, na tentativa de se arrastar mais alguns clientes para os pacotes mais caros. O que aconteceu é que durante toda semana retrasada (a anterior à que acabou hoje) a HBO liberou o sinal para todo mundo. O objetivo era mostrar do que se tratava a programação normal do canal mas o principal era (creio) divulgar o novo seriado deles: Alice.
Do que se trata Alice? Trata-se do 3º seriado gravado pelo setor latino-americano da HBO. As séries anteriores, "Mandrake" e "Filhos do Carnaval", assim como Alice, foram todas gravadas aqui nesse Brasilzão, mas o objetivo é atingir o mercado internacional - algo como aquela "9mm", da Fox, que eu ainda não pude ver.
Tá, mas do que que se trata a série em si? Qual é a história? Trata-se da história de Alice (Andréia Horta), garota com seus 24, 25 anos de idade que vive em Palmas, Tocantins. No início do primeiro capítulo ela está com tudo acertado para se casar com o rapaz com o qual namora há uns 4 anos. O casal compra um apartamento e já está arrumando as malas para se mudar quando Alice recebe a notícia de que seu pai, Ciro, com quem não mantinha contato há 10 anos, suicidou-se em São Paulo, onde vivia. A protagonista vai até aquela cidade para acompanhar o enterro, encontra a meia-irmã, a madrasta, uma tia distante e ainda acaba ficando encantada com a cidade, com a grandeza daquela selva de pedra que é algo monstruosamente maior do que Palmas, o lugar em que ela estava acostumada a viver. Diante disso tudo, na hora de ir ao aeroporto para voltar para casa Alice fica presa em um engarrafamento e acaba perdendo o avião, lógico. A série toda se baseia nesse, no inusitado e involuntário descobrimento de uma metrópole cinza e movimentada durante o dia e colorida e alegre durante a noite por uma personagem que está acostumada com a vida numa cidade da região norte.
Veja aí o trailer:
Se você é curioso como eu para essas coisas, aqui tem o link para o mesmo trailer em espanhol. O primeiro episódio foi ao ar domingo passado (21/08), mas é possível vê-lo na íntegra e for free no site oficial da série.
Mas vamos ao ponto que eu queria chegar: se você (mesmo sendo um leigão, como eu) for analisar o lado técnico da série, você não se engana - é um filme. A qualidade da imagem é boa, o posicionamento das câmeras é diferente do convencional, a fotografia é maravilhosa. Você percebe que o knowhow é grande, parece que as gravações não foram feitas por brasileiros -- foi o que me pareceu. Mas daí o episódio acaba e aparecem os créditos: absolutamente todos os nomes são 'brasileiros'. E aí você pensa "pô, é possível gravar coias boas no Brasil!".
Agora você pega e analisa as coisas gravadas pela globo (sejam novelas, seriados ou filmes): tudo é lixo perto da qualidade técnica de Alice. A fotografia global é sempre a mesma, as tomadas globais são sempre as mesmas, os atores são sempre os mesmos, as atuações são sempre as mesmas, os roteiros sempre muito semelhantes. As exceções (que são raras) normalmente possuem um dedo externo. Tá certo que a HBO tem recursos e que com R$1 milhão dá pra fazer estragos, mas sabe-se que o orçamento da globo não é baixo e que knowhow ela tem (ou deve ter). No mínimo MUITA experiência ela possui. Por que não dedicar-se e fazer algo bom? Por que não deixar de produzir 3 novelas simultâneamente com duzentos e poucos episódios cada uma para concentrar-se em uma coisa só, de qualidade muito maior em todos os termos? Vejamos lá exemplos: enfiar um anúncio nas filmagens é sempre algo difícil de se fazer com qualidade. Tanto que parece que a globo nem se esforça em tentar: se na novela quer se fazer propaganda de tinta para cabelo, surge uma cena sem nexo com o resto da história de alguma personagem no banheiro de sua casa com um monte de caixinhas de Avon empilhadas em forma de pirâmide em cima do balcão, como se fosse numa loja -- chega a ser desagradável. Já em Alice não. Enquanto Alice pegava o taxi para voltar para o aeroporto, passa no fundo da imagem um posto de gasolina com a logomarca da Texaco desfocada mas claramente perceptível, com as cores em evidência. Eu saquei a propaganda e não foi forçado.
Quem tem opção e se liga, migra. Talvez seja por isso que a globo esteja perdendo território no seu reino da Tv livre, fora a evolução dos outros canais abertos. Enfim. Não me contive em fazer uma resenha do seriado e acabei criticando a globo. Eita.
Voltando à Alice, como já é de praxe no meio do entretenimento experto, há o uso da internet como forma de publicidade inteligente: é possível encontrar por aí o blog mantido não pela atriz mas pela personagem, a própria Alice. Surge aí um complemento, uma fuga. Você não precisa estar com a televisão ligada no horário certo para estar de algum modo atrelado ao seriado. Isso é uma tendência, e isso aconteceu com maestria na divulgação do Cloverfield, filme do JJ Abrams, produtor de Lost.
Chega. Terminei por escrever um texto enorme, e o plano era ainda falar do grande prêmio de Cingapura de fórmula 1 de domingo de manhã e o pirulito da Ferrari, mas não vai rolar.
Fato é que desde segunda passada a HBO fechou o sinal de volta, e daqui a pouco vai ao ar o segundo episódio e eu não vou poder ver. O jeito vai ser baixar em algum lugar aí, ou apelar para o velho youtube.
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Paguei um pau pra HBO hein? Será que eles me pagam alguma coisa por isso?
Sabe como é, blogs são que nem seriados de tv norte-americanos: quando a gente não tem material novo, apela para a reprise. Até tentei escrever um post nerd falando sobre fractais, mas como um cara que odeia matemática vai escrever um texto inteiro comentando sobre um dos ítens mais complexos dessa ciência, hein?
Sem contar que não estava conseguindo explicar nada direito. Aliás, esse é um dos meus defeitos, não conseguir explicar nada direito. Nem sei como que vai ser quando eu tentar virar jornalista. Mas vá lá.
Segue abaixo um post bizarro e non-sense, datado de 19 de maio de 2005 -- início da primeira temporada do Defenestrando. Aproveite.
"Ele se chama Luiz. acorda com a rádio-relógio tocando Portishead. olha no relógio: 6:30. embora a música seja triste, ele está feliz, pois como previsto, todos na empresa ganhariam um aumento. ainda na cama, se espreguiça, desliga o rádio-relógio e coça o couro cabeludo. levanta. tira o pijama, bota a calça social, uma camisa e põe o relógio. abre a porta do quarto, entra no corredor. a chama na vela acesa na noite anterior continua brilhando forte. apaga-a. sai do corredor, entra na cozinha iluminada com a fraca luz da manhã. abre a geladeira, pega o pão, a margarina, o presunto, o leite e fecha a geladeira para em seguida, sentar na mesa. abre o pacote de pão, pega duas fatias, passa margarina, põe o presunto. olha no relógio: 6:45. fecha o pão. com 4 mordidas bem dadas, termina a refeição. prepara o leite, toma-o e guarda tudo na geladeira de novo. vai pro banheiro, pega escova, lava os dentes, passa desodorante, guarda a escova. olha no relógio. 6:55: hora de ir embora. pega a sua maleta, e vai em direção a sala. abre a porta e entra no corredor em que se pega o elevador do prédio. aperta o botão. acende a luz do corredor. olha no relógio: 6:57. o elevador chega, mas demorado, como sempre. ao entrar, aperta o botão com um "T" escrito e aguarda a porta fechar. subitamente tudo se apaga. o chão some. Luiz escuta gritos, um lobo e uivando e, curiosamente, uma mulher que diz: "tá muito pequeno esse. não tem o mesmo modelo em um tamanho maior?". depois disso, desmaia. Luiz acorda estirado numa calçada do centro de uma cidade movimentada. olha no relógio: 3:15 da tarde. levanta-se e entra no prédio mais próximo. depois de passar pela porta, encontra um senhor com seus quarenta anos, careca, que lhe pergunta: "Bom dia Seu Luiz! chegou mais cedo hoje?" "Sabe como é Seu Zé! quanto mais agente trabalha, mais agente ganha." e entrou no corredor mais próximo, feliz com o aumento que iria receber"
A redação do Defenestrando tem se empenhado em tentar escrever um conto a ser inscrito no concurso de contos Paulo Leminski, que acontece em Toledo. O prazo de inscrição acaba no final de novembro, mas a equipe defenestrada luta para finalizar o conto o mais cedo possível. E o prêmio (em dinheiro) é muito atraente, embora muito mais difícil de se alcançar do que o prêmio recebido pelo blog no início do mês de junho desse ano, vamos ser realistas. Na verdade, a base do conto já está pronta; o que falta agora é lapidá-lo e dar-lhe as formas permanentes.
O que posso garantir é que a história é surpreendente e que devo publicá-la aqui assim que me for plausível. Se por algum acaso o leitor ficou curioso para saber do que se trata, jogo-lhe uma sinopse: rapaz lê conto de Clarice Lispector, fica chocado e resolve tomar um copo de água misturada com gesso.
Todo o fato de estar escrevendo o conto aliado à cada vez maior proximidade do vestibular deixa comprometida a regularidade dos posts. Mas vocês bem sabem, a programação volta ao normal a qualquer instante. QUALQUER instante.
Qualquer instante mesmo. Isso pode ser AGORA ou tipo, daqui a uns dois meses. Então se você está aqui, lendo esse post agora, clique no botão de "atualizar" do seu browser para ver se não surgiu um post novo por geração espontânea e instantânea nesse exato momento.
Época de eleições é aquela coisa de sempre: sujeira publicitária espalhada por toda a cidade, jingles que roubam sua atenção e que você decora involuntariamente, pesquisas de intenção de voto nos jornais, horário político obrigatório na Tv e no rádio e tudo o mais.
Aliás, sobre o Horário Político... sabe-se muito bem que ele adianta quase nada. Os candidatos a prefeito prometem ações incríveis que deixam os olhos dos eleitores brilhando e que no entanto têm sua realização comprometida perante o seu caráter fantástico e tudo o mais. Fora o programa dos candidatos a vereador: cada pretendente pronuncia apenas uma única frase que sintetiza todo o seu plano de ações como legislador caso eleito, e ainda presume-se que baseado nestas poucas palavras o cidadão escolha uma pessoa que será responsável pelas leis da cidade nos próximos quatro anos.
Veja bem, não quero vir até aqui e começar a gritar que "eleições não prestam", que "nenhum político presta" e que você deveria votar nulo, mas sim que se deve votar em quem você saiba quais são as promessas.
E se nenhuma das promessas de nenhum dos candidatos tocarem no assunto que lhe interessa, o que fazer? Entre em contato com eles e pergunte-os. Mas como? Pois é, boa pergunta.
É nessas horas que vêm bem a calhar iniciativas como o blog Cadê meu candidato?. Trata-se de uma campanha na qual aquele blog enviou há algumas semanas uma mesma pergunta (relevante, diga-se de passagem) por e-mail a todos os candidatos à prefeitura de Curitiba; até agora nenhum manifestou-se interessado em responder. Se quiser, você também pode fazer parte da empreitada enviando suas perguntas; as instruções estão no blog.
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Saindo da política (tema até então inédito no Defenestrando) e caindo na cultura, minha "banda da semana" é o The Gossip. Fiquei encantado com um clipe em que a banda tocava ao vivo para uma platéia extremamente empolgada, cativada pela vocalista que é uma persona, digamos, gorda e bizarra, e que sabe muito bem conduzir uma platéia aonde quiser.
Abaixo você vê "Standing in the line of control", ao vivo em um festival da Radio1, com direito a canjinha de Nirvana no começo. Se você quiser ver a mesma versão que me encantou (que é a versão oficial do DVD ao vivo e na qual a platéia está MAIS empolgada), faça o favor de clicar aqui e ir parar no youtube.
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Faz algumas semanas que tenho aqui em casa um membro novo da família: não é nenhum irmãozinho novo -- melhor -- mas uma Tv à cabo. "Acabo de comprar uma Tv à cabo", já diria o poeta. E por causa disso venho acompanhando com louvor (??) a série "Pushing Daisies", que se trata das desventuras de um rapaz chamado Ned que possui um dom bizarro: ao tocar em um ser vivo, este ser morre. Da mesma forma, se Ned tocar em um ser que já morreu, este volta a viver; e se Ned toca novamente em um ser que ele ressucitou, este morre para sempre, sem a possibilidade de um novo re-ressucitamento.
É sobre essa premissa que o rapaz acaba trazendo de volta à vida um antigo amor que já havia (literalmente) morrido, a bonitinha Charlotte. Com o convívio os dois se apaixonam, mas o amor é impedido pela falta de contato físico, já que se Ned volta a tocar em Charlotte, esta morre novamente, e permanentemente.
Os episódios duram cerca de 40 minutos e são frenéticos, de modo que os cortes são sempre rápidos e que as histórias tenham grandes reviravoltas em questão de segundos. Completa o cardápio um visual fantástico, onde cidades são extremamente coloridas e gramados são do mais ofuscante verde.
Vale a pena conferir o circo: domingos e quartas às 21h, na Warner.
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Se você leu o post passado sobre o Futurismo, volte lá que eu fiz um Update.
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E se você teve a persistência de ler até o final do post de hoje, e se você leu a história que escrevi sobre a Ligação a Cobrar e achou que aquilo tudo era verdade (ou pelo menos muito convincente), confira a versão (a princípio) verdadeira no site da revista Mundo Estranho, que (também a princípio) tem mais credibilidade do que o Defenestrando.
Adoro os leitores desse blog, sem exceção. E acho que a parte mais legal de "ter leitores" é descobrir de onde eles vêm. Pois bem, utilizando do serviço que mede as visitas do Defenestrando, descobri que alguém veio parar aqui clicando em um link de um tópico de uma comunidade do orkut. Até aí, nada de mais. Mas deixa eu te contar:
Se você tirar alguma conclusão sobre do que isso se trata, me conte, porque eu ainda não tenho idéia do que seja. Só sei que acho engraçado.
Ah, eu acharia super legal se surgisse nesse post algum comentário da Samira.
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UPDATE - recebi um comentário anônimo dizendo:
"O blog era pra ser defenestrando.wordpress.com Ela jah concertou e o teu link foi pro beleléu. http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=16746&tid=5243195667223199955&start=1"
Meu link foi pro Beleléu. Mas agora já sei que meu blog tem mais um xará. Mais um xará, meu Deus! como é difícil ter um blog único com nome simples. Digite "Defenestrando" no google e veja o que aparece.