24/05/2012

vem aí - Cinema Mudo + Monaco Beach + Defenestrando


Prepare os ouvidos, a cabeça e o coração. Essa sexta-feira (dia 25/5) será pesada no Wonka Bar, em Curitiba: depois de tempos, o Cinema Mudo dá as caras para um show barulhento e trompetado. O motivo? O lançamento de Doses Homeopáticas, o primeiro EP da banda.

O Cinema Mudo surgiu ali por volta de 2010, causando já algum impacto com músicas tensas e sentimentais como Cardioapatia. Ainda nos primeiros meses de banda os caras ganharam o concurso Garagem de Talentos Fnac Gazetinha (Gazetinha que hoje é o Gaz+, caderno teen da Gazeta do Povo). Como prêmio, o Cinema Mudo ganhou o direito de gravar um EP. Eis aí Doses Homeopáticas, bolacha de estreia do grupo.


Não bastasse o esperado show do Cinema Mudo, a noite será ainda mais especial: o classudo Monaco Beach retorna aos palcos após ter anunciado em agosto de 2011 uma pausa em suas atividades - de lá para cá, passou-se tempo suficiente para sentir saudades do baita showzão que costumam fazer os donos do EP Drowning in my Dreams.

No meio dessa barulheira, eu e Matheus Chequim discotecamos uns sons para ir aquecendo a pista. De Black Keys a Beatles, passando por Beastie Boys e Bjork. E Michael Jackson. E MC Hammer. E... apareça lá!

Cinema Mudo lançando EP Doses Homeopáticas + Monaco Beach de volta aos palcos + Discotecagem Defenestrada
Sexta, 25 de maio de 2012, a partir das 22h
R$ 10 
Wonka Bar
Trajano Reis, 238 - São Francisco - Curitiba

22/05/2012

Lupaluna 2012 - como foi

Rodrigo Amarante, Los Hermanos - foto: Vitor Augusto

Mais um Lupaluna foi pra conta. A edição 2012 pareceu ter sido mais bem organizada e bonitinha (esteticamente falando mesmo) do que a de 2011. Ainda que a escalação melhore a cada ano, ainda fica claro, através de Skanks e Charlie Browns que se repetem no lineup, que o Lupaluna é um festival feito não por um grupo de pessoas que gostam de música, mas por uma grande corporação interessada em... seus interesses. Não que outros grandes e bons festivais mundo afora também não tenham seus interesses. Mas é que no Lupaluna isso parece ficar mais evidente.

Há que se deixar claro, no entanto, que o que o lineup do palco principal costuma ter de duvidoso, o palco alternativo tem sempre de certeiro. A tenda menor (antes Eco Music, agora Arena Mundo Livre) recebeu grandes e ótimos shows nas últimas edições do Lupaluna, e em 2012 não foi diferente. O palco descolado do Lupalupa cada vez mais se consolida como referência de bons shows de ótimos artistas do país afora.

Abaixo, observações completamente pessoais e em tópicos sobre o que vi/consegui ver no Lupaluna:

Céu
A atração mais malemolente de todo o festival subiu ao palco da Arena Mundo Livre com nada menos do que uma hora de atraso. Uma caixa de som de retorno teria queimado e não havia outra de reserva. Quando finalmente veio às luzes, Céu fez o que sabe fazer muito bem: ser uma grande artista, uma ótima cantora e uma mulher sensual. Quando não estava de queixo caído, a marmanjada cantava as letras de ótimas músicas como Cangote, Malemolência ("menino bonito, menino bonito ah!" - esta também entoada pelas garotas da plateia) e Falta de Ar, faixa de abertura do novo álbum Caravana Sereia Bloom.

O atraso, no entanto, prejudicou toda a programação da sexta-feira na Arena Mundo Livre. Karina Buhr, por exemplo, que deveria ter subido ao palco às 3h, só começou seu show depois das 5h.

Los Hermanos
Sem dar as caras em Curitiba desde 2006, os cariocas subiram ao palco principal respaldados por uma enorme legião de fãs antigos e/ou novos que nunca tinham visto um show da banda antes. Em turnê comemorativa dos 15 anos de carreira e muito mais entrosada do que em aparições anteriores (como nos festivais Just a Fest e SWU 2010), o Los Hermanos empolgou e emocionou um público que, como sempre, cantou todas as músicas do show. Ao final da apresentação, fogos de artifício destoam completamente do que se viu antes e fazem relembrar que estamos não em um show do Los Hermanos, mas em um festival em que também tocam Jota Quest e Seu Jorge, entre outros do tipo.

Biobalada Ligeirão
Um enorme ônibus biarticulado azul esparramado pelo terreno do Bioparque, com pinturas "descoladas" e adaptado para balada. Grupos de até 150 pessoas poderiam entrar no ligeirão (por meio de uma estação-tubo, claro!) para curtir uma festa com DJ próprio. Senti calafrios quando passei ao lado do ônibus e escutei, entre as batidas de alguma música eletrônica, o tradicional "tan-nan-nan" da campainha que anuncia a próxima parada. Desabafo: definitivamente, qualquer coisa que relembre o ônibus-lotado-nosso-de-cada-dia passa longe de combinar com um evento cujo foco é a diversão e o entretenimento. Bizarra tentativa da prefeitura - uma das patrocinadoras do evento - de estimular o uso do transporte coletivo entre o público jovem classe média-alta curitibano.

Sabonetes
Os ensaboados iniciaram o primeiro show de sábado no palco principal anunciando: "a gente é daqui de Curitiba!" Assistido por um público ainda pequeno porém fiel, o Sabonetes mandou bem e não se intimidou com o tamanho do palco. Provaram que seu som pode funcionar bem tanto em barezinhos apertados quanto em grandes espaços. Diego Perin, o cara que concorreu a duas categorias do VMB de 2011 sem estar em nenhuma das bandas indicadas, também estava lá e participou de uma das músicas.

Nevilton
Entrosadíssimo como sempre, o trio liderado pelo rapaz de Umuarama fez um belo showzão com seu rock direto ao ponto - pena que para um público ainda pequeno: provavelmente menos do que 100 pessoas assistiram ao show, que começou antes das oito da noite.

Skank
Samuel Rosa não empolga e parece simplesmente não mudar de expressão (aquele sorriso de Samuel Rosa) durante todo o show. Ele quase deixa claro que eventuais piadinhas - por exemplo: "Quando essa música foi lançada, muitos de vocês provavelmente ainda não tinham nem nascido ainda" antes de Garota Nacional - são as mesmas de todos os shows da banda.

Zeca Baleiro
Encheu e incendiou a Arena Mundo Livre. Público remexendo e pirando ao som de uma abrangente diversidade de estilos musicais emendados pelo cara. Mais tarde, Zeca Baleiro ainda faria uma participação no show de Charlie Brown Jr na música Proibida pra Mim.

Orquestra Buena Vista Social Club feat Omara Portuondo
Ok, eles são o Buena Vista e tiveram direito a fazer simplesmente o show mais longo do festival. Gotta show some respect. Mas a apresentação deles no palco principal foi morna e não empolgou uma boa parte do público, que estava ali apenas esperando para ver o show de Charlie Brown Junior (que ainda demoraria algumas horas para começar). Os telões estiveram desligados em quase todo o tempo em que a banda esteve no palco - o que pode ter colaborado para o desinteresse de muita gente - mas foram ligados quando Marcelo D2 fez uma participação especial. Acima de tudo, simplesmente não fez sentido a Orquestra Buena Vista estar escalada para o mesmo dia e palco de Charlie Brown Jr e Marcelo D2.

Criolo 
Fez a enorme tenda da Arena Mundo Livre ficar pequena e apertada. Acompanhado de sua ótima banda completa, Criolo fez um belo e emocionante show. Desses memoráveis. Mas, mais do que a música, chamou a atenção a extrema devoção de um público que parecia estar vendo o show do rapper pela primeira vez (já que esta é apenas a segunda apresentação dele em Curitiba desde o estouro nacional em 2011). A coisa parece beirar uma veneração desmedida. Em cima do palco, Criolo, sério porém amoroso, responde a esse louvor de alguma maneira esquisita: olhando para o nada com uma expressão difícil de compreender, ou mesmo se deixando ser elogiado pelos integrantes da banda - em especial um outro rapper que participa quase o tempo todo do show, mas cuja função ali em alguns momentos parece realmente ser puxar o saco do autor da música Não existe amor em SP. Quase no final, Criolo agradece ao público que viu o show, em especial ao monte de gente que não conseguiu entrar em baixo da tenda e ficou exposta à fria noite curitibana: "Não esqueçam de tomar um chá pra esquentar depois!", orientou.


No final das contas, o Lupaluna acabou se consolidando como um grande festival. E um bom festival. Afinal, é o que temos no Paraná neste porte. Mas algumas coisas ainda nos permitem considerá-lo "estranho" - como uma curadoria non-sense no palco principal (vide escalações de Gene Loves Jezebel, Smash Mouth e de Arnaldo Antunes com participações diversas logo antes de Charlie Brown Jr) e a utilização de um formato que não aposta em headliners.

Mas também não temos como desconsiderar um evento que escala gente do garbo de Céu, Los Hermanos e Buena Vista Social Club. Enfim, é um festival grande que tem seus altos e baixos. Desde já aguardamos com curiosidade a escalação do Lupaluna 2013.

18/05/2012

Lupaluna 2012 - roteiro defenestrado


Pois bem, senhoras e senhores: hoje, dia 18/05, é dia de Lupaluna. Amanhã, dia 19, também. Um monte de bandas bacanas e artistas legais irão se apresentar durante esta quarta edição do festival. Para o leitor defenestrado não ficar perdido no meio da programação, sugerimos um pequeno roteiro para cada um dos dois dias de Lupalupa. 

Em 2012 o Lupaluna aumenta sua força e ataca com cinco palcos diferentes. Muita coisa acontecendo aqui e ali, e muitos shows legais rolando ao mesmo tempo. Então, para dar conta de tudo, convencionamos para o nosso roteirinho a sigla ESP - que nada mais significa do que uma espiadaOu seja: 
21h ESP - Nando Reis - Luna Stage 
21h20 - Céu - Arena Mundo Livre
Significa "às 21 horas, dar uma espiada rápida no show do Nando Reis no Luna Stage, já que às 21h20 começa o da Céu na Arena Mundo Livre". Sacou?

Então imprima aí o seu guia, ponha uma capa de chuva descartável no seu bolso, prepare sua jaqueta de frio e tenha bons shows! Nos encontramos lá!

A programação completa do Lupaluna você acha aqui.


Sexta, 18/05
19h - Molungo - Arena Mundo Livre
19h50 - Supercolor - Luna Stage
21h ESP - Nando Reis - Luna Stage
21h20 - Céu - Arena Mundo Livre
22h50 - Lenine - Arena Mundo Livre
23h40 - Los Hermanos - Luna Stage
01h30 - A Banda Mais Bonita da Cidade - Arena Mundo Livre
03h - Karina Buhr - Arena Mundo Livre
04h30 - Hillbilly Rawhide - Arena Mundo Livre 


Sábado, 19/05
19h ESP - Pão de Hamurguer - Arena Mundo Livre
19h10 - Sabonetes - Luna Stage
19h50 - Nevilton - Arena Mundo Livre
21h ESP - Zeca Baleiro - Arena Mundo Livre
21h20 ESP - Wannabe Jalva - Gaz Stage
21h40 - Marcelo D2 - Luna Stage
22h30 - Karol Conká - Gaz Stage
23h - Buena Vista Social Club feat Omara Portuondo - Luna Stage
00h40 ESP - Arnaldo Antunes e convidados - Luna Stage
01h - Criolo - Arena Mundo Livre
02h30 - Nuvens - Arena Mundo Livre
03h20 - Smash Mouth - Luna Stage
04h - Uh La La! - Arena Mundo Livre


08/05/2012

Escambau no Paraguai! e uma promoçãozinha

Oye, chica! Que me voy...

Foto: reprodução Facebook Escambau

O pessoal do Giovanni Caruso e o Escambau arregassou as mangas, botou o pé na estrada e foi fazer uma turnê pelo Paraguai. O que aconteceu por lá, pelo jeito, foi incrível. Shows cheios, apresentações em palcos inusitados (em um terraço e em um porto, por exemplo), trabalhos no staff do show do Paul McCartney, aparições em um jornal local. Tudo isso e mais um pouco rolou durante a "gira" do Escambau por terras paraguaias.

Para a sorte dos que ficaram por aqui, a banda escreveu um diário sobre a turnê -- que foi devidamente publicado pelo Luiz Claudio Soares em seu Sobretudo.

Sexta-feira, 13/4/12 
Chegamos e nossa foto já estava no caderno de cultura do jornal “ABC Color”, fomos direto da rodoviária a uma agência de modelos fazer nossa inscrição para trabalhar como acomodadores na área VIP do show do Paul McCartney.
Dali fomos direto montar o palco e passar o som no bar “Planta Alta”. O cenário era idêntico àquele dos Beatles no terraço da Apple, mas no lugar de Londres, Asunción e dos Beatles, o Escambau. Ademais, diferente da apresentação dos besouros, era aberto ao público. 
[...]
Quarta-feira, 18/4/12
Nessa altura metade da cidade já sabia que haviam uns brasileiros fazendo um escambau por ali. Saiu neste dia um vídeo de um improviso que fizemos de “bis” no primeiro show [veja abaixo]. Um amigo da [vocalista] Lolo (Ramiro Gomez) gravou e nem percebemos, editou, lançou e ficou bem legal, foi bastante compartilhado por lá e acabou nos obrigando, inclusive, a colocar a tal música no nosso repertório.
Já estávamos até sendo reconhecidos com uma certa frequência pelas ruas. A noite, o [tecladista] Led quebrou o pé pulando o muro do hotel de madrugada pra comprar cerveja (heheh!)



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Outro assunto:



Promoção! Para começar a celebrar (finalmente!) os sete anos de Defenestrando, estamos sorteando o belíssimo cartaz do show que o Rosie and Me fará nesse sábado, dia 12, no Teatro Paiol. A banda irá apresentar oficialmente o Arrow of my Ways, álbum de estreia do grupo.

Quer concorrer? Vem aqui no Facebook do Defenestrando, curte a foto, deixa um comentário e boa sorte! O resultado sai já nessa quinta-feira, dia 10, por volta das 21h.

30/04/2012

Mixtape Cena Independente #4 - abril

Último dia do mês! Não tem erro: é dia de Mixtape Cena Independente, um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma coletânea mensal, publicada por todos sempre no último dia de cada mês. 

A organização fica por conta do FUGA Underground, enquanto todos os meses um blog diferente fica encarregado da elaboração da arte da capa por um artista da sua região. Ficamos a cargo da capa da mixtape de abril, e convocamos para a missão o esperto Luciano Costa, também guitarrista do Colorphonic. Outros trabalhos do rapaz podem ser vistos no Flickr dele.


Para a coletânea de março, indicamos a música She Said, do Quick White Fox. Ela foi lançada através de um clipe/curta-metragem bacanudo dirigido por João Solda, aquele que foi indicado ao VMB do ano passado, categoria Melhor Clipe, com o vídeo de "Andei", da rapper Lurdez da Luz.

Curtiu a ideia do Cena Independente? Tem um blog de algum dos estados que não estão na lista e quer entrar nessa pira? Manda e-mail para a Clara Cortêz, do FUGA Underground, em mixtape.cenaindependente[arroba]gmail.com 
ou para a gente em defenestrandoblog[arroba]gmail.com

Clique aqui para fazer o download da mixtape. Ou então clique aqui para o streaming no Soundcloud. Ou vá até o final do post para encontrar o player da mixtape.


Abaixo, detalhes sobre cada faixa da mixtape #4:


RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Luiz Gadelha – Não Tem Graça
pop
Luiz Gadelha é baixista e um dos principais compositores da banda mais querida do público natalense atualmente: o Talma&Gadelha. Apesar do sucesso recente, sua história na música potiguar já tem longos anos. Bastante eclético, o músico já esteve ligado desde projetos de MPB a drum ‘n’ bass. Em março passado, Luiz lançou Suculento, seu primeiro disco solo. O álbum é marcado por composições singelas e delicadas, que revelam sempre um compositor apaixonado. Falando de saudade, Não Tem Graça aparece como uma das faixas fortes do disco.
Para quem gosta de: Ludov, Pato Fu, Penélope

MINAS GERAIS: Meio Desligado
Leonardo Marques – Linha do trem
indie/folk/lo-fi
Uma nostalgia melódica marca o CD de estreia de Leonardo Marques, Dia e noite no mesmo céu. Suas canções remetem a cenários bucólicos, românticos e solitários, alguns deles bucólicos, como nesta Linha do trem. Membro do Transmissor, banda mineira em constante ascensão, e ex-guitarrista da Diesel (posteriormente Udora), banda pós-grunge de relativa fama, em seu trabalho solo Leonardo gravou todos os instrumentos (exceto bateria) em um esquema caseiro e intimista. 
Para quem gosta de: Elliot Smith, Clube da Esquina, Jon Brion

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Curumin – Selvage
pop/reggae/neo-MPB
O gingado e o andamento de Selvage lembram, de forma inusitada, Friday Night, de Lily Allen. Mas as semelhanças param por aí. A novidade do multi-instrumentista é cheia de brasilidades, dessas que percorrem o pop fácil e ritmos locais em segundos. A guitarra é quase regueira e libera acordes tímidos, enquanto a bateria eletrônica é a base ideal para a voz de Luciano Nakata passear pelos versos da música. Selvage é parte de Arrocha, novo disco do Curumin.
Para quem gosta de: Céu, Criolo, Lucas Santtana

PERNAMBUCO: AltNewspaper
Raoni Santos – Ruído Intencional
instrumental/experimental/eletrônico
Ruído Intencional é uma faixa que integra um projeto de experimentos assinado com o nome do músico Raoni Santos. São faixas em que são testadas as liberdades proporcionadas pela música instrumental. Nesta proposta, os elementos eletrônicos e de ambiência estão mais presentes, diferente do seu outro projeto, o Crooneres Decadentes, que têm composições com letras. No entanto, em ambos, o músico compõe, toca e realiza toda a produção das faixas.
Para quem gosta de: Hurtmold, Toe, Constantina

RIO DE JANEIRO: RockinPress
Tipo Uísque – Bend Your Knees
alternativo/funk
Nasceu assim, “um nome direto, tipo Uísque” e já anotam dois EPs: Afague e Home, ambos pelo selo SLAp (Som Livre Apresenta). A banda se apresentou no palco do Lollapalooza no dia do Foo Fighters – escolha que aconteceu talvez pelo som pesado e bem arranjado que o sexteto produz. Além de terem feito parte da novela Malhação e terem três ex-integrantes do programa Geléia do Rock, já ganharam os palcos de outros grandes festivais do país e abriram para várias bandas internacionais. 
Para quem gosta de: Red Hot Chilli Peppers, The Gossip, The Mars Volta

PARAÍBA: Atividade FM
Glue Trip – Júlio
dub/chillwave/psicodélico
A concretização de um projeto musical veio para expandir a diversidade sonora da Paraíba. Formado pelos guitarristas Lucas Moura (Monstro) e Felipe Augusto, o projeto (que existe há três anos) lançou em abril sua primeira música do primeiro EP. Foi de impressionar que com o lançamento de apenas uma música a batida “viajosa” do duo agradaria a tantos ouvidos.
Para quem gosta de: Peaking Lights, Clutch Hopkins, Omar Rodriguez Lopez

MARANHÃO: Shock Review
Souvenir – Pixel
rock/lounge/eletrônico/drum’n’bass
Com a proposta de fazer com que o público tenha várias sensações e sentimentos que só a música pode proporcinar ao mesmo tempo, a banda Souvenir começa 2012 divulgando o single Pixel, que será o “carro-chefe” para divulgação do trabalho da banda. Rock, jazz, trip hop, rock britânico, lounge, eletro-folk, eletrônico e drum’n’bass são os elementos que compõem todo o trabalho e essência da Souvenir, fazendo com que não deixeM nada a desejar para quaisquer outras bandas que seguem a mesma linha.
Para quem gosta de: Radiohead, MGMT, Gorillaz

PARANÁ: Defenestrando
Quick White Fox – She Said
indie-rock/eletrônica/pista de dança
O Quick White Fox é um quarteto de Curitiba formado por -- segundo as palavras da própria banda -- “três japinhas e um baiano”. Já com alguma experiência nos palcos da cidade, a guitarrista Naomi Sakaguchi e a baterista Mel Toda formaram o QWF algum tempo após terem deixado o Subburbia, outra banda de destaque do cenário indie curitibano. Junto a elas estão a tecladista Debs Sakaguchi e o guitarrista Gean Santos. A banda estreou em 2011 com o EP Summer Trip e lançou, em março de 2012, o clipe/curta-metragem da música She Said, inédita.
Para quem gosta de: Ting Tings, Little Boots, CSS

MATO GROSSO: Factoide!
Billy Brown e o incrível Magro de Bigodes – Só por Brincadeira
Se hoje existe um nome para se acompanhar de perto em Cuiabá, com certeteza é o BBiMB. Duo de powerpop que já tem uma pequena legião de fãs na capital mato grossense graças a uma grande performance ao vivo. Só faltava um registro, e esse foi lançado na sexta-feira-treze de Abril: O EP Groove do Malandro tem três boas músicas, mas, com certeza, Só por Brincadeira se destaca e é o hit da banda com  sua levada explosiva e estética que remete à música sertaneja, vertente musical que toma conta do Brasil.
Para quem gosta de: Dave Mathews Band, só que ao contrário (pela diferença de integrantes).

PIAUÍ: Uptune
Validuaté – Eu Só Quero Acabar Com Você
rock/experimental
Com a proposta de experimentação rítmica sobre o rock e outros ritmos, o Validuaté apresentou sua própria mistura de elementos da música brasileira e mundial. Combinações que juntam melodias de samba e batidas inspiradas em música pop inglesa dos ano 80, arranjos de vocais inspirados em sambas do século passado, levadas de drum’n’bass e riffs de surf music, ou melodias dançarinas sobre harmonias cíclicas e contagiantes, histórias fantásticas ou narrativas de amores eternos, estranhos ou mesmo de desamor.
Para quem gosta de: Tom Zé, Los Hermanos, Zéu Britto

BAHIA: el Cabong
Meu Amigo Pedro – Quem Diria
rock/fok/pop
O nome da banda já dá uma dica, mas só para quem conhece a obra de Raul Seixas um pouco mais -- já que é tirado de uma música de Rauzito que não é das mais populares. A inspiração é clara, e o som tem tudo a ver com o roqueiro baiano. Canções -- atenção -- canções, simples, leves, bem feitas, com foco nas melodias, por vezes até grudentas, embaladas com levadas rock, country, pop e folk quase sempre à base de violões, com vocais claros e bem definidos e letras bem sacadas, acima da média. A banda por trás sustenta tudo isso com guitarra, baixo e bateria, básicos, mas criativos. Ah! Ainda tem um sotaque baiano na medida. Acabam de lançar o EP Ali na Frente, com seis faixas. 
Para quem gosta de: Raul Seixas, Nando Reis, Ben Harper

ALAGOAS: Sirva-se
Imprensa Anônima – Por Trás do Céu
rock/pós-punk
A Imprensa Anônima já participa da cena local ha certo tempo, mas só agora os caras caíram em campo e ganharam força. O resultado disso tudo é a gravação do primeiro EP oficial do grupo. A banda agora se mostra mais madura e eficiente, com uma sonoridade própria e firmando cada vez mais sua identidade. O destaque vai para a música que dá nome ao material, Por Trás do Céu, que tem uma pegada certeira e empolgante, abrindo o EP e mostrando a energia da banda.
Para quem gosta de: Legião Urbana, The Jesus and Mary Chain, Plebe Rude

24/04/2012

Re-lato: a geração que nunca viu Los Hermanos

Como vocês sabem (ou vão descobrir agora), este ano aquela banda Los Hermanos completa 15 anos de carreira. Grupo de influência indiscutível, goste você ou não, como diz o título do texto que escrevi pro blog Pista 1, que fala sobre a coletânea Re-Trato, do site Musicoteca. O projeto reuniu vários artistas influenciados pelos Hermanos pra fazer versões das músicas da banda.

No meio da produção desse texto, dentro da minha cabeça foi se formando um relato sobre o meu laço com os barbudos, e já que hoje já falta menos de um mês para o Lupaluna 2012 (o Felipe já comentou aqui), que vai ter show do próprio Los Hermanos, achei válido aproveitar o momento. Lá vai:


Los Hermanos após o primeiro show da turnê 2012, durante o festival Abril Pro Rock, no Recife. Rodrigo Amarante ficou magro, como você pode bem perceber (foto: Rafael Passos/Divulgação)


Quando eu estava no colégio e o pessoal começava a gostar pra valer de música, havia uma clara divisão. Quem gostava de rock não ouvia MPB ou samba. Ou você ouvia Skank e Chili Peppers, ou então preferia Marisa Monte e escutava Caetano Veloso com seus pais. Não sei se era porque o pagode vivia seus tempos áureos, mas talvez por isso, existia esse certo distanciamento entre o que a gente achava legal e o samba ou outros ritmos mais “brasileiros”.

A coisa ainda iria piorar. Cresci mais um pouco e veio essa moda de ser indie. Gostar do alternativo, querer ser Strokes, ouvir bandas britânicas e, algumas vezes até desprezar o nacional. Eu sei que nessa época o Los Hermanos já tinha uma legião de fãs, e lotava seus shows por aí. Mas era algo que ainda não tinha chegado até mim e meus 13, 14 anos. O fenômeno Los Hermanos pertencia a uma geração um pouco mais velha, e - sem querer apelar para estereótipos -, gente que já estava na faculdade.

Acontece que eu fui conhecê-los quando a banda já tinha uma carreira bem consolidada. Tão bem consolidada que, não demorou, e resolveram parar. Pararam no momento em que eu, depois de descobrir tardiamente o Bloco do Eu Sozinho e o Ventura, ainda digeria o 4. Achava tudo aquilo genial e nem tinha enjoado ainda. O auge da admiração por uma banda.

O Los Hermanos acabou e eu nem tinha visto um show sequer.

Os caras deram um tempo, mas a partir do momento que eu me tornei fã, abriu-se um precedente para que eu aceitasse melhor a música brasileira. E eu, assim, meio por fora, não sabia que eles eram realmente reconhecidos. Me espantei um dia que li por aí que Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante podiam ser considerados o Chico e Caetano da nossa geração, porque eu sabia da dimensão que esses nomes tinham, mas tinha muito mais ouvido falar sobre eles do que as suas músicas, propriamente.

Aquela divisão da época do colégio, então, tinha se quebrado. Despertou em mim um sentimento de que a gente pode ser eclético e levado a sério ao mesmo tempo. Não deixei de gostar das bandas britânicas, e nem virei o maior fã do mundo de Chico Buarque. Até por isso, juntar os dois gêneros, como fez o Los Hermanos, talvez componha um estilo que mais me interessa até hoje. Bote aí Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Móveis Coloniais de Acaju, e por aí vai.

O curioso é que, apesar de eu ter me tornado um fã atrasado, de certa forma virei também um dos mais precoces de uma geração. A geração de fãs que nunca viram Camelo e Amarante juntos ao vivo, nunca contaram os dias ansiosamente pelo lançamento de algo novo. Muita gente mais nova viria conhecê-los ainda depois de mim. Recentemente estive num show do Marcelo Camelo e fiquei a observar o perfil do público que chegou cedo pra pegar os lugares da frente. E vi, mesmo, uma grande porção da plateia ocupada por gente jovem que, se não foi um pouco mais precoce do que eu, certamente não chegou a ver o Los Hermanos ao vivo. Quem sabe o chegar cedo, pegar um lugar na frente, não seja um sinal da ansiedade que esse público tem de ver pelo menos um deles de perto.

Além de shows como esse, os discos solo do Camelo e o do Amarante com o Little Joy serviram nesse tempo pra dar um pouco do gosto do que era ser fã de Los Hermanos na época em que eles eram ativos.

Mas nessa última sexta-feira, lá no Recife, eles voltaram. E dessa vez não só pra abrir pro Radiohead, ou pra fazer alguns shows lá pelo nordeste, como já aconteceu em anos passados. Uma turnê de verdade, que até vai passar por aqui, e acabar de vez com a espera minha e de toda essa geração.

Bateu um frio na barriga, confesso. Daqueles de quando você está prestes a encontrar alguém importante que ainda não conhece. Pouco mais de três semanas nos separam do dia 18 de maio, primeira noite do Lupaluna, quando finalmente a turnê encontra Curitiba e enfim seremos apresentados.

Muito prazer, Los Hermanos. Já ouvi muito falar de vocês...