23/08/2008

Ligação a cobrar




Temas para boas investigações costumam aparecer em pequenos acontecimentos do cotidiano. O post de hoje surgiu exatamente em uma situação dessas:

Tempos atrás, enquanto minha mãe viajava a trabalho recebi dela um telefonema a cobrar. Fiquei sabendo que o custo da ligação iria para a linha que eu estava usando através da inconfunudível voz feminina que há anos foi gravada e que até hoje é repetida todos os dias à exaustão, em centenas de milhares de ligações que são feitas por todo o país.


A gravação é curta, e todos os brasileiros que têm um telefone em casa a sabem de cor: "chamada (local) a cobrar; para aceita-la continue na linha após a identificação". As exatas frase e entonação são folclóricas na telecomomunicação e no imaginário nacional. Existe também a variação menos rememorada "Após o sinal diga o seu nome e a cidade de onde está falando", que é tocada para quem origina a ligação a cobrar.

É inimaginável o cotidiano do brasileiro sem aquela voz, de tão impregnada que ela está é tão banal que é. Seria muito esquisito (para não dizer repulsivo) se ao atendermos o telefone escutássemos a voz de um homem dizendo com pouca delicadeza -- e talvez algum sotaque -- que alguém está querendo que você pague a ligação -- não bastasse a desagradabilidade da notícia.

Foi nesse ponto do raciocínio que fiquei curioso para saber de quem é a famosa voz: tive vontade de descobrir quando que a gravação foi feita, em que cidade, em que contexto, por que razão e o principal, como ela se sente por fazer parte de uma tradição tão forte do país em que vivemos.

Tratou-se de ir atrás da informação e logo o Defenestrando contatou a Anatel pela maneira mais difícil de se conseguir alguma informação nesse mundo: telemarketing.
Depois de horas de espera, muitas musiquinhas e transferências para diferentes setores daquela instituição, consegui -- com muita insistência através de uma mulher que se dizia uma antiga funcionária -- descobrir apenas que a dona da voz é Patrícia Gomes Ruiz e que ela costumava morar em Curitiba, mas isso era há muitos anos atrás e agora ela já não sabia de mais nada.

Localizei a lista telefônica e, cruzando os dedos, procurei pelo seu nome; para a sorte do blog e da reportagem, Patrícia ainda mora por aqui. Disquei o número e ela atendeu, com a voz inconfundível e a entonação marcante. Em uma conversa rápida e bem-humorada, fiquei sabendo que a gravação foi feita em 1983 e começou tocar nos telefones a partir do mês de agosto daquele mesmo ano; ela ainda me contou que o processo da gravação foi super rápido: em um dia normal de trabalho, lhe perguntaram se ela gostaria de gravar a sua voz para ajudar na modernização da telefonia e ela respondeu que sim. Cerca de 5 minutos depois, tudo já estava pronto e a mensagem automática começaria a tocar dentro de alguns meses.

Quando questionada se ela é de alguma forma reconhecida, Patrícia comentou que muitas vezes ao fazer pedidos em restaurantes os garçons reconhecem seu timbre e acabam reagindo de maneira engraçada ao descobrir que aquela voz tem uma cara. Mas apesar disso, disse que sua vida é normal e que ninguém a reconhece enquanto caminha na rua, e que não esperava nenhum pouco que uma coisa feita tão rapidamente como aquela gravação perduraria por tantos anos na vida de tantas pessoas assim.


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Quero comentários dizendo se essa história está convincente e se você acreditou nela.

17/08/2008

azia II / subburbia / doping


Agradeço a solidariedade dos leitores que se solidarizaram em comentários solidários a respeito do meu último post. Alego que estou tentando relaxar o corpo e a cabeça o máximo que me seja plausível por aqui; porque afinal, se não me cuidar, vou ser um daqueles que passam mal e não passam no vestibular, como o (a) gorba (que eu não sei de quem se trata) já bem me salientou.

Digo que estou passando mal sim, mas talvez não no mesmo sentido do que o rapaz (a garota) quis dizer; não estou em depressão, mas sim um aperto no estômago depois de quase todas as refeições -- algo que eu senti inicialmente mais ou menos no fim do semestre passado e em menor intensidade, e que relatei aqui. Daquela vez fui ao médico, que me receitou dormir mais, estudar um pouco menos, praticar esportes, comer um pouco melhor e uma homeopatia.

Melhorei, mas uma semana depois do fim das férias voltei a sentir (e continuo sentindo) o aperto no barriga no momento das digestões. Terça-feira próxima, à noite, volto ao médico e vamos ver o que que ele me diz.

Mas li no auto-ajuda-best-seller "O Segredo" que se estou com algum problema de saúde e quero livrar-me dele, devo agir como se ele não existisse, e por conseguinte não devo contar dele para ninguém. Já contei para um monte de gente e agora estou publicando isso aqui, não sei porquê.
Chega, falemos de algo melhor.

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Música: tenho achado muito bacaninhas as músicas da banda curitibana Subburbia. Tratam-se de pulsantes e dançantes sons, cujas características principais são os vocais estridentes e os tecladinhos que remetem à tendência do final dos anos 2000 de reciclagem das bandas de tecladinhos dos anos 80. Para dançar.

Ao clicar no link ali em cima, o leitor irá cair no myspace da banda; lá, ouça "Soul Sister", "Jesus Express" e "9 10 once again".
Se o mesmo leitor tiver preguiça de ir até o myspace mas ainda assim estiver curioso para ver 'qual que é a da banda', ele pode ver este videozinho aqui em baixo, no qual o conjunto faz showzinho no sebo Taborda (que até então eu não sabia da existência) com a banda Cachorro Grande entre os espectadores.





(a jamzinha do começo do vídeo NÃO é o Subburbia)





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Olimpíadas: se você sabe que existem as olimpíadas e se você tem uma Tv em casa, você viu pelo menos uma vez em algum jornal a final dos 100 metros rasos. O tal do Usain Bolt bateu o recorde mundial e ganhou a medalha de ouro com tal facilidade que parecia criança brincando de pega-pega.



Opinião do Blog apresentada de maneira direta e sem xorumelas a respeito do assunto: Doping.
Corro todo o risco de parecer um cético daqueles desagradáveis ao dizer uma coisa dessas, mas a facilidade na vitória foi tanta que só pude desconfiar. Assisti às eliminatórias, vi e revi a final e cheguei a duas conclusões, a saber, ou a vitória de Usain Bolt foi fruto do uso de substâncias que ajudam o desempenho ou o jamaicano é claramente um extra-terrestre.


Como a segunda opção é pouco plausível, dou ênfase à primeira. Alguém aí sabe se já saiu o exame anti-doping do rapaz? Se sim, me avise, por favor.














Acho que quando eu ficar velho, vou ser um daqueles grandes céticos irritados e irritantes.

10/08/2008

Está difícil para mim aguentar essa vida de vestibulando aqui. Tenho passado meio mal.

Você aguente firme aí a ausência de posts regulares que eu vou tentar me aguentar saudável aqui até o fim do ano. Vou confessar que tenho sido o meu maior inimigo até agora.

E tenho certeza de que se eu não passar na porra do vestibular a culpa vai ser minha, que tenho me pressionado mais do que todo mundo.

Odeio clichês, mas sabe o quê? Que o vestibular vá a merda.

02/08/2008

post que tem a foto na escuna




Meu estado durante a semana passada foi esse. Mas desde segunda-feira última tem sido justamente o contrário; ainda estou me readaptando à rotina, que era mais puxada do que eu lembrava. Por isso não tive tempo de pensar em nada decente para escrever. Venho com este post apenas retirar a poeira que já se acumulava por cima da notícia da Carrocinha de Idiotas.

A Carrocinha de Idiotas aliás, causou nos leitores reações que julguei engraçadas: alguns acharam que um serviço como esse deveria existir em todas as cidades, outros falaram que eles mesmos estavam ferrados, outros não entenderam patavinas e outros falaram que não sabia que existia dessas coisas em Curitiba (!!!).

Os posts estão atrasados, como você já bem percebeu. Isto tem sido uma constante durante esse ano. Ainda não será neste sábado que a programação volta ao normal. Mas já adianto que daqui para frente, a equipe de redação do blog passará a trabalhar de maneira diferente: os textos serão planejados com antecedência (coisa praticamente inédita durante os 3 anos e meia de existência deste sítio), durante o decorrer da semana. Os posts devem sair aos domingos, creio -- a saber que o ritmo semanal não é garantido.

Abrazos.