18/06/2008

O Dia em que Oilman me entendeu errado



Como o leitor já bem pôde ler no título, Oilman me entendeu errado. O fato aqui é tão impactante que tive de vir com uma postagem de quinta-feira, coisa que é totalmente fora de rotina para este que vos escreve. Mas já vou adiantando: não se trata de ficção -- e o bom leitor fiel tem a minha palavra.


Não é ficção mesmo. Deixa eu contar: estava eu a caminhar por uma das Marechais (não sei se a Floriano ou a Deodoro, nunca sei qual que é qual) quando avistei a famosa figura do folclore curitibano empurrando sua bicicleta calmamente, desviando das multidões que costumam freqüentar as calçadas do centro durante a tarde.

Ainda munido do ímpeto "Curitibanesco" que o Gigante me despertou, quis tentar saber alguma coisa sobre esse personagem tão querido de nosso cotidiano. Logo em seguida brotou-me na cabeça uma dúvida: "se o oilman passa o dia inteiro e todos os dias andando de bicicleta, como então ele se sustenta, financeiramente falando?"

Armado da curiosidade que deve mover os jornalistas e vencendo a minha tradicional timidez, me aproximei do cidadão mais oleoso dessa cidade e perguntei, sem mais delongas:

- Rapaz, me diga uma coisa que eu tô meio curioso aqui, como você se sustenta? tipo, você trabalha, tá aposentado, como que é?

Julgo que o que eu disse foi ou grosso demais, ou idiota demais, ou ele me entendeu errado, ou ainda ele é meio esquisito da cabeça (torço para que esta última não seja verdade). Só sei que ele estremeceu, irritou-se e respondeu algo como:
- Cara, você tá achando que eu não sou homem pra fazer o que eu faço? Por que você não pega uma sunga, sobe em cima de uma bicicleta e começa a andar pela cidade?

Quando vi que falei alguma coisa errada, tentei concertar:
- Não, não foi isso que eu quis dizer... -- mas ele aparentemente ficou bastante irritado e não me deixou explicar.
- Olha, eu sou homem de estar fazendo isso, entendeu? Eu ando nessa bicicleta já faz 11 anos.

E ele fazia questão de falar alto, e é claro que ao redor algumas pessoas paravam para ver o que estava acontecendo. Já imaginou, o Oilman passando sermão no meio da rua em um piazote, de óculos? Eu mesmo pararia pra ver, também. Continuei tentando me explicar:
- Não, não é isso, eu acho muito nobre a sua causa e ainda... -- pode parecer ridículo, mas eu falei alguma coisa bem assim.
- ...beleza, obrigado, mas eu queria ver VOCÊ andando aí pelas ruas de sunga...

É válido lembrar que os diálogos não são exatos, posto que a emoção no momento era forte. Não me lembro de outras coisas mais que ele disse, mas sei que ele perguntou o meu nome e idade, e ainda continuou dando esporro. O pessoal ao redor ainda olhava, e percebi com o canto do olho que um velhinho, desses que pela aparência você julga serem bonachões e freqüentadores dos cafés da Boca Maldita, estava acompanhando o acontecimento de perto. Percebendo que havia um mal-entendido, ele interviu:
- Calma, calma, poupa o menino...
- Ele fica aí dizendo essas coisas, pô... -- Oilman se explicou.
- Ele não agiu de má fé, não é? -- o homem perguntou para mim.
- Não, não! De maneira nenhuma! -- respondi, já arrependido de ter começado aquilo tudo.

Ainda houveram umas palavras rápidas, mas depois daquilo o Oilman também não fez questão de prosseguir. Aproveitei para sair logo dali e me esforcei para não olhar para ninguém que estava ao redor, para não ficar com vergonha. Ainda ouvi ele comentando com alguém:
- Ah, cara de 17 anos fica falando essas coisas aí...

Fui embora sem sentir remorso ou ficar bravo, mas saí sim angustiado porque não estou nem um pouco acostumado a discussões, muito menos discussões esquisitas como essa. Na vedade, me pareceu que ele estava com alguma coisa intalada, que aquilo foi a gota d'água e ele explodiu.

Se por algum acaso o próprio Oilman estiver lendo isso (e olha que, com o Google, isso não é impossível), quero deixar claro aqui o meu pedido de desculpas, por o que quer que o que pareceu o que eu disse. Compreendo que uma vida dessas não deve ser nada fácil, já que a distância a ser percorrida entre ser motivo de piada e ser motivo de respeito é enorme. Admiro o valor que este personagem tem na cultura curitibana, e repito o que o amigável velhinho disse: não quis, de maneira alguma, agir de má fé.





E assim foi descrito, de maneira breve porém sucinta, O Dia em que o Oilman me entendeu errado.



15/06/2008

Necessidades / Gigante vencendo


Nessas andanças que a gente faz pelo mundo, é natural que o corpo pratique o seu metabolismo natural e que naturalmente sintamos vontade de ir ao banheiro, naturally. E aí você já pode imaginar que o post dessa semana vem falar justamente sobre um tema polêmico: banheiro.

Pois bem, no primeiro dia da primeira e única vez em que estive fora do país (excetuando-se a vez em que passei um dia na glamourosa Ciudad de Leste), estava eu em um café situado na esquina de uma cidade cujo nome não revelo a fim de evitar conclusões precipitadas por parte dos leitores de que a Equipe Redatora deste blog fica se gabando das coisas que faz -- mas o nome da cidade começa com "P" e termina com "ris" -- quando senti que precisava ir até o banheiro mais próximo.

Com alguma dificuldade na compreensão linguística, perguntei a um dos garçons do café onde se situava o tal do "toálete" mais próximo: ele me informou que nos fundos do salão e ao lado da cozinha havia uma escada que descia até os banheiros; o masculino era a primeira porta à esquerda depois da escada.

Desci a escada lembrando dos filmes que mostram a parte dos fundos dos cafés e bares europeus, onde sempre alguma coisa "esquisita" acaba acontecendo; abri a porta do recinto destinado a homens e descobri um cubículo higiênico com não mais do que um metro quadrado de área, limpinho. Localizei o interruptor, acendi a luz e, como é de praxe entre os homens cuja necessidade no banheiro não é muito grave, posicionei-me de pé em frente do vaso sanitário, abri o zíper e comecei a fazer o que tinha de fazer. Só não contava com o fato de que a luz se apagasse de repente, sem mais nem menos, inundando de escuro o minúsculo banheirinho ainda enquanto eu prosseguia em minha tarefa.

"Tudo bem, estou em um banheiro subterrâneo de um café do centro da capital da França, sem luz. Vamos agir com calma." pensei comigo mesmo. Balancei os braços, na esperança de que houvesse algum sensor de movimento que pudesse acender a luz, como é o caso dos banheiros aqui do Brasil: não havia nenhum e a lâmpada continuou apagada.

Já estava começando a achar que não estava tudo bem, que eu ia ficar preso num banheiro logo no primeiro dia da viagem e que ia dar tudo errado, que eu ia morrer, que poderia surgir algum assassino como os que existem no tenso filme "O Albergue", que alguma bomba ia explodir, que ia cair um avião ali e que todos iriam morrer, quando encontrei, na base do tato, o interruptor de luz.

"Ufa". Agora enxergando novamente, recobrei os sentidos, ressenti os sentimentos, revivi os acontecimentos, fechei o zíper e calmamente enxagüei as mãos (na torneira da pia, não pense besteira), podendo finalmente girar a maçaneta e sair do banheiro.

Adoro dramatizar as bizarrices simples e cotidianas a troco de conseguir um post a mais para esse querido blog; o leitor deve saber que toda a cena descrita acima não durou mais do que um minuto e que eu muito me diverti com ela, mesmo não tendo sido assim que eu a representei por aqui.

Mais tarde descobri que em vários banheiros de cafés e restaurantes daquele continente é comum que você aperte o interruptor para acender a luz uma única vez e que ela apague sozinha depois de um tempo pré-determinado.

Agora o amado leitor imagine que, por estes dias atrás, estava eu em um bar bacaninha desses do Largo da Ordem quando a natureza me chamou novamente, agora para uma necessidade mais grave (o nº2, entenda-se). Apesar de todas as recomendações de que não se façam essas coisas nesses lugares, não tive como aguentar; fui até o banheiro, sentei-me à privada e comecei a fazer o que tinha de fazer.

Como o leitor já deve ter imaginado, a luz apagou-se sozinha. E aí deve-se saber que a situação era mais grave. Poderia fazer aqui uma dramatização ainda maior, mas estou com muito sono e pouca paciência para tal. O leitor só precisa saber que por sorte alguém entrou no banheiro justamente nessa hora, fez-se luz e tudo se resolveu numa boa.

Você lê aqui um post antigo sobre uma outra aventura sanitária européia vivida por este que vos escreve.



*Reparou na franqueza com o que eu contei a história?
Nem me venha com essa de "ui, você foi no banheiro na balada??!" porque eu sei que você também faz dessas coisas.

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Na última quinta-feira este blog foi até a Fnac receber o certificado de 'Mérito Literário' pela escrituração do conto "Entrevista com o Gigante Curitibano", a mini-série que, se por algum acaso você ainda não leu, pode ser encontrada alguns posts abaixo.

O "Gigante" conseguiu o primeiro lugar na 1ª Gincana Literária de Curitiba, e o prêmio é nada mais e nada menos do que um fim de semana for free em um resort/spa/hotel em Guarapuava.

Toda a equipe de redação está orgulhosa de si mesmo e agradece de coração a todos os que leram, comentaram, criticaram e deram forças; como já é de praxe dizer, "nada disso seria possível sem vocês", incluindo-se aí você, amado leitor cativo, culto e cultivado; assíduo acima de tudo.


Um abração.

04/06/2008

só alegria

Prezado Felipe Emanuel Gollnick;

Cumpre-me o prazeroso dever de parabenizá-lo pelo seu texto ENTREVISTA COM O GIGANTE CURITIBANO. Muito criativo. Parabéns!

Pelo inusitado do tema e pela forma criativa com que foi escrito, o que gera uma leitura agradável e cativante, ele foi selecionado como um dos ganhadores na 1ª Gincana Literária de Curitiba - Taki-Keva. Entre os mais de 1.000 inscritos, o seu texto foi selecionado junto com mais dois que merecem total destaque e apoio. Parabéns!

Portanto, os 3 textos selecionados vão fazer parte do livro CURITIBA: 315 ANOS DE MEMÓRIA, TRADIÇÃO E IDENTIDADE que será lançado em um evento na Fnac do Shopping Barigüi no dia 29 de agosto de 2008, data da assinatura da Lei 704 que emancipou a comarca de Curitiba da Província de São Paulo, criando a Província do Paraná.

No próximo dia 11 de junho, solicito a sua presença e de seus familiares na Fnac do Shopping Barigüi, às 19:30 horas, para receber o seu prêmio e o Certificado de Mérito Literário emitido pelo Instituto Memória e pela Fnac Curitiba.


Além da entrega da premiação, neste dia acontecerá a palestra e bate-papo sobre o tema CURITIBA NAS CURVAS DO TEMPO com Anthony Leahy, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, da Academia de Cultura de Curitiba e da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História. Medalha de Mérito Cultural 2007 pela Câmara Municipal de Curitiba. A palestra será um passeio pelas particularidades de Curitiba nas diversas épocas do seu desenvolvimento histórico (a formação do nome, data da fundação, Rua das Flores, Maria do Cavaquinho, travesti Gilda, Bonde Caradura, Alvoradinha, fábrica de metro, pianos Essenfelder, balas Zequinha, cetra, búrico, fidusca,... Curitiba). Afinal, não queremos viver de passado, mas queremos que o passado faça parte do nosso futuro.


SERVIÇO:
LOCAL: Fnac ParkShopping Barigüi
DATA: 11/06/2008
HORÁRIO: 19h30min
Entrada Franca

Mais uma vez: Parabéns, Felipe!
Continue lendo e escrevendo. Lembre-se que o que não compartilhamos, perdemos.

Editor: Anthony Leahy
Instituto Memória Editora & Projetos Culturais
www.institutomemoria.com.br

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Dia 11 de junho agora, todo mundo lá na Fnac do Barigüi, fechou?