Cidadão se descuida, e ao coçar o couro cabeludo num momento de distração percebe que ali, perdido entre milhares e milhares de fios de cabelo extremamente bagunçados havia uma borracha. Como é um desses que tem uma cabeleira formidável, no melhor estilo black-power, pensa que deve ter esquecido ali em algum momento e decide não ligar para isso.
Dois dias mais tarde, logo depois de acordar, sente uma coceirinha atrás da cabeça e, obviamente, como todos costumam fazer, levou sua mão até o local que coçava e aliviou sua vontade. Acontece que não faria sentido eu escrever algo assim e voce perder tempo lendo uma história dessas sem que nada de mais acontecesse. Então ele encontra uma nota de 10 reais, e comenta para si mesmo "Que estranho, não lembro de ter deixado nenhuma nota de 10 reais guardada no meu cabelo", mas decide outra vez que não deve se preocupar com isso.
No mesmo dia, por volta das 5 da tarde, acha na mesma cabeleira um pacotinho de balas. Mas o leitor talvez se desaponte ao saber que desta vez não existe nada de estranho nisso, pois ao estar em uma padaria há alguns dias atrás, ele havia guardado mentos no cabelo com o desejo de não pagar por isso, por que achava um tremendo desperdício pagar mais de 50 centavos em doces.
Cidadão se descuida, e num momento de desatenção tira um livro de sua vasta cabeleira. "Que estranho" pensa, "não me lembro de ter guardado nenhum livro no meu cabelo, sem contar com o fato de que esse livro é bem maior que o meu cabelo". Decide então pela 3ª vez que não iria se preocupar com isso, embora ainda estivesse um pouco preocupado com o fato de não ter se preocupado com isso pela 3ª vez seguida.
Cidadão se descuida, e num momento de desatenção tira de seu cabelo um enorme prato de macarrão, com garfo e faca e tudo a que se tem direito. Embora o fato seja completamente anormal e inacreditável, o ocorrido realmente ocorreu (ou não, porque eu estou inventando essa história agora (mas é verdade)), contrariando todas as leis da obviedade. "Que estranho, não lembro de ter guardado nenhum prato de macarrão no meu cabelo." pensa. "Apesar de que eu estou com fome! Isto apareceu na hora certa!".
Agora sim, mesmo de tal modo estranho ter matado sua fome, fica preocupado e decide raspar o seu cabelo. Não lembrava mesmo de ter guardado nenhum prato de macarrão no seu cabelo. Desconfia que se tivesse guardado algo assim em cima da cabeça teria lembrado.
Cidadão se descuida, e num momento de distração retira de seu desnudo couro cabeludo outra pessoa exatamente igual a ele.
textos non-sense estão de volta!
21/08/2006
14/08/2006
os andarilhos
(as letras antes de cada fala servem apenas para evitar confusões e identificar cada personagem)
A - Já andamos 3 horas nessa porcaria dessa estrada e não chegamos ainda?
B - Calma, calma. Já já ele passa de carro por aqui.
C - É melhor ele passar rápido.
B - Relaxem. que horas são?
C - 8 da manhã. 8 e 15 na verdade.
A - Não vimos nenhum carro passando por aqui ainda.
B - Shhh! escutem! tem um carro vindo!
(os três param e ouvem um carro se aproximando. quando este passa, conseguem ver que dentro dele tinha um homem, sozinho. dirigia com certa velocidade)
A - é esse mesmo?
B - é.
C (verificando um mapa cheio de anotações) - Se o que voce nos contou estiver certo, ele vai parar uns 200 metros na nossa frente, e (olhando no relógio) descerá do carro daqui a exatos 2 minutos e meio.
B - Sim, e será extremamente fundamental que ele não nos veja.
A - Eu ainda não sei por que eu aceitei vir junto.
(um minuto antes do imaginado, o motorista breca o carro e desce, entrando decidido na trilha que adentrava a floresta que contornava a estrada. os três, desesperados se escondem atrás de uma moita, procurando fazer o menor barulho possível)
C - Ele quase vê agente!
B - Shhhhh! (cochichando) - Não sei o que deu errado! sei lá, essas previsões nunca são 100% certas.
A (5 minutos depois) - acho que agora agente já pode ir. vamos.
(entram na mesma trilha e caminham por mais meia hora, até a hora que encontram uma bifurcação)
B - Para a direita a trilha vai dar em cima da montanha. vamos pela esquerda.
A - Eu não vou querer ver isso.
C - Beleza, é só ficar de costas. mas voce vai ouvir o barulho.
A - caramba.
B - Mais meia hora caminhando e chegamos, e ainda teremos mais 2 horas pra descansar.
(caminham meia hora e chegam até uma clareira, onde podem ver muito bem o alto da montanha e o precipício que ela formava)
C - Pelo jeito, é aqui mesmo.
B - exatamente.
A (recostando-se numa arvore e preparando-se para dormir) - não tem bichos por aqui né? do tipo onças, macacos?
B - olha, acho que não. mas se tiver, fique tranquilo que o barulho vai espantar qualquer animal.
A (para si mesmo) - meu Deus...
(descansam exatos 1 hora e 55 minutos, quando o motorista aparece na beira do precipício)
B - Faltam 5 minutos. preparem seus abafadores de ouvido.
C - Acorda aí rapaz!
A (acordando) - ahn.. o que? já? mas eu te falei que eu não queria ver nada!
C - mas voce provavelmente acordaria com o som, e isso não seria nenhum pouquinho agradável.
B - quando voces perceberem que ele parou de falar, ponham rapidamente os abafadores, beleza?
A e C - tá bom.
B - ele vai falar em uns 30 segundos... 20 segundos... 10... 5... 2...
MOTORISTA (em alto e bom som) - Por quê, depois de um dia tão bonito, fazer uma coisa dessas comigo?
B - ponham agora! rápido!
(os três colocam seus abafadores. "A" vira de costas para a montanha. "B" e "C" acompanham de camarote o homem se jogando do precipício. o baque surdo do corpo caindo no chão foi claramente ouvido pelos 3, mesmo com os ouvidos protegidos. pássaros saíram voando, assustados)
A - Aaaargh! desgraça!
B - Calma cara, relaxa. Foi você que quis vir junto.
C - Vamos embora de uma vez.
A - Já andamos 3 horas nessa porcaria dessa estrada e não chegamos ainda?
B - Calma, calma. Já já ele passa de carro por aqui.
C - É melhor ele passar rápido.
B - Relaxem. que horas são?
C - 8 da manhã. 8 e 15 na verdade.
A - Não vimos nenhum carro passando por aqui ainda.
B - Shhh! escutem! tem um carro vindo!
(os três param e ouvem um carro se aproximando. quando este passa, conseguem ver que dentro dele tinha um homem, sozinho. dirigia com certa velocidade)
A - é esse mesmo?
B - é.
C (verificando um mapa cheio de anotações) - Se o que voce nos contou estiver certo, ele vai parar uns 200 metros na nossa frente, e (olhando no relógio) descerá do carro daqui a exatos 2 minutos e meio.
B - Sim, e será extremamente fundamental que ele não nos veja.
A - Eu ainda não sei por que eu aceitei vir junto.
(um minuto antes do imaginado, o motorista breca o carro e desce, entrando decidido na trilha que adentrava a floresta que contornava a estrada. os três, desesperados se escondem atrás de uma moita, procurando fazer o menor barulho possível)
C - Ele quase vê agente!
B - Shhhhh! (cochichando) - Não sei o que deu errado! sei lá, essas previsões nunca são 100% certas.
A (5 minutos depois) - acho que agora agente já pode ir. vamos.
(entram na mesma trilha e caminham por mais meia hora, até a hora que encontram uma bifurcação)
B - Para a direita a trilha vai dar em cima da montanha. vamos pela esquerda.
A - Eu não vou querer ver isso.
C - Beleza, é só ficar de costas. mas voce vai ouvir o barulho.
A - caramba.
B - Mais meia hora caminhando e chegamos, e ainda teremos mais 2 horas pra descansar.
(caminham meia hora e chegam até uma clareira, onde podem ver muito bem o alto da montanha e o precipício que ela formava)
C - Pelo jeito, é aqui mesmo.
B - exatamente.
A (recostando-se numa arvore e preparando-se para dormir) - não tem bichos por aqui né? do tipo onças, macacos?
B - olha, acho que não. mas se tiver, fique tranquilo que o barulho vai espantar qualquer animal.
A (para si mesmo) - meu Deus...
(descansam exatos 1 hora e 55 minutos, quando o motorista aparece na beira do precipício)
B - Faltam 5 minutos. preparem seus abafadores de ouvido.
C - Acorda aí rapaz!
A (acordando) - ahn.. o que? já? mas eu te falei que eu não queria ver nada!
C - mas voce provavelmente acordaria com o som, e isso não seria nenhum pouquinho agradável.
B - quando voces perceberem que ele parou de falar, ponham rapidamente os abafadores, beleza?
A e C - tá bom.
B - ele vai falar em uns 30 segundos... 20 segundos... 10... 5... 2...
MOTORISTA (em alto e bom som) - Por quê, depois de um dia tão bonito, fazer uma coisa dessas comigo?
B - ponham agora! rápido!
(os três colocam seus abafadores. "A" vira de costas para a montanha. "B" e "C" acompanham de camarote o homem se jogando do precipício. o baque surdo do corpo caindo no chão foi claramente ouvido pelos 3, mesmo com os ouvidos protegidos. pássaros saíram voando, assustados)
A - Aaaargh! desgraça!
B - Calma cara, relaxa. Foi você que quis vir junto.
C - Vamos embora de uma vez.
07/08/2006
paisagem
Sim, mas aquela paisagem deveria ser a mais maravilhosa que ele já tinha visto em toda a sua vida.
Do alto da montanha, à beira do precipício, com o sol as suas costas, o céu azul com algumas poucas nuvens brancas distribuídas (algodão?), o imenso gramado completamente verde formado por folhas de árvores, e mais outras montanhas podiam ser vistas à sua direita até se perder de vista.
Fora um verdadeiro esforço acordar domingo cedinho, pegar o carro e atravessar a cidade deserta e ainda iluminada pelos postes de luz, andar 2 horas na estrada, mais meia hora em uma estrada de terra para enfim terminar com 3 horas de escalada em uma montanha de mata quase fechada e chegar até aquele "mirante natural".
mas todo o esforço valia a pena diante dessa obra-prima, desse quadro não pintado por ninguém. além de que apenas alguma simples lembrança da tarde anterior o fazia ter o dobro de forças para seguir adiante e cumprir o seu objetivo.
A tarde anterior fora construída com as melhores horas de toda a sua vida até aquele momento.
como Ela poderia transformar um sábado que prometia não ter graça nenhuma (como todos os outros sábados dos últimos anos) no (de longe) o melhor momento de sua vida?
mas o desfecho... por causa do desfecho daquele dia tudo o que ele havia passado até então parecia ter perdido o valor.
e Ele, deixando a memória de lado e voltando ao presente, procurou observar todos os detalhes da paisagem. um pequeno morrinho ali em baixo, a estrada que ele não tinha visto e que passava longe dali, um lago que se arrastava até onde ele não conseguia mais enxergar.
Olhou para baixo, certificou-se de que o abismo ali era realmente alto, e com a lembrança dela na cabeça, falou em alto e bom som:
- Por que, depois de um dia tão bonito, fazer isso comigo?
olhou novamente para baixo, inclinou o corpo para frente, soltou as pernas e deixou-se cair.
ninguém escutou o baque surdo nas pedras e ninguém viu os pássaros fugirem assustados com o barulho.
Do alto da montanha, à beira do precipício, com o sol as suas costas, o céu azul com algumas poucas nuvens brancas distribuídas (algodão?), o imenso gramado completamente verde formado por folhas de árvores, e mais outras montanhas podiam ser vistas à sua direita até se perder de vista.
Fora um verdadeiro esforço acordar domingo cedinho, pegar o carro e atravessar a cidade deserta e ainda iluminada pelos postes de luz, andar 2 horas na estrada, mais meia hora em uma estrada de terra para enfim terminar com 3 horas de escalada em uma montanha de mata quase fechada e chegar até aquele "mirante natural".
mas todo o esforço valia a pena diante dessa obra-prima, desse quadro não pintado por ninguém. além de que apenas alguma simples lembrança da tarde anterior o fazia ter o dobro de forças para seguir adiante e cumprir o seu objetivo.
A tarde anterior fora construída com as melhores horas de toda a sua vida até aquele momento.
como Ela poderia transformar um sábado que prometia não ter graça nenhuma (como todos os outros sábados dos últimos anos) no (de longe) o melhor momento de sua vida?
mas o desfecho... por causa do desfecho daquele dia tudo o que ele havia passado até então parecia ter perdido o valor.
e Ele, deixando a memória de lado e voltando ao presente, procurou observar todos os detalhes da paisagem. um pequeno morrinho ali em baixo, a estrada que ele não tinha visto e que passava longe dali, um lago que se arrastava até onde ele não conseguia mais enxergar.
Olhou para baixo, certificou-se de que o abismo ali era realmente alto, e com a lembrança dela na cabeça, falou em alto e bom som:
- Por que, depois de um dia tão bonito, fazer isso comigo?
olhou novamente para baixo, inclinou o corpo para frente, soltou as pernas e deixou-se cair.
ninguém escutou o baque surdo nas pedras e ninguém viu os pássaros fugirem assustados com o barulho.
03/08/2006
buemba
Será que tão difícil manter um maravilhoso de maravilhosos textos e não tão boas tiradas sarcásticas vivo? (claro que não, já fiz isso por mais de 1 ano)
por que será que as tiradas sarcásticas não brotam no canteiro do teclado do computador como antigamente?
será que eu estou ficando velho?
será que a minha fase bem-humorada da adolescência passou e agora eu estou ficando mais velho? (ó, o felipe tá virando hominho!)
o sarcasmo bobo e engraçado já não é mais a minha especialidade, faz algum tempo.
e sim, foi difícil acreditar nisso. (ou ainda é mas está escondido em algum lugar?)
desacostume-se a vir até este endereço e encontrar textos super divertidos.
acostume-se a vir até aqui e encontrar verdadeiros textos, já não mais tão divertidos, mas sim mais trabalhados e bem elaborados. emocionantes e non-sense ao mesmo tempo, que tal?
eu, Felipe, gostaria de apresentar a você à Terceira Era do Defenestrando.
sejam todos bem-vindos.
por que será que as tiradas sarcásticas não brotam no canteiro do teclado do computador como antigamente?
será que eu estou ficando velho?
será que a minha fase bem-humorada da adolescência passou e agora eu estou ficando mais velho? (ó, o felipe tá virando hominho!)
o sarcasmo bobo e engraçado já não é mais a minha especialidade, faz algum tempo.
e sim, foi difícil acreditar nisso. (ou ainda é mas está escondido em algum lugar?)
desacostume-se a vir até este endereço e encontrar textos super divertidos.
acostume-se a vir até aqui e encontrar verdadeiros textos, já não mais tão divertidos, mas sim mais trabalhados e bem elaborados. emocionantes e non-sense ao mesmo tempo, que tal?
eu, Felipe, gostaria de apresentar a você à Terceira Era do Defenestrando.
sejam todos bem-vindos.
Assinar:
Postagens (Atom)