26/02/2007
Dani - parte 8
19:22
Leandro está fora do carro, encostado. Pensa. Raciocina. Tira conclusões que não servem para nada. Sentado no capô, na parte da frente do carro, faz com a mão esquerda uma pose que lembra muito aquela famosa escultura, "O pensador" é o nome, se eu não me engano. Está reunindo forças. Seu namoro com Dani tomará um rumo completamente diferente a partir do momento em que ele apertar a campainha de sua casa. Se mudará para bem ou para mal, só esperando para o destino lhe contar.
Dani está começando a ficar apreensiva. Se Leandro não chegar em cinco minutos, ela irá telefonar para ele. Oras bolas, aonde já se viu isso? Num momento tão importante desses, o rapaz me atrasa! Até eu, o próprio narrador e criador dessa história estou começando a ficar decepcionado (Mas não sou eu mesmo que crio a história? Ah, deixa pra lá, depois eu vejo isso).
Marisa está sentada no sofá da sala, observando sua filha. Elas estão de frente uma para outra, e apreensiva mãe fita Dani com um grande misto de emoções correndo dentro de seu coração. A perfeitinha (é um apelido que eu dou para Dani, só para evitar repetições) parece nem perceber sua mãe ali, observando-a, sem desviar os olhos. Marisa lembra que uma vez saiu com o seu namorado para um final de semana longe dos pais. Relembra que não entendia o por quê de seus pais terem ficado apreensivos e terem relutado tanto em dar permissão para ela fazer a tal viagem. Mas agora, no papel de mãe, tudo era diferente.
Lúcio está com a cabeça apoiada no vidro da janela do seu quarto faz alguns minutos. A idéia não entrava na sua cabeça. Haviam apenas dois fins possíveis para aquela história, ele pensava. Ou Leandro faria alguma outra grande besteira e com isso faria Dani sofrer muito, ou nada aconteceria e o tão odiado namoro dos dois deslancharia e daria tudo certo por mais alguns anos. Tudo errado, tudo errado. Não era para ser assim.
19:24
Leandro está parado em frente à campainha. Isso até pode ser uma cena engraçada: Seu dedo está levantado, apontando na direção do botão, pronto para apertá-lo. Sua cabeça, no entanto, não estava tão pronta assim. Seu coração estava em cima do muro. O que poderia fazer? Fugir? Claro que não! Ia apertar aquela campainha de qualquer jeito e ia fazer aquela tão esperada e tão planejada viagem com a sua mais perfeita namorada. "Aí vai" diz ele pra si mesmo, reunindo toda a sua coragem. "Vamos acabar com isso de uma vez". Ou começar, né leitor?
Dani se levanta da poltrona e vai em direção ao seu quarto, pegar o seu celular. "Que pouca vergonha". Os segundos pareciam não passar. Que coisa. O leitor deve saber como é a sensação de ficar esperando anciosamente por alguma coisa e na hora de acontecer, ela atrasa. Enfim. Aaaah, minha cara Dani... Relaxe. Queria poder te dizer que no próximo minuto a campainha vai tocar e finalmente você vai poder viajar com ele.
Marisa vê Dani se levantar da poltrona e ir direção ao seu quarto. Sua filha parece nem perceber que ela está ali. "Ah, se ele atrasasse mais algumas horas...", ela pensa. E fica ali, olhando para o nada.
Lúcio finalmente sai da janela e se senta na sua cama. "Não pode ser" ele pensa. Fecha os olhos e fala baixinho: "Não pode ser". Me recuso a fazer maiores comentários sobre a situação desse garoto, leitor. Tire você suas conclusões.
19:25
Leandro aperta a campainha e espera. Espera. Os 30 segundos mais demorados em toda a sua vida. De repente, o óbvio porém inacreditável acontece: Dani abre a porta. Para ele, o tempo parou por alguns momentos ali. Cada vez em que ele via sua namorada, surpreendia-se. Não conseguia acreditar que ele havia conseguido arranjar uma namorada dessas, tão perfeita assim. Nunca havia tido uma outra namorada. O tempo voltou a correr, e Leandro chegou a conclusão de que precisava dizer algo. "Oi Amor! Vamos embora?".
Dani ouve a campainha tocar. Embora estivessem namorando há um bom tempo, pareceu a ela que tinha chegado o momento do primeiro encontro. Guarda o celular no bolso e sai correndo do seu quarto. Chega na sala. Mais uma vez, a torrente de sentimentos que passavam por dentro dela a impediram de perceber sua mãe ali, sentada, observando tudo com olhos preocupados. Dani abre a porta e vê a pessoa que ela mais esperava ver. Dois sorrisos enormes podem ser observados nessa cena. "Oi Amor! Vamos embora?", ela ouve, e balança a cabeça concordando, feliz.
A campainha toca. Marisa sente um misto de tristeza e decepção, e a única reação que consegue tomar é abaixar a cabeça e fechar os olhos. Escuta Dani vir correndo e abrir a porta. "Oi Amor! Vamos embora?" ela ouve, sem abrir os olhos. Não há absolutamente nada a fazer.
Lúcio deita em sua cama, vira-se para o lado da parede e, pela primeira vez em toda a sua vida, chorou.
22/02/2007
Prostituição Carinhosa
Eis que hoje de manhã eu tive uma idéia que me pareceu ser boa.
No meio de um monte desses desastres que te acontecem de manhã quando você acorda de uma noite meio mal-dormida e ainda está bastante sonolento, tive um lampejo. Eu até comecei a escrevê-los aqui mas por ocasião de preguiça resolver pular tudo isso e ir direto ao ponto.
É o seguinte:
Gigolôs e Prostitutas Carinhosos.
Calma que eu explico, calma que eu explico!
Muita gente por aí sente não sente necessidades físicas, mas sim emocionais (claro que sentem, mas a prioridade delas são as emocionais), tal qual a pessoa que vos escreve.
Então.
É muito simples.
Simples demais até.
Se você não consegue arranjar um namorado ou namorada por méritos próprios, lá estão os Gigolôs e Prostitutas carinhosos, prontos para te disponibilizar uma vasta quantidade de amor, carinho, compreensão e todos esses sentimentos que namorados tanto compartilham.
"E como que paga??", o querido leitor me pergunta.
Simples, muito simples.
Dependendo da vontade e do prazo de consumo, o consumidor paga mensalidades ou semanalidades. Os preços variam conforme beleza interna e externa dos empregados.
No primeiro mês pagam-se quatro pequenas semanalidades. A partir do segundo mês pagam-se mensalidades e daí em diante, a cada 2 meses o preço da mensalidade tem um acréscimo de 35%.
O problema é se o cliente se apaixona por um dos empregados. Aí correm-se riscos que agora assim eu nem sei quais são. Imagine se o cliente fica com vontade de se casar com o empregado? Isso pode complicar tudo. Mais tarde eu preciso bolar uma saída para tudo isso.
Por outro lado, é uma possibilidade de emprego para toda a vida.
Ao contrário da "prostituição" original, a "prostituição carinhoso" não vê impecílios em seus empregados ficarem idosos.
Enfim, é uma idéia a ser bem trabalhada ainda.
Quem sabe uma história dessas não vire um livro um dia ainda? Por que não?
15/02/2007
Jorge Et Rogério
Da série "Análises sobre a vida e etc" (que eu acabei de inventar), temos aí uma história que não conta nada de novo e até pode ser considerada um clichê:
Jorge era um jogador de futebol profissional. Mas daqueles que sobram aos montes pelo Brasil: Mediano. Jogava bem, mas nada de mais. Ia e voltava, defendia, atacava, passava bem, tudo com um pouco de classe mas sem méritos.
Certo dia, seu time fez um jogo sem importância do campeonato brasileiro, mas por uma coincidência grande (ou uma grande armação do destino), o estádio estava anormalmente lotado e o jogo foi televisionado. Como não podia deixar de ser, o tal jogo bateu o recorde de audiência do campeonato daquele ano.
A partida estava fria e sem graça até o momento em que o acaso e a sorte resolveram se unir e dar um presente para Jorge. Quando estava dominando no campo de defesa do seu time, aproveitou o descuido de seu marcador e lhe aplicou um drible desconcertante. A torcida, que não via oportunidades de gritar naquele jogo viu ali sua chance e aproveitou. Enquanto isso, Jorge (que sempre usava a camisa 8) foi dando o seu jeito naquela situação toda.
Deixou mais um para trás com grande estilo (a torcida vibrou mais), viu seu companheiro de time absolutamente livre do lado esquerdo e passou a bola para ele, e saiu correndo em direção ao campo adversário. Paulinho Gluglu (camisa 7 e seu eterno parceiro) viu que Jorge corria em posição absolutamente privilegiado e devolveu a bola para ele assim que a recebeu.
Agora, caro leitor, vou deixar você imaginar o resto. Mas saiba que ele passou por 3 zagueiros (a cada drible, a torcida gritava ainda mais) e fintou lindamente o goleiro para rolar a bola em direção ao gol vazio. A torcida explodiu, todos os jogadores do time incluindo os reservas correram para abraçar Jorge e até alguns do time adversário o cumprimentaram.
Drummond dizia que "o impossível não é fazer mil gols que nem o Pelé, mas sim um gol que nem o Pelé". Fique sabendo que naquela tarde essa dificuldade foi plenamente superada e o nosso protagonista fez um belo gol que nem Pelé.
Mas passado aquilo, ele continuou o mesmo jogador mediano de sempre e não fez mais grandes coisas.
Porém o vídeo daquele gol foi exibido e re-exibido inúmeras vezes pela imprensa esportiva em noticiários e programas de mesa-redonda. Fez sucesso, o povo não esqueceu mais. Chegou na Europa e de lá vieram três propostas de contratações de três times grandes.
É claro que Jorge aceitou a mais vantajosa e foi jogar lá. Porém, é claro que ele não deu certo porque ele era um jogador bem mediano do qual a sorte lhe havia sorrido uma única vez, e jogadores medianos dos quais a sorte não lhes sorri não jogam na Europa. Voltou para o Brasil e jogou por mais alguns anos em um time grande.
Agora, apresento a você Rogério. Rogério tinha muito mais talento e jogava no mínimo 5 vezes mais do que Jorge. Jogou por muito tempo em times pequenos, porém nunca teve o seu nível reconhecido. Aos 23 anos desistiu pela falta de reconhecimento e foi fazer uma faculdade de administração.
Tudo isso é só para ver como algumas pessoas são supervalorizadas enquanto outras estrelas brilham mas passam completamente desapercebidas.
Viu? Eu falei que não tinha nada de novo. Fiz você perder o seu tempo.
Desculpas
10/02/2007
2 Anos, 200 posts
Defenestração
"Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de algo vagamente vegetal. As pessoas deviam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.
Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria.
- Os hermeneutas estão chegando!
- ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
- Alô...
- O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água.
Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.
A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de olhar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.
Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.
Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração...". Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
- Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.
Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês "defenestration". Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Ato de atirar alguém ou algo pela janela!
Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem um nome próprio e lugar nos dicionários por uma razão muito forte. Afinal, não exite, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
- Les defenestratios. Devem ser proibidas.
- Sim; monsieur le Ministre.
- São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
- Sim, monsieur le Ministre.
- Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima deve ter um cartaz: "Interdit de defenestrer". Os transgressores serão multados. Os reincidentes presos.
Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
- É esta estranha vontade de atirar alguém ou algo pela janela, doutor...
- Hmm. O impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar - diz o analista, afastando-se da janela.
Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.
Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
- Querida...
- Mmmm?
- Há uma coisa que eu preciso lhe dizer...
- Fala, amor.
- Sou um defenestrador.
E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:
- Estou pronta para experimentar tudo com você. Tudo!
Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbuciou:
- Fui defenestrado...
Alguém comenta:
- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!
Agora mesmo me deu uma estranha sensação de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar essa crônica. Se ela sair é porque resisti."
Luis Fernando Veríssimo. No livro "Comédias para se ler na escola".
Foi aí que tudo começou.
Agradeço novamente a tudo e a todos.
"Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de algo vagamente vegetal. As pessoas deviam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.
Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria.
- Os hermeneutas estão chegando!
- ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
- Alô...
- O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água.
Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.
A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de olhar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.
Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.
Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração...". Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
- Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.
Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês "defenestration". Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Ato de atirar alguém ou algo pela janela!
Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem um nome próprio e lugar nos dicionários por uma razão muito forte. Afinal, não exite, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
- Les defenestratios. Devem ser proibidas.
- Sim; monsieur le Ministre.
- São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
- Sim, monsieur le Ministre.
- Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima deve ter um cartaz: "Interdit de defenestrer". Os transgressores serão multados. Os reincidentes presos.
Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
- É esta estranha vontade de atirar alguém ou algo pela janela, doutor...
- Hmm. O impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar - diz o analista, afastando-se da janela.
Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.
Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
- Querida...
- Mmmm?
- Há uma coisa que eu preciso lhe dizer...
- Fala, amor.
- Sou um defenestrador.
E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:
- Estou pronta para experimentar tudo com você. Tudo!
Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbuciou:
- Fui defenestrado...
Alguém comenta:
- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!
Agora mesmo me deu uma estranha sensação de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar essa crônica. Se ela sair é porque resisti."
Luis Fernando Veríssimo. No livro "Comédias para se ler na escola".
Foi aí que tudo começou.
Agradeço novamente a tudo e a todos.
09/02/2007
Dani - parte 7
Leitor, permita-me interromper essa "não tão incrível mas que certamente terá um desfecho que não é um clichê" jornada de Dani, que chega em um momento que realmente é dramático: A hora em que Leandro, o namorado de Dani, estaciona seu carro na frente da casa d'A perfeita e a chama para essa viagem que certamente está deixando muito tensos as personagens "Lúcio" e "Marisa".
Porém, é válido frisar que em um momento de tensão como esse, o autor perde a linha e não sabe o que fazer. Saber o que fazer na verdade eu sei, já tenho um roteiro da história quase inteira preparado na minha cabeça. O que realmente me atrapalha nesse momento é a preguiça e a falta de paciência, que sempre me enchem muito o saco quando eu tento escrever histórias mais compridas. Então o que fazemos quando estamos diante de uma grande dificuldade? Arranjamos algo mais fácil para fazer.
E é isso que eu vou fazer agora. Vou parar de escrever a história, pelo menos nesse capítulo, e voltar a falar das maravilhas da moça que leva o título dessa série.
Dani tem um rosto que pode te levar a qualquer lugar do mundo. Não adianta tentar te descrever com grandes detalhes, porque não é preciso. Porque seria impreciso. Palavras não seriam suficientes, ou seriam erradas, e imagine isso leitor! Eu tentando passar para você a idéia de uma mulher perfeita, mas aí eu te passo a descrição incorreta e você fica com a imagem errada dela! Como que eu, narrador onisciente e onipresente dessa narrativa, ficaria? Certamente desapontado. O rosto é uma parte do corpo que, se for de uma mulher perfeita (que é o caso de Dani), nos priva de detalhes para passar descrições corretas. Leitor, eu estou tentando encher linguiça, e não sei se você percebeu, lá pela metade desse parágrafo eu comecei a repetir o que eu já tinha dito. Então passemos logo para o próximo.
Tudo o que existe em volta dela é uma piscina que emana muita luz. Isso saiu meio exotérico até, mas é a verdade. Até o mais mal-humorado acionista da wall street que tivesse a sorte de passar do lado de Dani e perceber seu sorriso, a alegria que ela parecia sentir só pelo simples fato de estar ali, caminhando pelas calçadas sem maiores preocupações mudava o seu semblante e passava a exibir um sorriso desses que não se daonde se tira.
A sua mente, a sua inteligência, a sua destreza, a sua percepção e muitas outras inúmeras qualidades espantavam muitos que conviviam nem que fossem poucos minutos com essa mulher que tanto admiramos.
A você, leitor, peço desculpas por enfiar na sua cabeça e te fazer imaginar uma beleza que não tem possibilidades de ser real, porque nada nesse mundo é perfeito.
Mas começo a me perguntar: Se não existe nada perfeito, Dani quebraria essa regra? Poderia ser ela uma incrível excessão? Não sei leitor. Que rumo eu dou à essa história? Ela é realmente perfeita ou não? Me intrigo com essa questão.
Está na hora de parar com esse auto-questionário que só me fará me arrepender da idéia de escrever essa história. Prometo ao dedicado leitor que o próximo capítulo dessa novela dará sequência a história e você poderá finalmente ficar sabendo o que acontecerá com Dani e Leandro, Marisa e por fim, o verdadeiro protagonista desse caso todo.
199º post. Texto escrito às pressas. Amanhã completamos 2 anos.
Porém, é válido frisar que em um momento de tensão como esse, o autor perde a linha e não sabe o que fazer. Saber o que fazer na verdade eu sei, já tenho um roteiro da história quase inteira preparado na minha cabeça. O que realmente me atrapalha nesse momento é a preguiça e a falta de paciência, que sempre me enchem muito o saco quando eu tento escrever histórias mais compridas. Então o que fazemos quando estamos diante de uma grande dificuldade? Arranjamos algo mais fácil para fazer.
E é isso que eu vou fazer agora. Vou parar de escrever a história, pelo menos nesse capítulo, e voltar a falar das maravilhas da moça que leva o título dessa série.
Dani tem um rosto que pode te levar a qualquer lugar do mundo. Não adianta tentar te descrever com grandes detalhes, porque não é preciso. Porque seria impreciso. Palavras não seriam suficientes, ou seriam erradas, e imagine isso leitor! Eu tentando passar para você a idéia de uma mulher perfeita, mas aí eu te passo a descrição incorreta e você fica com a imagem errada dela! Como que eu, narrador onisciente e onipresente dessa narrativa, ficaria? Certamente desapontado. O rosto é uma parte do corpo que, se for de uma mulher perfeita (que é o caso de Dani), nos priva de detalhes para passar descrições corretas. Leitor, eu estou tentando encher linguiça, e não sei se você percebeu, lá pela metade desse parágrafo eu comecei a repetir o que eu já tinha dito. Então passemos logo para o próximo.
Tudo o que existe em volta dela é uma piscina que emana muita luz. Isso saiu meio exotérico até, mas é a verdade. Até o mais mal-humorado acionista da wall street que tivesse a sorte de passar do lado de Dani e perceber seu sorriso, a alegria que ela parecia sentir só pelo simples fato de estar ali, caminhando pelas calçadas sem maiores preocupações mudava o seu semblante e passava a exibir um sorriso desses que não se daonde se tira.
A sua mente, a sua inteligência, a sua destreza, a sua percepção e muitas outras inúmeras qualidades espantavam muitos que conviviam nem que fossem poucos minutos com essa mulher que tanto admiramos.
A você, leitor, peço desculpas por enfiar na sua cabeça e te fazer imaginar uma beleza que não tem possibilidades de ser real, porque nada nesse mundo é perfeito.
Mas começo a me perguntar: Se não existe nada perfeito, Dani quebraria essa regra? Poderia ser ela uma incrível excessão? Não sei leitor. Que rumo eu dou à essa história? Ela é realmente perfeita ou não? Me intrigo com essa questão.
Está na hora de parar com esse auto-questionário que só me fará me arrepender da idéia de escrever essa história. Prometo ao dedicado leitor que o próximo capítulo dessa novela dará sequência a história e você poderá finalmente ficar sabendo o que acontecerá com Dani e Leandro, Marisa e por fim, o verdadeiro protagonista desse caso todo.
199º post. Texto escrito às pressas. Amanhã completamos 2 anos.
04/02/2007
Que alegria
Ah, mas olha só a felicidade da criança.
Dia 10 de fevereiro, próximo sábado, esse maravilhoso blog de maravilhosos textos completa 2 anos de vida. Que coisa linda.
E isso o que você está lendo agora é a 198ª postagem da história dessa coisa. Que demais.
Então você pode imaginar que a minha pessoa se encontra bem alegre com esse fato. Escrever coisas aqui por 2 anos quase sem interrupções (entenda como interrupções férias escolares, saco cheio disso tudo e claro a depressão no final do 1º semestre do ano passado que assolou e desestabilizou a cabeça desse adolescente chato e irritante que vos escreve e fez os investidores perderam um pouco a confiança, mas não foi nada grave) não é nada fácil. É preciso de persistência, paciência, auto-controle e claro, retorno das expectativas por parte dos leitores.
Claro que quanto a essa a última, é preciso ter mais paciência. O que mais me intriga não é o fato de não vir quase ninguém aqui e em decorrência disso eu não receber comentários, mas sim o fato de eu ter um bom número de visitas e quase nenhum comentário! Não sei se você consegue entender o que eu estou dizendo.
Mas com o tempo se aprende que o que realmente importa não é o número de comentários mas sim uns poucos e bons, que te deixam felizes e te estimulam a continuar escrevendo.
Enfim, agradeço aos que me ajudaram nessa caminhada: leitores que já foram assíduos, que ainda são, aos que serão e aos personagens inesquecíveis;
Aí vai uma lista dessas pesoas:
Marília, Dú, Anônimos em geral, minha mãe, Augusto, Rufa, Mani, Cláudio, Marina, Cláudia, Cabelo, Dani, Giovanni, Ariadne, Augusto Schausztupick e por enquanto esse são os únicos que me ocorrem.
Agora eu não mais o que escrever, porque eu sou péssimo em agradecimentos.
Enfim, dia 10 eu vou estar comemorando essa data de alguma maneira. Se você quiser participar, fale comigo. Aí você vai me parecer um leitor assíduo desse blog, aí eu vou te achar importante para mim, e essas coisas. Enfim. Mesmo que não venha ninguém, eu dou um jeito. Nem que eu vá ao cinema sozinho. Pra mim já vai estar bom.
Enfim.
Obrigado, enfim.
Dia 10 de fevereiro, próximo sábado, esse maravilhoso blog de maravilhosos textos completa 2 anos de vida. Que coisa linda.
E isso o que você está lendo agora é a 198ª postagem da história dessa coisa. Que demais.
Então você pode imaginar que a minha pessoa se encontra bem alegre com esse fato. Escrever coisas aqui por 2 anos quase sem interrupções (entenda como interrupções férias escolares, saco cheio disso tudo e claro a depressão no final do 1º semestre do ano passado que assolou e desestabilizou a cabeça desse adolescente chato e irritante que vos escreve e fez os investidores perderam um pouco a confiança, mas não foi nada grave) não é nada fácil. É preciso de persistência, paciência, auto-controle e claro, retorno das expectativas por parte dos leitores.
Claro que quanto a essa a última, é preciso ter mais paciência. O que mais me intriga não é o fato de não vir quase ninguém aqui e em decorrência disso eu não receber comentários, mas sim o fato de eu ter um bom número de visitas e quase nenhum comentário! Não sei se você consegue entender o que eu estou dizendo.
Mas com o tempo se aprende que o que realmente importa não é o número de comentários mas sim uns poucos e bons, que te deixam felizes e te estimulam a continuar escrevendo.
Enfim, agradeço aos que me ajudaram nessa caminhada: leitores que já foram assíduos, que ainda são, aos que serão e aos personagens inesquecíveis;
Aí vai uma lista dessas pesoas:
Marília, Dú, Anônimos em geral, minha mãe, Augusto, Rufa, Mani, Cláudio, Marina, Cláudia, Cabelo, Dani, Giovanni, Ariadne, Augusto Schausztupick e por enquanto esse são os únicos que me ocorrem.
Agora eu não mais o que escrever, porque eu sou péssimo em agradecimentos.
Enfim, dia 10 eu vou estar comemorando essa data de alguma maneira. Se você quiser participar, fale comigo. Aí você vai me parecer um leitor assíduo desse blog, aí eu vou te achar importante para mim, e essas coisas. Enfim. Mesmo que não venha ninguém, eu dou um jeito. Nem que eu vá ao cinema sozinho. Pra mim já vai estar bom.
Enfim.
Obrigado, enfim.
02/02/2007
Roteiro para seriado/livro de suspense/ação
Eu estou com uma idéia muito boa para um ótimo texto. Ou até um livro. Ou até um roteiro para um seriado tipicamente americano.
Nada original. Tá, confesso, é até um pouco copiado da idéia original da série "Lost", que é muito boa, por sinal.
É o seguinte: Uma mulher tipicamente americana está na sua cozinha tipicamente americana, com a sua TV tipicamente americana ligada, tomando seu café da manhã tipicamente americano, assistindo às "breaking news" da tipicamente americana CNN.
Ela parece ignorar todas as notícias, pois todas parecem ser iguais, todos os dias. Até a hora em que ela escuta que o vôo número 7592 da tipicamente americana "American Airlines", que ia para a Inglaterra está desaparecido. Dentro daquele Jumbo estavam 309 pessoas (eu sei lá quantas pessoas cabem dentro de um jumbo). A moça que lê as notícias diz que o noticiário entrará em uma breve pausa para os comerciais e assim que eles tiverem maiores informações eles retornam com boletins especiais.
A mulher tipicamente americana interrompe o seu café tipicamente americano e de repente esquece de tudo ao seu redor, porque seu marido e seus dois filhos, seus únicos motivos para viver essa vida tão estressada e esse cotidiano tão puxado, estavam naquele avião, indo para a Inglaterra para passar as férias com a avó. Ela não tinha ido junto porque ela realmente precisava trabalhar, estava com trabalho atrasado.
E aí mudam-se os planos. Agora o leitor/espectador acompanha uma incrível campanha de busca pela rota transatlântica que o avião realizaria normalmente. Interpol, governos americano e inglês gastam dinheiros incríveis nas investigações, enviam milhares de soldados e aviões militares para tentar achar pelo menos um pedaço de uma porta do mega-avião.
Milhares de processos são movidos contra a empresa pelos parentes das vítimas. Mas o avião ainda não foi encontrado. Nenhum destroço, nada.
Tá bem parecido com o "Lost" por enquanto, né? Então. Continuemos.
A trama, nos dois ou três primeiros capítulos baseia-se exclusivamente no drama de parentes de vítimas e na procura dos exércitos. Claro, alguns elementos de suspense seriam adicionados no meio disso tudo, para manter um clima e deixar o leitor/espectador tenso e com vontade de ver/ler os próximos capítulos.
Depois de alguns meses de uma incrível varredura que encobriu quase toda a área do oceano Atlântico, um ricaço que viajava sozinho de férias em seu avião particular avista um grande pedaço de metal retorcido que parecia pertencer a algum grande avião em uma ilha deserta de grande porte. Para dramatizar mais, por uma incrível coincidência este homem tinha perdido metade da família no vôo desaparecido.
Ele avisa as autoridades, e em um curto período de seis horas (estamos falando de países desenvolvidos, meu filho), muitos aviões militares americanos e ingleses pousam nessa ilha para iniciar a busca.
Procuram, e não demoram muito até acharem o avião desaparecido: este parece ter sofrido uma queda incrível, de modo que numa rápida avaliação externa, especialistas chegam a conclusão de que não houve tempo de iniciar uma tentativa de pouso forçado.
É claro que enquanto tudo isso acontece, o leitor/espectador percebe um clima muito estranho na tal ilha. Alguns soldados somem sem dar nenhum tipo de pistas, e o comandante-mor hesita muito antes de que ele dê a ordem para que as buscas internas comecem. Os outros comandantes ficam irritados: "Vamos entrar de uma vez! Pode ter alguém vivo lá dentro!".
Depois de muita insistência, ele dá a ordem e os soldados começam a entrar no avião.
Surpresa. Não há nenhum vestígio de corpos. Nenhum vestígio de sangue. Música de suspense no fundo. Os militares ficam absolutamente perplexos, para não dizer atordoados e cheios de medo.
Mais procura. Revistam todos os cantos do avião e começam a perder todas as esperanças, quando um Cabo aparece com um bilhete que ele achou embaixo de um banco.
O bilhete parecido ter sido escrito ás pressas, pois o papel estava muito amassado e as letras estavam em garranchos: "Quando acharem isto talvez seja tarde demais; Saia daí e vá correndo na direção em que o bico do avião aponta, e com um pouco de esperança..."
A partir desse momento a câmera começa a abrir até o momento em que ela sai do avião. Aí a música de suspense no fundo aumenta cada vez mais, e a câmera focaliza numa trillha aberta no meio de uma floresta que começava bem na frente do bico do avião. A partir desse momento percebe-se que há muito sangue nos troncos das árvores.
E aí a história vai prosseguindo com muito mistério até chegarmos a um desfecho impressionante, do qual por enquanto eu não tenho a mínima idéia do que pode ser.
E depois, se essa história fizer sucesso, eu escrevo a 2ª temporada ou o 2º livro.
Nada original. Tá, confesso, é até um pouco copiado da idéia original da série "Lost", que é muito boa, por sinal.
É o seguinte: Uma mulher tipicamente americana está na sua cozinha tipicamente americana, com a sua TV tipicamente americana ligada, tomando seu café da manhã tipicamente americano, assistindo às "breaking news" da tipicamente americana CNN.
Ela parece ignorar todas as notícias, pois todas parecem ser iguais, todos os dias. Até a hora em que ela escuta que o vôo número 7592 da tipicamente americana "American Airlines", que ia para a Inglaterra está desaparecido. Dentro daquele Jumbo estavam 309 pessoas (eu sei lá quantas pessoas cabem dentro de um jumbo). A moça que lê as notícias diz que o noticiário entrará em uma breve pausa para os comerciais e assim que eles tiverem maiores informações eles retornam com boletins especiais.
A mulher tipicamente americana interrompe o seu café tipicamente americano e de repente esquece de tudo ao seu redor, porque seu marido e seus dois filhos, seus únicos motivos para viver essa vida tão estressada e esse cotidiano tão puxado, estavam naquele avião, indo para a Inglaterra para passar as férias com a avó. Ela não tinha ido junto porque ela realmente precisava trabalhar, estava com trabalho atrasado.
E aí mudam-se os planos. Agora o leitor/espectador acompanha uma incrível campanha de busca pela rota transatlântica que o avião realizaria normalmente. Interpol, governos americano e inglês gastam dinheiros incríveis nas investigações, enviam milhares de soldados e aviões militares para tentar achar pelo menos um pedaço de uma porta do mega-avião.
Milhares de processos são movidos contra a empresa pelos parentes das vítimas. Mas o avião ainda não foi encontrado. Nenhum destroço, nada.
Tá bem parecido com o "Lost" por enquanto, né? Então. Continuemos.
A trama, nos dois ou três primeiros capítulos baseia-se exclusivamente no drama de parentes de vítimas e na procura dos exércitos. Claro, alguns elementos de suspense seriam adicionados no meio disso tudo, para manter um clima e deixar o leitor/espectador tenso e com vontade de ver/ler os próximos capítulos.
Depois de alguns meses de uma incrível varredura que encobriu quase toda a área do oceano Atlântico, um ricaço que viajava sozinho de férias em seu avião particular avista um grande pedaço de metal retorcido que parecia pertencer a algum grande avião em uma ilha deserta de grande porte. Para dramatizar mais, por uma incrível coincidência este homem tinha perdido metade da família no vôo desaparecido.
Ele avisa as autoridades, e em um curto período de seis horas (estamos falando de países desenvolvidos, meu filho), muitos aviões militares americanos e ingleses pousam nessa ilha para iniciar a busca.
Procuram, e não demoram muito até acharem o avião desaparecido: este parece ter sofrido uma queda incrível, de modo que numa rápida avaliação externa, especialistas chegam a conclusão de que não houve tempo de iniciar uma tentativa de pouso forçado.
É claro que enquanto tudo isso acontece, o leitor/espectador percebe um clima muito estranho na tal ilha. Alguns soldados somem sem dar nenhum tipo de pistas, e o comandante-mor hesita muito antes de que ele dê a ordem para que as buscas internas comecem. Os outros comandantes ficam irritados: "Vamos entrar de uma vez! Pode ter alguém vivo lá dentro!".
Depois de muita insistência, ele dá a ordem e os soldados começam a entrar no avião.
Surpresa. Não há nenhum vestígio de corpos. Nenhum vestígio de sangue. Música de suspense no fundo. Os militares ficam absolutamente perplexos, para não dizer atordoados e cheios de medo.
Mais procura. Revistam todos os cantos do avião e começam a perder todas as esperanças, quando um Cabo aparece com um bilhete que ele achou embaixo de um banco.
O bilhete parecido ter sido escrito ás pressas, pois o papel estava muito amassado e as letras estavam em garranchos: "Quando acharem isto talvez seja tarde demais; Saia daí e vá correndo na direção em que o bico do avião aponta, e com um pouco de esperança..."
A partir desse momento a câmera começa a abrir até o momento em que ela sai do avião. Aí a música de suspense no fundo aumenta cada vez mais, e a câmera focaliza numa trillha aberta no meio de uma floresta que começava bem na frente do bico do avião. A partir desse momento percebe-se que há muito sangue nos troncos das árvores.
E aí a história vai prosseguindo com muito mistério até chegarmos a um desfecho impressionante, do qual por enquanto eu não tenho a mínima idéia do que pode ser.
E depois, se essa história fizer sucesso, eu escrevo a 2ª temporada ou o 2º livro.
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