26/03/2007
À Dona Ângela
"Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor e anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente
Em quem, senão em vós, se uniformara?
Quem veria uma flor, que não a cortara
Do verde pé, da rama florescente?
E quem um anjo vira tão luzente,
Que por seu deus não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares
Fôreis o meu custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares,
Mas vejo que tão bela e tão galharda,
Posto que os anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo que me tenta, e não me guarda."
Gregório de Matos
22/03/2007
enfim
Ah, mas eu me sinto tão envergonhado!
Peço desculpas novamente aos leitores que tanto são fiéis e continuam retornando a esse maravilhoso blog.
Nestes últimos dias têm ocorrido tantas coisas na minha cabeça que não me sobra tempo para que eu consiga escrever bons textos.
Até daria pra escrever alguma coisa, mas sairia muito feio, e cá entre nós, escrever só por escrever e deixar a qualidade de lado é um crime, não?
Então não se surpreenda se você vier aqui e ler algum texto que já foi publicado antigamente.
Dentro de 2 a 3 semanas textos novos estarão sendo publicados normalmente.
Droga, isso tinha que acontecer justo agora, que o número de visitantes estava aumentando.
êêê laiá
18/03/2007
clarice
Com algumas (porém poucas) controvérsias, esse foi o melhor texto que já escrevi até hoje. Ele data de maio ou junho do ano passado, e foi originalmente publicado em www.fotolog.com/defenestran2 .
"Segundo a propria, foi em 2003 que ela se mudou para o apartamento ao lado. ou melhor, foi em 2003 que ela se mudou para a minha vida.
A primeira vez que eu a vi, indo conhecer a quadra e o parquinho do condominio, junto com a irmã e os pais.
A primeira vez que eu conversei com ela, na mesma quadra, jogando algum jogo com alguém da famosa turma do predio.
Naquela época espinhas marcavam o auge da adolescência, os hormônios trabalhando a toda lá dentro.
Bruxaria pode até não existir, mas o que eu fiquei depois daquele dia foi é enfeitiçado.
O tempo nada mais faz alem de passar. Qualquer um que afirma que esse ditado é verdadeiro se sentiria errado ao ver o que o tempo fazia com ela: As espinhas sumiam, o cabelo crescia, as formas cresciam, o corpo todo crescia. O feitiço crescia.
Cada vez mais eu me via trancado, sem nenhuma saída a nao ser deixar o proprio tempo me prender ainda mais.
Ir ao colegio todo dia de manhã acompanhado por esse demônio. inferno ou paraíso?
Ficar no mesmo elevador por cerca de 1 minuto sem ter mais nada para fazer além de olhar para aqueles olhos azuis, ver aquele sorriso envergonhado, ouvir aquela voz divina. Tortura ou bênção?
Poder ter aquilo tudo para me ouvir desabafar, escutar os meus problemas e me dar conselhos! Me fazer perceber que o que eu estava passando naquela hora não era nada a não ser frescura!Aquilo foi o que salvou a minha vida naquele momento!
Desconfiar desde o primeiro momento de que eu nunca poderia atravessar aquela pequena linha que separa um verdadeiro amigo de um companheiro para todas as horas (leia-se "namorado"), e depois de 3 anos ouvir da propria a confirmação!aquilo foi o que castigou a minha vida naquele momento!
3 anos foram insuficientes para dar um pequeno passo.
Para ele menos de 2 meses bastaram.
Hoje não preciso mais falar com você.
16/03/2007
absoluto desperdício
Ah, eu detesto quando não me surge nenhuma idéia e eu realmente preciso escrever.
Desgraça.
Não, nem uma desgraça me surge na cabeça!
Que coisa.
Eu até poderia tentar escrever alguma coisa sobre a falta de ter o que escrever, mas isso é completamente clichê.
E pior ainda, me surge na cabeça uma voz chata que fica repetindo que eu tenho por que eu tenho que escrever um texto, porque quando não surge nenhuma novidade os leitores costumam perder a vontade de retornar aqui e ler novos textos. Recentemente o número de visitantes começou a subir novamente e eu não posso perder esse bonde.
Então, caro, amado, superestimado e louvável leitor, o que fazer sob uma situação dessas?
Ir dormir? É, ir dormir parece ser uma boa idéia.
Estou indo dormir.
Me desculpe pela atenção desperdiçada.
Boa noite e voltem sempre.
Mas voltem mesmo.
Esse texto será jogado no lixo em breve.
09/03/2007
Pão
Noventa e cinco vírgula sete por cento do texto a seguir é descaradamente plagiado de Luís Fernando Veríssimo.
Peço para que o querido leitor se ponha no meu lugar diante da situação que aconteceu comigo momentos atrás e a qual explicarei adiante.
Você está voltando da padaria, feliz e contente (sem ter um motivo óbvio para tais sentimentos), carregando um pacote com seis pãezinhos dentro.
Você percebe que a sacola na qual os pães estão alojados está rasgada.
Você percebe que você percebeu que a sacola na qual os pães estavam alojados estava rasgada tarde demais.
Você percebe que dois dos seis pãezinhos estão no chão e os outros quatro que restaram estão sedentos para fazer o mesmo. Estes se penduram na borda da sacola porém não têm a mesma coragem que os seus compatriotas pioneiros dessa recém-criada arte.
Você percebe que são por volta das seis horas e meia da tarde e que muitas pessoas estão andando pela rua.
Você percebe que muitas dessas pessoas que andam as seis e meia da tarde pelas ruas perceberam que você deixou cair dois pães no chão. Em seguida você percebe que as pessoas que perceberam que você deixou cair dois pães no chão estão se esforçando para que você não perceba que elas perceberam que você deixou cair dois pães no chão.
O que você faria numa hora dessas?
a) Ficaria olhando indignado para a sacola rasgada, começaria a resmungar palavras inaudíveis e voltaria correndo para a panificadora para gritar que iria processar a mesma por danos morais e físicos, e que, pior, nunca mais voltaria naquela panificadora.
b) Fingiria que nada aconteceu e caso alguém lhe chamasse a atenção, você diria que você tinha gentilmente cedido 33,3% da sua mais recente inquisição para pombas e, pior, eventuais mendigos.
c) Ignoraria as pessoas olhando curiosas e gritaria para os dois indivíduos revoltos no chão e gritaria "Não acredito que vocês fizeram isso! Tá, legal, agora pulem de volta dentro do saco antes que eventuais mendigos (pior!) seqüestrem vocês!", e, mediante a indiferença dos dois, gritaria novamente, não sem causar mais curiosidades nos que passam em volta: "Tá bom, se vocês querem ficar aí, que fiquem! Não venham reclamar comigo depois!" e voltaria para casa indignado e irritado, deixando eles lá, no chão.
d) Pediria a ajuda mútua de Chuck Norris, Homem Cueca e Chapolin Colorado.
e) Falaria para si mesmo "Eita! Os caras me deram uma sacola rasgada! Droga", pegaria os pães com a mão disponível e voltaria para casa como se nada tivesse acontecido e indagando porque não aproveitava a situação para fazer boas ações e doar para eventuais mendigos (pior, muito pior!).
f) Desistiria de maiores explicações, sentaria no chão, ajeitaria uma franja na frente do seu olho, começaria a chorar, e diria em voz alta "esse mundo é tão injusto! Eu não me encontro no meio disso tudo" momentos antes de arranjar uma gilette e cortar os pulsos. (Imaginar que você estaria com um ipod nos seus ouvidos tocando "Good Charlotte" ou "Simple Plan")
g) Pensaria "Quem se importa?" e iria embora como se nada tivesse acontecido.
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Me lembrei agora de uma sorveteria que se chama "Ice Cream". Nome genialmente original.
05/03/2007
Dani - parte 9
- Você vai se cuidar?
- Vou mãe.
- Escovar os dentes, não gastar dinheiro com besteiras, aquelas coisas que eu te falei milhões de vezes?
- Siiiim mãe!
Ao dizer isso, Dani deixa escapar um sorriso desses do tipo "tá bom mãe, eu entendi, não nada com o que se preocupar, fique tranquila". E é claro que, pelo fato de estarmos falando da mulher perfeita, a sensação de confiança emitida conseguiu atingir a mãe preocupada, deixando-a mais, porém não completamente tranqüila.
Leandro observa a cena embasbacado. Não consegue acreditar que o nível da perfeição de sua namorada chega ao ponto de com apenas um sorriso ela consegue fazer sua mãe ficar menos aflita. Milhares de adolescentes bolam argumentos infalíveis para tentar convencer seus pais a dá-los permissão para saírem para finais de semana com amigos, em vão. Dani não precisa de nada disso. Só de um sorriso. Leitor, não é de se ficar espantado? Você compreende porquê Leandro ainda não acredita no que tem nas suas mãos? Se o amigo que lê essa história não lembra, o dito rapaz não é querido por ninguém. Ele é bem desse tipo dos que andam sozinhos por aí, sem amigos.
Talvez fosse interessante fazer uma breve recapitulação dessa história, mas a voz que vos escreve está com preguiça e pretende continuar com essa história de uma vez e parar com essa encheção de lingüiça; há muito caminho para ser percorrido ainda.
Marisa puxa Dani para uma distância para que Lê não pudesse ouvir a conversa e orienta a filha:
- Na hora em que ele fizer "a besteira"...
- Mãe, pára! - interrompe Dani - Como que você pode ter tanta certeza de que ele vai fazer alguma coisa dessas de novo?
- Filha, olha a cara de insegurança dele. Consegue ver uma incerteza no seu rosto?
Dani observa Leandro, que acena de volta. Ela concorda com a mãe.
- É... é verdade. Mas...
Pausa. Não consegue pensar em nada e fala qualquer coisa:
- ... não vamos conversar sobre isso agora, mãe. Agente já falou muitas vezes e nós duas chegamos a conclusão de que, comigo por perto, o risco de ele aprontar alguma é bem menor, lembra-se?
- Tá bom então... Vai lá. Divirta-se. Se cuida...
- Mãe... A senhora sabe que eu te amo, né?
- Sei, sei...
- Não fica assim, mãe! Se você se sentir muito sozinha, liga pra mim e agente conversa um pouco!
- Tá bom... Mas você TEM que me ligar todos os dias e me dar notícias, certo?
- Claro que eu ligo, mãe! - Dani diz, exibindo o já tão comentado sorriso tranqüilizante. Ah, esse sorriso. Leitor, eu estou me segurando ao máximo para não me apaixonar por ela. Se eu não manter a linha, vai ser mais uma dessas histórias de que o escritor se apaixona por uma personagem que ele criou e se dá mal por causa disso. Enfim. Continuemos a história.
- Tchau mãe. A senhora se cuide também, sozinha aqui.
- Tchau, Daniela.
Dani sai correndo em direção a Leandro e lhe dá um beijo. Desses beijinhos simpáticos que os namorados dão entre si quando eles se encontram.
- Preparada, amor? - ele diz.
- Até demais! Vamos embora de uma vez que eu não aguento mais esperar!
- Então entre logo nesse carro.
Pausa. Os dois ficam se olhando. A pressa parece sumir. De repente Leandro se sente tímido, desvia o olhar, dá a volta no carro, abre a porta e senta no banco do motorista. Não acredita. Não consegue acreditar. Não tem como acreditar. É impossível. É tudo o que ele sempre tinha pedido na vida. Era como se fosse o paraíso: Ele sempre esteve tão longe, mas este simplesmente surgiu na sua frente, sem maiores explicações.
- Como é, vamos ou não? - ele grita pela janela.
Dani entra no carro, e Leandro liga o motor. Antes de dar a partida, ele grita para Marisa:
- Tchau mãe!
E Marisa, encostado no portão da frente de sua casa, assiste a tudo isso incrédula com o fato de que isso esteja realmente acontecendo. Após o carro ir embora, ela diz para si mesma, baixinho:
- Se cuida, filha...
os últimos dias têm sido recordes de visitação! o que está acontecendo aqui??
- Vou mãe.
- Escovar os dentes, não gastar dinheiro com besteiras, aquelas coisas que eu te falei milhões de vezes?
- Siiiim mãe!
Ao dizer isso, Dani deixa escapar um sorriso desses do tipo "tá bom mãe, eu entendi, não nada com o que se preocupar, fique tranquila". E é claro que, pelo fato de estarmos falando da mulher perfeita, a sensação de confiança emitida conseguiu atingir a mãe preocupada, deixando-a mais, porém não completamente tranqüila.
Leandro observa a cena embasbacado. Não consegue acreditar que o nível da perfeição de sua namorada chega ao ponto de com apenas um sorriso ela consegue fazer sua mãe ficar menos aflita. Milhares de adolescentes bolam argumentos infalíveis para tentar convencer seus pais a dá-los permissão para saírem para finais de semana com amigos, em vão. Dani não precisa de nada disso. Só de um sorriso. Leitor, não é de se ficar espantado? Você compreende porquê Leandro ainda não acredita no que tem nas suas mãos? Se o amigo que lê essa história não lembra, o dito rapaz não é querido por ninguém. Ele é bem desse tipo dos que andam sozinhos por aí, sem amigos.
Talvez fosse interessante fazer uma breve recapitulação dessa história, mas a voz que vos escreve está com preguiça e pretende continuar com essa história de uma vez e parar com essa encheção de lingüiça; há muito caminho para ser percorrido ainda.
Marisa puxa Dani para uma distância para que Lê não pudesse ouvir a conversa e orienta a filha:
- Na hora em que ele fizer "a besteira"...
- Mãe, pára! - interrompe Dani - Como que você pode ter tanta certeza de que ele vai fazer alguma coisa dessas de novo?
- Filha, olha a cara de insegurança dele. Consegue ver uma incerteza no seu rosto?
Dani observa Leandro, que acena de volta. Ela concorda com a mãe.
- É... é verdade. Mas...
Pausa. Não consegue pensar em nada e fala qualquer coisa:
- ... não vamos conversar sobre isso agora, mãe. Agente já falou muitas vezes e nós duas chegamos a conclusão de que, comigo por perto, o risco de ele aprontar alguma é bem menor, lembra-se?
- Tá bom então... Vai lá. Divirta-se. Se cuida...
- Mãe... A senhora sabe que eu te amo, né?
- Sei, sei...
- Não fica assim, mãe! Se você se sentir muito sozinha, liga pra mim e agente conversa um pouco!
- Tá bom... Mas você TEM que me ligar todos os dias e me dar notícias, certo?
- Claro que eu ligo, mãe! - Dani diz, exibindo o já tão comentado sorriso tranqüilizante. Ah, esse sorriso. Leitor, eu estou me segurando ao máximo para não me apaixonar por ela. Se eu não manter a linha, vai ser mais uma dessas histórias de que o escritor se apaixona por uma personagem que ele criou e se dá mal por causa disso. Enfim. Continuemos a história.
- Tchau mãe. A senhora se cuide também, sozinha aqui.
- Tchau, Daniela.
Dani sai correndo em direção a Leandro e lhe dá um beijo. Desses beijinhos simpáticos que os namorados dão entre si quando eles se encontram.
- Preparada, amor? - ele diz.
- Até demais! Vamos embora de uma vez que eu não aguento mais esperar!
- Então entre logo nesse carro.
Pausa. Os dois ficam se olhando. A pressa parece sumir. De repente Leandro se sente tímido, desvia o olhar, dá a volta no carro, abre a porta e senta no banco do motorista. Não acredita. Não consegue acreditar. Não tem como acreditar. É impossível. É tudo o que ele sempre tinha pedido na vida. Era como se fosse o paraíso: Ele sempre esteve tão longe, mas este simplesmente surgiu na sua frente, sem maiores explicações.
- Como é, vamos ou não? - ele grita pela janela.
Dani entra no carro, e Leandro liga o motor. Antes de dar a partida, ele grita para Marisa:
- Tchau mãe!
E Marisa, encostado no portão da frente de sua casa, assiste a tudo isso incrédula com o fato de que isso esteja realmente acontecendo. Após o carro ir embora, ela diz para si mesma, baixinho:
- Se cuida, filha...
os últimos dias têm sido recordes de visitação! o que está acontecendo aqui??
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