A banda que estava tocando no palco naquele momento era conhecida por sua tradição em fazer todos dançarem durante quase toda a duração do show, em todos os shows. Hoje não era diferente.
Cada um dançava do seu jeito, sua dança particular, seus próprios modos de esquecer dos problemas do mundo por uma ou duas horas. E mesmo no meio dessa discrepância toda, o rock era único e unia a todos. Era o que fazia todos ficarem tão diferentes um dos outros. Enfim, essa é mais uma análise de coisas simples que os escritores contam todos os detalhes só para aumentar e fazer o fato parecer ser bem mais sublime do que ele realmente é.
Resumindo, uma banda estava alegremente distribuindo o seu rock a quem quisesse ouvir. E a retribuição era boa. Assim por cima, umas 90 pessoas dançavam e requebravam calorosamente.
Sentado em uma mesa meio afastada, eu observava à essa cena de admirável boniteza tendo como única compania uma kaiser quase quente. Passo a mão na testa e percebo que estou suando em bicas. Olho para os lados como que procurando alguma coisa, mas sem saber realmente o quê.
Apóio minhas costas no encosto. Relutando, tomo mais um gole desse copo de infelicidade que era aquela kaiser quente fazendo cara feia.
A banda acaba uma das músicas, todos gritam, aplaudem, eu aplaudo e eles começam mais uma do Arcade Fire. Eles só tocam Arcade Fire, esses caras.
A kaiser finalmente acaba e eu não quero pedir mais uma; Beber sozinho é horrível. Quero ir pra casa. Passo a mão na mesma testa que eu tinha acabado de enxugar estava novamente encharcada. Eu quero muito ir pra casa, melhor ficar sozinho em um lugar quieto do que em um lugar cheio de gente.
Mas alguma coisa me impede de levantar. Algum pressentimento. Esses pensamentos infantis que surgem na cabeça e agente nem dá mais bola. Enfim. Continuei sentado. Pedi uma bohêmia e comecei a olhar novamente para os lados, como que procurando por algo que não se sabe o que é.
De súbito, mando cancelar a bohêmia e entro correndo no meio do pessoal dançando. Não sabia porquê estava fazendo aquilo, só segui meus instintos.
[Nota do Editor: É altamente recomendável que o leitor não prossiga com sua leitura até o final deste conto. A queda de qualidade apresentada é imensa, a ponto de haver posterior arrependimento. Acreditamos que o autor começou a escrever este texto sem nenhum planejamento sobre o desenrolar da história, perdeu a paciência e resolver acabar de uma vez. Sugere-se que o leitor vá fazer outra coisa mais saudável]
No que saio correndo, de súbito minha mesa explode. Um trem irrompe de uma de uma das paredes, passa exatamente pelo ponto que eu estava sentado e sai por onde era a porta de entrada. Um avião cai aonde antes estava localizada a minha kaiser quente. Uma bomba relógio escondida explode aonde estava a cadeira.
A salvo, agradeço a mim mesmo. Ainda bem que aprendi a confiar nas minhas intuições.
[N. E. II: eu avisei. O problema é todo seu agora.]