24/05/2008

azia / cachorro grande / velocidade


Depois de um conto enorme desses, voltam ao blog os comentários de relevância nula costumeiros dos blogueiros que se prezem. Porque afinal, todo blogueiro que se preze faz pelo menos um post por mês só com comentários de relevância nula para os leitores. E olha que já faz mais de um mês que eu não publico aqui um post só com comentários de relevância nula. Mas vamos a eles:

Já faz mais de uma semana que o meu interior vem reclamando de problemas.
- Interior, Felipe? Que interior? Você tá querendo dizer que sua mente está com problemas?
Não.
Meus problemas são mais físicos mesmos. Intestino e estômago não estão satisfeitos com as condições a que venho me submetendo.
- Que condições são essas, Felipe?

Desconfio que seja stress. Sabe, pressão (interna) para passar no vestibular e pressão (externa e interna) para escolher já o curso correto e a profissão certa que concilie gosto e habilidade da minha parte e bons salários por parte do mercado.

Desconfio também que o meu maior inimigo na disputa por uma vaga na federal no ano que vem talvez seja eu mesmo. Se até o final do ano eu não matar o Felipe Costa pelo cansaço, ele passa no vestibular no curso que ele quer.
- Ai Felipe, pára de falar confuso! Não tô conseguindo entender.
Tá bom! Próximo assunto, por favor.


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Baixei esses tempos o último disco do Cachorro Grande, o "Todos os Tempos", o da fotinho aí do lado. Achava que o disco tivesse sido lançado há poucos meses atrás, mas acabei descobrindo que ele veio à luz em julho do ano passado, quase um ano atrás.

O negócio é que está aí algo que é bom de ouvir. Se o leitor por algum acaso conhece os outros discos do CG, sabe que a banda detém rocks diretos e dançantes, mas o que temos aqui é quase que o contrário: rocks mais introspectivos e calmos, com letras mais profundas, o que obviamente aponta o clichê de que a banda amadureceu, como está no próprio release oficial do álbum. Não que amadurecer seja ruim, longe de mim, por favor. Ainda bem que todas as bandas amadurecem. O que seria o Los Hermanos se eles não amadurecessem? Enfim.

O que temos que ressaltar aqui é que este álbum está muito gostoso de ouvir, sabe como? Ao ouvir a primeira música, "Você me faz continuar", o ouvinte se sente naquele clima agradável daquelas conversas típicas e agradáveis de dois namorados que se entendem.

Esse clima calmo perdura durante o disco quase inteiro; mas os gaúchos não esqueceram das suas origens "roqueiras", e em "O Certo e o Errado" e "Conflitos Existenciais" dá pra balançar o corpo daquela maneira que a gente presume que as bandas de rock dos anos 60 e 70 faziam.

A música "Roda Gigante" está direto tocando no top10 aqui da Mtv brasileña, e sabe, isso muito me agrada. Não por ser o Cachorro Grande, mas por ser uma banda de qualidade, de um rock bom, que esteja com um espaço bacana dentro do mainstream e que caiu no gosto de um monte de gente, pelo jeito. Falei de mainstream?
- Falou sim. Pára com isso, Felipe!
Tá bom. Próximo assunto, por favor.


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Fui ver ontem o Speed Racer, e rapaz, que filme bom.
Sabe aqueles filmes que apregoam a máxima "o chapéu do mocinho não cai" e que por causa disso têm tudo para serem ruins? Então, essa adaptação tem tudo para ser tão ruim quanto esses outros filmes. Só que, como eu disse, Speed Racer é ótimo. É talvez um dos melhores filmes que já assisti.
- Nossa, se foi um dos melhores que você já viu então deve ser bom mesmo, hein?
Detesto quando as pessoas comentam isso. Enfim.

Pois então, o filme tem tantos efeitos especiais que é fácil encontrá-lo em alguns sites classificado como "animação". O longa-metragem é sim gravado com atores reais, em pele e osso, mas grandes trechos foram todos produzidos por computador, essencialmante as cenas das corridas.

O leitor que possui um pouco de cultura inútil sabe bem que o Speed Racer trata-se originalmente de um desenho antigo de corridas (dã) fantásticas, onde o protagonista homônimo participava de rallies incríveis que passavam por lugares inóspitos correndo contra concorrentes que faziam de tudo para tirá-lo da corrida.

Nesse "fazer de tudo" leia-se usar armas que são projetadas pelas latarias do carro, saltos repentinos provocados por mecanismos especiais e tudo o que se puder imaginar. Enquanto tudo isso acontece, Speed tem que dividir atenção com o seu irmãozinho mais novo e o macaco dele, que estão sempre por perto aprontando todo o tipo de confusões; com o seu pai que é chefe da equipe pela qual o mocinho corre; com a sua mãe; e por fim, com Trixie, sua linda namorada.


Aliás, sobre Trixie (essa aí do lado) ser linda, pelo jeito a produção do filme levou a sério esse detalhe e eu tenho que desabafar aqui: me apaixonei instantâneamente pela personagem que Christina Ricci representa.

Os diretores são nada mais nada menos do que os Irmãos Wachowski, os mesmos que dirigiram a trilogia Matrix. É óbvio que nesse caso não nos escapa uma comparação; então me resta dizer aqui que trata-se de um filme de ação que te prende tanto na poltrona quanto os Matrix, só que com uma história bem menos pesada e bem mais "família".

Ah, não sei mais o que dizer. Só sei que se você puder, vá ver o filme enquanto ele ainda está em cartaz. Trata-se de algo bom que não se pode ser descartado assim, sem mais nem menos. Já botei o título na minha lista de favoritos do orkut.
- Nossa, então se você botou lá é porque é bom mesmo, hein?


Bom, deixa eu ir dormir que amanhã de manhã tem Fórmula 1 em Mônaco passando na Tv, e eu não posso perder.
Mas receio que, mesmo sendo em Mônaco, as corridas de Fórmula 1 nunca mais terão a mesma graça depois de ter visto um filme desses.


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Espero que o Augusto tenha conseguido ler melhor esse post, já que coloquei todas essas figurinhas desse jeito.

18/05/2008

Entrevista com o Gigante Curitibano - último capítulo



- Existem evidências de que foi você quem destruiu a Praça Rui Barbosa.
- Aquela outra praça lá? Pare com esse negócio de "ah, existem evidências de que fui eu". Fui eu mesmo e acabou. Ou você acha que foi uma pessoa do seu tamanho que arrancou todas aquelas árvores em uma noite só e sem fazer barulho ainda por cima?
- Ok. Mas como você, com toda essa envergadura, fez para caminhar pelo centro sem fazer nenhum barulho e sem acordar ninguém?
- Veja bem, eu me preocupo com as pessoas. Não queria acordar ninguém. Dava passos delicados e tentava não esbarrar em nada. Só que quando cheguei no calçadão da Rua XV eu não consegui não esbarrar em nada. Era tudo muito apertado ali.
- Mas então você consegue arrancar árvores de quatro metros de altura do chão sem fazer nenhum ruído?
- Adquiri este hábito já faz vários anos... tenho experiência nisso. Sei como fazer.
- Entendi. E o Parque Barigüi?
- O que que tem?
- Aquele estrago todo foi "sem querer" também?
- Não... Aquilo não foi sem querer não.
- Você quis acabar com o parque, então. Por vontade própria mesmo.
- Sim.
- Vai explicar o porquê?
- Não.
[silêncio]
- Próxima pergunta, por favor.
- Tudo bem. Uma última pergunta sobre você estar intencionado ou não: e a Rua da Cidadania?
- Rua da Cidadania? Que rua era essa?
- Na verdade não era uma rua, mas sim um pavilhão na Praça Rui Barbosa... De cor bordô...
- ...ah! Lembrei, o prediozinho de cor bordô! Bom, no caso em questão eu tropecei.
- Tropeçou?
- Sim, tropecei. Mas acho que até fiz um favor pra vocês, não? Porque aquela cor bordô era feia demais. [risos] Agora vocês estão livres dela.
- A cor era feia mesmo, mas você tem noção de que acabou com a única fonte de renda de várias pessoas?
- Meu filho, já falei que eu tropecei, não foi intenção minha. O que você quer que eu faça?
- Nada, nada. Vamos para a próxima: de onde você vem, afinal?
- De onde... Sabe que eu não sei?
- Não sabe?
- Não sei mesmo. A primeira coisa de que me lembro é de estar aqui por perto, nas redondezas... lembro de ter acordado há um mês no meio da Serra do Mar e nos arredores da BR-376 ou da BR-101, não tenho certeza sobre qual das duas era.
- E aí você resolveu vir para Curitiba?
- Resolvi resolvido, não. Apenas segui a estrada e vim parar aqui.
- Entendi. Mas e o quê você está achando da cidade?
- Bom, gostei demais da parte que eu consegui visitar sem destruir nada: achei muito bonito o Bosque do Papa (pelo menos visto de cima) e o Parque São Lourenço, que por pouco eu não destruí também. Quase enfiei o pé no lago. Mas ah... Teve um detalhe que me incomodou um pouco.
- O quê?
- Até onde você acha que o clima frio pode alterar o temperamento de uma determinada população?
- Você está me perguntando?
- Sim.
- Não entendi o que você quis dizer.
- Quis dizer que algo me impressionou muito negativamente ontem enquanto estive passeando por aqui.
- E o que foi?
- A dificuldade de se conversar com as pessoas.
- Como assim?
- Esta é a primeira conversa que dura mais do que dois minutos que estou tendo nessa cidade, e trata-se de uma entrevista que irá circular em um jornal matando a curiosidade que as pessoas têm a respeito de um gigante que invadiu o lugar onde elas moram.
- Aonde você quer chegar?
- Ontem, estive tentando conversar com quem fosse possível o máximo de tempo que me fosse viável. Tentando fazer novos amigos, em outras palavras. Mas sabe, em cada pessoa que eu puxava assunto parecia haver uma certa frieza, uma restrição gripada que parecia sempre me impedir de...
[pausa]
- ...impedir de...?
- Sei lá, de expor sentimentos ou qualquer coisa. A questão é que já decidi o que vou fazer com relação a Curitiba.
- O quê?
- Vou embora. A camada de gelo que envolve a maioria das pessoas que vi aqui é fria demais para mim.
- É mesmo? ...Mas vai quando?
- Agora mesmo. Não sei se devo dizer parabéns a vocês por isso, mas a frieza demonstrada por aqui foi capaz de repelir um gigante. Só espero que não fiquem vaidosos com essa característica e não se orgulhem dela por com ela terem se defendido de mim. Tchau.


E sem nem esperar alguma despedida ou qualquer última palavra do repórter, "O Gigante de Curitiba" iniciou deslocamento em direção ao Norte, não sem causar grandes estrondos a cada passo e provocando pequenos e involuntários tremores de terra com seus pés, fugindo de uma grande quantidade de pessoas que dias antes haviam fugido dele.

12/05/2008

Entrevista com o Gigante Curitibano - penúltimo capítulo

Parte 3


21/08/07 - Segunda


Ficará a cargo do leitor imaginar o que sobrou do centro de Curitiba depois daquela fatídica noite, e ao decorrer desta parte final do texto ele inevitavelmente irá tirar suas próprias conclusões sobre como posteriormente as coisas se amansaram. Cabe-nos dizer que o dito desfecho deste conto trata-se de nada mais e nada menos do que uma entrevista direta com o protagonista desta história, feita com exclusividade para o jornal de maior circulação da cidade. Não nos interessa o nome do repórter, do jornal ou a maneira com a qual a entrevista foi arranjada (é claro que interessa, mas o fato não será considerado por o autor não possuir tempo nem paciência suficientes para que se crie uma história que nos explique isso tudo e nos seja convincente).

Menciona-se por fim que, para que pudesse ser realizada com êxito, a entrevista precisou ser feita sob as condições de um esquema inusitado: o repórter ficou todo o tempo no topo da Torre da Telepar (um dos cartões postais que remanesceram da trágica noite que foi nesta fábula brevemente descrita) e o gigante ficou a maior parte da entrevista em pé no chão. Dessa maneira, o jornalista ficava exatamente à altura do rosto do titã, que dessa maneira podia claramente ouví-lo.

A entrevista encontra-se aqui quase que totalmente fiel à conversa verdadeira; eventuais manipulações textuais e erros de digitação ficam a cargo do próprio repórter, que se deu o trabalho de ele mesmo digitar o que naquela ocasião foi dito.


- Muito obrigado por vir aqui hoje, é um prazer entrevistá-lo.
- O prazer é todo meu.
- Vamos começar então: desde sexta-feira passada você é chamado pelo pessoal daqui de "O Gigante Curitibano". O que você acha disso?
- Bom, acho que... Acho que isso até pode ser bom, mas o problema é que depende muito da interpretação que a pessoa fizer do apelido.
- Da interpretação?
- É, da interpretação. Algumas pessoas consideram a palavra "Gigante" como uma coisa boa, sei lá, como quando um estádio é apelidado de colossal, por exemplo, sugerindo algo de grandes medidas e grande valor.
- Pois é. Aliás, "coliseu" é a palavra italiana para "colossal", "gigantesco".
- Então, era justamente isso que eu ia falar: se as pessoas se referirem a mim com essa intenção amigável, eu iria adorar. Mas daí tem as pessoas que vão ouvir "Gigante" e vão sentir respeito. O que penso é que muitas vezes o respeito tem origem no medo, e sabe...
- ...Você não quer que as pessoas tenham medo de você.
- Exatamente. Se quisesse que as pessoas tivessem medo de mim, eu causaria estragos bem grandes nessa cidade.
- Mas cá entre nós, você causou uns danos bem consideráveis por aqui.
- Causei, mas foi sem querer.

- Sem querer?
- É, sem querer. Você deve ter percebido que eu sou grande demais para caminhar pelo centro da cidade.
- É... acho que o pessoal percebeu isso sim...
- Pois então, eu não fazia nem idéia. Pensava que eu passaria andando entre dois prédios numa boa. Agora imagine o que eu faria se estivesse de fato irritado.
- Mas se você diz assim, como explica as árvores arrancadas na Praça Osório?
- Ah, isso... Sabe, peço desculpa a todos os curitibanos se os prejudiquei fazendo isso. É uma mania que eu tenho, não tem explicação. É que nem estalar os dedos ou roer as unhas.






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A entrevista ainda continua, calma.