30/11/2007

Privada?

Vai ser difícil eu me esquecer desta historinha aqui.

Estávamos em algum lugar do interior da França (numa região chamada "Vale do Loire" - lê-se "vale do loá"), local famoso pela grande concentração de castelos, palácios, palacetes e afins por quilômetro quadrado.

Quando estava no meio de uma fila de tamanho razoável para entrar em um desses castelos, veio de súbito aquela sensação chata: a natureza me chamava.

Eu, como sou obediente, procurei pelo banheiro mais próximo, que ficava do lado de trás da casinha onde compravam-se os ingressos para entrar no tal do castelo.

Chegando ali, vi pendurado na porta do banheiro um aviso em francês com traduções para inglês e italiano de que usar o banheiro era de graça a não ser que você quisesse fazer o segundo processo. Aí seriam necessários desembolsar 20 centavos de euro. Como todos sabemos, o segundo processo é sempre mais complicado que o primeiro; envolve-se uma infra-estrutura maior e coisa e tal, então pagar para realizar tal ação é compreensível. Mas fiquei curioso pra saber como seria isso, tendo em vista que TODOS os banheiros públicos em que eu entrei na Europa eram gratuitos e de ótima qualidade.

Eis que na porta do box, em cima da maçaneta, havia um buraquinho para colocar a moeda e liberar a entrada no cubículo, tal qual faziam os antigos telefones públicos aonde você botava uma ficha e blá blá blá.

Tirei 20 centavos de euro do bolso, depositei naquela fechadura adaptada e surgiu a primeira surpresa. A privada era redonda.

Quem, raios, fabricaria uma privada redonda e pior, que governo compraria e instalaria uma privada redonda em um banheiro público?

Como a natureza ainda chamava, desisti da discussão filosófica interna e tratei de fazer logo o que eu tinha que fazer, sem levar em conta formatos de tampas de privadas ou coisas do gênero.

Pois bem, quando terminei de fazer o que tinha que fazer e levantei, eis que ouço um "piii" vindo de trás de mim. Absolutamente incrédulo, me viro rapidamente e descubro o que a princípio seria a caixa da descarga na qual várias luzes piscavam. Escuto um novo "piii", e é aí que tudo acontece:

Nesse momento sai um caninho dessa que seria a caixa da descarga, jogando água no tampo da privada que então começa a girar (!!). Enquanto a tampa vai girando, a água vai limpando eventuais resíduos. Alheio a isso, ouve-se um barulho alto que me lembra muito um secador de cabelo.

Absolutamente apavorado (pra não dizer com medo), verifiquei a tampa recém-lavada: limpíssima e sequinha. Agora maravilhado, fiquei com uma enorme tentação de sentar na privada mais uma vez só para assistir à todo este magnifico processo novamente.

Resistindo bravamente, subi as calças e saí do box, achando que talvez nunca mais visse algo parecido na minha vida.

Para minha sorte, ainda naquela viagem vi mais uma privada dessas. No Vaticano, se eu não me engano. Mas não precisava pagar nada para usar.

Enfim.



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Boatos de que ninguém mais ninguém menos do que Luís Fernando Veríssimo teria concedido uma entrevista a este humiiilde blog.
Olha, se eu fosse você não perdia essa.

26/11/2007

malhação - mais vídeo!

Final de semana, praia. Nada pra fazer. Não é verão ainda então não tá quente o suficiente pra pegar um sol na areia e dar uma mergulhadinha.

Sem outras opções, ligo a televisão num litorâneamente típico sábado de tarde e está passando o programa do Huck.

O que era exibido naquele momento era um quadro chamado "casal malhação 2008", que era um mega concurso realizado pelo programa a fins de escolher um rapaz e uma garota para fazerem parte do elenco de atores da tradicional novela vespertina teen global.

Foram sei lá quantos mil inscritos, vinte e um mil se eu não me engano, e o processo me pareceu ter sido enorme, com muitas etapas de classificação e essas coisas todas.

Pois bem, aquela etapa à que eu assistia era justamente a final: Duas garotas duelavam para ver quem formaria a parte feminina e dois caras batalhavam para ver qual dos dois formaria a parte masculina do casal mais importante da temporada do ano que vem de malhação.

O processo de seleção era uma cena específica para os garotos e outra para as mulheres, sendo as duas representações emocionais e difíceis, contracenadas com personagens antigos da mesma novela. Compunham o jurado Ricardo Waddington (o diretor principal da parada) e mais três pessoas que também me pareciam ter ali a sua importância.

Depois de realizadas as provas, depois de milhares de longos intervalos comerciais, depois de toda aquela enrolação e tensão já tradicionais desses reality shows (vide big brother e similares), Waddington anunciou o tão esperado resultado. O que não era esperado era o resultado que ele anunciou (??): Os dois caras haviam ganhado e as duas garotas tinham perdido.

Assim, dois rapazes formarão o "casal malhação 2008". Isso mesmo.

E assim, a Globo (e atrás dela todas as outras emissoras que a seguem) vai seguindo a tendência televisiva liberal em vigor nesse planeta, a do homossexualismo liberado.

Não demorará e estaremos assistindo a um beijo gay às 5:30 da tarde no canal de maior audiência do país.
Hehehe.



Veja aí o videozinho gravado por alguém na platéia. Dá pra perceber bem a enrolação do diretor para anunciar o resultado e a surpresa do pessoal que estava lá.


23/11/2007

Trailers

Agora que eu descobri como que faz pra colocar vídeos aqui, isso vai ser uma festa.
Veja aí, dois trailers impactantes de filmes alternativos.

"Teeth"




"Cloverfield"



A qualidade da imagem deste segundo não está lá muito boa, mas vá lá, dá pra captar bem o espírito.

17/11/2007

Recomendaciones


Defenestrando recomenda:
"Tarantino's Mind":


Curta-metragem brasileiro com Selton Mello e Seu Jorge. Pra entender, tem que ter visto pelo menos um dos filmes do Tarantino: Cães de Resgate, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill 1 e 2.






Já a música boa dessa quinzena é "Jeito das Mulheres", da bandinha curitibana Mr. Jingles (tudo uns guris da minha idade). Trata-se de um Rock simples porém direto, que da mesma maneira simples dispõe de ótimos solos de guitarra e letras daquelas que você fica pensando "cara, que letra bacana!"

Ou seja, é um rock que é como o rock deve ser.

Para ouvir, você acessa o myspace da banda clicando aqui.

12/11/2007

Teoria Felipiana nº 11

Essa aqui é complicada. Aí vai.

Faz um bom tempo (uns 5 anos no mínimo) que eu venho observando as formigas que vivem na cozinha do apartamento no qual eu vivo.

Com o seu tamanho absurdamente pequeno se comparado ao dos humanos elas realizam uma vida comum: Vão daqui pra lá, de cá pra lá, procurando por comida, por objetos que contenham açúcar ou o açúcar propriamente dito em um tamanho passível de ser carregado até o formigueiro... Em março do ano que vem vou completar 8 anos morando neste mesmo apartamento e nunca, de maneira nenhuma, vi algum formigueiro. E olha que deve ter vários formigueiros espalhados pela cozinha, pela quantidade de formigas que aqui existem e pelas diferentes origens de suas caminhadas... Tá dando pra entender? Se não tiver, avisa.

Acho engraçado a maneira como elas se deslocam: Elas tem a sua trilha de caminhada pré-estipulada, formada por alguma formiga aventureira que descobriu o caminho pela primeira vez e que deve ter tal tarefa como sua função.

Toda vez que uma formiga que segue por uma trilha encontra com outra que vem na mesma trilha mas com sentido contrário, estas tocam suas antenas rapidamente em um movimento que sugere um pequeno diálogo, algo como uma pequena troca de informações do tipo:
- Ei, o lado de cá está tranqüilo, acharam uma fonte nova de melado logo no fim dessa trilha e o trânsito por lá ainda não está engarrafado. E você?
- Saí do formigueiro agora, tinha umas moscas no caminho, é melhor tomar cuidado.
- Beleza. Nos vemos depois.

E assim a sociedade formigária é formada: Com troca de informações, com um sistema de divisões por castas onde cada um tem sua função, pela disputa pelo alimento, pela disputa pela vida, por um cotidiano.

Agora vem a parte complicada. Explicarei tudo como um professor de matemática ensina a alunos da oitava série resolverem equações do segundo grau, onde vocês [os alunos dessa situação (não que eu esteja me chamando de professor, veja bem)] fingirão que entenderão tudo da explicação extremamente confusa que o professor dará e este ficará falsamente satisfeito.

O que acontece é o seguinte: Neste último ano de observação comecei a comparar o meu tamanho com o das formigas, e é óbvio que eu sou bem maior. Muito maior. Claro, você também é bem maior do que elas, leitor. A não ser que você seja uma formiga, o que em tese é algo bem difícil de acontecer.
Para ficar com o meu ou o seu tamanho, seriam necessárias milhões ou bilhões de formigas juntas, uma do lado da outra.

E aí é que está o primeiro ponto principal da divagação de hoje: Cheguei a conclusão de que nós, seres humanos (ou qualquer animal de médio porte) somos tão maiores do que as formigas que pra elas chega a ser incompreensível. Somos incompreensívelmente grandes em relação às formigas.

Falei que ia ficar complicado? Simplificando, somos tão maiores que as formigas que elas nem nos percebem. Para elas, nós somos meros objetos do ambiente que as cerca, tal qual uma parede, o chão ou qualquer coisa do tipo. Somos tão maiores do que elas que elas não conseguem ter noção de que somos outros seres vivos.

Veja bem, isto pode muito bem parecer uma análise sob um ponto de vista extremamente egocêntrico a respeito da raça humana, mas não é isso que eu quero dizer. Se você não está gostando do exemplo que eu estou dando, substitua seres humanos por qualquer outro animal que tenha mais ou menos o nosso tamanho. Algo como um leão ou um macaco. Enfim.

Para o próximo parágrafo, é necessário que você tenha entendido bem o que eu quis dizer com "incompreensivelmente maior do que uma formiga". Se você não conseguiu captar bem, releia tudo com atenção ou simplesmente me mande à merda, porque se não vai ficar muito confuso. Numa última tentativa, tente substituir "incompreensivelmente" por "infinitamente", mas não será bem o mesmo sentido.

Continuemos a divagação. Digamos que uma formiga tenha ficado feliz por ter encontrado ali, logo na sua frente, a apenas 3 ou 4 centímetros de distância, um baita pedação de chocolate. Agora imagine que enquanto a formiga caminha até o seu objetivo, eu vou lá e tiro o chocolate dali e jogo no lixo. Tendo em vista que eu sou incompreensívelmente maior do que a formiga, o que pensará ela quando ela chegar a conclusão de que o chocolate não está mais ali? Como poderia um pedaço de chocolate sumir de repente da sua frente, sem mais nem menos? Mágica?

Agora vai ficar pior. Considere que, apenas para efeito de demonstração, as formigas têm a mesma inteligência e a mesma racionalidade que nós humanos temos.

Que explicações as formigas inventariam para o fato de um pedaço de chocolate enorme sair voando assim, sem mais nem menos? Leitor, se você ainda está lendo isso, imagine-se no lugar desta formiga. O que você diria? Olha, se eu fosse aquela formiga e tivesse essa mesma racionalidade que eu tenho como humano, eu certamente diria que aquilo foi alguma manifestação divina. Deus, ou algum outro deus menor, vai saber.

Chegamos agora aonde eu queria chegar, exatamente a parte mais difícil de entender. Se nós, os seres humanos influenciamos a vida das formigas e assim elas julgam o que fazemos como ocorrências divinas por sermos incompreensivelmente maiores do que elas, porque não exisitiriam seres incompreensivelmente maiores do que nós a ponto de não podermos percebê-los e assim julgar as conseqüências de suas atitudes como atos divinos?

Simplificando até aonde pode ser possível: A formiga pensa que quem tirou o pedaço de chocolate da sua frente foi Deus, quando na verdade, foi um ser humano. Quando nós vemos uma atitude inexplicável como uma chuva no meio de um deserto extremamente seco, dizemos que foi Deus.

Dá o que discutir, não?


Filosofar é uma coisa maravilhosa. O problema é que de vez em quando sai umas coisas piradas tipo tudo isso que você acabou de ler.


Enfim, obrigado pela paciência.




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Finalmente um post que não fala de música.

07/11/2007

Há milhões de anos atrás...

Baseado em fatos reais.


Era uma vez um planeta qualquer, coberto por terra e água de forma aleatória, localizado em um sistema solar qualquer.

Seus habitantes o apelidaram de "Terra". Apesar de algumas guerras, desentendimentos, revoluções socialistas e protestos por salários mais altos, tudo parecia muito bem, pelo menos para uma boa parte das pessoas.


Até que um belo dia, mais ou menos uns 1920 anos depois de um cara chamado "Jesus" ter nascido, algum estúpido cidadão descobriu que era possível ganhar dinheiro com músicas. Mas como? Vendendo-as, oras bolas!

Foi por aí, nessa época mais ou menos que o rádio ficou popular e começou a invadir as casas (pra falar a verdade eu não tenho a menor noção dessa data, mas enfim).


E aí tudo ficou muito bacana, algumas pessoas começaram a efetivamente ganhar dinheiro com música até que em um outro belo dia, alguém criou uma coisinha chamada "gravadora", que eram empresas especializadas em lançar artistas e gravar e vender músicas. As gravadoras também começaram a ganhar dinheiro. Muito dinheiro.

Até um certo tempo depois da criação das gravadoras, os artistas faziam suas músicas do jeito que queriam, do jeito que lhes desse na telha. As ditas empresas procuravam por bons músicos que pudessem agradar as massas - e achavam. Ao acharem, faziam estes bons artistas assinarem um contrato (ato esse que eles raramente se recusavam a fazer) e davam um upgrade na qualidade das músicas com a ajuda de outros artistas especializados em dar upgrades em músicas. Estes artistas eram chamados de "produtores".


Tudo isso costumava sempre ter um resultado muito bom. As pessoas comuns adoravam cada vez mais esse novo e bom produto e compravam cada vez mais discos e as gravadoras e os donos das gravadoras estavam ganhando cada vez mais dinheiro.


Em um terceiro belo dia, as gravadoras perceberam que se elas fossem lentamente baixando a qualidade das músicas talvez as pessoas não percebessem e ainda assim continuassem comprando os discos. Assim os donos das gravadoras começaram a juntar mais e mais dinheiro, já que agora tinham que pagar menos cervejas para os olheiros nos barezinhos em que eles procuravam por artistas novos, já que agora tinham que pagar menos produtores, já que agora pagavam menos para os novos produtores que já não eram tão bons artistas quanto os antigos produtores, e já que agora os poucos e piores produtores que tinham restado tinham cada vez menos trabalho por não se ter necessidade de deixar as músicas com alta qualidade.

E assim a música da mídia foi piorando bem devagarzinho sem que ninguém notasse. Vale lembrar que nesse meio tempo surgiu a televisão e ajudou a coisa a piorar mais. Na verdade, alguns poucos perceberam que a música estava sim mudando, mas os que estavam ao seu redor falavam "shhh, eu quero ouvir" e o caso ficava assim.

Passaram-se mais alguns anos e as músicas continuaram piorando, os discos continuaram sendo comprados e as gravadoras continuaram ganhando mais e mais dinheiro. As pessoas, por mais incrível que pareça pareciam gostar cada vez mais dessas músicas que estavam ficando cada vez mais fracas. Porém um número maior de seres humanos notou novamente que as coisas estavam ficando chatas.


As músicas que tocavam no rádio e na tv pioraram tanto que um dia elas viraram lixo. Agora sim, as pessoas repararam. Perceberam que não era aquilo que elas ouviam há algumas décadas atrás, quando quem corria atrás dos bons artistas eram as gravadoras e não o contrário.

Muita gente ficou indignada, mas não havia para onde fugir. Você ligava a televisão e via lixo tocando, você ligava o rádio e ouvia lixo tocando, você comprava um disco novo e quando botava este para tocar, descobria que era lixo. A única alternativa parecia ser o meio underground, mas o underground era quase sinônimo de bares apertados, abafados e com som alto demais, e a música a ser ouvida nesses lugares era praticamente apenas rock pesado. Muitos ficaram sem opção. Alguns poucos conseguiram ficar bastante tempo em baixo da terra, mas estes logo foram esquecidos pelo resto da população e por lá mesmo ficaram.

Sem nenhuma opção, as pessoas ficaram paradas no mesmo lugar e acabaram se acostumando com o lixo que lhes rodeava. Tanto é que quando as gravadoras deram mais um passo à frente e transformaram a música lixo em Merda, com letra maiúscula, muita gente não percebeu. E dessa maneira ficou.

Quando tudo parecia perdido e a música popular desse planeta encaminhava-se para o saco, surgiu uma coisinha chamada internet.

Esta aos poucos foi caindo no gosto do povão e, eis que no quarto "um belo dia" dessa história, alguém digitalizou um álbum de alguma banda famosa e o colocou à disposição de quem quisesse baixar. Alguma outra pessoa baixou o tal disco e percebeu que o que ele tinha em seu computador eram as mesmas músicas de um álbum comprado em uma loja qualquer, só que sem ter que precisar pagar nada por ele!

Essa outra pessoa gostou tanto dessa idéia que ela digitalizou um outro álbum, que alguma outra pessoa foi lá e baixou, e o ciclo foi adiante...

Em PG, todos os álbuns que existiam nesse planeta foram digitalizados e disponibilizados para download de maneira gratuita.

Como ninguém mais estava comprando os discos porque era bem melhor e mais fácil baixar os discos pela internet, as gravadoras começaram a perder dinheiro. Numa incrível demonstração de burrice, os donos das gravadoras decidiram aumentar o preço dos discos, com o objetivo de continuar tendo os mesmo lucros exorbitantes que tinham antes. Tal atitude fez com que cada vez mais pessoas resolvessem baixar discos de maneira gratuita pela internet. E assim as gravadoras tiveram menos lucros ainda.

Dessa maneira um termo novo tornou-se popular naquele planeta: as tais das "bandas independentes". As bandas indepentes eram caracterizadas por serem independentes das gravadoras, sendo que não estavam mais dependentes delas para fazerem suas músicas, o que resultou na volta da boa música às massas, já que agora os artistas estavam livres para compor o que quisessem e as pessoas comuns estavam livres das músicas ruins inseridas nas suas vidas. Agora elas podiam ouvir o que elas quisessem.

As vendas de discos deixaram de existir, assim como os gravadoras. Estas últimas seguiram firmes na sua crença - de que mesmo aumentando os preços dos discos as pessoas continuariam os comprando - até o dia de sua morte.

E assim, os seres humanos voltaram a viver felizes da vida, mesmo com algumas guerras, desentendimentos, revoluções socialistas e protestos por salários mais altos, porque agora eles tinham músicas boas para ouvir.

E foi mais ou menos assim, de maneira resumida, que a música daquele planeta ficou boa pela primeira vez, ficou ruim e depois ficou boa de novo.



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Esse é o Defenestrando vivendo sua fase musical.

02/11/2007

Tim Festival 07 - ponto de vista de um cara de baixa estatura




Com uma ânsia incrível de chegar cedo na Pedreira Paulo Leminski, aonde seria o tal do Tim Festival 2007, nesta quarta-feira saí correndo do colégio ao final do turno da tarde (às 17:30 - o show começava às 19:00) da tarde e voltei para casa o mais pressa que pude.

Peguei o ingresso, passei um desodô, lavei o rosto, desci até a loja de pesca do lado de casa para comprar uma capa de chuva (havia chovido horrores de manhã) e me desloquei até a praça Rui Barbosa aonde pegaria o ônibus para chegar até a rodoviária, aonde encontraria com o meu pai para irmos buscar o meu irmão no trabalho para enfim irmos para a Pedreira.

Mas é claro que o famoso e terrível "trânsito das 6" não ajudou. Por volta das 19 horas meu pai nos deixou pelas redondezas do local a ser atingido, e dessa maneira fomos caminhando. À media que chegávamos mais perto, ouvíamos o som de músicas aumentando, sinal de que o show havia começado de maneira pontual demais.

E qual foi a surpresa quando chegamos e descobrimos uma fila para entrar que dobrava duas esquinas? E a sensação de que teríamos que esperar ansiosamente para entrar enquanto o show lá dentro estava rolando? Fato foi que, com muita destreza, boa-vontade e, tenho que confessar, uma astúcia bacana, meu irmão não fez a gente ficar nem 2 minutos na fila.

Lá dentro, tal qual suspeitado, o Hot Chip (primeira das quatro atrações da noite) já ia terminando o seu show para um público ainda pequeno, comparado ao que estava esperando do lado de fora. Corri para o banheiro para dar aquela garantidinha esperta e logo depois estava adentrando a multidão que já ia se formando. Com nenhuma dificuldade consegui um bom lugar ali na frente, aonde consegui ver tudo o que a banda mostrou em suas dúas últimas músicas. Vale ressaltar que pelo pouco que vi, o show estava bem mais dançante do que o único disco do grupo, "The Warning", o que me foi uma surpresa muito agradável.

Com um pouco mais do que uma meia hora de intervalo, foi a vez da grande cantora islandesa (isso mesmo, Islândia, Iceland) Björk entrar (vídeos aqui e aqui). À essas horas o céu já havia escurecido, e assim que as luzes se apagaram e a música de fundo parou, todos começaram a enlouquecer e atirar para cima suas pulseiras de neon recebidas na entrada, num ato que eu não consegui diferenciar entre uma calorosa recepção ou algum protesto contra algo do qual eu não tenho a mínima idéia do que seja.

Com músicas excêntricas (doidonas, traduzindo) e um espetáculo altamente visual que eu não consegui ver muito bem devido àquelas pessoas altas que sempre ficam na frente, Björk se apresentou para uma platéia dividida entre os que a adoravam e não conseguiam conter sua excitação ao vê-la (o que eu chamo de orgasmos musicais) e os que estavam chateados, que queriam ver as bandas que vinham depois. Como exemplo do primeiro grupo, cito uma garota do meu lado que estava com seus olhos fechados e um sorriso enorme no rosto, como em um ápice de alegria raramente alcançado em sua vida. Como exemplo do segundo grupo, cito uns três caras mais atrás de mim que vaiaram a cantora quando ela voltou para o bis.

Ainda falando sobre o show da islandesa, a decoração dispunha de grandes banners decorados com peixes, serpentes e dragões, faixas com temas orientais e até uma grande televisão LCD que mostrava um dos músicos da banda manuseando uma mesa de som formada por uma tela digital na horizontal sensível ao toque. Lasers que saíam de algum lugar do palco iluminavam as copas das árvores que circundavam a pedreira faziam o pessoal se divertir olhando pra cima. A última, "Declare Independence" foi uma jam de uns bons 6 minutos com direito a chuva de papel picado, uma soma que a princípio faria todo mundo dançar não fosse a frieza do pessoal que ainda não tinha "esquentado".

Assim que Björk foi embora, aparentemente metade das milhares de pessoas que estavam na pista começaram a se aproximar do palco, o que resultou em um empurra-empurra agressivo mas sossegado no qual eu me diverti bastante. Isso sem contar a confusão causada pelos vendedores ambulantes de água e cerveja que atravessavam a apertada platéia de maneira nada gentil (até porque ser gentil ali não ia adiantar nada) vendendo garrafinhas de 250 ml de água e latinhas de cerveja pelo incrível preço de 5 reais.

Depois de uma longa hora de espera literalmente concentrada e apertada, o tal do Arctic Monkeys subiu ao palco, para delírio extremo do público. Entraram mudos e saíram quietos, mas nesse meio tempo fizeram um rock que, rapaz, só estando lá pra ver. A apresentação deles é fria, em uma presença de palco quase nula aonde os músicos dançam pouco, quase nada. Só que a música que eles tocam faz o caminho totalmente inverso, são quase duas coisas diferentes, a banda e a música. Você vê bem isso muito bem aqui (só que esse vídeo é na verdade do show que ele fizeram no Rio, mas vale).

Fato foi que, pelo menos aonde eu estava, a platéia pulou e cantou loucamente praticamente todas as músicas (especialmente em "I bet you look good on the dancefloor", maior hit do grupo), entregando à banda um calor que ela parecia não absorver nada. Quando a última música acabou, eles foram embora sem nem falar "bye" direito e não voltaram para o bis, o que fez com que bastante gente os vaiasse.

Agora só faltava o The Killers. Cansado e encharcado de suor, saí da aglomeração lá da frente e fui comprar um refrigerante em uma das barraquinhas de venda (nas barraquinhas, refrigerante e a mesma garrafinha de água citada anteriormente custavam 2 reais, e a cerveja 3). Dei uma voltinha, encontrei alguns conhecidos e procurei algum lugar que pudesse ver bem a última apresentação da noite.

A meia-noite já tinha ido embora, assim como a quarta-feira, o dia 31 e o mês de outubro e já fazia mais de uma hora que os Arctic Monkeys tinham saído quando o grupo de Las Vegas entrou no palco decorado com muitas luzes meio que natalinas, meio que ao estilo da cidade de origem da banda. O pano de fundo tinha a inscrição "Sam's Town", o nome do segundo álbum deles.

Com bem mais presença por parte do vocalista, The Killers empolgou tanto quanto ou até mais a galera do que o Arctic Monkeys. Muita gente dançava e cantava, e nos hits "Mr. Brightside" e "Somebody Told Me" a gritaria era uníssona.

Algo que me chamou a atenção foi a fantasia de Merlin ou de algum mago ou coisa parecida que o baterista usava. Já os outros trajavam terno e gravata, como se ao fazerem o show estivessem trabalhando.

O Tim Festival 2007 acabou por volta das 2 e poco da manhã, e o público que deixava a Pedreira saía com opiniões bem divididas. Já eu, este que vos escreve e que não muita coisa viu, posso dizer que me diverti como poucas vezes. Cheguei em casa às 3:00 de uma quinta-feira sabendo que dali a 3 horas tinha que ir para a aula.

Ano que vem, se tiver mais, volto lá.