14/04/2014

Poléxia, dez anos atrás

por Felipe Gollnick


E lá se vão nada menos do que dez anos desde que a Poléxia veio, viu, venceu e lançou o álbum "O Avesso", não necessariamente nessa ordem. Componente da primeiríssima geração de bandas pós-Los Hermanos (na verdade, faz mais sentido usar durante do que pós), a banda de Rodrigo Lemos e Eduardo Cirino tem seu disco de estreia entre os mais emblemáticos da música de Curitiba na década passada – o misto de rock pulsante, vozes suaves e encrencas sentimentais faz com que o álbum permaneça no coração de um tanto de gente (e, ainda, pelo que se pôde ver na noite do dia 13 de abril no Paiol, rende ao grupo uma certa onda de novos fãs. Estes, ao lado dos antigos, não têm medo de pedir: “fica, Poléxia!”).

Pois essa década de aniversário foi celebrada em um Paiol cheio de corações acolhedores, mas de algum modo isso tudo aterrissou de forma estranha no homem à frente do palco. Rodrigo Lemos parecia estranho, algo o deixava desconfortável, sua voz não saía direito... ou era só o microfone que estava muito baixo? Mais algumas músicas à frente e surge a possível explicação: "Pouco mais de dez anos atrás, fizemos uma apresentação aqui. E foi um show que foi feito com muita coragem, pois a gente sabia que grandes artistas já tinham passado pelo Paiol... E aqui é complicado, porque vocês da plateia ficam em cima da gente. Foi muita coragem", explicou Lemos ao microfone antes de uma das músicas.

Hm, isso pode fazer algum sentido. Talvez esta apresentação tenha sido como uma extensão daquela de uma década atrás, e o mesmo experiente Lemos que já tocou para um Guaíra lotado esteja agora tão apreensivo quanto naquela estreia (após o show, na saída do teatro, de passagem, ele desabafa: "pô, eu tava nervoso"). Eduardo Cirino, por sua vez, parece ser o encarregado da descontração, dançando de forma particular e cativante enquanto toca teclado. O show cresce; as músicas te ganham, porque são as músicas da Poléxia, e a coisa toma um tamanho ainda maior quando um trio de cordas participa das canções finais – são os mesmos músicos que tocaram os arranjos no disco e que também participaram do primeiro show no Paiol. É algo bonito: como resistir “Aos garotos de aluguel” com todas aquelas cordas? Ou como não sentir um certo arrepio no refrão de “Quando a luz se apaga” cantado em coro pela plateia?

Abaixo, você confere a banda tocando "Segue" e "De bem com a garota do tempo", as duas primeiras músicas do show:

01/04/2014

O glorioso guia defenestrado para o Lollapalooza Brasil 2014


Muito bem: aí está mais uma edição do Lollapalooza Brasil: a terceira no país, a primeira no autódromo de Interlagos. O Defenestrando estará presente nesse festival louco de Perry Farrell, tentando absorver um pouco dessa incrível AVALANCHE de boas atrações que costumam ser a tônica do evento. Entendendo que outros LOLLAPALEIROS eventualmente também possam estar desorientados, Felipe Gollnick e Enio Vermelho Jr. sentaram para conversar e bolaram o gloriosíssimo Guia Defenestrado para o Lollapalooza Brasil 2014.

Nele, reunimos dez bandas cujos shows provavelmente valem a sua presença. Alguns nomes são bem conhecidos, outros nem tanto. Também montamos uma pequena playlist com músicas de cada um dos grupos citados neste texto. Ouça abaixo:


(Nos abstemos de qualquer comentário relativo à infraestrutura do evento; limitamo-nos a dizer que haverá todo um esquema especial para petiscos e COMIDAS ESPECIAIS. Veja mais aqui)

Os nomes a seguir não estão organizados em ordem de importância, qualidade do show ou qualquer coisa; a sequência é absolutamente aleatória. Porque muitas vezes a vida é assim, sem muita lógica mesmo. Vamos aos fatos:

Cage The Elephant
Os caras já vieram tocar na primeira edição do Lollapalooza Brasil, em 2012. Assistindo pela TV, no conforto do lar, a coisa toda pareceu ter sido incrível, com performances catárticas e explosivas do vocalista Matthew Schultz. Em 2013, os caras lançaram "Melophobia", um disco mais sério e maduro, com uma sonoridade roqueira e grandiosa que tem tudo a ver com o clima de shows em festivais. O ponto alto deve ser a gloriosa "Come a Little Closer", canção que fez David Letterman pirar o cabeção e perder a linha em seu programa de TV. (FG)

Café Tacvba 
É uma das principais bandas do México e será a terceira vez deles no país. É até uma surpresa que tenha sido escalada para a edição brasileira do Lollapalooza, dominada pelas atrações vindas de fora da América Latina, além, obviamente, das nacionais. A música do quarteto é uma ótima mistura de rock com ritmos regionais mexicanos, sendo que a coisa fica mais explosiva ao vivo, garantindo assim uma boa festa, mesmo que seja no início da tarde ,como será no festival. Valerá a pena chegar mais cedo pra ver esse baile latino. (EV)

Lorde
Lorde é como um Portishead bem mais pop, e isso é bom em vários sentidos. Suas canções são simples, obscuras, sofisticadas, tocantes e sinceras. Cantando com uma voz profunda e bastante melancólica para quem ainda tem 17 anos, a moça fala sobre uma realidade que ela percebeu vivendo Nova Zelândia: a busca patética dos jovens de sua geração por um estilo de vida parecido com o modelo irradiado pela indústria da cultura pop ocidental (festas alucinadas, carpe diem, ostentação, bullying etc); e o desapontamento que pode te acometer quando você não se encaixa nesse perfil. Ainda: o sucesso estrondoso de "Royals" é um alento – entregue ao grande público um produto sofisticado, e a massa pode sim degusta-lo com sabor. Para o show no Lolla, porém, talvez haja um problema: as canções de Lorde são caprichadas, mas é o tipo de música que funcionaria muito melhor em uma casa de shows de médio porte, perdendo potência e sentido em um grande festival. (FG)

Nine Inch Nails
Trent Reznor é um cara foda, e isso já basta. O homem à frente do Nine Inch Nails vem ao país divulgando o novo disco "Hesitation Marks", lançado no ano passado, e chega ao festival com status de headliner – o que talvez tenha sido uma decisão mais arriscada até do que foi botar o Black Keys como atração principal no ano passado, quando o Lollapalooza ainda era produzido pela GEO Eventos. Além das músicas novas, a vibe de festival deve motivar o Nine Inch Nails a tocar clássicos como "Closer", canção épica de 1994 que este escriba aguarda com particular ansiedade. (FG)

Disclosure
Dupla formada por dois irmãos ingleses, o Disclosure vem de singles e EPs lançados desde 2010, mas eles fizeram barulho mesmo foi com o disco lançado no meio do ano passado, "Settle", que rendeu a eles inclusive a indicação ao Grammy de Melhor Álbum de Música Eletrônica. Foi uma das últimas atrações confirmadas do festival brasileiro e, além do show encerrando o dia no Palco Interlagos, eles farão um DJ set num dos Lolla Parties, poucas horas depois. É a grande opção pra quem quer ficar um pouco mais no festival, não encarar tão cedo o metrô e ainda fugir do Muse. (EV)

Illya Kuryaki and The Valderramas 
É a estreia da dupla argentina no Brasil. São Pouco conhecidos por aqui, mas, na terra dos hermanos, Dante Spinetta e Emmanuel Horvilleur são grandes. A trajetória deles começou em 1991, parou em 2001 para que cada um fosse se dedicar à carreira solo e voltaram quase sem querer depois de dez anos  após uma festa de aniversário de 15 anos da filha do ex-vocalista do Soda Stereo. E voltaram bem com um belo disco: "Chances" mantém a mistura de rap, funk, rock e outros ritmos latinos que fizeram o duo ser conhecido na América Latina. É uma chance (ops) única de ver toda essa mistura ao vivo no país que praticamente ignora algo cantado em espanhol. (EV)

Johnny Marr 
Guitarrista de uma das maiores bandas inglesas de todos os tempos, os Smiths. Mais: discos com o Electronic (supergrupo com Bernard Sumner, do New Order), Modest Mouse, The Cribs e outras tantas participações em outros grupos. Só isso seria o suficiente pra credenciá-lo a um dos shows mais esperados, mas Johnny vem com o repertório do ótimo "The Messenger", outro belo disco de 2013. Quase ficou de fora dos Lollas sul americanos depois de quebrar a mão direita num acidente semanas atrás. Mas vem para tocar as músicas do seu primeiro álbum solo, além de algumas da parceria dele com o Morrissey. (EV)

Pixies
Depois de terem voltado à ativa, dez anos atrás, eles resolveram conhecer o Brasil de vez: é a terceira ocasião em que o agora trio norte americano vem pra cá. Sim, trio porque a Kim Deal resolveu sair da banda no ano passado. Quem ocupa o lugar dela no show brasileiro é a argentina Paz Lenchantin, que já tocou com o Queens of the Stone Age e o A Perfect Circle. Além disso, a banda vem com um disco novo depois de 20 anos. Mesmo para quem já viu o show deles no Curitiba Pop Festival (em 2004) ou no SWU (em 2010) é a chance de ver ao vivo como funcionam as novas músicas, mescladas, é claro, com os clássicos de sempre. (EV)

Jake Bugg
Sob certos aspectos, Jake Bugg é tipo o equivalente britânico-moleque de Lorde ou Mallu Magalhães: talento jovem reconhecido cedo e catapultado a um certo estrelato de forma muito repentina. Seu primeiro álbum (homônimo, de 2012), uma mistura de folk com fleuma e uma prepotência divertida, chegou ao topo das paradas britânicas logo na semana de estreia – quando o garoto ainda tinha 18 anos de idade. O segundo disco, "Shangri La", é bem mais roqueiro e empolgante. O cara agitou a galera no Coachella em 2013 e tem tudo para fazer um dos shows mais surpreendentes do Lollapalooza. (FG)

Soundgarden 
Mais uma atração do Lolla que deu um tempo e voltou após pouco mais de uma década. E, aqui, o importante é o ineditismo: será o primeiro show deles no Brasil. É a última das grandes bandas da cena grunge de Seattle a finalmente aparecer no país. Não bastasse isso, esse ano completam 20 anos de seu principal disco, "Superunknown", que chegou a ser tocado na íntegra dias atrás no South by Southwest. Por aqui vão tocar músicas tanto daquela época quanto as novas do "King Animal", de 2012. E com um baterista provisório, pois Matt Cameron, o titular, estará em turnê com outra banda conterrânea deles, o Pearl Jam. (EV)


Alguns desses shows coincidem nos horários. Por isso, Felipe e Enio apresentam, abaixo, seus respectivos roteiros para os dois dias de festival (lembrando que a escalação completa e os horários todos você confere no site oficial do Lollapalooza):


O roteiro de Enio Vermelho Jr.

Sábado - 5 de abril:
12h10 - 12h55: Silva
14h00 - 15h00: Lucas Santtana
15h30 - 16h30: Café Tacvba
18h30 - 19h30: Lorde
19h55 - 21h25: Nine Inch Nails
21h30 - 23h00: Disclosure

Domingo - 6 de abril:
12h40 - 13h25: Illya Kuryaki & The Valderramas
13h30 - 14h15: Raimundos
14h20 - 15h20: Johnny Marr
16h30 - 17h30: Vampire Weekend (ou comprar cerveja)
17h35 - 18h50: Pixies
18h55 - 20h25: Soundgarden
20h30 - 22h00: Arcade Fire

O roteiro de Felipe Gollnick
(perceba que este roteiro prevê uma grande e utópica CORRERIA entre os palcos, e os horários apresentados não condizem com os horários oficiais de início e fim dos shows. Para informações mais exatas, veja o site do Lollapalooza)

Sábado - 5 de abril:
13h10 - 13h55: Silva
14h00 - 15h00: Capital Cities
15h05 - 16h05: Cage The Elephant
16h05 - 15h30: Café Tacvba (VER O FINALZINHO)
16h30 - 17h00: Julian Casablancas (VER A METADINHA)
17h00 - 17h45: Portugal, The Man (SAIR ANTES DO FINAL)
17h45 - 18h30: Imagine Dragons (PERDER O COMEÇO)
18h30 - 19h30: Lorde
---comprar cerveja correndo
19h55 - 21h25: Nine Inch Nails 
21h30 - 22h00: Kid Cudi (VER O COMECINHO)
22h00 - 23h00: Muse (PERDER O COMEÇO)

Domingo - 6 de abril:
12h15 - 13:00: Apanhador Só (CEDO ASSIM, PROVAVELMENTE CHEGAREI ATRASADO)
13h00 - 13h25: Illya Kuriaki & The Valderramas (PERDER O COMECINHO)
13h30 - 14h15: Raimundos
14h20 - 15h20: Johnny Marr
15h20 - 16h00: Cone Crew (PERDER O COMECINHO)
16h00 - 16h30: Savages (PERDER METADE)
16h30 - 17h30: Vampire Weekend
17h35 - 18h50: Pixies (obs: Pixies no entardecer vai ser lindo, hein?) 
19h00 - 20h00: Jake Bugg
--intervalo para comprar cerveja e/ou ver o fim do Soundgarden--
20h30 - 22h00: Arcade Fire

20/03/2014

Música boa da quinzena - "New York Morning", Elbow

por Felipe Gollnick

Música boa da quinzena. O quadro que nunca respeita a frequência prometida no nome está de volta – depois de semanas, meses, anos – para apresentar a belíssima "New York Morning", do Elbow.


O Elbow é uma banda inglesa que tem alguma coisa em fazer canções grandiosas e caprichosamente bonitas. Elas não chegam a ser épicas, mas soam como se o Coldplay fosse bem menos pop e espalhafatoso, com Chris Martin ouvindo bem mais Radiohead e, talvez, Portishead.

...Ok. Talvez não seja nada disso. Mas quem teve a chance de conhecer os trabalhos anteriores dessa banda britânica pôde testemunhar a importância dos arranjos orquestrais para a construção de melodias impressionantes, como é o caso da deliciosa "One Day Like This" (do álbum "The Seldom Seen Kid", de 2008), até hoje o maior sucesso do grupo. Mais além, as músicas do Elbow têm aquela capacidade de te fazer parar por um tempo e olhar as coisas acontecendo ao seu redor para, então, testemunhar que a vida é bonita e incrível ("Lippy Kids", do álbum "Build a Rocket Boys!"); ou então te fazer flutuar em um voo noturno e tranquilo pelos arredores de alguma cidade inglesa ("whisper grass", presente no disco de B-sides "dead in the boot").

Carregando tudo isso na bagagem, o Elbow chegou a 2014 com um disco novinho: "The Take Off and Landing of Everything" traz já no título a ideia de voo, decolagem, amplidão, as coisas como um todo. Um nome meio sentimental e bastante vago, mas que mesmo assim vem com um universo de significados passíveis de serem entendidos, levando sempre à contemplação... Mas estamos divagando! Vamos logo à música.


"New York Morning" é o single do disco. É também a canção mais impactante, com uma melodia cheia de degraus ao piano e uma letra que... digamos... talvez seja exatamente a descrição da cidade de Nova York feita por um poeta inglês contemplativo, emocionado, melancólico e, ainda, entusiasmado. O humor da cidade depende de como o sol nasce. Todas as ruas, todas as faixas de pedestres, todos os postes e todas as pessoas exalam um ar de orgulho, trabalho duro e amor. Há ótimas ideias borbulhando por todas as esquinas. 

Me, I see a city and I hear a million voices 
Planning, drilling, welding, carrying their fingers to the nub 
Reaching down into the ground 
Stretching up into the sky

Até Yoko Ono é mencionada.

Antenna up and out into New York 
Somewhere in all that talk is all the answers 
And oh, my giddy aunt, New York can talk 
It's the modern Rome where folk are nice to Yoko

Ela até chegou a responder aos caras, mas há algo que merece ainda mais a atenção: o clipe da música é uma espécie de minidocumentário que registra a vida e a devoção do casal formado pelos americanos Dennis e Lois. Eles se conheceram em meados dos anos 70, descobriram que suas coleções de discos eram muito parecidas e desde então estiveram juntos, acompanhando de perto o desabrochar e a expansão do punk rock na mesma Nova York. O primeiro encontro deles foi no CBGB (ou então em um filme do Monty Python – confira abaixo), onde os Ramones tocavam o tempo todo. O vídeo te faz conhecer o pequeno museu particular que a dupla mantém em casa, além de te levar para uma volta pelo centro da cidade e pelas memórias do casal. Em algum momento, eles para abastecer o carro, e é aí que Lois diz: "Isso é o que eu faço com o meu dinheiro: compro gasolina e vou assistir bandas":

Veja:


Confira outras edições do Música boa da quinzena:

"Teste" - Yokofive (fevereiro de 2012)
"Ditado" - Romulo Fróes (junho de 2011)

13/03/2014

Coletânea Cena Independente #26 - Irmãos Carrilho

Está certo que já estamos em março, mas ainda não está tarde demais para a edição de fevereiro da Coletânea Cena Independente, esse projeto mensal baseado no Music Alliance Pact e organizado pelo site FUGA Undergroud. Todos os meses, blogs de vários estados do país selecionam músicas de bandas independentes de suas regiões, resultando em uma mixtape que é publicada por todos os sites participantes. O Defenestrando representa o Paraná na Coletânea e, em fevereiro, indicou a música "No tempo que passou", dos Irmãos Carrilho.


A cada mês, a capa é elaborada por um artista convidado por um dos blogs do projeto. Nesta edição, o FUGA Underground convidou o designer e fotógrafo potiguar Murilo Diogenes para assinar a arte. Mais de seus trabalhos podem ser vistos no Tumblr.

Curtiu a ideia da Coletânea Cena Independente? Tem um blog de algum dos estados que não estão na lista e quer entrar no projeto? Mande e-mail para a Clara, do FUGA Underground, em mixtape.cenaindependente[arroba]gmail.com ou para a gente em defenestrandoblog[arroba]gmail.com

Clique aqui para baixar a coletânea ou ouça-a no player abaixo. Mais além, neste mesmo post, você encontra informações sobre todos as bandas que estão na coletânea desse mês.


CEARÁ: Rock Nordeste
Vatz - How Not To Lose Control
rock
Não há música melhor para representar a pegada agressiva e melódica do quarteto cearense formado por Caduh Oliveira (voz e guitarra), Massilon Vasconcelos (bateria), Tiago Alves (baixo) e Lucas Guterres (guitarra). Gravada no projeto de vídeo de alta qualidade de som e imagem Live From Nowhere, "How Not To Lose Control" mostra que a Vatz se sai bem com letras em inglês e cria uma sonoridade familiar e empolgante, pronta para decolar na cena nacional underground e com forte potencial para alcançar o mainstream. 
Para quem gosta de: Queens of the Stone Age, Muse e Them Crooked Vultures

DogMan - Graceless
hard rock/rock and roll/grunge 
Composições simples, refrões memoráveis e uma vontade de fazer com que as pessoas ativem a consciência, para simplesmente descobrirem o que são como indivíduos, comunidade e como parte fundamental de um "universo vivo". Observe as estrelas e se perceba como parte de um todo, diga olá para a criação. Uma possibilidade de ser algo bom, fazer boa musica com a mente ligada na missão integral de tentar sempre serem o que são em sua essência, na musica, na esperança, na fé e no amor.
Para quem gosta de: Alice In Chains, Pearl Jam e Temple of the Dog

RIO DE JANEIRO: RockInPress
Fernando Temporão - De Dentro da Gaveta da Alma da Gente
pós-mpb
Fernando Temporão é um compositor simpático, mas talvez tardio. A sua proximidade com Kassin e outras pessoas que moldaram a cena pós-MPB brasileira causa um estranhamento ao seu distanciamento correlação aos lançamentos de seus amigos e ao frescor de sua audição. Seu belo álbum de estreia contém traços mais finos e realçados que seus contemporâneos, alinhando-se ao primeiro trabalho de Marcelo Jeneci, principalmente pela doçura e pela utilização efusiva de orquestrações em suas canções.
Para quem gosta de: Marcelo Jeneci, Vanessa da Mata e Kassin

PERNAMBUCO: AltNewspaper
Gustavo Pontual - De Rochedo 
rap/hip hop
Gustavo Pontual é um MC pernambucano conhecido outrora por ser um dos integrantes do extinto grupo de rap Inquilinus. No segundo semestre deste ano, ele irá lançar seu primeiro EP solo, mas, neste mês, liberou uma prévia do que estar por vir. Na faixa "De Rochedo", o MC nos leva por um passeio pela cidade do Recife, um tanto saudosista, passando por alguns pontos do centro que cercam o Rio Capibaribe. Aperta o play e boa viagem!  
Para quem gosta de: Inquilinus, Rimocrata e rap com sotaque nordestino

PARANÁ: Defenestrando
Os Irmãos Carrilho - No Tempo Que Passou 
folk/caipira
Os Irmãos Carrilho são uma dupla formada por Alexandre Provensi e Matheus Godoy. Como se vê, não são irmãos de fato, mas isso não impede que o duo tenha entrosamento o suficiente para executar arranjos vocais muito bem trabalhados. De algum jeito, eles parecem com uma dupla sertaneja de raíz que cresceu entre músicos folk dos Estados Unidos e que, nas horas vagas, ouve um pouco de indie rock em casa, sem muitos compromissos. A música "No Tempo Que Passou" foi lançada em fevereiro, e é o primeiro single oficial da dupla.
Para quem gosta de: Charme Chulo e Vanguart

ALAGOAS: Sirva-se
Sedna - Into The Depths
stoner/metal/grunge
Passeando com competência entre o grunge e stoner, os caras da Sedna estão mais ativos do que nunca, lançando clipe e gravando várias faixas que irão compor o álbum da banda, que está sendo produzido e deve ser lançado logo menos. A faixa escolhida para a mixtape é "Into The Depths", que o Sedna soltou recentemente na internet. Guitarras pesadas e com passagens melódicas, aliadas a uma bateria com pedal duplo e letras cantadas em inglês: é um pouco do que se pode falar dos cara. Mas, para entender melhor qual é a da banda, dá o play aí na coletânea.
Para quem gosta de: Soundgourden, Down e Alice in Chains

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground 
Tropicaos - Reveries
neo-psychedelia/surf rock/dream pop
Nova encarnação da extinta Last Starfighters, o Tropicaos segue agora com uma nova estética. Mais próximos da neo-psychedelia, do dream pop e da chillwave, Mathias De Lima, Nicolas De Lima e André Castiel continuam apostando nas parcerias que deram certo lá atrás. Gravado no Estúdio DoSol e produzido por Jesse Gander, um dos caras por trás do "Celebration Rock" do Japandroids, o single de estreia da banda veio como uma viagem praieira. Baseado em guitarras que lembram o trabalho de John Frusciante (e, em algum outro momento mais fugaz, até o Dire Straits), é quase como se o Red Hot Chili Peppers desse uma chance ao dream pop.
Para quem gosta de: Temples, Tame Impala e Animal Collective

BAHIA: El Cabong
Declinium - Ela se Foi
indie rock /guitar band/pós-punk
Ecos dos anos 80, melancolia, clima sombrio no ar e um muro branco de guitarras dando o tom. Como se saísse de uma cidade cinzenta da Inglaterra, a banda Declinium traz de volta em seu EP "Marte" uma sonoridade que andava meio esquecida na Bahia, mas que já fez escola por aqui, por incrível que pareça. O grupo, que tem 15 anos de estrada e vem de Camaçari, uma cidade industrial nos arredores de Salvador, volta com seu pós-punk com letras em português e melodias doces entrecortadas pela distorção da guitarra. 
Para quem gosta de: brincando de deus, Ride e Jesus & Mary Chain

PARAÍBA: Atividade FM
Beeds - Reach For The Sun
rock psicodélico/dream pop
O Beeds surgiu em João Pessoa, na Paraíba, pelas mãos de Rafael Mangueira como um projeto de rock psicodélico. Assim como o Ruban Nielson do Unknown Mortal Orchestra, e o Kevin Parker do Tame Impala, Rafael gravou e mixou sozinho em sua casa o seu primeiro trabalho. A estreia do projeto é a faixa "Reach For The Sun", uma música lisérgica, com timbres sessentistas e uma pegada que faz lembrar o som feito pelo Syd Barret nos anos 60 e 70. O Beeds também chega a ter uma semelhança também grupos contemporâneos como Jacco Gardner e o Temples.
Para quem gosta de: Temples, Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra

Clique aqui para baixar a Coletânea Cena Independente #26. E aqui no site tem todas as edições anteriores do projeto.

11/03/2014

Resenha: St. Vincent, St. Vincent



CANTO I

Querida St. Vincent, teu nome Annie Clark,
Ouvi teu disco novo desde que ele foi vazado,
Sabendo que era seu, logo pude entusiasmar.

Porquanto é de valor que em ti chegue meu recado,
Dado que me amaldiçoa observar sua existência,
Toda vez que ouço algo que você tenha tocado.

Permita-me explicar, não é lá questão de crença,
Acontece que assusta a imagem que tu passa,
Compondo na guitarra ou se usando de palavras.

Cá um mancebo que em pedaços se desfaça,
Nada explica o atingir tal carisma dessa safra,
Muito menos o que vi na semana passada.

Se não sabes do que falo, lhe prometo ser mais claro,
Antes disso alternarei a maneira em que retrato, ...


ANNIE CLARK FAZ LAMBRETA COM MÃOS NO BOLSO, PROVA SER SUPERIOR À VIDA REAL E CONQUISTA SUPERCOPA DO MEU CORAÇÃO



26/01/2014

NOVA YORK, Internet - Annie Clark, a St. Vincent, 31, dá novas demonstrações de que pode não ser real. Um mês antes de lançar seu disco St. Vincent, a musicista texana aproveitou para exibir ao mundo suas habilidades com a bola nos pés. Muito embora nada disso faça sentido, o site Rookie conseguiu capturar imagens de Clark realizando a famigerada lambreta - com mais sucesso, inclusive, do que os poucos futebolistas que o arriscam em campo. Não bastasse o contexto surpreendente, a guitarrista ainda performa o drible com mãos no bolso e roupas mais descoladas que o desuso do adjetivo "descoladas". "Eu aprendi enquanto assistia, do banco, às jogadoras da minha sala que eram de fato boas", declarou St. Clark, contrapondo-se humildemente à sua mera existência, argumento claro de perfeição hiperreal. Circulam teorias de que seu cabelo branco lhe teria dado superpoderes eternos: terá Annie Clark se tornado St. Vincent em definitivo?  [continua]






ST. VINCENT - Bring Me Your Loves (2014)

Bring me your loves, all your loves, your loves
I wanna love them too, you know [x4]

I thought you were like a dog
I thought you were like a dog
But you made a pet of me

I took you off your leash
I took you off your leash
But I can't no I can't make you heel
Bring me your loves
Bring me your loves
We both have our rabid hearts
Feral from the very start


It is actually kinda a funny read. It must be a parody, like The Onion or something. Here is how it ended.
Clark and I part ways after lunch -- she's heading to the 6 train, I'm getting a cab on Park Avenue. I say goodbye, we hug, and she's off, a tiny silhouette in the distance. Her silk shirt and skirt billow in the hot breeze. I look uptown at the horizon, processing the memory of her, and my eyes creep up to the huge sky. 
BB did u straighten ur hair? She kinda looks like Feist in this picture. Maybe they are trying to confuse ppl into listening 2 her music.


ST. VINCENT - ST VINCENT (2014)
1. RATTLESNAKE - legal muito bom 5/5
2. BIRTH IN REVERSE - idem 5/5
3. PRINCE JOHNNY - chataaaaaa porém legalzinha 3/5
4. HUEY NEWTON - chatinha +++ letra legal 4/5
5. DIGITAL WITNESS - 5/5 perfeita
6. I PREFER YOUR LOVE - nhé 3/5
7. REGRET - curti 4/5
8. BRING ME YOUR LOVES - love de novo??? melhor até 3 ou 4/5
9. PSYCHOPATH - sei lá 2/5
10. EVERY TEAR DISAPPEARS - curti também 3/5
11. SEVERED CROSSED FINGERS - não lembro 3/5


"Não por acaso, diz-nos Annie Clark, concede ao seu quarto álbum como St. Vincent essa simbólica opção pelo título homónimo: “Estava a ler a autobiografia do Miles Davis e ele dizia que a coisa mais difícil para qualquer músico é soar a si mesmo. Acho que soo a mim neste disco, por isso quis que se chamasse assim”."

ST. VINCENT - Birth in Reverse (2013)

Oh, what an ordinary day,
Take out the garbage, masturbate
I'm still holding for the laugh [continua]



*** By O$W@LD _di_ @nd®@dE ***

23/02/2014

Resenhas anacrônicas - Le Quattro Stagioni, Antonio Vivaldi


Escrito originalmente por Can Iohen e traduzido por Mateus Ribeirete, exclusivamente para o Defenestrando, em troca de quatro influências marroquinas. Post original aqui


E la nave va. Se Antonio Vivaldi nos impressionou no verão passado com o single "Violin Concerto in C minor, RV 199 Il sospetto", nota-se como sua obra supostamente conceitual o derruba enquanto caricatura de si próprio. Em Le Quattro Stagioni, com uma exceção ou outra, nada é devidamente amarrado ou meramente atmosférico. Considerando o impacto pop fulminante, devastador, refreshing de "Il sospetto" – algo como o filho da Beyoncé com um dj armênio demitido da Warp Records em 2007 – o mínimo a ser esperado era um disco do nível de "Violin Concerto in A minor, RV 356 - II: Presto", prequela interessante de uma demo lançada extraoficialmente dois anos atrás.

Em suas últimas entrevistas, Vivaldi insiste com a mania de definir seu estilo como "clássico". Convenhamos, o que há de clássico num amontoado de canções gelatinosas em sua natureza cartesianamente, bifocalmente, maquiavelianamente, encharcadamente, unidimensionalmente, pungentemente, adverbialmente Coldplay-esque? Been there, done that, é o que afirma, tipo, durante todo o século XXI, sr. Vivaldi. Os riffs apelativos não resguardam uma obra que, feito um cisco no olho esquerdo, a todo momento faz questão de lembrar o leitor em que estação do ano estamos. Alguém poderia fazer o favor de lhe presentear com um calendário?

Nessa miríade de palidez, entretanto, destaca-se o protótipo da expectativa da esperança da ansiedade de hitmaker alguma vez pode nos animar: "Concerto No. 1 in E, RV 269 'Primavera' - I: Allegro" apresenta aquilo que todo o resto do trabalho não consegue acompanhar. Muito embora o TÃnã-nãnãNã-nã-NÃÃÃ-nã figure-se qual um retalho das aparições menos adocicadas do Animal Collective, é inegável seu apelo para ouvintes acostumados ao rock de arena que algum dia já teve relevância. Afirmemos, pois, que cada passo de Vivaldi é a Hidra de Lerna aproximando-se de seu assassino Héracles, dado que, nascidas duas cabeças de um art pop baroque chamber post-Gutenberg revival mesquinho, são elas cortadas por essa grande espada que é a Música De Verdade.

E a Verdade é que, anos após alguma ousadia, Antonio Vivaldi se tornou refém do violino, sua principal arma, como Tim Burton se tornou refém de más ideias, ou como minha cunhada, Laura, de bandidos de verdade (com arma e tudo, numa experiência similar ao último disco do Haxan Cloak --- o que, abro outros parênteses, por algum motivo a irritou quando citei a referência em meio ao relato policial, como se isso não fosse informação relevante!). Do violino, portanto, Vivaldi fez calcanhar de Aquiles aquilo que era Rio Estige. Preso no século XVII, Le Quattro Stagioni não se desenvolve, transformando verão, inverno, primavera e outono em estações nada mais do que mornas. Para sua música durar mais do que uma ventania, ainda é preciso limpar muitas gôndolas de Veneza.