21/03/2008
auto-entrevista
Já que ninguém me convida para participar de documentariozinhos sobre o rock e ninguém pede a minha opinião, entrevisto-me a mim mesmo:
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Defenestrando - Felipe, é uma honra estar aqui com você hoje.
Felipe Gollnick - A honra e o prazer são meus.
Vamos começar do começo: você viveu uma infância saudável, feliz?
Vivi sim, até onde eu lembro foi tudo muito bom, tudo muito bem. Acho que talvez o fato mais memorável da minha infância -- mesmo não lembrando muito bem do fato -- foi o próprio nascimento.
É mesmo?
Foi sim. Não sei muito bem como foi, mas sei que eu tinha uma ânsia tão grande de respirar por um novo ar de um novo mundo que agi rápido demais e respirei o líquido amniótico, dentro da barriga da minha mãe. Foi um nascimento sufocante, literalmente.
Sei. E como que a situação se resolveu depois?
Não sei bem... [fazendo força para lembrar] eu sei que me botaram de cabeça pra baixo e me deram umas palmadas... mas não sei porque, não lembro de ter feito nenhuma travessura, pelo menos não até aquele momento.
Aham, sei. Bom, a descrição do seu myspace diz "Tudo começou em 1991 - desde então o artista só obteve bons resultados. Talvez o mais expressivo deles tenha sido quando, ainda criança, aprendeu a ler e escrever". É verdade mesmo, você nasceu em 91?
É, por quê?
Não, por nada, era só pra saber mesmo. Falando em myspace, como é essa sua relação com a música on-line e tudo o mais? Você disponibiliza suas músicas para download?
Disponibilizo sim, e na verdade acho que isso, esse negócio todo das pessoas baixarem de graça as músicas que querem ouvir só vem a acrescentar no que diz respeito à qualidade da Música como um todo.
Como assim? ...ééé, você não acha que está perdendo muito dinheiro permitindo que as pessoas não paguem pelas músicas?
A minha opinião é de que, na verdade, as pessoas querem ouvir músicas boas, bonitas, agradáveis, bacanas, de boa qualidade. Só que os meios mais fáceis de se chegar até a música, ou seja, a televisão e as grandes rádios, eles não estão nenhum pouco preocupados com a qualidade da música e sim com o que é rentável, e assim as pessoas acabam sendo forçadas a ouvirem músicas ruins. Na Internet o que acontece é o contrário: são as pessoas que vão atrás das músicas, e como o quê as pessoas querem ouvir são as músicas boas, ocorre uma valorização das músicas boas em detrimento das ruins.
Certo, mas e o dinheiro?
Ah, as vendas dos discos estão muito boas. É do meu dinheiro que você tá falando?
É.
Então, o nosso último álbum tem sido bastante comprado, então não tenho muito problemas com isso, ainda mais agora que eu consegui descolar essa parceria com o Google...
Parceria com o Google? Como é isso?
Eles pagam todas as nossas despesas e em troca nós divulgamos o endereço da página principal deles em todos os lugares possíveis. E as músicas baixadas acabam servindo como propaganda, as pessoas vão passando as músicas pra todo mundo e assim a gente vai ficando mais famoso, isso só tem a acrescentar.
Só para o leitor entender, nessa última frase você estava falando sobre os downloads a seu favor, né? E não sobre a parceria com o Google. Entendi certo?
É, foi isso mesmo. Sabe, não sei me expressar verbalmente direito. Todo mundo responde "hã?" quando eu falo alguma coisa, fazendo assim com que eu não só pense como também fale todas as coisas duas vezes antes de... antes da outra pessoa entender.
Certo. Mas agora mudando um pouco de assunto, você entrevistou Luis Fernando Verissimo no final do ano passado. Como foi?
Foi super bacana.
É mesmo?
É.
Então tá bom. Me diga, o seu documentariozinho...
...o do rock?
Isso, esse. Ah, o Rock. Esse documentário marcou a minha vida.
Sério? Por quê?
Porque me pareceu tudo muito certo, as informações eram todas muito verídicas, e foi tudo muito bem produzido...
Pô, muito obrigado! De que parte você gostou mais?
Da parte dos Beatles! Achei engraçada a parte em que o narrador fala Ringo Estar, com E.
É, aquele narrador era engraçado, eu acho que ele nunca tinha ouvido falar de Beatles direito. [risos]
Como que pode, né? Alguém nunca ter ouvido falar de Beatles... hehehe. E para este ano? Mais previsões de novos curtas metragens?
Previsão eu até tinha, queria fazer um documentário sobre algo que não aconteceu em Curitiba como se ela de fato tivesse acontecido, entrevistando pessoas comuns e tal. Mas esse ano não vai rolar, tenho que estudar pra um concurso que vai ter aí no final desse ano.
Concurso?
É, é uma espécie de prova enorme, que tem um monte de gente tentando passar ao mesmo tempo só que pra um monte de cursos diferentes, só que no meio desse um monte de gente em um monte de cursos diferentes tem um monte de gente tentando justamente o curso que você quer fazer, não importando o curso que você vai fazer, porque a concorrência é enorme, não sei se você entende o que eu digo.
Não. Que concurso é?
O vestibular.
Ah tá, agora entendi. Mas eu não entendi o que que isso tem a ver com não fazer esse documentário-ficção que parece ser bastante interessante.
É porque essa prova exige que você estude muito, o que faz com que não sobre tempo para ter idéias.
Saquei, então quer dizer que podemos esperar um ano em branco no que se diz respeito a idéias felipianas?
Isso, acho que a única coisa que eu vou conseguir fazer mesmo durante esse ano vai ser manter o blog.
O Defenestrando?
É. Conhece?
Sei, conheço bem.
Pois então, acho que durante esse ano só vai me restar isso mesmo.
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Se estiver disposto, depois eu termino essa entrevista.
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Em tempo, ganhei um par de ingressos para ver o filme "O Orfanato" e outro par para assistir a alguma peça do Festival de Curitiba, tudo por causa da promoção que o portal eletrônico Bem Paraná está realizando com blogueiros. Se você tem um blog, te recomendo. Confira aqui. E se você estiver a fim de me acompanhar nestes dois eventos, envie um texto dissertativo-argumentativo de 15 a 20 linhas dizendo "Porque você gostaria de acompanhar o Felipe em um evento cultural?". Os dois melhores textos irão ganhar o prêmio.
16/03/2008
e ainda nem começou...
Não sei se eu tenho garbo o suficiente para comentar algo como o que eu comentarei a seguir, mas manifestarei aqui em palavras claras a minha opinião a respeito da organização do Festival de Teatro de Curitiba, grande evento cultural de proporções avantajadas e projeção nacional.
Nos anos passados li algumas resenhas que criticavam o fraco desempenho do Festival no que se diz respeito à organização, sempre desprovida de um empenho mais decentemente empenhado; na minha quase-nula presença nestes eventos nunca pude reparar algo que me chamasse a atenção negativamente, mas as críticas nos cadernos culturais estavam sempre lá.
Pois bem, a edição deste ano do FTC chegou despertando mais interesse em mim do que normalmente, e assim sendo tratei logo de descolar o guia com a sinopse de todas as peças possíveis. Mas a mesma edição deste ano chegou também causando uma péssima primeira impressão: o único ponto de venda de ingressos era no ParkShopping Barigüi.
O único ponto de venda de ingressos era no ParkShopping Barigüi!!
Querido e estimado leitor, você percebeu o absurdo contido na sentença repetida acima? Se não, explico: como pode o maior festival de teatro do país, com fama nacional e até espetáculos internacionais em sua programação ter como ponto único de vendas um Shopping de grande porte, freqüentado quase que basicamente por pessoas da classe superior e localizado numa região completamente não-central?
Eu, que sou um adolescente móvel e ágil (saca o cinismo), independente em termos de precisar de alguém para me levar até algum lugar, já senti dificuldades -- pra não dizer desconforto -- ao pegar em pleno domingo o ônibus expresso lotado na ida e este mesmo na volta (na volta, meu Deus), que estava mais abarrotado do que em um dia de semana comum às 6:30 da tarde. Agora imagine qualquer outra pessoa que, sendo o domingo o único dia da semana em que lhe sobre tempo e o carro seja sua única possibilidade de locomoção; esta pessoa tem que deslocar-se até um local deslocado como o Shopping Barigüi, pegar uma fila enorme para entrar no estacionamento (porque nos domingos sempre tem uma fila enorme pra entrar de carro naquele shopping) e passar no mínimo 20 minutos tentando achar uma vaga para estacionar.
Mas tudo bem, saiamos da parte do supositório e falemos sobre o quê de fato me aconteceu. Chegando naquele Shopping pequeno, tive que andar de uma ponta até a outra dele procurando pelo stand aonde eu poderia comprar os ingressos, pois não havia nenhuma indicação sobre aonde estaria localizado o suposto quiosque de ingressos. Adoro escrever em negrito.
Chegando lá, noto uma tremenda quantidade de pessoas ao redor da barraca de venda esperando pela sua vez de serem atendidas, mas nenhuma fila. Descobri que precisava pegar uma senha e aguardar. E bota aguardar nisso: minha senha era o nº 1026, e o próximo número a ser chamado era o novecentos e trinta e pouco.
Descolei mais um outro guia de peças do festival e, durante os quase QUARENTA minutos que fiquei esperando pela minha vez, bolei uma série de 2ª opções para o caso de as peças que eu queria assitir estivessem com os ingressos já esgotados (o que não era nenhum pouco difícil de se supor, já que a quantidade de pessoas comprando bilhetes só naquele momento era enorme). Eu já tinha pelo menos definido que ia comprar pelo menos dois ingressos: um para alguma das peças da mostra principal (cujos ingressos eram carinhos até) e outro para algum da mostra paralela (com preços bem variáveis, mas de preferência algum que fosse no máximo 5 reais a meia entrada).
O que aconteceu foi o seguinte: os ingressos para a peça que eu queria assitir (o monólogo "A Ordem do Mundo") já tinham acabado faz tempo. Saquei logo a minha segunda opção, a peça "Salmo 91" (uma adaptação para "Carandiru" de Drauzio Varella), mas o melhor lugar disponível para a data que eu queria ficava no meio do segundo balcão. Ah, paciência, vai assim mesmo.
Faltava comprar o segundo ingresso: pedi à moça mais uma meia entrada, dessa vez para um tal de "Huis Clos - Entre 4 Paredes", uma adaptação de um texto do Sartre (ou do Descartes, sempre confundo os dois). A resposta da atendente foi um tranqüilo "não tem mais, a peça foi cancelada", ao qual respondi com um incorfomado "mas como assim 'não tem mais'?" e ela replicou com um inflexível "é, não tem mais, foi cancelado". Incompetente ela, nem pra tentar ir lá falar com o pessoal da peça e fazer todo mundo mudar de idéia e botar a peça de volta em cartaz.
Meio que burbulhandinho, folheei rapidamente o guia atrás de algo que fosse barato e parecesse ser bom e acabei comprando o tíquete para um tal de "9:50 - qualquer sofá", e não me pergunte mais. E o pior é que as duas peças que eu assitirei serão no mesmo dia, idéia que a princípio eu repugnava, já que pretendia aproveitar o festival de maneira mais "extensa".
Bom, o Festival não começou ainda mas já deixou um reles adolescente que nem está por dentro do mundo teatral meio emputecido com a esdrúxula organização da venda de ingressos. Aposto que os críticos figurões dos cadernos culturais não medirão esforços em dizer palavras não-agradáveis a respeito do causo.
Ah, sabe... enfim.
08/03/2008
Momento moda
Há agora um quê de moda "anos 90" em meu colégio. Como observador e relator, sinto-me na necessidade de fazer aqui um comentário absurdo-bobo de relevância nula mas que tem me chamado muito a atenção.
Para que o leitor comum entenda a primeira frase deste texto, é necessário fazer uma introdução que o situe histórico e politicamente falando: é tradicional que no tradicional colégio os alunos do terceirão sejam designados com um nome diferente e que cada um receba uma camisa assim o reconhecendo, normalmente de cor preta.
Pois bem, assim que o ano letivo começou, muitos já estavam ansiosos para receber suas camisas pretas, porque afinal, alguns anos de espera já tinham passado e agora finalmente era a vez destes.
O texto está confuso, mas continuemos. A diretoria havia estipulado uma data para a entrega das camisetas, mas por inúmeros imprevistos a entrega havia sido adiada várias vezes, fazendo assim com que a ansiedade por parte das pessoas que estavam ansiosas só aumentasse. Eis que enfim segunda-feira passada as ditas-cujas vestimentas finalmente chegaram, para o delírio de alguns.
O que as pessoas do sexo feminino não esperavam (principalmente as ansiosas) era o fato de que não havia um modelo diferente para as garotas, digo isso em relação ao tamanho e ao modelito, digo, porque as camisetas femininas e as masculinas eram iguais, digo isso porque elas, as camisas, tinham ombros largos e cintura idem, vírgula, digo, vírgula, era a mesma coisa que a camisa dos homens, digo, jovens homens, digo, adolescentes, enfim, você entendeu o que eu quis dizer. Ou não.
Resumindo esse último parágrafo de redação de alunos de 7ª série, os modelos das camisas eram iguais, tanto os femininos quanto os masculinos, o que não agradou a nenhuma garota.
O que foi possível avistar em seguida foram cenas semelhantes às que assistimos quando uma novela dos anos 90 passa no "Vale a pena ver de novo" no que diz respeito ao figurino: garotas adolescentes usando aquelas camisas tamanho M masculinas, aonde a ombreira chega até a metade do bíceps e a manga chega até o cotovelo.
Para evitar reações agressivas por parte dos leitores com relação ao teor feminístico deste comentário, imagine você como é engraçado ver um monte de garotas com camisa masculina circulando em um colégio como qualquer outro, onde a ditadura da estética reina quase sozinha, ditadura essa impregnada pelas mesmas garotas que agora sofrem o efeito contrário desta ao terem que usar camisas feias.
Enfim, eu precisava desabafar isso aqui porque me diverti com isso essa semana e não tinha com quem comentar.
Para que o leitor comum entenda a primeira frase deste texto, é necessário fazer uma introdução que o situe histórico e politicamente falando: é tradicional que no tradicional colégio os alunos do terceirão sejam designados com um nome diferente e que cada um receba uma camisa assim o reconhecendo, normalmente de cor preta.
Pois bem, assim que o ano letivo começou, muitos já estavam ansiosos para receber suas camisas pretas, porque afinal, alguns anos de espera já tinham passado e agora finalmente era a vez destes.
O texto está confuso, mas continuemos. A diretoria havia estipulado uma data para a entrega das camisetas, mas por inúmeros imprevistos a entrega havia sido adiada várias vezes, fazendo assim com que a ansiedade por parte das pessoas que estavam ansiosas só aumentasse. Eis que enfim segunda-feira passada as ditas-cujas vestimentas finalmente chegaram, para o delírio de alguns.
O que as pessoas do sexo feminino não esperavam (principalmente as ansiosas) era o fato de que não havia um modelo diferente para as garotas, digo isso em relação ao tamanho e ao modelito, digo, porque as camisetas femininas e as masculinas eram iguais, digo isso porque elas, as camisas, tinham ombros largos e cintura idem, vírgula, digo, vírgula, era a mesma coisa que a camisa dos homens, digo, jovens homens, digo, adolescentes, enfim, você entendeu o que eu quis dizer. Ou não.
Resumindo esse último parágrafo de redação de alunos de 7ª série, os modelos das camisas eram iguais, tanto os femininos quanto os masculinos, o que não agradou a nenhuma garota.
O que foi possível avistar em seguida foram cenas semelhantes às que assistimos quando uma novela dos anos 90 passa no "Vale a pena ver de novo" no que diz respeito ao figurino: garotas adolescentes usando aquelas camisas tamanho M masculinas, aonde a ombreira chega até a metade do bíceps e a manga chega até o cotovelo.
Para evitar reações agressivas por parte dos leitores com relação ao teor feminístico deste comentário, imagine você como é engraçado ver um monte de garotas com camisa masculina circulando em um colégio como qualquer outro, onde a ditadura da estética reina quase sozinha, ditadura essa impregnada pelas mesmas garotas que agora sofrem o efeito contrário desta ao terem que usar camisas feias.
Enfim, eu precisava desabafar isso aqui porque me diverti com isso essa semana e não tinha com quem comentar.
01/03/2008
é só a primeira
"Encontramo-nos exatamente no desabrochar de uma era: a da Informação Digital e de todas as conseqüências desta na vida da grande maioria das pessoas. Uma era onde qualquer notícia transcorre distâncias continentais em questão de minutos, ou muitas vezes nem isso.
Se nos anos noventa, apenas com a Televisão a velocidade de propagação da informação já era enorme, o surgimento e a posterior popularização da Internet fez com que mares nunca antes navegados de fatos, curiosidade e notícias -- fossem elas úteis ou não -- nos inundassem todos os dias, deixando-nos muitas vezes desorientados e, em momentos de distração, alagados até os joelhos de uma água que não conseguíamos distinguir se era suja ou não.
É neste ponto que faz-se necessária a habilidade de discernimento no homem comum que vive essa nova era: é fundamental que se saiba destacar de uma fruta a parte comestível e a parte já vencida, para que sejam evitadas eventuais dores de barriga mais tarde.
Mas é nessa mesma fruta (ou em outras iguais) é que que encontraremos a solução: uma mesma notícia é sempre veiculada em inúmeros sites, o que permite à pessoa a conferência da veracidade da informação e a criação de opiniões embasadas a respeito do que está sendo dito."
Primeira das 25 mil redações vestibularianas do ano. Perceba a introdução, o desenvolvimento e a conclusão; a exposição do problema, uma leve e sutil aprofundada no mesmo e a sua solução no final do texto.
Éééé meu filho, esse ano vai ter que ser assim. Sem bobear.
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