17/04/2007

saponáceo

de Eduardo Henrique


Demócrates e Hipócrates, irmãos batizados sabe-se lá porque com nomes de filósofos gregos, estão tomando aquela cervejinha experta depois do expediente na banca do jornal da família. Típico papo de botequim:
- E o Coringão? Vai passar do São Paulo hoje à noite?
- Se o coringão vai passar eu não sei, mas se aquela morena passar aqui na frente mais uma vez, eu enlouqueço.

Papo vem, papo vai, cerveja só vem, não vai, pede-se a conta da mesa dos irmãos. Valor absurdo: Trinta reais. Hipócrates, o ser pagante da questão, só tem dez. Demócrates, o ser xingante, vai logo proferindo:
- Puta que pariu! Mas como você só tem déizão? Como que nós vamos pagar essa porra?
- Agente podia chamar o Aristóteles e ver se dá pra pendurar.

Dito e feito. Chamaram o Aristóteles (o nome de filósofo grego não passa de mera coincidência), garçom dedicado à arte de servir há bons vinte e cinco anos. Aquela velha pergunta:
- Aí Aristóteles, será que dá pra pendurar?

Não dava. A tradicionalíssima solução: Lavar pratos. Lá se vão os dois fraternos para a cozinha.
- Cara, quando agente acabar isso aqui, o campeonato inteiro vai ter acabado - profetiza, em meio à louça, Hipócrates.
- Já sei! Vamos fugir pela janela! - sugere Demócrates, com o saponáceo na mão.
- Pô cara, isso não é certo.
- E perder o jogo do coringão é, por acaso?

Depois de muita discussão ética, e sem outra alternativa a não ser perder a transmissão da partida, não se demora a praticar a fuga típica dos gatunos (não sem um certo peso na consciência) enquanto começa o jogo na televisão do bar.



02/04/2007

breve e arrogante análise sobre a peça "Kubrick 5.1"


"Eu achei a peça ruim e absolutamente "não-cativante".

O texto é muito complicado. Em alguns momentos, a história parece ser pulada para um ponto mais a frente para que seja econimizado tempo e esforço, e aonde não se leva em consideração o entendimento da história por parte do espectador. E quando a narrativa finalmente começa a ficar empolgante, a peça acaba, sem mais nem menos, exatamente no meio do clímax. O final da história só é conhecido através de raciocínios. seria mais fácil e talvez até mais agradável assistir ao final e ficar um tempo a mais no teatro.

Os pontos positivos da peça são a ótima trilha sonora, a boa imitação que o ator que interpreta Alex faz e o contraste de luzes que reverencia o jogo de cores tão utilizado por kubrick em seus filmes."