26/09/2006

telefone


- Bem ali, tá vendo?
- É, acho que estou... não, não sei, me dê mais detalhes. Daqui da janela não dá pra ver direito.
- Vamos fazer assim então: imagine que você está saindo do portão da minha casa.
- Tá. E agora?
- Imagine-se virando a direita. Desça a rua, até atravessar a Lamenha Lins e aí dê uns dez ou vinte passos.
- Ok. Parei na frente de uma lojinha cinza, que vende celulares.
- Isso! Essa mesma!
- Certo. O que que tem ali então que você tanto queria falar?
- Não... não é bem com a loja, na verdade é mais o lugar ali, a calçada...
- Tá, e o que que tem ali afinal?
- Tá bom, vou te contar. Tem tempo aí?
- Tenho, tô tranquilo, mais por volta das 9 que eu marquei de sair com o pessoal do banco.
- Mas me desculpa se essa ligação ficar muito cara pra você... Depois agente acerta.
- Beleza cara, não esquenta! Vamo logo! Vai me falar o que que tem na calçada da lojinha ou não?
- Então... Ali eu passo todo dia de manhã, antes de ir pra aula.
- Certo.
- Há alguns meses atrás, sempre na hora que eu saía para a aula duas ou três pessoas ficavam paradas ali, esperando alguma coisa. Mas sempre mesmo, todos os dias eram as mesmas pessoas.
- Aham.
- ...e aí um dia eu acabei saindo atrasado. Tive que sair correndo. E aí eu vi aquelas três pessoas entrando em um ônibus, tipo desses que a empresa que tem a sede longe aluga pra levar os funcionários. Mas na pressa eu nem dei muita atenção, tinha prova depois ainda. Só depois mesmo que eu me liguei. Mas tipo, umas duas semanas depois.
- E aí?
- No dia seguinte eu vi que tinham três pessoas diferentes ali. Não as mesmas de antes. E elas estavam segurando umas bagagens de mão.
- Só.
- No outro dia, mais três outras pessoas.
- Sério? Como assim?
- Não sei cara, só sei que por uns dois meses eu não vi ninguém repetido. Eram sempre três pessoas diferentes, e todas elas carregando bagagens de mão.
- Credo...
- Foi só aí que eu pensei que isso talvez tivesse alguma coisa a ver com o ônibus que eu tinha visto outro dia. E foi bem no dia que eu pensei nisso que eu vi aquelas três pessoas de antes, tá ligado? As do começo da história. Só que dessa vez elas estavam com muita bagagem. Como se estivessem saindo para uma viagem de um mês.
- Nossa...
- E aí no dia seguinte, de novo outras três pessoas; no outro dia mais outras três pessoas. Todas elas com bagagem pra um mês.
- Cara, tô achando muito estranho essa história e tal, mas por que você tá me contando ela?
- Calma, deixa eu terminar, você vai curtir o final. Anteontem tinham só duas pessoas esperando. Só que em vez de carregarem bagagem, eles tinham deixado um monte de caixas no chão. Como se tivessem de mudança.
- Tá, tá bom... pare de contar isso!
- E agora vem o pior de tudo: Ontem não tinha ninguém esperando.
- O quê?
- Hoje também não.
- Legal. Mais alguma coisa?
- Não, é isso.
- Posso saber agora por que você me contou tudo isso?
- Porque sei lá, em algum lugar algo me diz que você tem algo a ver com essa história.
- O QUÊ??
- E aí?
- Não cara, tá doido? O que que eu teria a ver com isso?
- Sabe alguma coisa sobre isso?
- Cale a boca!
- Hein?
- (barulho de telefone desligado)






23/09/2006

então né meu

- Fiquei sabendo que o "3º Ranking dos 50 ídolos do Felipe" tá chegando!
- é mesmo?
- sério cara!
- onde voce viu isso?
- na TV! um cara lá do jornal, aquele noticiário da noite lá, das 8 horas, ficou falando e não parava de repetir que isso estava sendo muito aguardado por toda a população, que já estava mais do que na hora do "3º Ranking" sair porque a economia nacional estava começando a cair e...
- em que dia isso passou?
- ontem.
- é mesmo?? e eu tava em casa sem fazer nada! por que voce não me chamou para ver?
- bom... não sei é que...
- é que o que? POR QUE VOCE NÃO ME CHAMOU??
- não sei! eu fiquei tão emocionado com a notícia na hora que eu nem me lembrei...
- ah! não me venha com essa! voce sabe que eu adoro mais do que ninguém as coisas que o Felipe faz!
- eu sei eu sei!
- tá... tá... vai embora, mas que isso não se repita!
- você vai me deixar sair? mas e o castigo?
- vou deixar voce sair sem o castigo dessa vez. mas vá logo antes que eu mude de idéia!!
- sim! muito obrigado pela sua benevolência!
- E LEMBRE-SE! toda vez que voce ver alguma coisa sobre o Felipe, me chame! não importa onde voce esteja, não importa o que voce estiver fazendo!
- tá! tá!

17/09/2006

escassez de idéias

Na verdade, o problema pelo qual eu estou passando no exato momento não é a escassez de idéias, mas sim a necessidade sobre-humana de ter muitas (e todas elas PRECISAM ser ótimas) em muito pouco tempo.

Mencionemos os fatos, só para não deixar o leitor (que um dia já foi fiel, mas que sob estas circunstâncias não o pode voltar a ser) fora do ar:

- Estou a querer participar de um concurso de contos da revista Ler&cia, que premia os 6 melhores textos com uma publicação na sua revista e uma mini-biblioteca no valor de 500 realetos.
- Estou a organizar (em parceria com o saudoso Altemar) um campeonato de futebol society para os alunos do bonja, com direito a juíz, patrocínio, calendário e tudo o mais.
- Estou a criar arranjos de baixo e voz para as minhas músicas, porque o saudoso giovani se ofereceu a pagar algumas horas de gravação em um estúdio;
- Estou a tentar escrever um livro contando as minhas lembranças sobre o saudoso feriado de 7 de Setembro que, cá entre nós, não será uma coisa fácil.

para completar, escrevamos aqui um provérbio japonês (sim, tá certo que ele apareceu no "velozes e furiosos", mas é bom)

"Por causa de um parafuso, perdeu-se a ferradura.
Por causa da ferradura, perdeu-se a pata.
Por causa da pata, perdeu-se o cavalo.
Por causa do cavalo, não se entregou a mensagem.
E por não ter-se entregado a mensagem, perdeu-se a guerra."

isso!

05/09/2006

Teoria Felipiana nº 8 - primeiras e últimas impressões


É comum ouvirmos de qualquer pessoa a expressão "a primeira impressão é a que fica". pois bem, venho aqui tentar expressar que parte dela pode estar errada.

Primeiro, apoiemos a frase: é muito fácil tirar uma opinião a respeito de uma pessoa que vemos pela primeira vez ao vermos ela fazendo alguma cousa. simplificando, se pela primeira vez que voce vir o "Senhor A" ele estiver plantando bananeira, a primeira conclusão que voce tirará a respeito desta pessoa é que ela deve ser de uma personalidade bem extrovertida.
Da mesma forma, se pela primeira vez que virmos a "Senhora B" ela estiver dando uma bronca em alguém, facilmente chegaremos a conclusão de que ela tem um temperamento mais agressivo.

E basta apenas termos um maior contato com tal pessoa para chegarmos a conclusão de que se a impressão criada era realmente certa ou não. mas veja bem, dependendo da primeira impressão pode-se evitar contatos maiores, e aí a verdadeira conclusão nunca será tirada.

E aí podemos muito facilmente entrar no conceito de discutir a verdadeira personalidade da pessoa, de que você poderá mudar de opinião ou não a respeito dela, mas este não é o objetivo desta teoria, tendo em vista que este assunto já foi tratado aqui há muito tempo e deverá ser publicado de novo brevemente na "teoria felipiana nº9 - o verdadeiro eu". passemos ao que realmente interessa.

O que tenho a dizer é que, na verdade, a impressão que realmente fica é a última, e não a primeira.

explico com exemplos baseados em experiências próprias:por muito tempo voce foi amigo de certa pessoa. você sempre considerou ela, a tratou bem, dividiu segredos e essas coisas todas; e aí certo dia, a pessoa acorda meio enjoada da sua cara (não é nada demais, foi só um dia, ela continua sendo seu amigo(a)) e fala "chega! você tá chato hein? me deixa quieto um pouco!". e aí ocorre de, coincidentemente, vocês não se verem por alguns dias ou semanas (sem ser por causa dessa "briga"). você pensará que essa pessoa é uma chata, porque voce sempre foi superlegal com ela e ela te tratou de jeito horrível.
E como fica agora? essa má impressão pode ser facilmente ser apagada, mas veja bem, você ficou com uma opinião ruim sobre uma pessoa da qual voce nunca pensaria isso!

Não estou querendo dizer que a primeira impressão não fica. fica sim, mas fica menos do que uma última.

As últimas impressões normalmente são tiradas antes de um certo período, curto ou longo, de qualquer tipo de "não-encontro" entre duas pessoas, não importando grau de sociabilidade, amizade ou sexo.

01/09/2006

Sem ajuda

Sentado em algum canto pensando, esperando o dia passar
"Não sei se paro ou se devo continuar"
Parados se entreolhando - a alegria irá acabar

Cansado de tanto esforço, de tanto tentar ajudar
- Se é só sonhando que algum passo vamos dar!
- Eu fui te espetar, te acalmar, te fazer acordar
e perceber que assim iríamos desabar

Tentar viver e não sofrer
É tentar conquistar sem batalhar

"Se eu te deixar você consegue se virar?
Se eu não te espetar você volta a sonhar?
Se eu for embora você piora?
Se você não se lembrar eu nunca irei me conformar!"