30/01/2007

Sonho de uma noite de verão

Post feito com mero intuito de um dia num futuro não muito distante eu ler isto aqui de novo e falar "nossa, que legal!"

Hoje completa uma semana que eu estou usando aparelho. Mas não é desses normais, é bem daquele tipinho que a criançada usa, que é móvel e que elas podem tirar a hora que quiser pra poder comer, falar, brincar, dormir e essas coisas e guardar em um estojinho desses coloridos que agente vê por aí.

Então. A diferença é que o meu é fixo. E quem já usou o móvel deve saber que é um lixo tentar engolir saliva ou comer com ele na boca. Agora você imagine que eu estou com um desses o tempo todo na boca.

É muito difícil engolir saliva. Eu tenho que fazer um ruído semelhante ao que as pessoas fazem quando estão tomando "milk-shake" de canudinho e de repente ele acaba, o tradicional "Shhhh". Porquê a saliva se acumula entre o céu da boca e o aparelho. Isso é uma porcaria. Já me peguei várias vezes fazendo esse barulho entre amigos e me sentindo envergonhado. Fora as piadas entre os familiares. Lindo.

Nos primeiros dias foi muito difícil comer alguma coisa. Não dava pra saber o que era o aparelho e o que era a comida. Quando a língua sentia o aparelho, eu pensava que era alguma coisa dura no meio da comida e parava de mastigar imediatamente. Ainda tem o fato de quando a comida vai para o espaço entre o céu da boca e o aparelho e eu tenho que fazer um "Shhh" maior e mais alto ainda, causando maiores piadas e todas essas coisas.

Eu estava falando que nem um retardado nesses primeiros dias, por causa do excesso de saliva que o tal instrumento causava na minha boca. Era lindo chegar na padaria e pedir "Três pães". Saía algo do tipo "Tleishh painsh", bem do jeito que emo escreve, e ver a cara que as pessoas faziam de "puta merda, chegou um retardado aqui! Como que eu vou fazer pra atender ele??". Outra coisa linda.

Mas a adaptação está sendo encaminhada, já consigo comer coisas moles e alguns biscoitos, e falar bem melhor também. Mas de vez em quando ainda sai alguma baba voando, e com algum azar eu consigo acertar alguém que esteja do meu lado.

Mas vamos ao verdadeiro motivo de eu ter vindo até aqui e escrever tudo isso. Tudo até agora só foi uma introdução pra deixar você a par do que estava acontecendo comigo e entender o que eu vou dizer agora.

De Quarta para Quinta-feira passada (24/01 para 25/01/07) eu tive um sonho, bem dos estranhos.

Quando eu me dei conta de mim, estava dentro de um sofisticado aparelho de tortura que me a cada duas palavras que eu falava, me torturava mais. De repente, um dos meus tios apareceu na minha frente, e eu pedi ajuda para ele. Daí eu não lembro o que aconteceu, mas eu lembro que ele conseguiu me tirar de lá, e que o preço disso foi que ele acabou indo parar dentro do aparelho.

E aí eu fiquei sabendo, também não lembro como, que eu tinha que subir "lá em cima", porque lá em cima tinha algo que me permitiria libertar o meu tio desse aparelho. "Lá em cima aonde??" você me pergunta, e eu te respondo que eu não tenho a mínima idéia. Só sei que eu tinha que sair de aonde eu estava e subir lá em cima. Não sei se era um morro bastante povoado, místico, sei lá.

E então eu fui subindo, fui subindo. Mas não era tão simples assim subir. Eu tinha vários obstáculos no meio do caminho. O único que eu me lembro agora é a polícia que tinha feito uma barreira no meio do caminho. E eu sei lá como, consegui passar da barreira apenas caminhando. E assim que eu atravessei a barreira policial, começou a chover espelhos. Isso mesmo. Espelhos de caminhão, enormes. Isso era muito bizarro! Desde quando chovem espelhos de caminhão? Eu sentia muita vontade de rir, mas não podia, porque meu tio tava lá embaixo, preso no aparelho.

Restava o último obstáculo: Uma enorme escadaria. Mas uma escadaria ENORME! Degraus a se perder de vista. Eu não tinha nenhuma outra saída a não subir tudo aquilo, se quisesse salvar o meu tio. Então eu subi. Subi, subi, subi.

Eu finalmente havia chegado no final da escadaria, e podia enxergar logo ali na minha frente uma plataforma. Era o fim da linha, mas eu sabia que ali em cima daquela plataforma estava a salvação do meu tio. Mas eu não tinha acesso para esse lugar, pois havia um buraco entre o final da escada e essa plataforma. O tal buraco tinha uma enorme profundidade, pois eu estava em cima de um morro, e ele era cumprido demais para que eu pudesse pular até a plataforma. Aí, mais estranho ainda, a plataforma pareceu ter percebido a minha presença ali, e a mesma começou a se retorcer. Em alguns segundos uma ponte havia surgido e agora eu podia atravessar o buraco.

Atravessei a ponte.

Quando chego em cima da plataforma, crente de que eu conseguiria salvar o meu tio, ela começa a se retorcer novamente. Se torce, mexe, faz barulho e quando eu menos percebo estou dentro de outro aparelho de tortura, igualzinho ao do começo da história. Aí o desespero tomou conta da minha cabeça: "AaaaaH! Não consegui salvar o meu tio e agora eu tô preso em um aparelho de tortura também! Nããããão!"

Foi quando eu percebi que estava tendo um pesadelo, e fiz forças pra abrir os olhos. Aí eu acordei, já de manhã, por volta das sete horas, aquele calor. Levantei, fui no banheiro e voltei pra cama. Lindo.

Bom, se você teve a paciência e a empáfia de ler até aqui, saiba que no dia seguinte (já na vida real) eu contei essa história para o meu tio, o mesmo do sonho, e ele chegou à uma conclusão à qual eu nunca chegaria sozinho: "Rapaz... essa história de aparelho de tortura aí... Você não acabou de botar um aparelho na boca que tá 'te torturando' também?"

Aí eu falei "Nooooooossa! É verdade!"

E fim.

É só para ver como a cabeça do ser humano é legal.

12/01/2007

Dani - parte 6


Com o carro ainda na garagem, Leandro está sentado no banco do motorista. Está concentrado, quer não cometer nenhum erro. As suas malas já estão prontas e colocadas no porta-malas. Só dependia de si mesmo ligar o carro e fazer a tão esperada viagem. Dani com certeza já estaria pronta e esperando anciosamente à uma hora dessas.

Dani estava sentada no sofá da sala, ouvindo as últimas instruções da mãe. Leitor, se ela já é linda por natureza, imagine quando esta se arruma para encontrar o namorado que tanto ama. Você consegue imaginar isso? Uma mulher provida de uma beleza perfeita ainda mais bonita? Seria isso possível?

Ela não consegue se concentrar em ouvir o que sua mãe está querendo dizer. Não pára de pensar no namorado e no que poderiam fazer nesses 3 dias que passarão na praia. Para falar a verdade, ela já sabe de tudo o que sua mãe está falando, e realmente não precisa prestar muita atenção.

Marisa está completamente transtornada. Enquanto passa as últimas as instruções para sua fllha, tenta decidir se pede ou não para que Dani não transe com Leandro. Embora os dois tenham uma ótima relação e sejam maduros, é o tão "mal-falado" Leandro que está do outro lado. Não conseguia decidir sobre falar ou não, embora parecesse óbvio que uma hora ou outra eles transariam.

Lúcio está com a cabeça apoiada no vidro da janela do seu quarto. Olha lá embaixo a correria da cidade. Está desolado. Dani realmente vai passar o fim de semana com Leandro. Contava com algum imprevisto e uma mudança de planos de última hora. Mas aparentemente nada disso havia ocorrido, e a viagem realmente aconteceria. "Os dois sozinhos lá... com certeza eles vão acabar transando..." era o pensamento que não saía da sua cabeça. Com um ato desses, a relação dos dois ficaria mais forte e as chances de Lúcio acabariam ali mesmo.

Torcia com todas as suas forças para que Leandro fizesse alguma besteira que Dani não gostasse a ponto de terminarem, embora sabendo que ela sofreria por um bom tempo e que com isso Lê estaria "desprotegido" e assim mais apto a fazer besteiras novamente. Mas essa era a única maneira que Lúcio enxergava.

08/01/2007

o que é isso?

Rapaz, estamos voltando aos tempos de ouro do Defenestrando!
















40 visitas e 59 visualizações em 1 semana??
isso é bom demais pra minha cabeça!

valeu pessoal!

05/01/2007

Dani - parte 5

Leandro está em sua cama, refletindo. Pensa que não pode fazer nenhuma besteira dessa vez. Ele sabe que será difícil, em algum momento ele irá se descontrolar. Não foram muitas as vezes em que Leandro se descontrolou, mas todas elas foram em momentos decisivos ou cruciais, que fizeram sua vida dar saltos e cambalhotas. Por causa de falhas em horas e locais errados, seu cotidiano foi transformado em o que parecia ser perfeitamente uma montanha russa, da qual ele já estava enjoado e que o fazia passar mal, de tantas voltas seguidas, de tantos loopings e parafusos.


Lê, como Dani o chama, nunca foi um rapaz de maus comportamentos. É bom você saber disso, leitor. Todos o tratam mal. Como eu posso dizer? Não chega a ser injusto, mas as pessoas exageram um pouco no modo de ser rude. Ele sabe que no fundo, ele recebe o que merece. Como que eu explico essa situação? Leandro errou poucas vezes, mas todos esses poucos foram grandes erros, e ele reconhecia tudo isso. Por causa disso, as pessoas o tratavam mal e se recusavam a enxergar que por baixo daquela superfície toda de grandes deslizes havia um rapaz muito bem formado, de boa educação, inteligente e até cavalheiro.

*O primeiro e menor erro entre os que ele cometeu fez seus pais ficarem extremamente irritados a ponto de o expulsarem de casa. E ele só tinha 16 anos.

Dani foi a primeira a enxergar tudo isso.
E era isso que explicava o fato dela ser a primeira namorada de Lê.

Dani era realmente a primeira e única pessoa que percebia esse lado escondido dele, e era por isso que Leandro dava tanta importância ao seu namoro, e era por esse mesmo motivo que ele tinha muito medo de que algum outro erro gritante surgisse novamente do nada e acabasse com essa relação que eles já mantinham há um ano e meio.

Mas Dani conhecia esse defeito de Leandro, e se mantinha constantemente preparada porque sabia que a qualquer hora algo podia acontecer novamente e muitas, mas muitas coisas, leitor, poderiam vir a desabar.

(Tá vendo leitor? Já me arrependi de ter dado para o namorado dela o nome de Leandro. Quando eu quero escrever só o apelido, "Lê", fica estranho. Eu não posso escrever "de Lê" que fica ruim. Soa mal. Eu também não posso escrever "do Lê" que fica pior ainda. Que droga.)

Lúcio estava entre a extrema maioria dos que não observavam o lado bom escondido de Leandro. Pior ainda, ele sabia que Dani enxergava esse lado bom no rival porque ela já havia falado muitas vezes sobre isso e tentado convencê-lo a pensar o mesmo. Ainda pior, ele sabia que a garota da qual tanto falamos estava muito bem disposta a aceitar um erro de Leandro e passar por cima com direito a segundas ou até terceiras chances.

Tudo isso fazia Lúcio chegar a conclusão óbvia de que suas chances com Dani eram quase nulas. Tirando o fato do incrível número de "pretendentes" bem melhores do que ele que apareceriam caso ela terminasse seu namoro.

Lúcio ainda tinha esperanças, mas elas eram bem poucas e estavam escondidas em algum lugar bem fundo.

Leandro levantou da cama e olhou no relógio. Finalmente o tempo havia passado, já estava na hora de ir pra casa da Dani e buscá-la para eles irem embora para a praia, para o tão esperado feriado a sós que os dois haviam planejado há alguns meses.

Leandro sabia que ia fazer alguma besteira. Não sabia a hora nem o lugar, mas sentia isso.

E aquilo estava incomodando muito.

P.S.: O narrador se retira para pensar sobre o rumo inesperado que acabou de dar para a história.