05/01/2007

Dani - parte 5

Leandro está em sua cama, refletindo. Pensa que não pode fazer nenhuma besteira dessa vez. Ele sabe que será difícil, em algum momento ele irá se descontrolar. Não foram muitas as vezes em que Leandro se descontrolou, mas todas elas foram em momentos decisivos ou cruciais, que fizeram sua vida dar saltos e cambalhotas. Por causa de falhas em horas e locais errados, seu cotidiano foi transformado em o que parecia ser perfeitamente uma montanha russa, da qual ele já estava enjoado e que o fazia passar mal, de tantas voltas seguidas, de tantos loopings e parafusos.


Lê, como Dani o chama, nunca foi um rapaz de maus comportamentos. É bom você saber disso, leitor. Todos o tratam mal. Como eu posso dizer? Não chega a ser injusto, mas as pessoas exageram um pouco no modo de ser rude. Ele sabe que no fundo, ele recebe o que merece. Como que eu explico essa situação? Leandro errou poucas vezes, mas todos esses poucos foram grandes erros, e ele reconhecia tudo isso. Por causa disso, as pessoas o tratavam mal e se recusavam a enxergar que por baixo daquela superfície toda de grandes deslizes havia um rapaz muito bem formado, de boa educação, inteligente e até cavalheiro.

*O primeiro e menor erro entre os que ele cometeu fez seus pais ficarem extremamente irritados a ponto de o expulsarem de casa. E ele só tinha 16 anos.

Dani foi a primeira a enxergar tudo isso.
E era isso que explicava o fato dela ser a primeira namorada de Lê.

Dani era realmente a primeira e única pessoa que percebia esse lado escondido dele, e era por isso que Leandro dava tanta importância ao seu namoro, e era por esse mesmo motivo que ele tinha muito medo de que algum outro erro gritante surgisse novamente do nada e acabasse com essa relação que eles já mantinham há um ano e meio.

Mas Dani conhecia esse defeito de Leandro, e se mantinha constantemente preparada porque sabia que a qualquer hora algo podia acontecer novamente e muitas, mas muitas coisas, leitor, poderiam vir a desabar.

(Tá vendo leitor? Já me arrependi de ter dado para o namorado dela o nome de Leandro. Quando eu quero escrever só o apelido, "Lê", fica estranho. Eu não posso escrever "de Lê" que fica ruim. Soa mal. Eu também não posso escrever "do Lê" que fica pior ainda. Que droga.)

Lúcio estava entre a extrema maioria dos que não observavam o lado bom escondido de Leandro. Pior ainda, ele sabia que Dani enxergava esse lado bom no rival porque ela já havia falado muitas vezes sobre isso e tentado convencê-lo a pensar o mesmo. Ainda pior, ele sabia que a garota da qual tanto falamos estava muito bem disposta a aceitar um erro de Leandro e passar por cima com direito a segundas ou até terceiras chances.

Tudo isso fazia Lúcio chegar a conclusão óbvia de que suas chances com Dani eram quase nulas. Tirando o fato do incrível número de "pretendentes" bem melhores do que ele que apareceriam caso ela terminasse seu namoro.

Lúcio ainda tinha esperanças, mas elas eram bem poucas e estavam escondidas em algum lugar bem fundo.

Leandro levantou da cama e olhou no relógio. Finalmente o tempo havia passado, já estava na hora de ir pra casa da Dani e buscá-la para eles irem embora para a praia, para o tão esperado feriado a sós que os dois haviam planejado há alguns meses.

Leandro sabia que ia fazer alguma besteira. Não sabia a hora nem o lugar, mas sentia isso.

E aquilo estava incomodando muito.

P.S.: O narrador se retira para pensar sobre o rumo inesperado que acabou de dar para a história.

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